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| ARCANOS
MAIORES - As 22 cartas |
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| XVIII. A LUA |
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| O Arcano da Inteligência instintiva, dos ciclos vitais |
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Compilação de
Constantino K. Riemma |
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Tarô de
Marselha
[www.camoin.com] |
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A Lua parece
atrair (ao contrário do Sol)
dezenove manchas de cor, em forma de
lágrimas. Essa direção
das gotas variam com as diferentes desenhos,
mesmo entre as versões clássicas.
Embaixo da Lua
há dois cães e, mais atrás,
duas torres. Alguns autores reconhecem
um dos animais como cão e, o
outro, como lobo.
Em primeiro
plano, um lagostim (a maioria das descrições
fala em “caranguejo”) encontra-se
num tanque que, com suas bordas retas,
parece construído; os dois cães
têm a língua para fora,
dando a entender que querem lamber as
gotas. Do chão brotam várias
plantas (ou apenas três, em algumas
versões). As
duas torres parecem delimitar e proteger
o espaço no qual se encontram
os animais e o tanque.
A
Lua está ao mesmo tempo cheia
e crescente; dentro desta última
figuração vê-se
o perfil humano; os raios são
de dois tamanhos. As dezenove lágrimas
estão dispostas em forma de colar,
numa fileira dupla e com a ponta para
baixo. |
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| Significados simbólicos |
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A inteligência
instintiva, os ciclos vitais. Os
elementos, o mundo visível, a luz refletida,
as formas materiais, o simbolismo. Imaginação.
Reflexão e reflexos. Aparências.
Ilusões. O
momento de reavaliar a direção
em busca do retorno à fonte. |
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| Interpretações
usuais na cartomancia |
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A objetividade,
o mundo sensível, instintivo,
vital. Experimentação,
trabalho, penosa conquista da
verdade. Instrução
pela dor; trabalho cansativo,
mas necessário.
Vidência
passiva, receptividade, sensibilidade,
lucidez.
Navegação,
mudança. Inconstância,
insegurança, medo. Irracionalidade,
fantasias, penumbra. Mental:
Em caso de negociações:
mentira; em caso de trabalho pessoal:
erro. Olhar superficial em todos
os níveis.
Emocional:
Sentimentos conturbados ou em
desordem, passionais, aparentemente
sem saída. Ciúmes.
Hipocondria. Idéias quiméricas.
Físico:
Obscurecimento. Agitação.
Escândalo, difamação,
denúncia, segredo que fica
público.
Se
a pergunta se refere à
saúde, pode significar
desordens no sistema nervoso,
o que pode tornar recomendával
uma mudança de ambiente,
para buscar lugares secos e com
calor. |
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Tarô
de Marselha
[www.krishadar.com] |
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Sentido
negativo: O instinto – causa
de miragens – acentua seus efeitos pela
situação ascendente do pântano.
Estado de consciência confuso que permanece
latente e sem se manifestar. Erros dos sentidos,
falsas suposições. Embustes,
enganos, decepção, desilusão.
Teorias falsas, falso saber, vidência
histérica. Ameaça, chantagem.
Viagem inoportuna,
caprichos. Caráter neurótico. |
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| História
e iconografia |
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Tarot "Gringonneur"
(c. 1455) |
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Em vários
desenhos do Tarô – sejam
anteriores ou posteriores ao de Marselha
– o arcano XVIII representa dois
astrólogos,
elaborando cálculos sob uma lua
minguante. Os diversos elementos
do baralho de Marselha – os cães,
o caranguejo, o tanque, as torres –
não aparecem neles. A própria
Lua só é apresentada num
plano, ao contrário do desenho
concêntrico (perfil humano, crescente,
disco), tal como aparece no Tarô
de Marselha.
Já nos
desenhos mais conhecidos, as duas torres
podem ser consideradas como pórticos
monumentais, que defendem ou protegem
o espaço interno, no qual se
encontram os animais.
