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| ARCANOS
MAIORES - As 22 cartas |
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| XX. O JULGAMENTO |
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| O Arcano da Ressurreição |
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Compilação de
Constantino K. Riemma |
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Tarô de
Marselha
[www.camoin.com] |
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Na parte superior
da carta, rodeado de nuvens, um anjo
toca uma trombeta. Na parte inferior,
três personagens nus – um
dos quais, o do centro, está
de costas – parecem estar em atitude
de oração. Uma terra árida
se estende por trás deles.
O personagem
que está de costas emerge de
uma espécie de sarcófago;
seus cabelos são azuis e tem
uma tonsura. Dos seus lados, visíveis
somente até a cintura e representados
de três quartos, os dois personagens
restantes – uma mulher à
esquerda e um homem com barba, à
direita – parecem olhar para a
figura do centro. Têm as mãos
juntas, como numa prece. Sobre
um céu incolor, o anjo está
rodeado de um circulo de nuvens azuis,
das quais saem vinte raios: dez são
amarelos; os outros dez, vermelhos.
De suas vestes vê-se apenas um
corpete branco e umas mangas azuis (ou
vermelhas, em algunas versões).
Segura a trombeta com a mão direita,
que está próxima da boca;
a esquerda apenas a toca, segurando
um retângulo com uma cruz. |
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| Significados simbólicos |
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Os julgamentos essenciais,
a avaliação dos rumos da existência.
O despertar. Exame
de consciência. Sopro redentor.
Renovação.
A promessa da vida eterna. |
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| Interpretações
usuais na cartomancia |
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Entusiasmo,
exaltação emocional,
intensidade dos sentimentos, espiritualidade.
Capacidades ocultas, dom de adivinhação.
Atos prodigiosos,
medicina milagrosa. Santidade,
doação.
Renovação,
nascimento, retorno de assuntos
do passado ou sua atualização.
Recados, propaganda, proselitismo,
apostolado.
Estar
sujeito à avaliação
dos outros, ser julgado por suas
ações.
Mental:
O homem convocado a um estado
superior; tendências e desejos
de elevação.
Emocional:
Devoção, exame de
consciência. Físico:
Estabilidade nos assuntos que
estão encaminhados. Saúde
e equilíbrio. Sentido
negativo: Erro em relação
a si mesmo e a todas as coisas;
provas e trabalhos que resultarão
de um juízo falso. Vacilação
espiritual, ofuscamento da inteligência.
Bobo evocador de fantasmas.
Ruído,
alvoroço, agitação
inútil. |
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Tarô de
Marselha
[www.krishadar.com] |
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| História e iconografia |
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Juízo
Final:
resurreição
dos mortos
Notre-Dame des Fontaines (França)
[www.culture.gouv.fr] |
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As gravuras
cristãs, em geral, mostram duas
idéias diferentes de ressurreição.
A primeira é a dos Evangelhos
e se refere aos fenômenos produzidos
no momento da morte de Jesus:
“Abriram-se
os sepulcros e muitos corpos de santos,
que dormiam, ressuscitaram, e, saindo
dos sepulcros depois da ressurreição
de Jesus, entraram na cidade santa e
apareceram a muitos” (Mateus,
28, 52-53).
Um exemplo desta
versão pode ser visto numa miniatura
do século XII. “A terra
recebeu ordem de devolver os seus mortos”,
diz a legenda que a acompanha. A ilustração,
ao lado, oferece idéia similar.
A segunda, mais
amplamente difundida, é a do
Juízo Final.
Sobre ela escreveram Mateus (25, 31-46)
e, com maior detalhe, João (Apocalipse,
20, 12). Os
artistas que se inspiraram nesta última
versão se viram obrigados a selecionar,
cada um à sua maneira, dentre
a profusão de símbolos
e alegorias verbais evocados por João
para narrar esta cena. |
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As primeiras representações
do Juízo Final
remontam ao ano mil, aproximadamente,
mas alcançaram a perfeição
nos séculos XII e XIII, nas catedrais.
Conhece-se apenas um exemplo anterior
a estas datas: trata-se de um baixo-relevo
em marfim (Tours, c. 800).
Em todas estas
imagens, os mortos surgem completamente
nus dos seus túmulos, o que seguramente
foi tomado de fontes tradicionais (o
Livro de Jó; a carta
de São Columban a Hunaldus –
ano 615; o opúsculo Desprezo
do Mundo, de Inocêncio III
– cerca de 1200). Uma
tradição popular, surgida
nesta mesma época, acredita que
os mortos surgiriam de seus túmulos
como esqueletos, mas que se revestiriam
então da carne e da pele perdidas
assim que tomassem contato com a luz. |
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Vitral
da St. Chapelle
Paris |
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| A presença
dos ressuscitados, bem como
o anjo com a trombeta que parece convocá-los,
remetem claramente o arcano XX do Tarô
a essas imagens do Juízo Final; até
a bandeirola da trombeta, que reproduz uma
cruz-de-malta, é freqüente nos
modelos em que a carta provavelmente se inspirou. |
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| Tarô de
Oswald Wirth |
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Num sentido
geral, o simbolismo do Arcano XX refere-se
à morte da alma, ao esquecimento
da sua finalidade transcendente, no
qual o homem pode cair: o sarcófago
ou túmulo representaria as fraquezas
e apetites carnais, e o anjo com a trombeta
faz a convocação do espírito:
a oportunidade pela qual desperta o
anseio latente de ressurreição
que se supõe adormecido em todo
ser humano.
Para Wirth,
o trio de ressuscitados representa a
família essencial
(Pai-Mãe-Filho) no momento de
sua regeneração,
e o último dos seus termos (o
Filho) representa uma nova metamorfose
do protagonista do caminho iniciático. Quando
se admite que o Tarô constitui
uma alegoria da Iniciação,
é possível reconhecer
o Prestidigitador-Enamorado-Carro-Enforcado
no homem nu do túmulo, “pronto
para receber o Magistério”. |
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Outros estudos sobre O Julgamento |
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| • |
OJulgamento. Uma sentença arbitrária? por Valéria Fernandes: O arcano XX |
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