| IIII. O IMPERADOR |
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| O Arcano da Autoridade, da Paternidade e da Obediência |
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Compilação de
Constantino K. Riemma |
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Tarô de
Marselha
[www.camoin.com] |
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Sentado num
trono com as pernas cruzadas, um homem
coroado é visto de perfil. Em
sua mão direita traz um cetro
que termina por um globo e pela cruz,
enquanto a outra mão segura o
cinto. No primeiro plano, à direita,
um escudo com a imagem de uma águia
parece apoiar-se no chão.
Um colar amarelo
prende uma pedra (ou um medalhão)
de cor verde. A coroa se prolonga extraordinariamente
por detrás da nuca. O
trono, uma cadeira em cujo braço
esquerdo se apóia o Imperador,
repousa – como a mesa do Arcano
I – sobre um terreno aparentemente
árido, do qual brota uma solitária
planta amarela.
Ao contrário
do emblema da Imperatriz, a águia
do Arcano IIII olha para a esquerda.
O desenho das águias, por outro
lado, difere notavelmente num e noutro
caso.
A notação
IIII, no topo do desenho,
que ocorre também nos arcanos
VIIII, XIIII e XVIIII não é
habitual na numeração
romana (que registraria IV, IX, XIV
e XIX). |
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| Essa forma de grafar,
porém, faz parte da tradição
gráfica do Tarô, tal como aparece
na versão de Marselha e na maioria
das coleções de cartas antigas. |
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| Significados simbólicos |
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O poder, o portal,
o governo, a iniciação, o tetragrama,
o quaternário, a pedra cúbica
ou sua base. Proteção paternal.
Firmeza. Afirmação.
Consistência. Poder executivo. Influência
saturnina-marciana. Concretização,
habilidades práticas, ordem, estabilidade,
prestígio. |
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| Interpretações
usuais na cartomancia |
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Direito, rigor,
certeza, firmeza, realização.
Energia perseverante, vontade inquebrantável,
execução do que está
resolvido. Protetor poderoso. Mental:
Inteligência equilibrada, que não
despreza o plano utilitário. Emocional:
Acordo, paz, conciliação dos
sentimentos. Físico:
Os bens, o poder passageiro. Contrato firmado,
fusão de sociedades, situação
do acordo. Saúde equilibrada, mas com
tendência à exuberância
excessiva. Sentido
negativo: Resultados contrários
ao pretendido, ruptura do equilíbrio.
Queda. Perda dos bens, da saúde ou
do domínio sobre coisas e seres. Oposição
tenaz, hostilidade preconcebida. Teimosia,
adversário obstinado; assunto contrário
aos interesses. Autodestruição,
grande risco de ser enganado. Autoritarismo,
tirania, absolutismo. |
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| História e iconografia |
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Alguns estudiosos
chamam atenção para um
aspecto significativo desta figura:
o Imperador tem as pernas cruzadas.
Este detalhe corroboraria a tese de
inspiração germânica
do arcano, visto que no antigo direito
alemão esta posição
era prescrita ritualmente para os altos
magistrados (1220). No entanto, imagens
semelhantes e igualmente antigas aparecem
nas iconografias francesa e inglesa,
representando altos dignitários.
O caráter
cerimonial e prestigioso do cruzar as
pernas pode ter uma origem mais remota,
possivelmente oriental, já que
isso não é habitual no
panteão greco-romano. O antigo
simbolismo, convertido em liturgia pela
codificação alemã,
admite também um profundo sentido
psicológico: cruzar as pernas
e os braços indica concentração
volitiva, encerra o protagonista na
sua esfera pessoal e, do ponto de vista
gestual, afirma claramente o desejo
de individuação.
Outros detalhes
merecem ser assinalados a propósito
do Imperador. |
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Tarô de
Marselha
[www.krishadar.com] |
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| É comum,
associar o simbolismo do Tetragrammaton
à figura do Imperador. É sabido
que o tetragrama traduz ao nome de Deus omitindo-o,
ao decompô-lo no nome das letras que
o formam: Yod – He –
Vau– He. |
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A leitura
do nome das letras (grafadas da direita
para a esquerda, em hebraico), dá Jehová, que não
é o nome de Deus, mas alusão
a ele.
Os cabalistas,
como demonstra este exemplo, trabalham
também com o pensamento analógico,
tal como se vê nos demais estudos
tradicionais. |
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“A idéia
é perfeitamente clara” –
diz Ouspensky – “se o Nome de
Deus está realmente em tudo (se Deus
está presente em tudo), então
tudo deve ser análogo a tudo mais:
a parte menor deverá ser análoga
ao Todo, a partícula de pó análoga
ao Universo, e todos análogos a Deus”.
Do ponto de vista
cabalístico, a relação
Tetragrama-Imperador parece muito fecunda,
já que, comparada com as três
letras anteriores (ou os três arcanos),
consideradas respectivamente como o princípio
ativo (I), o princípio passivo (II)
e o princípio do equilíbrio
ou neutralizador (III), a quarta letra ou
carta é considerada o resultado e,
também, o princípio da energia
latente. |
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| Tarô de Oswald Wirth |
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Isto se harmoniza
perfeitamente com a versão de
Wirth sobre o Arcano
IIII, segundo a qual ele não
é apenas o Príncipe deste
mundo, que "reina sobre o concreto,
sobre o que está corporificado",
mas é também o paradigma
do homem estritamente normal, em posse
de suas potencialidades, mas ainda não
realizado pela iniciação.
Nesse sentido,
representa o quaternário de ordem
terrena, de organização
da vida sensível, e pode ser
relacionado também ao demiurgo
dos platônicos, às divindades
inferiores em geral (os heróis,
antes dos deuses), e a toda tentativa
de criação de vida no
nível terreno e perecível.
Também
se vê nele, enquanto rei que propicia
a prosperidade e o crescimento de seu
povo, uma correspondência ao mito
de Hércules, “portador
da maçã, que leva as maçãs
de ouro ao jardim das Hespérides”. |
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Hércules,
enquanto herói solar, que resume como
nenhum outro as fases do processo iniciático
no sentido da liberação individual
que, esotericamente, só se pode alcançar
através do trabalho e do esforço.
Como Hércules,
também o Imperador não transcende
a condição humana, embora o
princípio indique que poderá
levá-la à sua mais alta manifestação.
É considerado,
em sua face não trabalhada, como representante
do aspecto violento e agressivo do masculino,
mas também como dispensador da energia
vital e, neste aspecto, como a Natureza abundante,
divisível, nutritiva. |
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Outros estudos sobre o Imperador |
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O mês do Imperador. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano IV é selecionado para orientar um mês de vida: Concretização |
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Alma e Personalidade. O Imperador e o Sol são os arcanos de referência utilizados por Flávio Alberoni para discutir o tema: A relação alma-personalidade |
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