É imporante
lembrar que a Lua (Diana-Hécate,
na mitologia grega) é ao mesmo
tempo Janua Coeli e Janua Inferni: a
porta do Céu e a porta do Inferno,
o que as coloca em estreita relação
com os dois cães (ou lobos) a
uivar. Constituem indicadores da idéia
de dualidade, bipolaridade. |
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| Já o jesuíta
Athanase Kircher localizava Anúbis
e Hermanúbis (divindades curiosamente
representadas com cabeça de chacal)
ante as duas portas do Céu: Anúbis
no solstício de inverno, frente à
porta da ascensão, indicada pelo Capricórnio;
Hermanúbis no solstício
de verão, frente à porta da
descida, ou do homem, indicada por Câncer. |
Clemente de
Alexandria, por outro lado, descreveu
as procissões egípcias,
que incluíam o passeio dos dois
cães-deuses:
“segundo eles, guardiães
das portas no Sol, no norte e no sul”,
o que poderia ter relação
com os solstícios do inverno
e da primavera.
Embora não
haja exemplos de zoolatria entre os
gregos, é verdade que consagraram
diversos animais para a companhia dos
deuses. No caso de Artemisa
– afirma Plutarco, em
Isis e Osíris
– seu cortejo era formado por
dois cães; é significativo
lembrar que a caçadora celeste
era, para seu povo, uma divindade lunar.
Quanto ao caranguejo,
sua relação com a Lua
é antiga e constante, aparecendo
em ritos e lendas protagonizadas pelo
astro noturno em numerosas culturas.
Isto pode ser atribuído à
marcha retroativa do animal, comparada
ao movimento da Lua pela observação
popular. |
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Do ponto de vista
astronômico, o caranguejo se relaciona
com o simbolismo geral da carta e das torres
em particular: Câncer
é, como se sabe, signo do Trópico
e, ainda, do solstício de verão,
no hemisfério norte.
As manchas de cor
em forma de lágrimas que chovem da
Lua (ou se dirigem para ela) estão
desenhadas com a ponta para baixo; no arcano
seguinte (O Sol) aparecem com a ponta para
cima. |
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| Tarô de Oswald Wirth |
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Ouspensky
viu nas imagens do Arcano XVIII uma
alegoria da viagem heróica,
um resumo claro do simbolismo relacionado
ao trânsito e a passagem: o tanque
de água (matéria primordial),
o caranguejo que emerge (devorador do
transitório, como o escaravelho
entre os egípcios), os cães
que interceptam a passagem (guardiães,
qualificadores da aptidão do
viajante para enfrentar o mistério),
as torres no horizonte (cheias de ciladas
e também de portas – meta,
fronteira).
Cirlot imagina
que os cães impedem a passagem
da Lua para o domínio do logos
(conhecimento solar) e comenta a descrição
de Wirth sobre o que
não se vê na gravura: “Atrás
dessas torres há uma estepe e
atrás um bosque (a floresta das
lendas e contos folclóricos),
cheio de fantasmas. Depois há
uma montanha e um precipício
que termina num curso de água
purificadora. Essa rota parece corresponder
à descrita pelos xamãs
em suas viagens extáticas." |
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O que parece evidente
é que o Arcano XVIII está mais
relacionado que qualquer outro com o plano
iniciático da via úmida
(lunar). É por isto que Wirth o relaciona
à intuição
e ao imaginativo, ainda que
entre suas interpretações mais
recorrentes figure a sensualidade.
A aproximação
do Arcano XVIII com o vasto simbolismo
lunar seria interminável,
desde a sua relação com o ciclo
fisiológico feminino até o panteão
das divindades noturnas, passando por suas
implicações cósmicas,
mágicas e astrológicas.
Parece mais prudente
considerar que a Lua não se refere
a tudo que nomeia, mas sim à situação
específica que compõe com os
outros elementos da carta. É bom cuidar
para não limitar este arcano ao repertório
específico da Astrologia. |
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Outros estudos sobre a Lua |
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| • |
Curso de Tarô com Betoh Simonsen : A Lua |
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