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23 de setembro de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


A lenda do Tarô
Alcides de Paula Chagas Neto
 
'Cyddo de Ignis'
 
A ‘Antiga Escola do Tarô’, baseando-se na ‘Tradição Antiga do Tarô’, conta-nos uma lenda sobre as origens do Tarô. Segundo essa tradição, os sábios da antiga Atlântida, cuja civilização chegou ao seu apogeu, atingindo o mais alto grau de conhecimento a milhares de anos atrás, perceberam que o povo havia perdido as bases fundamentais dos princípios espirituais e começou a entrar em decadência. Esses sábios perceberam que a população estava se degenerando cada vez mais, e em conseqüência disso, seu vasto conhecimento estava ameaçado de se deturpar. Além disso, esses sábios sabiam que todo o continente atlante pereceria num cataclismo natural, afundando no mar e, preocupados com o destino de suas tradições e conhecimentos, resolveram buscar uma forma de preservar sua sabedoria para as civilizações e gerações futuras. Assim convocaram um concílio de todos os sábios do continente para debater sobre o futuro do conhecimento atlante e encontrar uma forma de preservar toda sua sabedoria.
Segundo a lenda, esse concílio durou vários dias e várias hipóteses foram levantadas sobre a melhor forma de se guardar e preservar seus ensinamentos para que não se perdessem.
Uma dessas hipóteses foi a de se escrever em todas as paredes e muros dos templos e construções da nação atlante, todos os aspectos de seu conhecimento, assim, quando no futuro alguém encontrasse suas ruínas, poderiam decifrar sua escrita e recuperar seu conhecimento. Essa idéia, porém, foi rejeitada, porque, sabendo que o país pereceria num terremoto seguido da submersão de todo o continente nas águas do oceano, seus muros e templos seriam destruídos e, conseqüentemente, seus registros seriam perdidos.
I figli di Atlantide, tela de Stefano Tulipani
Os filhos da Atlântida (I figli di Atlantide)
Pintura de StefanoTulipani (www.stefanotulipani.it)
Outra hipótese foi a de recrutar, entre as nações existentes àquela época, os 10 homens e mulheres mais inteligentes e dotados de cada uma delas, levá-los para a Atlântida, ensinando-lhes toda a vasta cultura atlante, e quando esses homens e mulheres estivessem preparados, devolvê-los às suas nações de origem, acreditando que dessa forma o conhecimento atlante estaria preservado para ser transmitido às gerações futuras. Porém, essa idéia foi também rejeitada, porque é sabido que o homem tende a deturpar tudo aquilo que lhe é confiado, alterando segundo sua conveniência ou mesmo segundo sua capacidade de entendimento e compreensão, acrescentando ao conhecimento original aquilo que ele achasse não corresponder à verdade ou que fosse contrária a sua formação ou índole, ou mesmo ignorância ou ainda por má-fé, e dessa forma, com o passar do tempo, toda a sabedoria dos atlantes estaria tão deformada, alterada e deturpada que sua essência se perderia.
E assim, esse concílio e arrastava sem que uma solução para o problema fosse encontrada. Até que um dia, um dos mais sábios dos anciãos do conselho dos sábios disse ter encontrado a solução para o impasse. Ao ter todas as atenções voltadas para si, propôs a todos a seguinte questão: – “O que e que nunca desaparece da face da Terra? Civilizações surgem e desaparecem; reinos e impérios nascem e perecem, mas uma coisa nunca desaparece!”.
O Tarô
Os sábios pensaram, e se debateram sobre essa questão, mas também não chegaram a um consenso obre o que seria essa coisa, que mesmo que civilizações, impérios, reinos e nações surjam e desapareçam, sucessivamente, na passagem do tempo, nunca desaparece da face da Terra.
Então, o próprio Sábio Ancião respondeu ao seu enigma: – “O que nunca desaparece da face da Terra é o vício, principalmente o vício do jogo. Tudo desaparece: nações, reinos, impérios, civilizações e tradições; mas o vício do jogo nunca desaparece, sendo transmitido de geração para geração. Então, o que faremos é colocar todo nosso conhecimento em lâminas, formado com elas um baralho, que poderá ser usado como um jogo. Esse baralho deverá ser confeccionado de forma que todo nosso conhecimento seja colocado de forma simbólica, assim, ao invés de ser escrito, será feito com gravuras que contenham símbolos que poderão ser decifrados pelas gerações futuras, ficando dessa maneira, nosso conhecimento preservado para os sábios de qualquer época, mas ao mesmo tempo velado e inacessível a quem não tenha sido Iniciado nos mistérios da sabedoria”.
Dessa forma, foi estruturado o tarô como um livro não escrito, mas que contém toda a sabedoria dos atlantes. Nos seus desenhos e símbolos estão contidos todos os ensinamentos desses sábios sobre a jornada da ama humana pelo caminho do conhecimento; o conhecimento sobre o homem, sobre a vida, sobre o universo e sobre o Espírito Divino.
