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14 de agosto de 2022

Responsável: Constantino K. Riemma


O Enforcado e a Imobilidade: saídas e fugas
Vera Vilanova
Consulentes "de primeira viagem" costumam perguntar durante as sessões de Tarot "se o jogo está bom" e se esta ou aquela carta "é boa ou ruim". Após algumas consultas, eles deixam de lado essas obsessões e passam a compreender que todo Arcano tem seu lado positivo e negativo - e que (1) o tipo de jogo feito, (2) a posição da carta no mesmo e (3) a combinação dela com as outras cartas presentes é que vão, conjuntamente, indicar que tipo de energia está fluindo no seu atual momento, além de revelar quais são as suas possibilidades de intervenção para mudanças de cenários indesejados (algumas vezes nula, em outras de até 100%).
Sabemos que não existem cartas boas ou ruins e sim mistérios de sombra e luz vividos pelo ser humano em sua jornada pessoal de aprendizado e aperfeiçoamento da alma. Sabemos, também, que os jogos não são nada mais do que rotas do mapa da vida que têm altas probabilidades de acontecerem ("especialmente se deixarmos a vida nos levar") e que tais rotas preveem tanto situações favoráveis quanto adversas a serem enfrentadas.
O Pendurado, a Morte e a Torre no Tarot Rider-Wite-Smith
O Enforcado, a Morte e a Torre no tarot Rider-Wite-Smith
Podemos, portanto, afirmar, sem medo de errar, que (1) a composição de um Jogo de Tarot prenuncia o cenário para onde a vida do consulente se encaminha caso ele nada faça para alterar o rumo dos acontecimentos atuais e/ou previstos e que (2), usando seu livre arbítrio, ele pode ampliar os benefícios enviados pelo cosmo e evitar ou arrefecer situações futuras desgastantes. E é para isso que se consulta o Tarot, para termos a chance de favorecer as experiências gratificantes e amenizar as consequências negativas dos malefícios previstos pelo destino.
O Enforcado é uma carta de imobilidade, nele nos sentimos estagnados: vivenciando uma espera prolongada, um grande atraso ou um terrível obstáculo. Nessa parada forçada, que normalmente não surge de uma surpresa súbita, precisamos construir um clima de calma e resignação por vontade própria (o autossacrifício), condição sine qua non para enfrentar com serenidade e resiliência o que não pode ser alterado nessa fase. É momento adequado para reflexão sobre a vida em geral e de nossas metas e objetivos em particular.
Muitas vezes O Enforcado sinaliza uma situação desejada, mas que exige espera e o melhor exemplo disso é uma gravidez planejada, a qual uma vez realizada tem um longo tempo de espera (9 meses). Um outro exemplo de situação de Enforcado seria a espera de uma designação de um cargo público em concurso: a pessoa deseja a função, estuda, faz concurso e passa (fases do desejo) e depois tem que esperar, se possível com serenidade, a nomeação por Diário Oficial. E uma outra, que exige conviver ou transpor um terrível obstáculo, seria a de uma pessoa que passou a vida toda se preparando para ter uma velhice tranquila e saudável e, quando estava chegando lá, de repente se descobre com um câncer no pâncreas, contra o qual nada pode fazer, de fato.
Daí, me pergunto, se para o consulente uma consulta de Tarot se resumisse apenas a tomar conhecimento dos fatos futuros previstos, bons ou ruins, de que serviria tais antecipações? Ao meu ver, um futuro complexo, cheio de situações ameaçadoras, sem o poder do uso do livre arbítrio para contê-las seria totalmente inútil e masoquista pois só serviria para tornar o consulente mais vulnerável e ansioso perante a vida.
O ambiente de Enforcado é muito difícil de ser aceito e gerido por pessoas assertivas e que gostam de controlar o destino. Tais pessoas se sentem profundamente desconfortáveis e ansiosas em situações de decisões fora de sua alçada. Elas querem decidir tudo, mas a vida nem sempre lhes permite isso. O viver, em muitas situações, é imprevisível; e o morrer também, especialmente quando estamos "dançando com a morte". Uma e outra fase podemos planejar, mas com limitações, isto é apenas dentro dos fatos e decisões ao nosso alcance.
O Pendurado, La  Muerte e a Torre
O Pendurado, a Santa Morte e a Casa de Deus
Nos taros de Marselha, Dark Godess e Wirth
Numa situação de Enforcado, existem duas formas de escape/fuga mais previsíveis: A Morte (corte de situações indesejadas com retorno do controle da vida) e A Torre (experiências fortuitas desagradáveis enviadas pelo cosmo, em geral quando fugimos das recomendações Carta da Morte). Se não tomarmos as decisões recomendadas pela Carta da Morte provavelmente levaremos, mais adiante, uma boa bordoada do destino (uma situação de Torre).
Com base nas considerações tecidas acima podemos fazer uma correlação com as experiências vividas durante os "anos de coronavírus" (2020/2021). A pandemia se constituiu numa situação de Enforcado. Nesse período, no mundo inteiro, o ser humano pode optar, individualmente, por dois caminhos distintos: o de prevenção ou o de descaso em relação ao vírus e as medidas de proteção.
Para os que optaram por se prevenir (com máscaras, isolamento e vacina) podemos constatar uma atitude de Carta da Morte (tentar evitar e eliminar o que poderia ser fatal), os que renegaram os meios e as ferramentas de proteção optaram por um caminho de Torre, onde tudo era possível, inclusive a morte física.
Vera Vilanova
Vera Vilanova é Taróloga, Astróloga e estudiosa dos Florais de Bach,
com mais de duas décadas de experiência com consultas e cursos.
Vera atende presencialmente em Salvador (Piatã) e também via skype.
Oferece cursos individuais ou em grupos, tanto presencial quanto online.
Contato: veravilanova@gmail.com  e/ou (71) 3285-5536
Colaboradora no Clube do Tarô. Acesse seus artigos em: Autores no C.T.
Edição: CKR 5/07/2022
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