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19 de setembro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Os Valetes do Tarot: crescendo e aprendendo
Jaime E. Cannes
Os Valetes, também chamados de Pajens, ou Princesas, Crianças e Irmãs nos baralhos mais modernos, são os representantes da infância e do espírito aventureiro e inquiridor em cada um de nós. Eles são munidos da curiosidade natural do ser humano e também são os portadores do novo em nossas vidas.
O novo representado pelos Valetes difere das outras cartas de mudança como O Louco (uma experiência inusitada e repentina que se apresenta tanto interna quanto externamente), A Roda da Fortuna (viradas radicais de 180º, muitas vezes inexplicáveis), O Enforcado (uma mudança de perspectiva interior que muda a relação com o mundo exterior), A Morte (uma mudança profunda e definitiva que tanto ocorre interna quanto externamente), ou A Torre (uma mudança abrupta e sempre desestruturadora em princípio, embora possa trazer clareza depois). Difere também dos quatro Ases(de paus, copas, espadas e ouros), eles representam um início vigoroso que sincroniza movimentos internos e externos numa mesma direção! Ou o Três de Paus, que denota um caminho novo e radicalmente diferente das experiências que se apresentaram até então. Muito embora este arcano apresente uma situação ou acontecimento iminente.
Valetes nos jogos clássicos
Valetes dos baralhos clássicos
Valete de Paus no Oswald Wirth Tarot e o Valete de Copas no Visconti Sforza (1450)
Os Valetes são o símbolo das mudanças que precisam ser cultivadas, consideradas e atendidas para que possam ocorrer. Assim como crianças só se criam e se desenvolvem mediante os cuidados dos pais! Os Valetes são sempre bem mais brandos, são mudanças em estado ainda embrionário.
Um bom exemplo foi de uma cliente que teve o Valete de Paus marcando sua situação profissional, e parecia que uma proposta nova de grande possibilidade criativa havia surgido para ela causando grande entusiasmo. O que ela confirmou dizendo que havia recebido convite de um grande hospital do nosso Estado, propondo que ela assumisse a criação de um centro de análises e diagnósticos clínicos, que seria inaugurado num grande shopping da capital. Era uma iniciativa inédita deste e de qualquer hospital da nossa região! Ela se sentiu evidentemente envaidecida pela proposta, totalmente embasada na sua experiência de trabalho numa clinica de diagnóstico por imagens por quase vinte anos.
O cuidado a ser tomado aqui é que eles estavam com pressa e contatando também outros profissionais da área administrativa. Havia um prazo para a sua resposta. Ela teria de considerar com igual atenção a sua disposição física, já que sofria de uma doença autoimune que na ocasião a estava atormentando! Queria muito a vaga, mas tinha de considerar se teria condições de levar até o fim a empreitada, e por isso veio consultar o tarot.
Gosto desta história porque tudo nela se refere mesmo ao Valete de Paus: o surgimento do novo com suas considerações, a possibilidade criativa, e a necessidade de boa disposição física para realizar o que esse Valete nos traz.
Os Loucos e os Valetes
O Louco, pai ou irmão mais velho de todos os Valetes.
Cartas do Universal Goddess Tarot e do Osho Zen Tarot de Ma Deva Padma.
A criança em seu estado puro, intelectualmente aberto e curioso ao mundo externo, é o símbolo dos Valetes do tarot. Em termos divinatórios, tanto podem ser as boas novas a serem melhor exploradas, quanto crianças ou pessoas de espírito jovial e criativo próximas ao consulente. Ao representarem uma personalidade estas serão sempre abertas às novas possibilidades, criações, sentimentos, ideias e pensamentos, oportunidades de investimento e aprendizado, e sempre muito energéticas e vibrantes nas qualidades representadas por seus naipes. Em termos psicológicos os Valetes representam nossa criança interior, a responsável por nossos rompantes de espontaneidade, humor, criatividade, generosidade e inocência por um lado, mas que por outro lado pode representar negativamente o Puer Aeternus. O aspecto da psique que se recusa a crescer e quer se manter sempre jovem e alheio às responsabilidades, compromissos, ponderações e vínculos da vida adulta. Por esse motivo considero todos os Valetes do tarot como os irmãos mais novos ou os filhos do arcano de O Louco, no melhor e no pior de suas expressões!
Na relação com a Cabala eles são associados à Malkut, o mundo físico onde a criação depois de manifesta começa sua subida pela Árvore da Vida em busca da Casa do Pai. Por isso espiritualmente os Valetes são o arauto da alma humana sempre em busca de evolução e do mais alto! São os eternos aprendizes da existência. Os Valetes eram os servos ou aprendizes dos senhores medievais, e de fato servir e aprender são atributos típicos desses quatro nobres arcanos do tarot. É sempre importante lembrar que eles preservam as características dos seus naipes, assim como todos os outros arcanos menores. Por estarem associados à Malkut na Cabala, os magos da antiga ordem inglesa Golden Dawn atribuíram-lhes a metáfora da semente, e associaram a eles o elemento terra. Assim cada Valete é a terra de cada elemento a que representa. O Valete de Paus é a terra (ele mesmo) do fogo (que é paus, o naipe a que ele pertence). O Valete de Copas é a terra (também ele mesmo) da água (que corresponde a copas, o seu naipe) e assim por diante!