Para a confecção das laminas, os atlantes usaram, como contribuição da cultura das outras nações existentes na época, um aspecto do acervo cultural de cada uma delas. Dos vermelhos, que usavam muitos símbolos e desenhos geométricos, extraíram a utilização dessa forma de expressão; dos amarelos, que sempre foram exímios desenhistas, usaram a arte das delicadas gravuras e desenhos, que até hoje encantam quem quer que veja um quadro ou um desenho chinês ou japonês, pela harmonia e beleza dos traços; dos Negros, que sempre apreciaram o uso das cores, sendo todas as suas expressões culturais marcadas pela profusão do colorido, com harmonia e beleza, usaram a forma de combinar as cores de forma harmoniosa para realçar aspectos de seus ensinamentos; finalmente, dos brancos, aproveitaram o uso dos números, já que os brancos haviam aperfeiçoado o sistema de representar graficamente os conceitos de quantidades e valores numéricos.>
Assim, surgiu o Tarô, como um livro que, além de conter a sabedoria original e milenar da Atlântida, trás no seu conjunto aspectos culturais de outras nações ou raças, não apenas como uma contribuição, mas como uma homenagem dos atlantes a essas raças que iriam sucedê-los no tempo, e esse livro, segundo a tradição, foi, composto de 78 lâminas de ouro, dividido em dois volumes, sendo o primeiro volume estruturado de forma única, abrangendo os ‘Arcanos Maiores’, e o segundo volume, dividido e, 4 seções ou naipes, que são os ‘Arcamos Menores’.
Conta a tradição que, quando começaram os sinais dos acontecimentos que culminaram com a destruição da Atlântida, um grupo do Conselho de Anciãos, os que guardavam seu livro sagrado, refugiaram-se na região onde hoje é o Egito, mas que naqueles tempos, era uma região desértica, habitada por tribos dispersas de pastores nômades e lá fundaram uma colônia, que posteriormente transformou-se numa poderosa nação, sendo o Tarô, então guardado pelos sacerdotes do Mênphis, que o redesenharam, em lâminas de papiro e passaram o baralho para o domínio público, como uma forma de jogo ou diversão, sendo os segredos da Interpretação da simbologia de suas lâminas  reservados apenas para os iniciados nos mistérios da tradição, que se tornaram os ‘Guardiões do Tarô’.
Os boêmios
Ainda segundo essa tradição, foram os boêmios os responsáveis pela divulgação do tarô em todas as partes do mundo antigo.
Os boêmios eram um povo que, por rebeldia foram expulsos de sua nação de origem, chamada Bhárata, que se situava onde hoje é a Índia. Ensina a tradição que os boêmios eram servidores dos templos dessa nação e que por estarem sempre em contato com os sacerdotes, auxiliando na execução dos rituais e cerimônias Religiosas, e estudando as suas escrituras sagradas, adquiriram e desenvolveram um conhecimento profundo dos mistérios de sua tradição, e passaram a exigir os mesmos direitos dos sacerdotes, que então, buscando o apoio do poder secular, os expulsou das terras de Bhárata, condenando-os a vagar pelo mundo com tudo aquilo que lhes pertencia. Segundo a tradição os boêmios são os precursores dos ciganos. Ao abandonarem seu país, vagando pelo mundo, de um local para o outro como nômades, chegaram ao Egito, tomaram contato com o tarô, e como possuíam um conhecimento bem avançado dos mistérios, conseguiram decifrar alguns dos símbolos e passaram a utilizar o baralho para fins adivinhatórios e, como eram nômades, viajaram pelo mundo levando essa forma de utilização do tarô, criando variações do baralho original, até que, na Idade Média, ao chegarem à Europa, causaram sensação com seu baralho adivinhatório.
O Tarô atraiu a atenção de magos e cabalistas, além de estudantes de ocultismo, que tentaram decifrar os significados de seus símbolos, originando várias formas de interpretações dos mesmos, já que cada estudioso analisava os símbolos segundo seus próprios conceitos e criando posteriormente sua própria versão do tarô.
Aparentemente, a primeira versão ocidental do tarô foi o baralho chamado mamluk, precursor do famoso Tarô de Marselha, criado na época da Inquisição, pela necessidade dos tarólogos daqueles tristes dias escaparem das perseguições do Santo Ofício. Dessa forma, suas gravuras foram redesenhadas utilizando os padrões e costumes daquele tempo, procurando preservar o máximo possível de detalhes do tarô original.
Assim, o Tarô tem atravessado milênios, chegando à nossa época ao mesmo tempo, diversificado, mas inalterado e oculto, pois apenas aqueles que forem Iniciados em seus mistérios serão capazes de decifrar seus símbolos, que são atemporais e tão complexos e profundos que o espaço de uma existência pode não ser suficiente para se explorar todo o vasto universo que está contido nesse livro sagrado.
setembro.11
Contato com o autor:
Cyddo de Ignis (Alcides de Paula Chagas Neto) - cyddo.dharma@yahoo.com.br
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