Anotações
Apresentação de slides
Estrutura de tópicos
1
Tarô,
vidência ou
interpretação?
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Quais dons?
  • Antes de discutir o ponto central – a dança entre a vidência e o trabalho intelectual –  podemos lembrar de alguns outros nomes e  dons humanos envolvidos na utilização do tarô:
    • experiência,
    • conhecimento, estudo,
    • criatividade, expressão artística,
    • sensibilidade, sensitividade,
    • intuição, paranormalidade, mediunidade...
3
Quais jogos do tarô?
  • E não podemos esquecer das inúmeras utilizações práticas das cartas nos últimos séculos:
    • jogos e diversões, passatempos,
    • artes, montagens, espetáculos de mágica
    • carteado para apostas em dinheiro,
    • “up-grade” do ler a sorte pelas mãos,
    • cartomancia, magia operativa,
    • aconselhamento, terapia,
    • livro esotérico, mutus liber...
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1. Um apanhado
dos usos do baralho
e das habilidades envolvidas
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Mágicos e castelos de cartas
  • Dons exigidos:
    • habilidade manual, criatividade,
    • gosto pelo teatral, pela exibição, pela encenação surpreendente,
    • representar novos papéis, ser o centro de atenções,
    • dar asas à imaginação.
    • O ocultamento, o “blefe”, faz parte da arte,
    • (-) quase sem qualquer “contra-indicação”...
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Passatempos (“solitaire”)
  • Envolve
    • exercitar o pensar, a inteligência,
    • desafiar a si mesmo, superar barreiras e dificuldades,
    • lazer sem depender de parceiros;
    • (-) reforço ao isolamento...
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Jogos de baralho, como lazer em grupo
  • Tal como os esportes de empenho físico, pressupõem:
    • satisfação psicológica e social por competir e vencer,
    • formação de parcerias, apoio mútuo, sociabilidade, aplicação de estratégias e inventividade,
    • capacidade de esconder e de lidar com as emoções,
    • o faz-de-conta e o blefe;
    • (-) eventual adoção de “os fins justificam os meios”...
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Jogos a dinheiro
  • Intensificam certos traços dos jogos de lazer e se aproximam do jogos do poder:
    • excitação, prestígio psicológico e social pelos ganhos materiais obtidos na “guerra” contra os concorrentes,
    • inteligência, estratégia, esperteza, o blefe como norma,
    • (-) muitas vezes, um vale-tudo em que o importante é ganhar, sejam quais forem os meios...
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Ler a sorte, num cenário popular
  • Aqui também diferentes dons se misturam:
    • vidência, paranormalidade, sensitividade, exercício do poder divinatório e mágico (real ou não),
    • encantamento pelo destino, pelo mundo invisível,
    • performance, dom de ser convincente, vestir-se a caráter, exercer autoridade; obter prestígio e dinheiro,
    • (-) o blefe e logro: “otário não merece respeito”...
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Cartomancia, num cenário mais reservado
  • Seus atributos são paralelos aos do “ler a sorte”
    • aplicação de dons de vidência,
    • gosto pelo jogo de acertar o futuro, exercício do poder divinatório (real ou não),
    • vestir-se de modo inusitado para representar papéis de mago, de ocultista, bruxo;
    • (-) meio para ganhar a vida, com ou sem ética...
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Aconselhamento e terapia
  • Herança dos antigos atributos do poder religioso-sacerdotal:
    • promover a tomada de consciência,
    • indicar ou realizar os caminhos da cura,
    • descobrir as dinâmicas pessoais, psicológicas, familiares e sociais,
    • gosto pelo exercício do papel de orientador, sábio, velho mestre,
    • obter remuneração,
    • (-) riscos de presunção, magister dixit e blefes...
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Esoterismo e ocultismo
  • Pretende alcançar oitavas superiores às dos cartomantes e às dos terapeutas, dispensa a vidência mas envolve, no fundo, os mesmos desafios humanos:
    • promover a tomada de consciência espiritual, cósmica,
    • descobrir os caminhos da cura e regeneração da alma,
    • gosto pelo exercício de papéis hieráticos:
      • orientador, sábio, mestre,
      • presidir rituais na condição de mago, esconjurador, acionador de processos astrais,
      • teatralização, uso de trajes e adornos inusitados, objetos mágicos,
      • obter remuneração material ou outra,
      • (-) exacerbação do ego, blefes e enganos fatais...
