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| XVII. A Estrela |
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| O Arcano da Esperança, do Crescimento e da Mãe do futuro |
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Compilação de
Constantino K. Riemma |
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| Tarô de Marselha |
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| www.krishadar.com |
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Uma mulher
com um joelho apoiado no chão
tem uma jarra em cada mão; derrama
conteúdo de uma delas numa superfície
de água (rio ou lago) e, da outra,
na terra. No céu há oito
estrelas.
A mulher é
jovem e está completamente nua;
seus cabelos caem livremente sobre as
suas costas e ombros. O joelho que está
apoiado no chão é o esquerdo;
a ponta do pé direito está
em contato com a água. Representada
ligeiramente de três quartos,
seu olhar parece ignorar o trabalho
que realiza. Do chão brotam uma
planta com três folhas e, um pouco
mais atrás, dois arbustos diferentes
se destacam contra um céu incolor;
sobre o da esquerda um pássaro
negro de asas abertas parece estar pousado
ou a ponto de levantar vôo.
No céu
podem ser vistas duas estrelas de sete
pontas e cinco estrelas de oito pontas.
Estão dispostas simetricamente
em volta de uma estrela muito maior,
que tem dezesseis pontas, oito amarelas
e oito vermelhas. |
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| Significados simbólicos |
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Esperança,
confiança. Idealismo. Imortalidade.
Plenitude. Beleza.
Natureza.
O céu
da alma. Influência moral da idéia
sobre as formas. |
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| Interpretações
usuais na cartomancia |
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Pureza,
entrega às influências
naturais, sadias. Confiança
no destino. Plenitude e sensibilidade
poética, intuição.
Bondade, espírito compassivo.
Energia,
convalescença.
Mental :
Alguém traz uma força
para ser utilizada, mas não
diretamente. É a inspiração
do que deve ser feito.
Emocional :
Uma corrente de equilíbrio
e de esplendor.
Físico :
A satisfação, o
amor humano em toda a sua beleza;
o destino dos sentimentos que
animam o ser. Realização
das coisas através da ordem
e da harmonia.
Em
questões referentes à
arte, esta carta fala do dom de
encantamento, ou seja, o resplendor
que atrai o próximo.
Sentido
negativo : Harmonia desviada
do seu destino; harmonia física
pouco duradoura.
Falta
de vergonha, despudor, leviandade.
Falta de espontaneidade. Coações,
moléstias.
Natureza
artificial e anti-higiênica.
Tendência
para a evasão e para o romantismo exagerado. Temperamento inapto para a vida prática.
Estreiteza de visão, doenças. |
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| História e iconografia |
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| O número
de estrelas representadas neste arcano varia,
segundo o modelo do Tarô, de seis a
oito. Astronomicamente, parece referir à
constelação das Plêiades (uma estrela grande, rodeada de sete menores)
ou ao setenário sideral com o Sol no centro. “Fala-se |
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Representação
de Aquário
Ganimedes, o mais belo mortal,
levado
por Zeus ao Olimpo, para
ser escanção
(= servidor de vinho) dos deuses. |
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de
sete Plêiades – disse o sutil
Ovídio –, mas na verdade
não vemos mais que seis." Devido à
reprodução quase textual
da alegoria do signo de Aquário ,
muitos vêem no Arcano XVII uma
herança zodiacal. Mas van Rijneberk
nota, com razão, que tanto este
signo bem como suas alegorias das correntes de água,
foram tradicionalmente representados
com figuras masculinas.
Outra diferença
sensível entre a carta e seu
pretendido modelo é o número
de ânforas: tanto Aquário
quanto os seus similares alegóricos
(que incluem as representações
do Dilúvio) transportam um só
recipiente.
É possível, desse modo,
atribuir à Estrela uma relativa
originalidade, o que permite supor que
a freqüente mudança de sexo
de Aquário, em imagens posteriores
ao século XVI, teria se inspirado
no Tarô.
