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| As múltiplas faces do Esoterismo e o Tarô |
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Compilação de Constantino K. Riemma |
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| A publicação de Court de Gebelin, em 1775, de Le Monde Primitif analysé et comparé avec le monde moderne, constitui um marco importante na história moderna do Tarô. O baralho passa a ser considerado não apenas assunto de lazer ou cartomancia popular e ingressa no rol de interesse dos esotéricos e intelectuais a partir do final do séc. 18. |
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O papel de Court de Gebelin na história mais recente do tarô é também discutido na questão das origens em: Tarô egípicio? e Hipóteses
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Original, em francês, " Du Jeu des Tarots", p.365-410, vol.8, Monde primitif... no qual Court de Gebelin sugere uma origem egípcia para o tarô e discute o significado e aplicação das cartas : http://www.tarock.info/gebelin.htm |
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| Os franceses |
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| Eliphas
Levi (1810-1875) foi um filósofo
que se dedicou ao estudo dos símbolos e que deixou muitos seguidores. Seminarista da Igreja
Católica Romana, artista plástico, seu nome verdadeiro era Alphonse Louis Constant. |
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Em seu famoso livro "Dogma e ritual da Alta Magia" (1856), descreve o Tarô como uma síntese da ciência
e chave universal da Cabala. Estabeleceu a
correspondência entre as 22 letras do alfabeto hebraico,
os 22 caminhos da Árvore da Vida - que ligam os Sephirot
entre si – e os 22 trunfos ou Arcanos Maiores.
Ao invocar ao mesmo
tempo a Cabala, a alquimia e a astrologia,
bem como a tradição hermética,
Eliphas Levi reiterava que o Tarô oculta
os segredos dos antigos conhecimentos.
Eliphas Levi e Court de Gebelin são, de certo modo, dois marcos da profusão de publicações, irmandades e círculos mais ou menos
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| secretos que se espalhariam pela Europa durante o séc. 19. |
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Biografia de Eliphas Levi. Reprodução de texto da Sociedade de Ciências Antigas com ilustrações recolhidas pelo Clube do Tarô: Eliphas Levi |
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Em seu Manifesto para o futuro do Tarô, Nei Naiff focaliza os principais autores envolvidos com o Tarô, no período em que as cartas ganham novas histórias e um novo status: História do Tarô |
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História do esoterismo. Para compreender melhor o clima cultural da Europa nos séculos 18 e 19, e o surgimento de organizações ocultistas, consulte a tese de Rui Sá Silva Barros sobre esse período: Tomando o céu de assalto...
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| Outros nomes também se destacam nesse período efervescente, como é o caso de Stanislas de Guaita (1861-1897), fundador da "Ordem Kabalística
da Rosacruz", que congregou muitos
dos assim chamados "ocultistas" e "magos". |
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Entre as figuras desse período,
muito próximo de Stanilas de Guaita, destaca-se Oswald
Wirth (1860-1943), de origem suíça, autor de obras que se tornaram
clássicas, como "O simbolismo hermético em
suas relações com a alquimia e a franco-maçonaria",
"O simbolismo astrológico" e, sobretudo, "O Tarô
dos imaginários (dos santeiros) da Idade Média".
Ainda que se atribua a Wirth a primeira tentativa de conceber
e editar um Tarô especificamente esotérico, conhecido
por Tarô Oswald Wirth, a série que idealizou e
desenhou, em 1889, é fortemente inspirada no Tarô
Clássico ou Tarô de Marselha. Nesse sentido, embora fosse maçom, seu trabalho
não constituiu um "tarô maçônico", exclusivo,
como alguns autores defendem, a menos que |
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| também se considere os desenhos dos antigos "cartiers" franceses, entre eles o jogo marselhês, como herdeiros dos antigos construtores das catedrais, o que aí, sim, é bastante plausível. |
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As imagens do Tarot de Oswald Wirth podem ser apreciadas numa das galerias do Clube do Tarô, onde são oferecidas algumas informações históricas sobre essas cartas: Galeria Wirth |
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Oswald Wirth trabalhou os agrupamentos dos arcanos maiores, oferecendo exemplos estimuladores para o estudo de combinações em pares, grupos e tétrades. Conheça sua visão de conjunto dos arcanos: Indícios reveladores |
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Flávio Alberoni, colaborador do Clube do Tarô, é um dos tarólogos que aplica a indicações dos pares dos arcanos, tal como proposto por Wirth. Veja exemplos de suas interpretações: Leituras |
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Já um outro francês, contemporâneo de Oswald Wirth,
inspirado nos esboços egípcios de Eliphas Levi, arriscou-se num novo desenho do Tarô. Foi ele Papus,
nome ocultista utilizado por Gérard Encause (1865-1917),
médico francês, fundador e líder da "Ordem
espiritual e maçônica dos Martistas", autor do Tarot
des Bohémiens (Paris, 1889), obra até hoje traduzida e publicada.