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E tem mais
  • Neste vôo panorâmico pelos atributos humanos envolvidos nos variados usos do baralho, foram cometidos alguns deslizes intencionais:
    • não foi feita uma distinção qualitativa entre as diferentes modalidades de uso do baralho,
      • nem do grau do saber ou do nível ético dos usuários;
    • não se levou em conta a fragmentação do tarô
      • em “arcanos”, “baralho comum”, “lenormand-cigano”;
    • e as idéias foram apenas lançadas, sem fundamentação.
  • Também foi deixado de lado o mundo dos negócios, que gera milhões de dólares anuais, por parte de:
    • impressores, distribuidores, varejistas, artistas, artesãos, empresários de jogos, que trabalham na produção, distribuição e exploração dos jogos em geral.
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Duas constatações
  • O cenário coletivo (mundial) de utilização das cartas apresenta mundos “paralelos e incomunicáveis”;
    • pois, apesar de utilizarem o mesmo instrumento, não podemos colocar lado-a-lado a boa alma das comunidades interioranas, que ajuda seus próximos com leituras das cartas e orações, e o bandido do “farwest” que tem no jogo de baralho o pretexto para a extorsão...
  • Outra constatação desconcertante para o tarólogo: o blefe (e no extremo, o anti-ético) está fortemente associado aos diferentes usos das cartas.
    • E quem estudou a história da abordagem esotérica do baralho, a partir do final do séc. 18, sabe da quantidade de “contos do vigário” e de “feira de vaidades” que se mesclam e muitas vezes se superpõem aos esforço de autores sérios.
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"Não vamos nos alongar nesse..."
  • Não vamos nos alongar nesse quadro das diferentes utilizações das cartas, por não ser o objetivo central desta exposição, mas fica o convite aos interessados pelo assunto para encaminharem seus comentários e estudos ao Clube do Tarô.
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2. Dons espontâneos
x
estudo e experiência
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O aprendizado x vidência
  • Há uma antítese coletiva na relação com tarô, que se torna clara nas aulas destinadas aos iniciantes.
    • De um lado, há o reconhecimento de uma linguagem simbólica que pode ser estudada e compreendida
    • e, de outro, revela-se um obscuro temor, de estar tocando em searas dúbias, coisas de bruxas(os), que envolvem manipulações perigosas da alma humana.
      • É freqüente os iniciantes manifestarem preocupação com a gravidade do que irão dizer numa futura leitura de cartas, mesmo quando a pessoa se mostra comunicativa e dá habitualmente palpites para todos os que se encontram ao seu redor!
  • Podemos ler esse fato como um indício da ambigüidade dos condicionamentos culturais (egrégoras, arquétipos),
    • mas também como uma possível mobilização de seriedade suscitada pelas cartas! Quem saberá?!
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Pitonisa e sacerdote
  • Essa dicotomia entre o estudo metódico dos símbolos e a revelação do oculto por vias psíquicas, inconscientes, não constitui uma conseqüência da vida moderna.
    • Basta lembrar o Oráculo de Delfos (1100 a.C):
      • a captação ficava a cargo das pitonisas, em transe,
      • enquanto que a tradução das mensagens constituía atributo dos sacerdotes.
  • Esse exemplo pode ser entendido como uma indicação de que, na função oracular, a vidência deve submeter-se à qualificação do conhecimento e da experiência.
  • Os tarólogos e cartomantes modernos tentam reunir as duas funções, mas a gradação e combinação entre intuição psíquica e o saber consolidado pela experiência são, na prática, extremamente variados.
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Uma tentativa de situar o dom
  • Para tentarmos entender o dom intuitivo que se encontra fortemente associado ao uso do baralho, em particular no campo da cartomancia, algumas idéias podem servir de apoio:
    • a Lei de Três,
    • a Quadruplicidade
      • os elementos e os temperamentos.
