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13 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


O Rumi Tarot criado por Nigel Jackson
Apresentação
Halima Favilla
O mundo esotérico sempre me fascinou. Trabalhei com o Taro de Marseille durante 20 anos com nosso querido Constantino Riemma e, há oito, tive meu primeiro contato com o Tarot de Rumi, quando ainda morava no sul da Califórnia - USA. Nunca mais me separei dele.
A visão do mundo pela filosofia espiritual Sufi, dada por Jalai Al-Din Rumi, filosofo persa da época medieval, com adendo de símbolos da Cabala e de outras religiões, inspiraram meu trabalho usufruindo da magia de constantes descobertas e diferentes visões de como ajudar ao próximo e a mim mesma.
São essas as razões do meu interesse em traduzir e adaptar o texto a seguir, um breve contato com um mundo poético persa, através da resenha de Bonnie Cehovet sobre o baralho e a filosofia Sufi. O Tarot de Rumi foi criado por Nigel Jackson, com 78 cartas e publicado pela Llewellyn, em 2009.
Resenha do Rumi Tarot
Bonnie Cehovet
O Tarot de Rumi foi criado com base nas tradições Sufi, como as interpretava Rumi (Jalai Al-Din Rumi), um filosofo persa da era mística Medieval. Trata-se do baralho criado e meticulosamente desenhado por Nigel Jackson.
A Torre e o Jyulgamebnto no Rumi Tarot
A Torre e o Julgamento no Rumi Tarot
Assim que o Tarot de Rumi apareceu, dei uma olhada nele e dois pensamentos simultâneos me vieram à minha mente: gosto da arte gráfica e “qual o significado desta cor verde"?  Continuo não gostando desta coloração esverdeada embora aprecie muito as cartas deste baralho. A base para elaboração das cartas é a tradição Sufi, tal como era vivida no século XIII pelo místico persa Rumi. Sua poesia celebra o amor em sua plenitude, considerando a habilidade do amor de nos tornar livres. Seus poemas estão fundamentados na filosofia espiritual conhecida como "Tawhid”, que busca a união com o nosso ser maior, do qual todos nós fomos separados. Nigel Jackson se serviu desta importante tradição para criar um Tarot místico, levando o leitor à meditação (assim como quem busca a essência e o caminho espiritual), trilhando sua própria experiência de êxtase na procura do encontro espiritual.
Eu acredito que esta seja uma importante contribuição para o mundo do Tarot, não somente pela vivacidade das imagens, mas também pela cuidadosa informação passada subtilmente pelas figuras em si.  Nigel Jackson é bem qualificado para escrever e explorar este assunto, por ser um artista e ilustrador muito conhecido, especializado na tradição esotérica oriental. Seus créditos incluem "O Encantamento Medieval: Tarot de Nigel Jackson" e também por ter se dedicado por mais de 20 anos em expressar a linguagem dos deuses através de suas ilustrações. Jackson voltou-se aos estudos metafísicos, tendo seus trabalhos fortemente reconhecidos pelas tradições eclesiásticas da Gnose, dando inicio a múltiplos rituais mágicos, bem como a interpretação de duas correntes tradicionais Sufi.
Eu aprecio muito o simbolismo e a força das tradições orientais e posso, facilmente, ficar envolvido por ela horas a fio.
O Sol e o Rei de Copas no Rumi Tarot
O Sol e o Ás de Copas no Rumi Tarot
Jackson manteve a tradicional estrutura do tarô com 78 cartas. O baralho vem em uma caixa, com as cartas num saquinho de organdi preto e com um livreto de 312 paginas. Na sua introdução, Jackson declara que tinha como objetivo que esse baralho fosse bastante útil como uma ferramenta para o conhecimento espiritual, guia pessoal e contemplação. O livreto que acompanha o baralho está dividido em quatro partes: 1 - O caminho da Rosa; 2 - Os arcanos maiores; 3 - Os arcanos menores e as figuras do baralho; 4 - Como usar o Tarot de Rumi.
O Caminho da Rosa põe em evidencia a discussão sobre as raízes da tradição Sufi, os conceitos de pureza e de sabedoria. Jackson coloca que o Tarot de Rumi delineia sua simbologia apoiada no Caminho da Rosa, passando pela "Terra das Visões", "A terra da cidade das Esmeraldas" até atingir a transcendente esfera da iluminação e da verdade, guiada pela profunda sabedoria do Mestre Jalal al-Din Rumi. As imagens e símbolos deste baralho devem, segundo ele, ser contemplados levando em consideração reflexões arquetípicas, espelho das divinas e belíssimas qualidades dos Nomes de Deus. Os arcanos Maiores e Menores destacam os graus e os diferentes entremeios desta trajetória, levando em consideração o Caminho de Luz do Sufismo.
Na sequencia, Jackson aborda a discussão sobre o Macrocosmo e o Microcosmo do Universo Sufi. Estes mundos são tradicionalmente correlatos com o chacras iogues, delineando por sua vez estruturas intimamente interligadas. O autor também discute um dos conceitos centrais da tradição Sufi, que é o Homem Perfeito. O ser espiritual representa o Adão celestial como se ele vivesse no Paraíso, com ecos das imagens místicas do Homem primordial na tradição Persa. Partindo deste ponto, Jackson dá ênfase ao conceito da ascensão, da Iluminação, e apresenta uma breve biografia do místico Rumi.
O Louco e o Rei de Ouros no Rumi Tarot
O Louco e o Rei de Ouros no Rumi Tarot
Os Arcanos Maiores apresentam na base de suas cartas, enquadradas num retângulo em branco e preto, uma breve explanação da energia da carta. Vejamos como exemplo O Louco: “Seja tolo e, assim, seu coração estará em paz”. É dada indicação de como a carta pode ser lida ou interpretada no sentido vertical ou invertida.