O desenhos originais do Tarô
dos Boêmios, elaborados por Jean-Gabriel Goulinat, apareceram apenas no formato de livro, publicado em 1889 e revisto em 1911. As estampas ganharam o formato de baralho, somente quando seus desenhos originais foram reproduzidos e coloridos, em 1981.
Embora seja muito mais popular que Eliphas Levi e Oswald Wirth, há |
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| estudiosos, entre entre eles P. D. Ouspensky, que apontam deslizes em seus textos. |
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Nei Naiff tem algumas observações pontuais sobre Papus: Manifesto... |
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| Na segunda metade
do séc. 19 amplia-se a quantidade
de escritores e publicações ligados
ao esoterismo. Proliferam
ordens, irmandades, sociedades, lojas, sob várias designações:
rosacruzes, maçônicas, ocultistas,
templárias, esotéricas, mágicas, secretas... |
Joio e trigo se misturam irremediavelmente. Num cenário caótico, em que reina uma sintomática confusão entre o rito sagrado e a magia pessoal, entre o estar a serviço e a busca de poder egóico, surge um pensador pontual e rigoroso diante das fantasias que continuam a proliferar no mundo moderno: René Guénon (1886-1951).
Sua experiência se diferencia em relação à maioria dos autores de seu tempo. Participou, durante sua formação, de várias escolas e passou por diversos ritos existentes na França. Teve, porém, a oportunidade de encontrar e de reconhecer outras fontes ligadas de modo mais direto aos ensinamentos tradicionais e soube propor uma clara distinção entre o sagrado e o profano, resultado de longos anos de trabalho. |
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René Guénon |
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[capa do livro
D. Gattegno] |
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| René Guénon teve força e coragem para remar contra a maré e dedicou sua vida ao estudo e à transmissão do saber que se encontra além da ciência moderna. |
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A crise do mundo moderno, por René Guénon. Um estudo publicado pela primeira vez em 1927, mas que mantém uma inquietante atualidade em razão do agravamento dos indicadores apontados pelo autor: prevalência da quantidade sobre a qualidade, do profano sobre o sagrado, do poder pessoal sobre o servir. Tradução de Bete Torii: Baixar ou ler
Formato pdf com 495KB. 108 págs. 14x21cm, imprimíveis em 54 folhas tamanho A4. |
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René Guénon - dados biográficos, por Antonio Carlos Carvalho, tradutor do livro A crise do mundo moderno para uma edição portuguesa: Biografia |
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| Os ingleses |
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Na esteira do que se passa no continente europeu, a Inglaterra é
igualmente palco para personagens que incluem o Tarô em seus estudos. Um deles, MacGregor
Mathers (1854-1918), obteve grande notoriedade
e está associado ao ressurgimento do ocultismo e da Magia
na virada do século XIX.
Ligado a lojas maçônicas
e a sociedades rosacrucianas, fundou com William Robert Woodman
e William Wynn Westcott uma Ordem própria, a Golden Dawn ou "Aurora Dourada".
Em seu livro "O Tarot: um pequeno tratado sobre a leitura
das cartas", até hoje publicado e traduzido
ao português, MacGregor Mathers propõe-se a dar
aos seus leitores "uma idéia do profundo significado
das cartas de Tarot e de como ele poderá ser utilizado
para fins divinatórios". |
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MacGregor Mathers |
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Waite |
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Entre os ingleses ligados aos estudos esotéricos e que se dedicaram ao tarô, Arthur
Edward Waite (1857-1942) é um dos mais apreciados e traduzidos. Pesquisou em diversas fontes e escreveu vários livros, entre eles, The
Key to the Tarot e The Holy Kabbalah.
