Responsável: Constantino K. Riemma
 
28 de agosto de 2008
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ARCANOS MAIORES - As 22 cartas
 
VIIII. O EREMITA
O Arcano da Consciência, do Iniciado
Compilação de
Constantino K. Riemma
 
Tarô de Marselha
[www.krishadar.com]
 
    Um homem, de pé, tem na mão esquerda um bastão que lhe serve de apoio, enquanto que com a direita levanta uma lanterna até a altura do rosto. Está representado de três quartos, com o rosto voltado para a esquerda. Veste uma grande túnica e um manto azul com o forro amarelo. Seu capucho, caído sobre as costas, parece continuar a túnica e é arrematado por uma borla amarela.
    A lâmpada, aparentemente hexagonal, tem apenas três de seus lados visíveis, sendo o central vermelho e os restantes amarelos.
    O fundo da gravura é incolor, e o chão de um amarelo estriado de listas negras, muito semelhante ao reverso do manto.
Significados simbólicos
    O Iniciado, o buscador incansável. Sabedoria, iluminação, estudo, autoconhecimento
    Meditação, recolhimento, saber desligar-se. Reavaliação da vida e dos objetivos.
    Concentração, silêncio. Profundidade.
    Prudência. Reserva. Limites. Influência saturnina.
Interpretações usuais na cartomancia
    Austeridade, moderação, sobriedade, discrição. Médico experiente, sábio que cala seus segredos. Celibato. Castidade.
    Mental: Contribuição luminosa à resolução de qualquer problema. Esclarecimento que chegará de modo espontâneo.
    Emocional: Alcançar as soluções. Coordenação, encontro de afinidades. Significa também prudência, não por temor, mas para melhor construir.
    Físico: Segredo descoberto, luz que se fará sobre projetos até agora ocultos. Na saúde: conhecimento do estado real, consultas que podem remediar os problemas.
    Sentido negativo: Obscuridade, concepção falsa de uma situação. Dificuldades para nadar contra a corrente. Timidez, isolamento, depressão, recusa de relações.
    Mutismo, circunspecção exagerada, isolamento, caráter fechado. Avareza, pobreza. Conspirador tenebroso.
Tarô de Marselha
[www.camoin.com]
 
História e iconografia
    O Ermitão é, sem dúvida, um dos arcanos menos alegóricos do Tarô. A imagem de um peregrino em hábito de monge, transportando um cajado, pode ser encontrado em dezenas de iluminuras em manuscritos dos séculos XV e XVI. O único detalhe que o afasta desta monotonia é a lâmpada que leva na mão direita: por ela imagina-se que seja uma ilustração da conhecida história de Diógenes em busca de um homem. Esse relato foi muito popular na alta Idade Média e no Renascimento e, de fato, vários modelos renascentistas do Tarô chamam o Arcano VIIII de Diógenes.
    Alguns estudiosos acreditam que boa parte do simbolismo do Ermitão liga-se aos princípios fundamentais desse filósofo cínico: desprezo pelas convenções e vaidades, isolamento, renúncia à transmissão pública do conhecimento.
    Mas este mutável personagem teve ainda outras representações: no tarocchino de Bolonha, aparece com muletas e asas; no de Carlos VI, tem uma ampulheta no lugar da lâmpada (o que o associa a Cronos ou Saturno, medidores do tempo).
 

Tarô de Oswald Wirth
       Outra interpretação surge ainda do aparente erro ortográfico que se pode ver no Tarô de Marselha, onde a carta figura como L'Hermite em lugar de L'Ermite. Etimologicamente, o nome não derivaria então do grego eremites, eremos = deserto, mas provavelmente de Hermes e seu polivalente simbolismo. A esse respeito, podemos lembrar que é precisamente a Thot, equivalente egípcio de Hermes, que Gébelin e seus seguidores atribuem a invenção do Tarô.
    Wirth explica os atributos do Eremita como termo final do terceiro ternário do Tarô, relacionando-o com os arcanos VII e VIII, que o precedem nesse ternário. Nessa relação, O Carro aparece como o homem jovem e impaciente para realizar a obra do progresso, que A Justiça se encarrega de retardar, amiga como é da ordem e pouco amante das improvisações; O Ermitão seria o conciliador deste antagonismo, evitando tanto a precipitação quanto a imobilidade.
    Costuma-se interpretar também o seu significado como oposto e complementar ao do Arcano V (O Pontífice): o Eremita não é o codificador da liturgia, o responsável executivo de uma igreja, o pastor de um rebanho: seu pontificado é silencioso e sutil, seus discípulos são escolhidos. Na relação iniciática, é evidente que representa o “guru” e por isso foi definido como “o artesão secreto do futuro”.
    No sentido negativo, o Arcano VIIII não é apenas a carta dos taciturnos; por sua minuciosidade e ritualismo, refere-se também aos temperamentos obsessivos.
Outros estudos sobre o Eremita
Eremita - o arcano da autodescoberta, por Cristina Britto. Discute os elementos iconográficos que aparecem nos diferentes baralhos e seus principais significados simbólicos: Autodescoberta
Eremita - um guia de luz, por Valéria Fernandes. Trata dos elementos simbólicos portados pelo personagem: Luz
2007: o ano do Eremita, por Giancarlo Kind Schmid, Jaime E. Cannes, Roberto Dantas, Tânia Regina Soares e Tiago Lopes. Cinco ângulos de apreciação do Eremita a propósito do Ano Novo: Previsões
O Eremita, a peregrinação e o turismo, por Fátima Belo. Comentário e apresentação de um texto de Rupert Sheldrake: Peregrinação
Símbolos cristãos do eremita, por Constantino K. Riemma. Figuras lendárias que inspiram significados do arcano 9: Santo Antão
Curso de Tarô com Betoh Simonsen : O Eremita
 
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