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16 de julho de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


Quem tem medo do tarô?
Leonardo Cassanho Forster
A imagem foi a grande linguagem da Pré-História, da Antiguidade, da Idade Média, do Renascimento, do Barroco, do Neoclassicismo, do Romantismo, do Realismo, do Simbolismo, do Impressionismo, do Neoimpressionismo e de tudo o que veio depois, inclusive nesta era de ícones nas telas dos smartphones. A imagem é a grande linguagem dos sonhos, a mãe arcaica de todas as metáforas e a matéria-prima da imaginação.
O tarô, sendo um conjunto de cartões (cartas) de imagens, é um livro pictórico cujas possibilidades de leitura são infinitas, porque é possível combinar capítulos distintos e trechos distintos de capítulos entre si com imensa possibilidade de sentidos, embora o assunto seja sempre o mesmo: o ser humano.
Ás de Espadas e pinturas de Salvador Dali e Nora Huszka.
O Ás de Espadas entre pinturas de Nora Huszka e Salvador Dali
Há quem diga que suas 78 cartas correspondem a um homem/mulher cortado(a) em 78 pedaços, semelhante ao mito de Osíris. Cada pedaço, portanto, diz respeito sempre ao mesmo personagem, o ser humano. Assim, cada pedaço tem seu sentido próprio e se liga com todos os outros de diferentes formas. Por isso, ler o tarô é, antes de tudo, ler-se; interpretá-lo é partir do princípio de que existe um sentido e lógica na ação, pensamento e emoções do homem.
Infelizmente é comum ignorar-se que o tarô está impregnado de conceitos platônicos, gregos, judaicos, cristãos e do cotidiano de povos do oriente médio, o que fez dele uma grande enciclopédia do Renascimento italiano e depois europeu.
No século XX, com contribuições da Psicologia, declarou-se que o tarô reflete a história da grande jornada humana individual e de um universo psicológico riquíssimo a ser investigado.
O tarô, portanto, não é um bicho-papão, é só mais uma produção cultural, artística e filosófica do homem, cujo conhecimento merece ser estudado e divulgado. Como oráculo, talvez sua contribuição mais rica a quem o utiliza não diga respeito exatamente ao que se procura ver revelado acerca do que está fora, no mundo objetivo, mas ao que habita o universo íntimo ainda a ser explorado e conhecido, cuja ação dos mecanismos intrincados de ordem emocional e psicológica transformam-se no oceano de causalidades do ser a impactar sua vida e produzir seus efeitos no mundo.
Por fim, a fala muda e inicial do tarô – parodiando a esfinge que desafiou Édipo – é sempre a mesma: "Decifra-te ou ignora-me!".
Leonardo Cassanho Forster,
Professor de Língua Portuguesa, Redação e Literatura
www.trunfodolouco.blogspot.com.br
www.facebook.com/leonardo.c.forster
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 8/01/2018
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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