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05 de agosto de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


O Diabo cobra a fatura, só nos resta pagar (ou mudar)
Vera Vilanova
 
Os vírus são apenas más notícias embrulhadas em proteínas.
Jean Shinglewood e Peter Medawar, biólogos britânicos, 1983.
Depois de anos de discurso sobre o tema "o mundo não pode parar" eis que, sem aviso prévio, o mundo parou. E parou não por causa de uma greve de motoristas, pilotos ou de qualquer outra categoria profissional. Parou, bruscamente, "num freio de arrumação", por conta de um minúsculo ser invisível, extremamente contagioso e letal ao homem.
Há mais ou menos uma década, uma década e meia, discute-se a possibilidade de uma pandemia viral assolar o mundo como consequência dos maus tratos impingidos pelo ser humano ao Planeta Terra. Este vem evidenciando sinais de cansaço, e por que não dizer de desistência da sobrevivência, frente aos desmandos e a irresponsabilidade dos seus habitantes.
Agridem-se os recursos ainda existentes na natureza sem nenhuma preocupação com o amanhã. A crise ambiental apresenta-se cada dia mais séria, embora alguns governantes neguem a necessidade de controle da mesma e/ou de apoio à regeneração do meio ambiente. Observa-se a passos largos a derrubada das florestas, a destruição da camada de ozônio, a extinção de animais selvagens, a eliminação do habitat de muitas espécies da flora e da fauna, o degelo das calotas polares, o aumento da temperatura mundial, a poluição dos oceanos, rios e lagos etc.
Planeta fechado
Capa da revista Economist - março 2020
Por outro lado, o estilo de vida atual dos habitantes do planeta revela uma desconexão quase absoluta com a natureza e suas leis, corroborando com o estilo superficial e fútil de viver. A alimentação cada dia mais artificial, tendo como base fast foods, enlatados, animais confinados e verduras/frutas com agrotóxicos, se junta ao sedentarismo de grande parte da população mundial, provocando o incremento desenfreado das moléstias que nos acometem no Séc. XXI: obesidade mórbida, diabetes, câncer, doenças cardiovasculares etc.
Com base nesses fatores e outras centenas de desmandos que corroem e asfixiam o Planeta, era de se esperar que a exploração negligente dos recursos ambientais gerasse um perigoso aumento do desequilíbrio da Terra, não só com catástrofes naturais mais comuns (terremoto, furacão etc.) como com catástrofes provocadas mais diretamente pela ação do homem (aumento da temperatura da Terra, poluição do ar etc.).
A pandemia vinha sendo discutida e avaliada exaustivamente no meio científico e era consenso que ela viria, só não se sabia exatamente quando isso se daria. Também era consenso que o sistema de saúde pública não estava paramentado para uma emergência sanitária: receber uma avalanche de pessoas infectadas por um vírus, de rápida e eficiente contaminação.
Trump e o Anjo
Fonte: Folha de São Paulo
Outros setores do conhecimento, a exemplo da Astrologia e da Espiritualidade também participaram amplamente de discussões sobre os acontecimentos que viriam a partir de 2020.
A Astrologia, em função da grande conjunção em 2020 dos planetas Saturno, Júpiter e Plutão no Signo de Capricórnio, antecipava a chegada de grandes desafios e difíceis experiências ligadas à estrutura e limites da sociedade (temas do âmbito de Saturno e Capricórnio) e à expansão rápida de doenças, contaminações e mortes (essas ligadas a aspectos de Júpiter, Plutão e Netuno) num curto período de tempo.
A Espiritualidade por sua vez antevia a necessidade de transformações profundas da raça humana como parte imprescindível do processo de regeneração do Planeta Terra e de seus atuais habitantes, sem o qual estaríamos sujeitos à extinção coletiva.
Com base nos aspectos acima levantados e usando o Tarot como instrumento de análise e entendimento desse "novo mundo" que estamos ingressando (de confinamento e desconexão social física entre os indivíduos, assim como das prováveis mudanças radicais  de convivência das pessoas a partir de agora) podemos afirmar que O Diabo veio cobrar a fatura da insensibilidade, ignorância e egoísmo da raça humana.
O Diabo no Renaissance Tarot
O Diabo no Renaissance Tarot de Giorgio Trevisan
Para isso, usou A Torre como fator de desagregação da sociedade e caos no mundo, nos forçou a uma situação de Eremita impensável até dezembro de 2019, usou O Julgamento para nos forçar a encarar o "depois da morte" (tema que sempre fugimos) e refletir sobre o que é realmente importante em nossas vidas.
Até a morte, antes um evento social importante para superação da dor do afastamento, passou a ser um elemento de desconfiança e temor perpetuados pela discrição e sigilo absoluto dos enterros feitos com caixões lacrados, destituídos de velórios e acompanhamento dos defuntos por seus familiares, os quais perderam o poder, antes um direito indelegável, sobre o destino dos seus mortos
Terminada a experiência para cada um de nós, sabe-se lá quando e com data diferenciada de indivíduo para indivíduo, teremos vivido diariamente situações de inseguranças e medos, tédio e frustrações, vazio e solidão, traumas e ansiedade, melancolia e depressão, dentre outros sentimentos difíceis de superar.
Todavia, essa atual geração, a qual nunca vivenciou uma situação de pandemia aterradora desde 1918 (gripe espanhola), provavelmente renascerá mais capaz de expressar o melhor de si, revendo seus conceitos sobre empatia, solidariedade, respeito e afeto e redefinindo seus valores essenciais. Ou não.
O Diabo cobrará a fatura conforme o nosso aprendizado e escolha.
Vera Vilanova
Taróloga e Astróloga
veravilanova@gmail.com
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Edição: CKR 15/07/2020
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