|
|
|
| ARCANOS
MAIORES - As 22 cartas |
|
|
|
| XV. O DIABO |
|
| O Arcano da Contra-inspiração
e da Sedução |
|
Compilação de
Constantino
K. Riemma
|
|
| |
|
 |
|
Tarô de
Marselha
[www.krishadar.com] |
|
|
|
Três
personagens estão representados
de pé. No meio, sobre um pedestal
vermelho em forma de cálice,
um hermafrodita com asas e chifres;
embaixo, uma figura feminina e outra
masculina, pequenas e dotadas de atributos
animais, presas, por uma corda que lhes
passa ao pescoço, a um aro que
se encontra no centro do pedestal.
O personagem
central, despido, veste somente um cinto
vermelho; tem na cabeça uma curiosa
touca amarela, da qual sobem dois chifres
de veado; duas asas amarelas (ou azuis,
na ed. Grimaud), de desenho semelhante
à dos morcegos, brotam das suas
costas. Tudo indica que o personagem
é do sexo masculino, mas seus
seios estão desenvolvidos como
os de uma mulher. Suas mãos e
pés apresentam características
simiescas; a mão direita, erguida,
mostra o dorso; a esquerda segura a
haste de uma tocha. O par acorrentado
é visto de três quartos.
Estão completamente nus, mas
têm uma touca vermelha da qual
sobem chifres negros. |
|
| Têm rabo,
patas e orelhas de animal e escondem as mãos
atrás das costas. No nível em
que se encontram, o chão é preto,
mas na altura do pedestal torna-se azul (ou
amarelo) com listas negras. O fundo é
incolor. |
|
| Significados simbólicos |
|
As provas e provações.
As tentações e seduções.
Magias. Desordem.
Paixão. Luxúria. Dependência.
Intercâmbio,
eloqüência, mistério, força
emocional. |
|
| Interpretações
usuais na cartomancia |
|
Paixões
indomáveis. Atração
sexual. Ação mágica,
magnetismo. Capacidade milagreira.
Poder oculto, exercício
de influências misteriosas.
Proteção contra
as forças obscuras e os
encantamentos. Mental:
Grande atividade, mas totalmente
egoísta e sem preocupação
pela justiça.
Emocional:
Pluralidade, diversidade, avidez,
inconstância. Busca em todas
as direções para
atrair tudo. Sem a menor preocupação
com o próximo. Libertinagem.
Físico:
Grande irradiação
neste plano, em particular no
domínio material e nas
realizações concretas.
Poderosa influência sobre
os outros.
Forte
atração pelo poder material.
Tem, contudo,
uma deficiência: todos os
sucessos a que promete serão
obtidos por vias censuráveis.
Desta forma a fortuna será
feita e os delitos permanecerão
na impunidade.
Inclui
também a punição:
de acordo com a sua relação
com as outras cartas, pode significar
que os sucessos serão efêmeros
e que o castigo virá na
seqüência. |
|
|
|
|
Tarô de
Marselha
[www.camoin.com] |
|
|
|
|
Do ponto de vista da saúde:
grande instabilidade nervosa, transtornos
psíquicos; aparição de
enfermidades hereditárias.
Sentido negativo:
A ação parte de uma base má
e seus efeitos podem ser calamitosos. Desordem,
inversão de planos, coisas obstruídas.
Do ponto de vista da saúde: ampliação
do mal, complicações. Disfunção.
Superexcitação, sensualidade.
Ignorância, intriga. Emprego de meios
ilícitos. Enfeitiçamento, fascinação
repentina, escravidão e dependência
dos sentidos. Debilidade, egoísmo. |
|
| História
e iconografia |
|
| Durante a baixa
Idade Média o Diabo era representado
freqüentemente como um dragão
ou uma serpente, imagem derivada
sem dúvida de seu papel no Gênese.
Por um processo simbiótico –
característico da iconografia –
Eva e o Diabo se fundiram com freqüência
na figura da serpente com cabeça
de mulher: isto pode ser visto quase
sempre nas ilustrações dos mistérios
franceses que falam da Queda. |
| |
|

|
|
São Miguel
e Diabo (dragão)
Mont St. Michel |
|
|
|
O desenvolvimento
antropomórfico, que levou o Diabo
a se converter na figura que conhecemos
tem sua origem, provavelmente, nas tradições
talmúdicas e nas lendas pré-cristãs,
segundo as quais a serpente
edênica teria tido mãos
e pés de homem, membros que perdeu
como castigo por sua maldita intervenção
no drama do Paraíso, ficando
condenada a arrastar-se até o
fim dos tempos.
De modo similar o Diabo aparece no Apocalipse
de Abraão, onde o Tentador
é descrito como um homem-serpente,
descrição retomada por
Josefo e por boa parte dos autores judeus
dessa época.
Já no
Antigo Testamento (Jó
1,6-12 e 2,1-7) menciona-se esta humanização
de Satã, e em Mateus
(4, 3-11) aparece com toda clareza o
antropomorfismo do personagem. Ele é
assim descrito num manuscrito de Gregório
de Nicena, onde toma a forma de um homem
jovem, alado
e nu da cintura para cima. |
|
É somente
no fim do primeiro milênio que
o Diabo sofre a mais cruel de suas metamorfoses;
a que acabou por transformar o
mais formoso dos anjos em sinônimo
de abominação e horror.
