Responsável: Constantino K. Riemma
 
05 de julho de 2008
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AS FIGURAS DA CORTE
 
[Apresentação] [Naipes] [Figuras da corte] [Cartas 1 a 10] [Conjunto]
[AS 16 FIGURAS]  [REIS]  [RAINHAS]  [CAVALEIROS]  [VALETES]
 
AS 16 FIGURAS
Compilação de
Constantino K. Riemma
 
    As 16 figuras dos arcanos menores – Reis, Rainhas (ou Damas), Cavaleiros e Valetes (ou Pajens), repetidos em quatro naipes — constituem personagens intermediários entre a abstração dos números — cartas de 1 a 10 — e os arcanos maiores com suas representações humanas e animais claramente diferenciadas entre si. As figuras ocupam, desse modo, um posto duplo no baralho: estão encadeadas à ordenação dos naipes e, ao mesmo tempo, fazem ponte com os modelos dos arcanos maiores. Embora repetidas em cada naipe, são muitas vezes consideradas como um terceiro grupo de cartas.
    Parece que esta ambigüidade explica o fato de encontrarmos poucos estudos de profundidade sobre as figuras dos arcanos menores. Além disso, seu conjunto foi inexplicavelmente mutilado no baralho comum, utilizado hoje em dia, com a supressão do Cavaleiro, na maior parte dos casos.
Rei, Rainha, Cavaleiro e Valete.
São quatro as figuras, no Tarô clássico, para cada naipe.
    Parece coerente que as figuras dos arcanos menores do Tarô obedeçam à ordem do quaternário (quatro séries de quatro figuras). É assim que estão desenhados os mais antigos tarôs dos quais se tem registros históricos, a partir do final do século XIV.
    Esta estrutura simbólica do quatro foi quebrada nos herdeiros modernos dos arcanos menores do Tarô. Os mais famosos — o baralho francês e o espanhol — suprimem arbitrariamente uma das figuras de cada série.
O baralho espanhol moderno suprimiu a Rainha.
Foram mantidos o Rei, o Cavaleiro e o Valete.
    No que diz respeito ao baralho espanhol, é provável que esta supressão tenha sido estabelecida para aproveitar as possibilidades combinatórias da dezena (já que neste baralho as cartas númeradas vão apenas do ás ao sete). Neste caso, cada naipe fica constituído por 10 cartas: 7 numeradas, mais 3 figuras.
O baralho francês suprimiu o Cavaleiro.
Manteve o Rei, a Rainha (ou Dama) e o Valete.
    A justificativa dada para a redução do número de cartas no baralho espanhol não se aplica ao francês, que soma 13 cartas para cada naipe, isto é, 10 numeradas, mais 3 figuras.
    No entanto, uma curiosa constatação pode ser feita. Com apenas três figuras, colocaria cada uma delas em relação com a ordem do ternário (três forças: positiva, negativa e neutra) que, combinadas com os 4 naipes (ou os quatro elementos), resultaria no rico sentido do número 12, do dodecadenário.
    "Os doze signos do zodíaco, — como lembra Patrick Paul — os doze meses, os doze apóstolos, os doze trabalhos de Hércules, os doze meridianos da acupuntura, os doze semitons da oitava, as doze horas do dia nas civilizações tradicionais, são exemplos das doze energias do homem em evolução no transcorrer do tempo pela diferenciação e manifestação do princípio ativo, o espírito, no princípio passivo, a substância". Doze simboliza os doze lugares nos quais o Tempo circula, ou seja, a interpenetração do Espaço e do Tempo, que determina o limite do nosso mundo cósmico.
 