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Lei de Três e os níveis do ser
  • Na visão ocidental, cristã, o homem é constituído de
    • espírito (nível superior) meta dos sábios, dos sacerdotes e dos buscadores,
    • corpo (nível material), o assunto implacável e em nossas vidas,
    • alma (nível intermediário) mundo do psicológico, do emocional, dos desejos e anseios;
      • retratada nas artes, nos espetáculos coletivos,
      • e estudada pela psicologia e pela astrologia.
  • Tudo indica que ao falar de dons, como vidência, mediunidade, sensitividade, estamos na maior parte das vezes focando esse nível do meio.
    • Vejamos a mesma idéia representada num gráfico.
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A tríade humana: espírito, corpo e alma
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A quadruplicidade e os tipos
  • Um importante fator de diferenciação entre os seres é dado pela distribuição desigual dos atributos essenciais ou tipos:
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Modalidades de intuição?
  • Se admitirmos a quadruplicidade de canais ou veículos para a captação de qualidades sutis podemos afirmar que cada tipo ou temperamento tem sua especialidade intuitiva
    • paus, fogo: inspiração, revelação, arrebatamento,
      • estímulo para colocar em ação, animar e superar;
    • ouros, terra: convicção confirmada pela sensação, pelo grau de substancialidade, do sentir no corpo
      • estímulo à persistência e a concretização;
    • espadas, ar: lampejos, insight, revelação pelas palavras e idéias;
      • estímulo para conhecer e prever;
    • copas, água: visões, sentimentos, pressentimentos;
      • estímulos para o acolhimento e a doação.
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Intuição e elaboração do conhecimento
  • O interesse pela pelo tema da intuição-conhecimento depara-se com duas frentes de estudo:
    • compreender melhor as características de cada tipo isoladamente e o efeito de suas combinações;
    • descobrir os caminhos para educar, desenvolver, integrar esses diferentes dons que, por permanecerem num estado apenas potencial, infantil, são quase sempre negados, desconsiderados.
  • A plena superação da aparente dicotomia entre intuição e compreensão não se faz de modo súbito
    • passa necessariamente pelo intercâmbio entre os indivíduos que buscam na mesma direção,
    • e, mais ainda, pela indispensável persistência no tempo.
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3. A crise
do mundo moderno
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Como e onde?
  • A integração do conhecimento (obtido pelo esforço ou pela herança) com os dons inatos constitui, desde sempre, um desafio, hoje acrescido de confusões extras
    • como é o caso, por exemplo, da “dessacralização” ou banalização do conhecimento interior, da redução do espiritual ao plano psíquico, do obscurecimento dos níveis de qualidade pelo poder da quantidade.
  • A reação moderna contra o arbítrio das velhas instituições religiosas redundou em muitos casos  na recusa cega das fontes tradicionais do conhecimento.
    • Daí a esperança difusa – e no mais das vezes insustentável – de encontrar nas ciências físicas um fundamento para as experiências sutis...
      • Outra face do conflito humano: estamos numa dinâmica de progresso (“a ciência salva”) ou de decadência (o “esquecimento da fonte é mortal”)?
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Uma postura possível
  • Estou convencido de que, na verdade, não precisamos criar sistemas ou inventar máquinas sofisticadas para harmonizar os diferentes conhecimentos.
    • A Idade de Ferro não dispõe de recursos para tanto.
    • Dependemos, em grande medida, do resgate de legados da Idade de Ouro – como é o caso das linguagens simbólicas – que nos estimulam a decifrar seus ensinamentos, a desenvolver um novo pensar.
  • O Tarô, muitos sentem assim, faz parte dessa corrente de transmissão que ainda resiste, em certa medida, à corrosão dos tempos sombrios.
    • Seria um dos Mutus Liber ao nosso alcance, com símbolos que nos alimentam com impressões sutis, indispensáveis para dar um norte à aspiração de busca daquilo que se encontra além da nossa visão imediata.
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1º Simpósio de Tarô de São Paulo

31.março.2007
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