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25 de outubro de 2020

Responsável: Constantino K. Riemma


A necessidade de se humanizar
para se tornar um bom tarólogo
Débora do Amaral Teixeira
Iniciei meu caminho com o tarô quando ainda era estudante de Engenharia Florestal, em meados da década de 90 do século passado. De lá para cá foram várias idas e vindas, onde volta e meia me deparava sentindo uma atração inexplicável por esse baralho imagético. O que começou como uma brincadeira, uma curiosidade, foi se transformando em uma necessidade no meu caminho pessoal de crescimento. Em 2014, por fim, não tive como escapar mais e resolvi me dedicar de verdade ao tarô. Foram anos de estudos, cursos, leituras, trocas com tarólogos experientes e meu encontro com Nei Naiff. Só me senti pronta para começar a atender no final de 2017 e, de lá para cá, aprendo cada dia mais com o tarô.
Continuo estudando e já entendi que vou ser uma eterna estudante, mas o que mais aprendi, e o que foi mais difícil nesse caminho, foi buscar tornar-me um ser humano melhor. É isso mesmo, estou me humanizando graças ao tarô. Entenda-se humanizar aqui no sentido de tornar-se mais compassivo, ser capaz de compartilhar do sofrimento alheio. Quando escolhemos esse caminho, precisamos nos perguntar se realmente estamos dispostos a nos dedicarmos a ajudar outras pessoas, se realmente somos capazes dessa entrega.
A necessidade de se humanizar para se tornar um bom tarologo - Sol e Papisa
Interação humana com luz e calor; escuta atenta e acolhedora
Cartas XIX. O Sol e II. A Papisa no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar
As pessoas geralmente nos procuram em momentos de grande fragilidade e necessitam serem acolhidas. Entender essa escolha como de grande responsabilidade, é fundamental para se tornar um bom tarólogo. Não é fácil lidar com os mais diversos problemas humanos, dores de almas e de amores, menos ainda com as expectativas, que muitos depositam em nós, de que somos capazes de resolvermos os seus problemas.
Há alguns anos, me encantei com as falas de dois médicos maravilhosos: Dr. Décio Iandoli Jr. e Dra. Lídia Maria Gonçalves. Desde então tenho levado essa ideia da humanização da medicina para meus alunos, na universidade onde leciono. Inspirada por eles, comecei a pensar como se daria essa humanização no nosso desenvolvimento como tarólogos. Nesses anos de atendimento já passei por algumas situações bem delicadas e listei alguns dos principais desafios que devemos estar dispostos a enfrentarmos quando decidimos trabalhar com o tarô:
Desafio 1: Prepare-se de verdade, tenha uma boa base teórica, estude, seja curioso, questione. Não ache que irá se tornar um tarólogo da noite para o dia. É preciso dedicação e tempo. Convide a Sacerdotisa e o Eremita para lhe ajudarem nesse processo.
Desafio 2: Entenda o outro como um ser singular, único como você. Não se sinta superior por estar diante de alguém em um momento mais fragilizado, trabalhe a humildade.
Desafio 3: Seja capaz de escutar com afeto e empatia. Nós não somos adivinhos, pelo menos a maioria de nós não tem nenhum tipo de vidência, somos intérpretes de imagens e precisamos entender melhor o contexto para que essas imagens façam mais sentido e se tornem mais claras. Escute o seu consulente, sem julgamentos ou cobranças, muitas vezes ele só precisa falar para ter mais clareza da situação. Aqui é preciso ter paciência, ter equilíbrio para dosar escuta e fala. Tenha cuidado com a forma como coloca as coisas, tenha empatia com a dor do outro. Convide o Eremita e a Temperança para lhe auxiliar.
Desafio 4: Ajude o seu consulente a compreender que a vida é dele e cabe a ele se responsabilizar por ela. Ele precisar buscar sua autonomia e não se sentir dependente de você ou do tarô. O tarô é um excelente conselheiro, mas só o consulente tem o poder de fazer suas escolhas e agir. Apresente a ele o Mago, a Imperatriz, o Imperador, os Enamorados, a Justiça, o Carro e a Morte.
Desafio 5: Não discuta com as cartas e nem tente achar uma razão dentro da sua lógica para as respostas. A consulta não é sobre você, é sobre o outro, e ele não veio saber a sua opinião e sim o que o tarô tem a lhe apresentar. Não é sobre você, é sobre o tarô, ele sim é o conselheiro, nós somos uma ponte para que esse conselho chegue até o consulente.
Desafio 6: Esteja comprometido a se doar de verdade em cada consulta, a dar o melhor de si e estar totalmente dedicado a esse momento, não crie distrações.
Desafio 7: Por pior que esteja a situação, nunca deixe seu cliente ir embora sem vislumbrar uma possibilidade de saída. Lembre-se da Estrela, do Julgamento, do Mundo, do Sol. É preciso ser claro e direto, mas sem perder a doçura jamais.
Desafio 8: Entenda que não somos infalíveis, aprenda com seus erros e não se cobre perfeição, isso é só uma armadilha do ego. Anote seus jogos, descubra o que aconteceu e isso será um excelente material de aprendizado. Também não se ache um ser superior com seus acertos.
Desafio 9: Nunca pare de estudar, recicle, aperfeiçoe-se, leia, não só sobre o tarô, mas sobre tudo que possa dar suporte ao seu próprio desenvolvimento.
Desafio 10: Aja com ética e respeito a você e ao outro; Desafio final: Confie, sua intuição será uma excelente aliada. Se chegou até aqui já está colocando em prática qualidades humanas essenciais e não se esqueça do que nos disse Jung: "conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana".
Débora do Amaral Teixeira
Doutora em Fitopatologia, Professora universitária
e taróloga em Belo Horizonte, MG.
Faz atendimentos e cursos de tarô presenciais e on line.
debamaralteixeira@gmail.com
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Edição: CKR 12/07/2020
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