Van Rijneberk atribui aos miniaturistas
anglo-saxões essa mudança
iconográfica, que respondia à
simplicidade analógica da época.
Se o Diabo continha a soma de todos
os pecados e escândalos, seria
lógico, dessa forma, que fosse
representado como o apogeu de feiúra
e pavor.
O homem
com garras das figuras mais
tênues sofreu a inclusão
de chifres, dentes
enormes, pêlos, cascos
de bode, seios enrugados, rabo
que terminava em seta. Assim aparece
nos manuscritos alemães dos séculos
X e XI, e no Missel Oxonien
do bispo Léofric (960-1050).
O diabo da lâmina do Tarô
– um morcego hermafrodita
– mostra-se como herdeiro dessa
representação. |
|
|
|
|
São
Miguel e o Diabo
Normandia, 1480 |
|
|
|
|
| |
|

|
|
Primeira
tentação de Jesus
Cristo
Copenhage, 1222 |
|
|
|
Van Rijneberk
destaca o sentido metafísico
de Satã para os Pais da Igreja,
longe ainda dessas representações.
Entre os séculos III e IV, Atanásio
relatou as fadigas que costumavam acompanhar
os tentados: o aspecto do Maligno
produzia mais angústia do que
repulsa; sua voz era terrível
e seu movimento oculto como o de um
assassino. Tanto
Cirlot como Wirth – a partir dos
seus respectivos planos de observação
– evitam entrar no complexo campo
da demonologia ao comentarem o Arcano
XV. |
|
|
Assim, o primeiro
destes autores se limita a compará-lo
ao “Baphomet
dos templários, bode na cabeça
e nas patas, mulher nos seios e braços”
e a mencionar que o personagem tem como
finalidade “a regressão
ou a paralisação no fragmentado,
inferior, diverso e descontínuo”.
Wirth, por seu lado,
diz que o Diabo é o inimigo
do Imperador (IV) na luta política
pelo poder no mundo material, e se pergunta
quem é “que opõe
os mundos ao Mundo, e os seres entre
si”. Para Ouspensky, sua figura
“completa o triângulo cujos
outros dois lados são a morte
e o tempo”, no sentido da formalidade
do ilusório.
Ele dá
origem ao terceiro e último
setenário do Tarô,
plano do mundo físico ou do corpo
perecível do homem. Do ponto
de vista da finitude temporal, não
é menos importante do que o Prestidigitador
para o reino do espírito, ou
o triunfal protagonista de O Carro (VII)
para a análise psicológica. |
|
|
|
|
| "Na medida
em que sempre houve áreas sombrias
e ainda desconhecidas para o conhecimento
e que presumivelmente, os enigmas subsistirão
sempre – diz Jaime Rest no seu artigo
Satanás, Suas Obras e Sua Pompa
—, o demoníaco foi e continuará
sendo uma constante de nossa realidade, já
que esta experiência parece nutrir-se
primariamente de algo que se desdobra além
do domínio humano, e cuja índole
tremenda e estremecedora suscita em nós
este abalo íntimo que os teólogos
denominam temor numinoso”. |
| |
|
 |
Baphomet
|
|
Segundo Eliphas Levi
(1810-1875) |
|
|
|
O estudo dessa
figura pode incluir as metamorfoses
sofridas pelo Diabo (incluindo a variabilidade
do aspecto: da beleza resplandecente
com que Milton e William Blake o imaginaram
até o horror da sua corte nas
telas de Goya) para retornar ao memorável
ponto de partida de onde se concebe
sem dificuldades a permanência
do demonismo: Satã como “um
desafio da ordem que os homens atribuíram
a Deus”.
A figura do
Tentador, por outro
lado, é inseparável das
legiões que o servem (ou seja,
da idéia do Inferno), e o Tarô
repete esta associação
ao representá-lo junto com o
casal acorrentado – seres que
podem ser tanto seus prisioneiros como
seus colaboradores. A repetição
do esquema dantesco é atribuída
por Carrouges à paralisia imaginativa
dos séculos posteriores em relação
ao tema; daí a fixação
e o empobrecimento do ciclo mítico
na literatura européia. |
|
Esta visão
demonológica contemporânea, que
faz do Diabo uma metáfora conflitante
da dignidade humana, não é menos
importante que a tradicional. Impõe-se,
ao menos, como mais uma referência para
a análise atualizada do Tarô.
Os comentários
reunidos até aqui, porém, estão
longe de esgotar as indicações
para o estudo deste personagem tão
ambíguo. Vale a pena conhecer o que
diz G. O. Mebes em Os
Arcanos Maiores do Tarô, sobre
o papel de Baphomet, enquanto representação
"da bipolaridade do turbilhão
astral", passagem inevitável
no processo evolutivo. |
ago.07 |
| |
|
Outros estudos sobre o Diabo |
|
|
| • |
Curso de Tarô com Betoh Simonsen : O Diabo |
|
|
| • |
O arcano XV nas tiragens. Valéria Fernandes apresenta suas impressões do arcano do Diabo e dá um exemplo de como o interpreta na prática: Exemplo |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
 |
Consultas |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|