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| ARCANOS
MAIORES - As 22 cartas |
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| VII. O CARRO |
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| O Arcano do Domínio, do Repouso |
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Compilação de
Constantino K. Riemma |
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Tarô de
Marselha
[www.camoin.com] |
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Dois cavalos
arrastam uma espécie de caixa,
montada sobre duas rodas e coberta por
um dossel, onde se encontra um homem
coroado, que traz um cetro em sua mão
direita. Na parte frontal do carro (a
única visível), em boa
parte dos tarôs clássicos,
há um escudo com duas letras,
que variam com as editoras das lâminas.
Mais do
que de cavalos, poderíamos falar
de dois corpos dianteiros, fundidos
ao carro. Os dois animais olham para
a esquerda, mas a sua disposição
é tal que parecem andar cada
um para o seu lado. O cavalo da esquerda
levanta a pata direita, e o da direita,
a pata esquerda. O dossel repousa sobre
quatro colunas. O
homem, que tem uma coroa do tipo das
de marquês, tem a mão esquerda
sobre um cinto amarelo, na altura da
cintura, e na mão direita traz
um cetro que termina por um ornamento
esférico encimado por um cone.
O peito do personagem está coberto
por uma couraça. Cada um dos
seus ombros está protegido por
uma meia-lua, com rostos de expressão
diferente. |
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Os cabelos do personagem
são amarelos, e seu olhar dirige-se
ligeiramente para a esquerda, no mesmo sentido
que o de seus cavalos. Cinco
plantas brotam do solo. Não aparecem
rédeas ou qualquer outro meio de guiar
o carro. |
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| Significados simbólicos |
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Contemplação
ativa, repouso. Vitória,
triunfo. O
setenário sagrado, a realeza,
o sacerdócio.
Magistério.
Superioridade. Realização. |
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| Interpretações
usuais na cartomancias |
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Êxito
legítimo, avanço
merecido. Talento, dons, capacidade,
aptidões postas em marcha.
Tato para governar, diplomacia,
direção competente.
Conciliação
dos antagonismos, condução
de forças divergentes.
Progresso, mobilidade, viagens
por terra. Mental:
As coisas se realizam, mas falta
ainda montar as peças de
conjunto.
Emocional:
Afeto manifestado; protetor, serviçal.
Físico:
Grande atividade, rapidez nas
ações. Boa saúde,
força, atividade intensa.
Do ponto de vista do dinheiro:
gastos ou ganhos, movimento de
fundos.
Significa
também notícia inesperada,
conquista. Pode ser interpretado
também como difusão
da obra ou atividades do consulente
através de palavras e,
segundo sua localização
na tiragem, significa elogios
ou calúnias. |
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Tarô
de Marselha
[www.krishadar.com] |
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| Sentido
negativo: Ambições
injustificadas, vanglória, megalomania.
Falta de talento e de consideração.
Governo ilegítimo, situação
usurpada, ditadura. Oportunismo perigoso.
Preocupações, cansaço,
atividade febril e sem repouso. Perda de controle. |
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| História e iconografia |
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O desfile dos heróis
triunfantes de pé sobre seus carros
de guerra é um costume pelo menos tão
antigo quanto os próprios carros de
guerra. Court de Gébelin – e
com ele os que acreditam numa origem egípcia
do Tarô – imagina que o Arcano
VII nada mais é que a reapresentação
do Osíris triunfal,
e que os cavalos são uma herança
vulgar da Esfinge. Mais coerente,
contudo, é relacioná-lo às
apoteoses lendárias que comoveram a
Idade Média, época em que se
localiza sua iconografia. |
Pode também
lembrar um conto do ciclo mítico
de Alexandre, o Grande,
amplamente reproduzido desde a Antiguidade
até o Renascimento.
Levado até
o Oriente pela sucessão de seus
triunfos, Alexandre teria chegado até
o fim do mundo. Quis então saber
se era verdade que a Terra e o Céu
se tocavam num ponto comum. Para isto
seduziu com ardis – é preciso
recordar que a astúcia é
também prerrogativa dos heróis
– dois pássaros gigantes
que existiam na região; prendeu-os
e acomodou entre eles uma cesta. |
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Apolo
e o Grifo
[www.mythesgrecs.fr.st] |
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Com uma lança
na mão, em cujo extremo havia atravessado
um pedaço de carne de cavalo, o conquistador
subiu ao seu carro improvisado. Com a promessa
de comida que oscilava ante seus olhos, os
Grifos começaram a mover-se e alçaram
vôo. Os heróis não podem,
contudo, sobrepor-se aos deuses: na metade
do caminho Alexandre recebeu um emissário
dos deuses, um enfurecido Homem Pássaro
que insistiu para que ele desistisse de seu
projeto. Muito a contragosto, Alexandre aceitou
a censura e atirou a lança para a Terra,
para onde desceram os Grifos, impacientes
e vorazes.