Os Arcanos Menores também tem um retângulo em branco e preto na sua base, com uma breve explanação da energia da carta, tanto numa leitura vertical como invertida. Por exemplo, o Ás de Espadas é interpretado como uma reluzente e imaculada espada, totalmente livre de manchas.
Os quatro naipes, com cartas numeradas de 1 a 10, são vistos como símbolos dos quatro elementos aristotélicos, inserindo em si os mistérios alquímicos do Caminho Sufi. As quatro figuras são representadas por soberanos orientais: sultões e sultanas sentados em tronos de seus palácios, rodeados por todas as pompas que a situação da época exigia. Algumas figuras da corte do Tarot de Rumi foram inspiradas por outras cartas do baralho Mamluk redesenhado no século XV. Enquanto as cartas vindas do mundo Islâmico utilizam somente de imagens masculinas (Reis, Príncipes, Valetes) no Tarot de Rumi, elaborado por Jackson, foram incorporadas igualmente imagens femininas como Rainhas, e os Príncipes foram substituídos pelos Cavaleiros para que houvesse uma adequação aos modelos da monarquia da idade Medieval.
A Rainha de Espadas e o Cinco de Paus
A Rainha de Espadas e o Cinco de Paus no Rumi Tarot
As cartas com as imagens da corte também vêm acompanhadas de um retângulo em branco e preto na sua base, com uma breve explanação pertinente a energia da referida carta levando em consideração tanto uma interpretação na vertical como no sentido inverso. Por exemplo, o Rei de Ouros nos fala "Vejam quão poderoso e belo é o meu jogo e o quão belas são minhas vestes".
No livro há uma explicação de como fazer uso do Tarot de Rumi, onde Jackson inclui o ritual e varias tiragens, assim como as possíveis leituras das cartas. Há também um glossário de termos Sufi, um apêndice sobre os Planetas Celestiais e suas correspondências com o Tarot, e o simbolismo Sufi, seguido de uma seleção bibliográfica.
As cartas medem aproximadamente 7 cm por 12 cm, impressas em cartolina de boa qualidade. O verso é de um verde suave tendo uma mandala no centro. Na parte frontal das figuras aparecem envoltas numa moldura  bem estreita na cor ouro, seguida por outra borda mais estreita de cor verde, e acompanhadas de um retângulo em branco e preto na sua base, com uma breve explanação da energia referida pela carta, bem como o numero da carta. Os dizeres são breves o suficiente para nos induzir à meditação, oferecendo ótimos efeitos e resultados.
Caixa e dorso das cartas no Tarot Rumi
Caixa e dorso das cartas no Tarot Rumi
A cor de fundo das laminas dos Arcanos Maiores é azul. Os Arcanos Menores e as cartas da Corte tem o fundo verde. Devido a temática, as figuras estão totalmente voltadas para uma mística oriental.
Um detalhe que me chamou a atenção foi o fato das figuras parecem estar suspensas, voando soltas, uma vez que os pés dos personagens quase não tocam o chão. Estes detalhes ficam bem evidentes em cartas como o Louco, que anda com um grande gato ao invés de um cachorro. Muitas destas imagens aparecem sentadas numa base em diagonal (como a Sacerdotisa e a Imperatriz), assim como sobre bases cubicas (o Imperador e a Justiça). Já o Hierofante está ajoelhado em cima de um tapete em forma retangular, enquanto a figura feminina da carta da Lua parece estar sentada numa lua minguante, situada entre duas torres. A Carruagem esta simbolizada por um cavalo branco alado com uma cabeça humana. A Roda da Fortuna, por sua vez, apresenta  uma figura de Justiça em pé por trás e acima da roda em si.
O Hierofante e a Lua no Tarot Rumi
O Hierofante e a Lua no Rumi Tarot
No naipe de Espadas, todas as espadas são ligeiramente abauladas, totalmente diferentes de outros baralhos em que as espadas aparecem quase sempre de formas retas. No Tarot de Rumi, constantemente aparecem figuras inseridas no meio da carta. Algumas pessoas acham esse detalhe muito estranho, mas eu acho extremamente atraente.
A apresentação deste baralho desenhado por Jackson me agradou muito, tanto pela historia como pelo embasamento filosófico que ele aborda. Em minha opinião, ele realmente vale o preço cobrado pelo conjunto. Gosto das cartas e trabalharia facilmente com suas figuras. Fiquei fascinado com a maneira com a qual as imagens nas cartas  são apresentadas. Uma coisa me intrigou: o excessivo uso da cor verde. Eu, em particular, jamais poderia trabalhar usualmente com este tipo de cartas, a menos que eu o fizesse ocasionalmente com a finalidade de visualização, de meditação, ou então para um ritual ou uma cerimônia.
Este baralho interessará colecionadores e pessoas envolvidas em leituras com cartas ligadas ao lado religioso ou que desejam trabalhar com o lado místico do Oriente.
O Autor da Resenha:
Bonnie Cehovet tem mais de 10 anos de experiência profissional
de leituras com o tarô e é professor de Reiki e escritor.
Sua resenha foi publicada em:www.aeclectic.net/tarot/cards/rumi/review.shtml
Contato com a Tradutora:
Halima Favilla, professora de linguas, tarot, neurolinguistica
e life coaching. Atende via Skype e presencial com o Tarot Rumi
connectingtheworld.byfavilla@gmail.com
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição e revisão: CKR – 21/08/2015
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