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18 de agosto de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


Sobre nuvens e tarô
Leonardo Cassanho Forster
Falar de tarô, às vezes, é como falar das nuvens. Estas são concretas enquanto ideia e exatamente idênticas a si mesmas no exato instante em que as vemos, mas não se pode nomear uma nuvem como se faz com um rio ou com uma montanha para depois reencontrá-la praticamente igual ao que era, ocupando ainda o mesmo lugar no céu. Para piorar, as mais resistentes e de mais longa vida em algum momento se desfazem, nem que seja em tempestades. Uma nuvem é sempre a mesma em essência, nunca em forma. Seus contornos dão mostras de sua natureza íntima, mas conhecer sua ideia original não permite antecipar as formas futuras que ela pode adquirir nos mais variados contextos, mesmo que conheçamos suas inerentes potencialidades. Do mesmo modo, uma carta de tarô é sempre uma e ao mesmo tempo milhares, e se a razão não pode lidar com isso, é bom lembrar que, como disse um sábio, negar uma realidade nunca será um argumento definitivo para comprovar que o fato negado seja verdadeiramente impossível.
Analogamente, ler o tarô é como observar o céu, consiste em perceber tendências e vislumbrar as possibilidades mais prováveis. Desse modo, embora a comparação pareça um pouco forçada, a leitura do tarô se assemelha à meteorologia. Pelo menos no que diz respeito ao papel do tarólogo.
Nuvens e o tarô
Imagem de www.videohive.net/item/flying-with-clouds/4396560
Vale também considerar que o tarô não é feito para dominar a matéria nem impor a ela uma vontade, não tem compromisso, portanto, com a produção de fenômenos. Pelo contrário, as lâminas do Tarô de Marselha - e mesmo de outros tarôs - são resultado de expressão artística coletiva e, assim, envolvem subjetividade, percepções de mundo e de um conceito de natureza transcendente do ser, entendimento circular do tempo e a sensação íntima de propósitos de vida similares e ao mesmo tempo autênticos.
Apesar, no entanto, das diafaneidades que o tarô pode envolver, sendo fruto da mente e experiência humana, sua natureza não é menos verdadeira do que qualquer objeto concreto que se possa tocar, admirar e com o qual se possa aprender, por meio de inferências, alguma lei universal que rege a matéria.
Nesse sentido, vale lembrar que desde milênios antes de Newton, todos os objetos lançados ao alto demonstravam com precisão científica e de modo infalível a então incógnita lei da gravidade. E já que é para falar de leis, como diz uma máxima hermética, o que chamamos de acaso é somente a concretização fenomênica de uma lei desconhecida. É? Não é?
Alguém imbuído de verdadeiro espírito científico seria mais respeitoso com a Ciência dando benefício à dúvida ao admitir que, sim, felizmente o verdadeiro universo do conhecimento, embora não possa coadunar com o erro, não pode render-se a dogmas e teorias absolutas.
Tirar algumas entre as 78 cartas do tarô é fazê-lo ao acaso - do ponto de vista mais cético - ou é confiar na atuação de uma lei ignorada que, mesmo não nomeada e explicada, produz efeitos constatáveis - do mesmo modo que uma pedra lançada ao alto voltaria em direção ao chão um dia antes de Newton falar em gravidade.
Por esse motivo, tenho certeza de que tarólogos e consulentes sérios percebem de modo muito claro o fato de que, a despeito da pouca compreensão e falta de uma teorização unânime sobre o fenômeno ou fenômenos envolvendo a tiragem das cartas, ele(s) simplesmente existe(m), e os que se propõem a contemplá-lo(s) fazem boas descobertas ao conversarem acerca de cartas, dúvidas, escolhas ou, em resumo, a respeito das nuvens que pairam sobre a vida de cada um.
Leonardo Cassanho Forster,
Professor de Língua Portuguesa, Redação e Literatura
www.trunfodolouco.blogspot.com.br
www.facebook.com/leonardo.c.forster
Edição: CKR – 1º/08/2017
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