Essa lenda, nascida
certamente no Oriente, foi introduzida na
Europa no fim do século II. Estendeu-se
em seguida por todo o Ocidente cristão
e era conhecida desde a baixa Idade Média.
Numerosas ilustrações e várias
esculturas que a representam chegaram até
nós. A Crônica Mundial, de Rudolph
von Ems (século XIII) a reproduz em
uma detalhada miniatura; em São Marcos
de Veneza está o relevo talvez mais
significativo para rastrear as fontes inspiradoras
do Arcano VII: a cesta de Alexandre
é ali uma caixa semelhante à
de O Carro; aparecem também as rodas
esboçadas. |
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Elias no Carro
de Fogo
(A visão de Ezequiel)
Giuseppe Angeli, 1712 - 1798 |
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Durante a
Idade Média, a arte dos imagiers
parece ter-se servido desta lenda como
uma alegoria do orgulho.
Por sua amplitude
simbólica e pela beleza da sua
composição, O Carro figura
entre os arcanos de maior prestígio
do Tarô. É, também,
um dos que oferecem maiores lacunas
de interpretação.
Relacionado
em princípio com Zain
(sétima letra do alfabeto hebreu,
que corresponde ao nosso Z), denuncia
uma mobilidade e inquietude que tem
a ver com todo deslocamento ou ação
ziguezagueante, veloz. |
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Há autores
que relacionam as rodas do Carro aos torvelinhos
de fogo da visão de Ezequiel.
Quando se traduz a
lâmina pela palavra carro
– protótipo dos
sistemas de troca – representa o que
é móvel, transferível,
interpretável. Nesse caso, seu aspecto
oracular é associado às mudanças
provocadas pela palavra: elogios, calúnias,
difusão da obra, boas ou más
notícias; e, por extensão, aos
sistemas de intercâmbio em geral (economian
movimento de fundos).
Aponta-se aqui a questão
das relações entre esta mobilidade
e o dinamismo mercurial do Prestidigitador,
já que esses arcanos se encontram no
início e no fechamento do primeiro
setenário do Tarô. |
Talvez esta
analogia possa ser levada mais longe,
e não parece impossível
que a figura toda seja uma ilustração
desta passagem bíblica. Em Ezequiel
(I, 4-28), com efeito, aparecem não
só as rodas, o carro e os animais,
mas também “sobre o
trono, no alto, uma figura semelhante
a um homem que se erguia sobre ele.
E o que dele aparecia, da cintura para
cima, era como o fulgor de um metal
resplandecente”, o que é
uma descrição bastante
aproximada do personagem do Arcano VII.
Nessa mesma passagem podem-se encontrar
também analogias válidas
para o simbolismo geral do Arcano XXI
(O Mundo).
Há quem
veja ainda, nos animais presos, uma
anfisbena (serpente
de duas cabeças), ou poderes
antagônicos que é necessário
subjugar para prosseguir – “como
no caduceu se equilibram as duas serpentes
contrárias”. O veículo
representaria o simbolismo do Antimônio
(ou a Alma Intelectual dos alquimistas),
mencionado como Currus Triumphalis
num tratado de Basílio Valentin
(Amsterdã, 1671). |
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Currus
Triumphalis
Amsterdã, 1671 |
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| Tarô de Oswald Wirth |
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A totalidade
do arcano sugere, para Wirth,
a idéia do corpo sutil da alma,
graças ao qual o espírito
pode se manifestar no campo do material.
Esta idéia de um halo ou dupla
transubstancial que não pode
ser relacionada a nenhum dos três
aspectos do homem (corpo –>
alma –> espírito), mas
que tende a relacioná-los entre
si, gozou de um vasto prestígio
esotérico: é o corpo sideral
de Paracelso (ou astral, na linguagem
teosófica), como também
o “corpo aromático”,
de Fourier, ou o Kama rupa
do budismo soteriológico.
Finalmente,
permanece em aberto a explicação
para as letras inscritas no escudo:
S e M
(no Tarô da editora Grimaud).
Alguns supõem que se referem
a Sua Majestade; outros, que falam dos
dois princípios alquímicos,
Sulfur e Mercurius).
Não é este o único
ponto obscuro do arcano que Éliphas
Lévy chamou “o mais
belo e mais completo de todos que compõem
a chave do Tarô”. |
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Outros estudos sobre o Carro |
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| • |
O mês do Carro. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano VII é selecionado para orientar um mês de vida: Coragem e perseverança |
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| • |
Curso de Tarô com Betoh Simonsen : O Carro |
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