Sob
sua iniciativa e supervisão,
um baralho de 78 cartas – conhecido
como baralho Rider – foi desenhado por Pamela Colman
Smith.
Esse
baralho engrossa a tendência moderna
de dar figurações aos
Arcanos Menores, como recurso para traduzir
de modo factual seus significados, o que acarreta, por outro lado, no empobrecimento simbólico. |
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O Tarô de Arthur Waite & Pamela Smith é situado por Constantino K. Riemma, que focaliza alguns aspectos críticos desse baralho que acabou por se tornar uma referência para os re-desenhos modernos: O Tarô de Waite |
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O Tarô Rider-Waite, texto de Lívia Krassuski de apresentação do baralho e menções ao contexto no qual ele aparece, como é o caso do movimento Aurora Dourada (Golden Dawn): Introdução |
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Ao lado dos estudiosos
e autores que se dedicaram ao propósito de investigar as correspondências
entre o Tarô e demais linguagem simbólicas, tornou-se
conhecido um outro nome bastante controvertido: Aleister Crowley (1875-1947). Seus dons, embora reais, foram utilizados segundo seus críticos de modo banal e repleto de fanfarrices.
Foi ele quem inspirou Lady Frieda Harris a redesenhar as
cartas do Tarô. Esse trabalho, de apreciável valor estético,
se afasta completamente dos desenhos
clássicos dos arcanos. O Tarô de Crowley só foi impresso pela
primeira vez em 1971, com o livro The
Book of Thoth. |
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Apresentação do Tarô de Crowley. Valéria Fernandes oferece indicações básicas sobre o Thoth Tarot desenhado por Frieda Harris: Um baralho com toque surrealista |
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O Tarô de Crowley-Harris ou Tarô de Thoth. Cláudio Carvalho, apresenta e discute a história da elaboração dos desenhos: Explicação do baralho
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Horóscopo de Crowley, análise dos astrólogos Elizabeth Nakata e Douglas Marnei: Mapa astral |
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A própria besta. Colin Wilson conta as peripécias, os poderes e a sombra de Crowley: O Oculto |
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| Cartas, lâminas, arcanos |
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No clima europeu do século XIX, em que o Tarô foi revalorizado pelos estudiosos de temas esotéricos, torna-se compreensível que seria bem recebida a troca de termos para designar as cartas e o baralho. De fato foi o que aconteceu a partir da publicação, em 1865, da obra "L’homme rouge des Tuileries" de Paul Christian, pseudônimo de Jean-Baptiste Pitois (1811-1877). Discípulo de Eliphas Levi, atribui-se a Paul Christian ter "inventado os termos lâminas e arcanos para designar as cartas dos Tarots".
A partir da segunda metade do século XIX, tornou-se usual a utilização dos termos lâmina e, principalmente, arcano em substuição a carta. |
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| Estudos sobre o esoterismo e o Tarô |
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Tomando
o céu de assalto – esoterismo,
ciência e sociedade. 1848-1914 - França, Inglaterra
e EUA. Rui
Sá Silva Barros apresenta o quadro cultural e social, de
1848 a 1914, durante o qual ocorreu
uma grande difusão dos ensinamentos
herméticos. Desse movimento resultou,
em meio a múltiplos impactos,
teorias que afetaram profundamente a
compreensão contemporânea
do Tarô.
Texto completo de tese de mestrado em
História, pela USP.
374 págs. 14x21cm, imprimíveis em 187 folhas tamanho A4.
Formato pdf com 1.532 KB: Baixar |
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Manifesto para o futuro do Tarô. Nesse texto Nei Naiff trata dos diferentes modos que as cartas têm sido utilizadas e repassa os principais registros históricos e autores, sob um olhar meticuloso e crítico. Uma boa ajuda para separar a história real e as fantasias: História do Tarô |
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Atualizado: nov.08 |
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