No verbete dedicado
a este signo zodiacal no seu Dicionário
de Símbolos, Juan-Eduardo Cirlot
passa uma informação que vale
a pena citar: “No zodíaco
egípcio de Denderáh o homem
de Aquário traz duas ânforas,
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troca que explica melhor a transmissão dupla das forças, em seus aspectos
ativo e passivo, evolutivo e involutivo, duplicidade
que aparece substantiva no grande símbolo
de Gêmeos”.
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Uma fonte menos provável,
mas não impossível, da iconografia
desta estampa pode ser encontrada no Apocalipse (XVI, 3, 12): ali é dito que os sete
anjos derramarão suas taças sobre o solo e o ar, mas sobretudo sobre os
cursos d'água. A estrela
– individual e guia ;
sinal da divindade sobre o céu
do herói – é um
emblema comum a diversas mitologias.
Delas passa para a tradição
e a arte cristãs, e na atualidade
pode ser encontrada em numerosas manifestações
folclóricas no seu sentido alegórico
mais transparente: a pureza ,
o destino prometido ,
a elevação.
São
João Crisóstomo (Patrística
grega, tomo LVI) parece ter recolhido
a seguinte lenda: um povo oriental,
do qual só sabemos que vivia
perto do oceano e que tinha entre as
suas tradições um livro
atribuído a Set, escolheu em
época remota doze homens dentre
os mais sábios, cuja missão
era única e surpreendente: vigiar
o nascimento de uma estrela que o livro
previa; se algum deles morria, seu filho
ou parente mais próximo era eleito
para substituí-lo. Mantiveram
este rito durante gerações,
até que a estrela da sorte apareceu
no horizonte: três deles foram
então encarregados de segui-la,
o que fizeram por dois anos, durante
os quais nunca lhes faltou bebida nem
comida.
“O que
fizeram depois – conclui o curioso
pergaminho – é explicado
de forma resumida nos Evangelhos." |
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A
Estrela |
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| Tarô Visconti Sforza(1450) |
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| Tarô de
Oswald Wirth |
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“O que
fizeram depois – conclui o curioso
pergaminho – é explicado
de forma resumida nos Evangelhos."
Quanto à
parte inferior do Arcano XVII, Wirth acredita aque o arbusto ali representado
seja uma acácia, “mimosa do deserto, cujo verdor
persistente simboliza uma vida que se
recusa a extinguir-se”. O
prestígio mítico da acácia
é tão vasto quanto intrincado,
pois além de ser a planta emblemática
da esperança na imortalidade,
foi também protagonista de histórias
notáveis: entre suas raízes
teria sido enterrado Hirã, detentor
da tradição perdida, depois
de ser assassinado; da sua madeira teria
sido construída a cruz de Jesus
Cristo.
Deve-se acrescentar
que a jovem da figura lembra o princípio
feminino de certos ritos primordiais, “a mãe sempre jovem,
a consoladora, a clemente, a natureza
amável e bela, a terna amante
dos homens”. É sob
este aspecto que os oráculos
tendem a relacioná-la à juventude e ao bom humor, ao sonho e às suas revelações,
e à realidade da poesia.
Fulcanelli acrescenta
ainda o duplo sentido simbólico da estrela, como concepção
e nascimento, e faz uma bela descrição
de um |
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| vitral de sacristia de Saint-Jean de
Rouen: ali estão representados Benito
e Felicitas, pais de São Romão;
os esposos estão deitados na cama totalmente
nus; sobre o ventre da mulher, que acaba talvez
de conceber o santo, pode-se ver uma estrela. |
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| Outros estudos sobre a Estrela |
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O mês da Estrela. Significados que Valéria Fernandes destaca quando o Arcano XVII é selecionado para orientar um mês de vida: Receber e conceder
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Os Arcanos Maiores na Tradição Cigana. Transcrição do curso que Sarani Barrios ministrou no segundo semestre de 2008, em que revela a singular integração dos arcanos maiores aos diferentes ciclos de vida e às particularidades de cada idade: Os Arcanos Maiores
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Curso de Tarô com Betoh Simonsen. Texto integral do livro que Betô preparou para a apresentação do jogo completo das cartas: A Estrela |
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Atualizado: novembro.09 |
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