Responsável: Constantino K. Riemma
 
06 de outubro de 2008
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ARCANOS MAIORES - As 22 cartas
 
XVII. A ESTRELA
O Arcano da Esperança, do Crescimento e da Mãe do futuro
Compilação de
Constantino K. Riemma
 
Tarô de Marselha
[www.krishadar.com]
      Uma mulher com um joelho apoiado no chão tem uma jarra em cada mão; derrama conteúdo de uma delas numa superfície de água (rio ou lago) e, da outra, na terra. No céu há oito estrelas.
    A mulher é jovem e está completamente nua; seus cabelos caem livremente sobre as suas costas e ombros. O joelho que está apoiado no chão é o esquerdo; a ponta do pé direito está em contato com a água. Representada ligeiramente de três quartos, seu olhar parece ignorar o trabalho que realiza. Do chão brotam uma planta com três folhas e, um pouco mais atrás, dois arbustos diferentes se destacam contra um céu incolor; sobre o da esquerda um pássaro negro de asas abertas parece estar pousado ou a ponto de levantar vôo.
    No céu podem ser vistas duas estrelas de sete pontas e cinco estrelas de oito pontas. Estão dispostas simetricamente em volta de uma estrela muito maior, que tem dezesseis pontas, oito amarelas e oito vermelhas.
Significados simbólicos
    Esperança, confiança. Idealismo. Imortalidade.
    Plenitude. Beleza. Natureza.
    O céu da alma. Influência moral da idéia sobre as formas.
Interpretações usuais na cartomancia
    Pureza, entrega às influências naturais, sadias. Confiança no destino. Plenitude e sensibilidade poética, intuição. Bondade, espírito compassivo.
    Energia, convalescença.
    Mental : Alguém traz uma força para ser utilizada, mas não diretamente. É a inspiração do que deve ser feito.
    Emocional : Uma corrente de equilíbrio e de esplendor.
    Físico : A satisfação, o amor humano em toda a sua beleza; o destino dos sentimentos que animam o ser. Realização das coisas através da ordem e da harmonia.
     Em questões referentes à arte, esta carta fala do dom de encantamento, ou seja, o resplendor que atrai o próximo.
    Sentido negativo : Harmonia desviada do seu destino; harmonia física pouco duradoura.
     Falta de vergonha, despudor, leviandade. Falta de espontaneidade. Coações, moléstias.
     Natureza artificial e anti-higiênica.
Tarô de Marselha
[www.camoin.com]
 
    Tendência para a evasão, romantismo exagerado, temperamento inapto para a vida prática. Estreiteza de visão, doenças.
História e iconografia
    O número de estrelas representadas neste arcano varia, segundo o modelo do Tarô, de seis a oito. Astronomicamente, parece referir à constelação das Plêiades (uma estrela grande, rodeada de sete menores) ou ao setenário sideral com o Sol no centro. “Fala-se de sete Plêiades – disse o sutil Ovídio –, mas na verdade não vemos mais que seis."
 

Representação de Aquário
Ganimedes, o mais belo mortal, levado
por Zeus ao Olimpo, para ser escanção
(= servidor de vinho) dos deuses.
      Devido à reprodução quase textual da alegoria do signo de Aquário , muitos vêem no Arcano XVII uma herança zodiacal. Mas van Rijneberk nota, com razão, que tanto este signo como suas representações alegóricas das correntes de água, têm sido tradicionalmente representados com figuras masculinas.
    Outra diferença sensível entre a carta e seu pretendido modelo é o número de ânforas: tanto Aquário quanto os seus similares alegóricos (que incluem as representações do Dilúvio) transportam um só recipiente.
    É possível, desse modo, atribuir à Estrela uma relativa originalidade, o que permite supor que a freqüente mudança de sexo de Aquário, em imagens posteriores ao século XVI, teria se inspirado no Tarô.
    No verbete dedicado a este signo zodiacal no seu Dicionário de Símbolos, Juan-Eduardo Cirlot passa uma informação que vale a pena citar: “No zodíaco egípcio de Denderáh o homem de Aquário traz duas ânforas, troca que explica melhor a transmissão dupla das forças, em seus aspectos ativo e passivo, evolutivo e involutivo, duplicidade que aparece substantiva no grande símbolo de Gêmeos”.
    Uma fonte menos provável, mas não impossível, da iconografia desta estampa pode ser encontrada no Apocalipse (XVI, 3, 12): ali é dito que os sete anjos derramarão suas taças sobre o solo e o ar, mas sobretudo sobre os cursos d'água.
    A estrela – individual e guia ; sinal da divindade sobre o céu do herói – é um emblema comum a diversas mitologias. Delas passa para a tradição e a arte cristãs, e na atualidade pode ser encontrada em numerosas manifestações folclóricas no seu sentido alegórico mais transparente: a pureza , o destino prometido , a elevação.
    São João Crisóstomo (Patrística grega, tomo LVI) parece ter recolhido a seguinte lenda: um povo oriental, do qual só sabemos que vivia perto do oceano e que tinha entre as suas tradições um livro atribuído a Set, escolheu em época remota doze homens dentre os mais sábios, cuja missão era única e surpreendente: vigiar o nascimento de uma estrela que o livro previa; se algum deles morria, seu filho ou parente mais próximo era eleito para substituí-lo. Mantiveram este rito durante gerações, até que a estrela da sorte apareceu no horizonte: três deles foram então encarregados de segui-la, o que fizeram por dois anos, durante os quais nunca lhes faltou bebida nem comida.
 
A Estrela,
Tarô Visconti Sforza
(1450)
 
    “O que fizeram depois – conclui o curioso pergaminho – é explicado de forma resumida nos Evangelhos."
 

Tarô de Oswald Wirth
      Quanto à parte inferior do Arcano XVII, Wirth acredita aque o arbusto ali representado seja uma acácia , “mimosa do deserto, cujo verdor persistente simboliza uma vida que se recusa a extinguir-se”. O prestígio mítico da acácia é tão vasto quanto intrincado, pois além de ser a planta emblemática da esperança na imortalidade , foi também protagonista de histórias notáveis: entre suas raízes teria sido enterrado Hirã, detentor da tradição perdida, depois de ser assassinado; da sua madeira teria sido construída a cruz de Jesus Cristo.
    Deve-se acrescentar que a jovem da figura lembra o princípio feminino de certos ritos primordiais, “a mãe sempre jovem, a consoladora, a clemente, a natureza amável e bela, a terna amante dos homens”. É sob este aspecto que os oráculos tendem a relacioná-la à juventude e ao bom humor , ao sonho e às suas revelações , e à realidade da poesia .
    Fulcanelli acrescenta ainda o duplo sentido simbólico da estrela, como concepção e nascimento , e narra a bela descrição de um vitral de sacristia de Saint-Jean de Rouen: ali estão representados Benito e Felicitas, pais de São Romão; os esposos estão deitados na cama totalmente nus; sobre o ventre da mulher, que acaba talvez de conceber o santo, pode-se ver uma estrela.
 
Outros estudos sobre a Estrela
Curso de Tarô com Betoh Simonsen : A Estrela
Consultas
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