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21 de abril de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


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Tarô Mitológico – Relato Pessoal
  Geraldo Spacassassi  
Alunos e clientes, freqüentemente, perguntam-me: “Como o Tarô surgiu em sua vida?”, “Por que você elegeu o Tarô Mitológico como sua ferramenta de trabalho?
Considero esse questionamento muito adequado e sadio, principalmente, para aqueles que estão iniciando seus estudos e pesquisas nessa área.
Para responder a primeira questão, sou forçado a relatar minha experiência pessoal. Tudo começou em 1972, quando ingressei no Instituto Chela Yoga. Neste Instituto, sob a orientação do Prof. Molinero, eu vim a conhecer as mais variadas técnicas e linhas filosóficas do Esoterismo. Após um longo período de estudo e aprendizado, chegou finalmente o momento em que tive de optar por uma área. Desliguei-me do Instituto, passando, algum tempo depois, a me dedicar tão somente ao estudo da Astrologia.
Durante minhas férias em 1987, realizei uma peregrinação pelos Caminhos do Rei Arthur na Grã-Bretanha. No final dessa jornada, tive a oportunidade de visitar o Circulo de Pedras de Callanish, na Isle of Lewis, tendo como guia uma pessoa especial: Eric, professor aposentado, estudioso do Esoterismo. Essa afinidade de interesses resultou numa amizade e troca de experiências marcantes.
Callanish Geraldo
O Círculo de Pedras de Callanish, na Ilha de Lewis, Grã-Bretanha.         Foto de Geraldo, 1987.
Quando nos preparávamos para deixar Callanish, Eric mencionou que gostaria de despertar minha atenção para uma técnica valiosa – o Tarô – que abriria novas perspectivas para meu crescimento.
Estremeci! Estava a um só tempo temeroso e apreensivo. Todo meu esforço até então, havia sido direcionado ao estudo da Astrologia e, devo confessar, tinha uma aversão por todo tipo de baralho e suas práticas.
Relutante, aceitei seu convite. Fiquei hospedado em sua residência por um dia e meio. Tivemos a oportunidade de conversar muito, bem instalados em sua ampla sala de estar. Percebendo meu desconforto toda vez que a palavra Tarô era mencionada, num dado momento de nossa conversa, Eric levantou-se do sofá, dirigiu-se a um móvel, abriu uma das gavetas, retirou uma caixa que passou às minhas mãos
Nessa atraente embalagem lia-se:“The Mythic Tarot –Juliet Sharman-Burke and Liz Greene– Cards Illustrated by Tricia Newell”.
Logicamente, ver nome de Liz Greene, astróloga altamente conceituada, associado a um Tarô causou-me surpresa e espanto!
Com esse pequeno truque, Eric venceu minhas resistências!
A partir desse momento ele assumiu o comando.  Separou as lâminas do Tarô em dois grupos: Arcanos Maiores e Arcanos Menores.  Informou-me que passaria as noções dos princípios básicos do Tarô, utilizando-se apenas do embasamento astrológico que eu possuía.
Atento e fascinado, anotei os esquemas básicos que ele me transmitia!
Eric era um mestre! De forma clara, sem arroubos de erudição abordava o conhecimento esotérico com simplicidade, exemplificando e aplicando-o as situações e desafios do cotidiano. 
De volta ao Brasil, com minhas anotações e um exemplar do Tarô Mitológico adquirido em Londres, tentei estudá-lo e assimilá-lo sem grande sucesso.  
 
