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04 de fevereiro de 2012

Responsável: Constantino K. Riemma


XVIIII ou XIX. O Sol
O Arcano da Intuição
 
Compilação de
Constantino K. Riemma
 
 
 
O Sol no Tarot de Marseille-Kris Hadar
 
    Dois meninos estão de pé diante de um muro, sob um sol que tem rosto humano, e do qual chovem treze lágrimas de cores.
    Os dois meninos vestem apenas uma tanga ou calção (azuis, na ed. Grimaud). O menino da direita parece apoiar uma mão, que não se vê, na nuca do seu camarada, estendendo o braço esquerdo um pouco para trás. O outro tem a sua mão esquerda na altura do plexo solar de seu companheiro, e o braço direito numa posição mais ou menos paralela.
    No chão, duas pedras, similares às que aparecem na carta XVI - A Torre. O muro que está por detrás dos meninos é amarelo, com a borda superior vermelha.
    Do disco solar, humanizado pelo desenho de um rosto visto de frente, surgem 75 raios; 16 têm forma triangular – a metade com as bordas retas e a outra metade com as bordas onduladas — e os 59 restantes são simples raios negros. Treze gotas, ou lágrimas, ocupam o espaço entre o Sol e os meninos.
 
Tarô de Marselha na restauração de Kris Hadar
Significados simbólicos
    Vitalidade, alegria. Ressurreição diária ao final da noite.
    Intuição, clareza. O princípio celeste. Luz. Razão.
    Concórdia. Influência solar.
Interpretações usuais na cartomancia
    Discernimento límpido, clareza de juízo e de expressão. Talento literário ou artístico. Paz, harmonia, bom acordo. Felicidade conjugal. Fraternidade, inteligência e bons sentimentos. Reputação, glória, celebridade. Alegria, sucesso, vitalidade, força, vivacidade. Compreensão, calor, amor, crescimento.
    Mental: propósitos elevados. Sabedoria nos escritos, difusão popular harmoniosa; pensamento que alcança grande altura.
    Emocional: Afeto cavalheiresco, desvelo, altruísmo. Os grandes sentimentos.
    Físico: A saúde, a beleza física. Elemento de triunfo, saída para qualquer situação adversa que se esteja atravessando.
    Sentido negativo: Grande adversidade, sorte contrária, tentativas na escuridão.
    Deslumbramento. Vaidade, pose, fanfarrice. Amor-próprio, susceptibilidade.
     Miséria dissimulada sob uma fachada exuberante. Aparência simuladora, decoração. Artista fracassado, incompreendido.
O Sol no Tarô de Marselha restaurado por Camoin-Jodorowsky
O Sol no Tarot de Marseille-Camoin
 
História e iconografia
 
O Sol no Tarot de Oswald Wirth
 
    Para van Rijneberk, o arcano XVIIII não tem originalidade iconográfica, já que a sua figura central – o Sol – é a mesma que pode ser encontrada em qualquer figuração do astro, e que os elementos restantes são também especialmente pobres.
    Talvez os dois meninos façam uma alusão astrológica ao signo de Gêmeos, período do ano que, no hemisfério norte, corresponde ao soltício de verão.
    No desenho que Oswald Wirth concebeu para este arcano, os integrantes do par de protagonistas são de sexo diferente e, embora pareçam adolescentes, já não são crianças. O autor atribui a eles a condição de filhos da luz, e também a de uma alegoria das bodas entre o sentimento e a razão. Na escala individual, simbolizam a tarefa de regeneração que o universo começou a realizar a partir da queda. É por isso que Wirth os considera como “aqueles que reconquistarão o Paraíso”.
O Sol no Tarô de Oswald Wirth
    No Tarô de Carlos VI, no lugar do par aparece uma fiandeira com o fuso entre as mãos; provavelmente trata-se de uma referência a Penélope e ao ardil com o qual conseguiu preservar-se até a volta do herói.
    Nas variantes contemporâneas ao "Tarot Gringonneur", por volta da metade do século XV, pode-se ver também a reprodução dos quatro cavaleiros do Apocalipse.
    Não é impossível que, como sugere van Rijneberk, o par de crinças, que aparece no tarô clássico, represente o rico e complexo simbolismo do signo de Gêmeos. É importante lembrar que a passagem do Sol pelo signo de Gêmeos indica, no hemisfério norte, o ponto de nascimento do verão, estação associada ao reino solar e luminoso.
    A alternância de raios retos e ondulados da efígie solar do Tarô de Marselha, seria uma alusão ao duplo efeito das radiações do astro (luz e calor).
    No campo divinatório costuma-se opor o Sol à Lua por analogia de contrários: luz quente x luz fria; luz potente x luz fraca; dia x noite; masculino x feminino...
 
O Sol no Tarot "Gringonneur"
Gringonneur - 1.455
 
 

Castor e Polux os gêmeos da mitologia grega. Imagem obtida em www.artehistoria.com

Castor e Pólux,
os gêmeos mitológicos.
      Relacionado ao aspecto Filho das divindades trinitárias, as qualidades do Sol aparecem freqüentemente como atributos dos heróis, seja porque estes são exaltados à altura do Sol, ou porque o sol se manifesta de maneira excepcional em alguma circunstância de suas vidas. Um exemplo é que o Sol se oculta prodigiosamente como protesto pela morte do eleito, nas lendas de Héracles e Sigfrido.
    No Antigo Testamento pode-se rastrear a filiação solar de Sansão (Juízes 13.16), desde o seu nome até o lugar em que acontecem suas façanhas (Betsemer, que significa "casa do Sol"), passando pelas relações entre força e cabelo, análogas às peripécias do Sol no seu trânsito pelas estações.
    Uma variante deste tema pode ser encontrada no drama do Gólgota, tal como o contam os Evangelhos (Mateus 27, 45; Marcos 15, 33; Lucas, 23, 44-45).
    Como no caso do arcano XVIII (A Lua), no entanto, é necessário prevenir contra uma excessiva ênfase no simbolismo solar do arcano XVIIII, o que lhe daria uma importância desmedida no conjunto das vinte e duas cartas.
 
Contato:
Constantino K. Riemma - constantino@clubedotaro.com.br
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