As figuras e os quatro elementos
 
    Os significados simbólicos dos quatro elementos constitui a primeira grande chave para compreensão dos quatro naipes e de suas respectivas figuras. Há, entre os que estudam o Tarô, uma concordância com relação à correspondência entre os elementos e os naipes:
    Fogo: naipe de Paus, figura do Rei
    Água: naipe de Copas, figura da Dama
    Ar: naipe de Espadas, figura do Cavaleiro
    Terra: naipe de Ouros, figura do Valete
    As 16 figuras também podem ser compreendidas como combinações dos quatro elementos, ou seja: 4 x 4 = 16:
Figura
Naipe

Rei
Fogo

Dama
Água

Cavaleiro Ar Valete Terra
Paus
Fogo
Rei
de Paus

Dama
de Paus
Cavaleiro
de Paus
Valete
de Paus
Copas Água Rei
de Copas
Dama
de Copas

Cavaleiro
de Copas
Valete
de Copas
Espada
Ar

Rei
Espadas
Dama
Espadas
Cavaleiro
Espadas

Valete
Espadas
Ouros Terra Rei
de Ouros
Dama
de Ouros
Cavaleiro
de Ouros
Valete
de Ouros
Essa correspondência entre os os elementos e os naipes, é bastante difundida.
Já a relação com as figuras – Rei, Rainha, Cavaleiro e Valete – é menos comum;
a que aparece acima é apresentada por G.O. Mebes em suas obras.
    As figuras dos Arcanos Menores podem ser consideradas expressões dos 4 naipes e dos quatro elementos. Cada uma das 4 figuras de cada naipe concentra em si as características de um dos elementos, além de possuir as do naipe a qual pertence. Desse modo, o Rei de Paus representará uma dupla influência de Paus e do elemento fogo. Pela mesma razão, a Dama de Copas representa a pura essência desse naipe, o mesmo acontecendo com o Cavaleiro de Espadas e o Valete de Ouros.
 
Fontes e detalhes sobre as figuras
 
    Nos tópicos sobre as figuras — [Reis] [Rainhas] [Cavaleiros] [Valetes] — apresentamos significados que lhes são atribuídos comumente nos manuais sobre o Tarô e a cartomancia. Constituem uma simples referencia para o estudo e não devem ser consideradas como tabelas de leitura, nem sínteses adivinhatórias.
    Não podemos esquecer que o Tarô é uma linguagem simbólica que nos ajuda a desenvolver a arte combinatória. Reduzi-lo a um simples receituário é depreciar sua maior riqueza. Mesmo em sua utilização mais ampla, como orientação prática para situações de vida, cada carta deve ser lida por oposição, contraste ou analogia com todas as outras restantes que compõem uma tiragem. O significado de cada carta varia em relação ao conjunto, à questão colocada e, principalmente, com o nível de compreensão de quem faz a leitura.
 
Outros estudos sobre as Cartas da Corte
Curso de Tarô com Betoh Simonsen: Cartas da Corte
 
Nota sobre fontes consultadas e créditos
    Nos resumos, sobre cada figura, constam comentários de Albert Cousté, em O Tarô ou a máquina de imaginar. A interpretação de cada carta foi dividida em dois blocos:
    O primeiro — Significados gerais — apresenta os conceitos mais amplos, que incluem o material organizado por Paul Marteau, em O Tarô de Marselha, tradição e simbolismo, publicado pela Editora Objetiva.
     O segundo bloco — Interpretações usuais na cartomancia — apresenta o sentido adivinhatório das figuras (baralho de jogar, sem a Rainha) e são extraídos das definições estudadas por Gwen le Scouézec (Encyclopédie de la Divination, Paris, 1965; págs. 257; 271), baseadas nos quatro métodos de leitura mais antigos e populares usados na Europa:
  • na primeira linha há a definição do chamado "Antigo Método Simbólico";
  • na segunda, a que corresponde ao método sintético italiano;
  • na terceira, o método francês;
  • e na quarta um extrato do famoso e arbitrário "Grande Eteilla". Exceto no caso do método italiano, os respectivos oráculos têm sentido positivo (+) e negativo (-).
  • uma quinta linha tem como referência diferentes métodos populares de leitura (com as quatro figuras do Tarô original).
  • a última linha traz excertos do antigo livro da Editora Pensamento, Taro Adivinhatório.
     
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