Capa The Mythic Trot
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na loja virtual especializada em tarô e parceira do Clube do Tarô: www.simbolica.com.br
Uma amiga, versada no “Taro Adivinhatório”, informalmente ministrou-me algumas aulas. Após essa experiência, conclui que deveria freqüentar um curso regular sobre o assunto. Inscrevi-me num curso de Tarô Egípcio/Kier.  Por um ano e meio, estudei sob a orientação da professora Sonia Mountian e consegui evoluir muito. Algum tempo depois, aventurei-me em utilizá-lo em consultas informais.
Paralelamente, continuava meu estudo solitário do Tarô Mitológico. Tornei-me um leitor compulsivo do assunto, tentando absorver o conhecimento e metodologia dos mais variados autores da área.
Por volta de 1989, mais confiante, passei a utilizar definitivamente o Tarô Mitológico em meu trabalho. 
Finalmente em 1992, já aposentado, inscrevi-me num curso, ministrado pelo mestre Otávio Calonge. Em suas aulas, Otávio se valia das cartas do Tarô de Balbi.  Pouco tempo depois, ciente de minhas dificuldades e interesse específico no Tarô Mitológico, ele se dispôs a ajudar-me efetivamente. Com ele, tive finalmente o primeiro treinamento formal em Mitologia Grega e nos fundamentos da Cabala. A partir de então, mais confiante, tento a supervisão segura desse amigo/mestre, passei a atender profissionalmente. Foram dois anos de aulas e encontros extremamente proveitosos.
Por volta de 2003, desenvolvi e passei a utilizar uma nova abordagem de leitura da Mandala Astrológica, inspirado nos ensinamentos do mestre Eric. Fiquei muito satisfeito com os resultados obtidos. Resultados estes confirmados por ex-alunos que passaram a se utilizar desse método em suas consultas, e até carinhosamente apelidaram-no de “Método Spacassassi”. Optei por denominar essa jogada de “Mandala Astrológica e os Caminhos do Crescimento Pessoal” quando de seu registro autoral na Biblioteca Nacional. A descrição detalhada desta metodologia está em fase final de revisão e avaliação.
O estudo e pesquisa continuam! Nos últimos anos, tenho me dedicado ao estudo do “Taro Clássico”, com base na obra do mestre, Nei Naiff, que só vim a conhecer em 2004, por indicação de uma amiga e ex-aluna. Paralelamente, estou reciclando os ensinamentos do livro “Jung e o Tarô” de Sallie Nichols e obras de autores junguianos diversos. 
Respondendo a segunda questão – “Por que você elegeu o Tarô Mitológico?” – tenho a convicção, que não o escolhi, fui “escolhido”. Sou muito grato a este Tarô.  Ele mudou minha vida... Para melhor!
É esta energia, este ideal que procuro transmitir aos meus alunos.
Perseu e Medusa
Perseu e Medusa
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Confesso, nunca poderia imaginar que me tornaria um “especialista em Tarô Mitológico”.
Freqüentemente, sou consultado por todos aqueles estudantes que buscam melhor conhecê-lo. Mas o que realmente importa, não são esses aspectos subjetivos, mas sim a eficiência e eficácia desse oráculo nas consultas de aconselhamento.
Com base em minha experiência, gostaria de ressaltar:
O consulente, em geral, reage de modo muito positivo com relação a este Tarô. Sem grande esforço ele consegue participar do processo, conferindo se a mensagem que está sendo transmitida se harmoniza com a imagem da lâmina enfocada.  Isto gera confiança e credibilidade. 
A leitura flui de forma agradável, graças as suas imagens simples, claras e diretas, criadas pela artista Tricia Newell. Quando, eventualmente, essa clareza não se estabelece, sempre podemos apelar, como último recurso, para a descrição do mito retratado e os aspectos psicológicos envolvidos.
Como tarólogo, julgo importante nunca perder de vista, durante o processo de aconselhamento, as informações estruturais básicas dos Arcanos Menores - Polaridades, Elementos, Modo de Ação – que neste Tarô são magistralmente evidenciadas em suas lâminas. Essa riqueza de informações e detalhes precisa ser utilizada em favor do consulente. Afinal, os Arcanos Menores apontam os acontecimentos, as situações objetivas do cotidiano, onde o conselho fornecido pelo Arcano Maior deverá ser aplicado para que o crescimento aconteça. Quando, através do diálogo, conseguimos realizar esta síntese, a clareza surge e o consulente é o grande beneficiado.
A Mitologia Grega, que lhe serve de base, jamais soa estranha, pois está fortemente enraizada nas manifestações culturais da vida ocidental. Pessoalmente, utilizo-a apenas em minhas aulas. Abordo cada mito minuciosamente, com uma riqueza de detalhes que ultrapassa o material contido no livro.
Considero-a uma ferramenta indispensável a todo aluno que almeja tornar-se um profissional. Esse mergulho fascinante no mundo dos deuses e heróis incita-nos a rever conceitos, valores e preconceitos, alargando horizontes, promovendo o crescimento. Deixemos que as autoras deste Tarô se pronunciem a esse respeito:
 
“Os deuses gregos não são propriedade exclusiva de qualquer particular escola esotérica, doutrina religiosa ou caminho espiritual. Amoral e, no entanto, contendo profundas verdades morais, eles antecedem e permeiam os nossos símbolos religiosos judeu-cristãos, assim como a arte e a literatura de toda a cultura ocidental. Além disso, continuam sendo as imagens mais fundamentais e precisas que descrevem o funcionamento multilateral e multicolorido da psi­que humana. Eles são símbolos da própria natureza, a nossa própria natureza humana com sua profunda ambivalência de corpo e espírito, e seus mutuamente contraditórios esforços para a auto-realização e para a inconsciência. A compreensão de nossa própria ambivalência começou, apenas recentemente, a ser restaurada ao seu antigo objetivo pela moderna psicologia de profundidade, que inevitavelmente teve de voltar à fonte - os deuses pagãos - para poder entender o comportamento humano. Assim, tanto nas cartas como neste livro, aderimos aos tradicionais significados das cartas, ao mesmo tempo ressuscitando os velhos deuses enterrados sob séculos de ‘refinamento’.”
GREENE, Liz e SHARMAN-BURKE, Juliet – O Tarô Mitológico. São Paulo, Madras, 2007, 254p.
 
Conclusão:
Acredito, que todo tarólogo tem a obrigação de se manter atualizado, conectado com seu tempo. Só assim, poderá continuar exercendo sua missão eficiente e eficazmente.
Uma questão, que me aflige e preocupa, é constatar a banalização do uso e dos métodos de ensino do Tarô oferecidos pelo mercado.
O mínimo que se espera de um tarólogo é que tenha uma solida formação técnica, humanista e ética. E esta formação, em minha opinião tem de ser abrangente, estabelecendo conexões com as demais áreas do conhecimento, em especial, com a Psicologia e a Ética.
Trabalhamos com seres humanos!  Não podemos jamais nos esquecer desse fato!
O livro O Tarô Mitológico com o jogo completo de 78 cartas pode ser adquirido
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fevereiro.10
Contato com o autor:
Geraldo Spacassassi - www.stonebk.com.br
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