Vamos aos seus significados simbólicos mais marcantes:
Valete de Paus — A terra do fogo. Simboliza a terra incandescida com as cores da primavera depois do longo inverno. É a criança alegre, criativa, encantadora e brincalhona que se diverte tanto só quanto acompanhada. Ama fazer coisas novas e criativas, inventa suas próprias brincadeiras. Brincar, quebrar esquemas usuais. Alegre, independente, irrequieto, e ousado, mas nada pretensioso. Tem grandes ideias, mas não se apega a elas. Com um corpo cheio de energia ama divertir-se e movimentar-se como em exercícios físicos e competições esportivas, ou também artes cênicas, e dança! Gosta e precisa expressar-se criativamente. Aprecia Jogos lúdicos para relaxar e não esquenta a cabeça, mantendo um espírito sempre positivo.
No seu aspecto mais obscuro não leva as coisas a sério, brinca com tudo! Não suporta regras, restrições, horários, padrões e nem patrões. É infantil, irresponsável e inconsequente.
Valete de Paus e Princesa de Copas
Valetes de Paus e de Copas
O Valete de Fogo do Osho Zen Tarot e a Princesa de Copas do Thoth Tarot.
Valete de Copas — A terra da água. Simboliza a terra macia do fundo dos lagos, rios e mares, receptiva e acolhedora ao que faz peso sobre ela. É a criança meiga, afetiva, sociável, simpática e carinhosa. Possui pureza de sentimentos e total fidelidade ao que sente, é transparente e segue sempre seu coração. Gosta de conhecer pessoas, lugares e culturas diferentes. Quer sempre ampliar o círculo de relações e conhecimento, e por isso possui grande abertura ao próximo. Gosta e precisa relacionar-se com gente! O que pode torná-lo muito dependente dos seus relacionamentos. Aprecia servir ao próximo, ser prestativo o alegra. É maleável, gentil, e sua disposição em ajudar não vê distinção entre as pessoas em si e entre elas e os seres da natureza!
Por outro lado sua maleabilidade excessiva o torna pouco estruturado, inconsistente e não comprometido com suas causas e relacionamentos. O que pode torná-lo um bajulador ou seguidor sem propósitos internos definidos, volúvel em seus sentimentos. O que popularmente chamamos de “coração vagabundo”!
Valete de Espadas — A terra do ar. Simboliza a terra que voa com a ventania na forma de poeira, flexibilizando-se, mas também sem nunca poder se tornar concreta como requer sua natureza! É a criança curiosa e hiperativa que tem os olhos sempre atentos aos movimentos novos e aos assuntos dos adultos. Sempre disposta a aprender pergunta sobre tudo o tempo todo, mas não fixa a atenção. É capaz de conhecer muitas coisas diferentes, e concatená-las ao mesmo tempo. Grande agilidade mental. Tudo o interessa! Abarca novas ideias e amplia os conceitos já conhecidos de modo inovador.
Sua sombra é a mente que conecta várias coisas ao mesmo tempo, mas que não realiza nada de fato. A congestão e a confusão mental, a argumentação excessiva da mente, os pensamentos circulares. A tensão mental, e a preocupação incessante. Das simples dores de cabeça às enxaquecas persistentes. Insônia. Falta de direção e de planos de vida objetivos. Em casos extremos é a típica personalidade com o TDHA (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade).
Valetes
Valetes de Espadas e de Ouros
A Filha de Espadas no Motherpeace Tarot e a Irmã da Terra no Tarot of The Spirit.
Valete de Ouros — A terra da terra. Simboliza a terra que guarda em si as sementes de futuras germinações, florestas, árvores, flores e frutos! Representa a criança que cedo percebe as necessidades dos pais ou do meio onde vive, e começa a agir no sentido de auxiliá-los ou minimizar seu sofrimento. O bom aluno, dedicado, estudioso, compenetrado, o CDF. O filho comportado que ajuda a mãe na cozinha e ou o pai na oficina. Que sonha estudar e crescer para ajudar os pais ou a família no futuro. Aprender com o novo, investigar, aprofundar. Estudar para evoluir e transformar as oportunidades em trabalho e lucro. Desenvolvimento gradual. Germinador das novas oportunidades, investidor de novos empreendimentos. O explorador cauteloso das novas possibilidades e de todas as oportunidades a serem trabalhadas, e não desprezadas num primeiro momento. Aquele que especula novas formas de investimento e progresso. Fase inicial de crescimento. Fertilidade. Pode indicar gravidez. Sob muitas formas é o estudante ávido por conhecimento e evolução. Alguém que vê no saber o caminho mais seguro para o progresso em todos os sentidos!
Negativamente simboliza a ânsia compulsiva por novos aprendizados ou investimentos, mas já sem propósito ou alegria!
Jaime E. Cannes, professor e consultor de tarô desde 1988,
é astrólogo, numerólogo, mestre e terapeuta Reiki.
www.jaimeecannes.com e www.tarotzenreiki.blogspot.com
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 1º/07/2019
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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