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18 de novembro de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


Quando o Mago encontra o Dez de Paus
O excesso de vontade de realizar pode tirar o foco e trazer desconexão
Sara Bonfim
Mesmo sem sabermos ao certo a origem do Tarot – e de fato, as cartas mais antigas, que chegaram ao conhecimento geral, datarem do século XIV – suas revelações continuam muito atuais, dialogando com a condição humana. Um dos motivos para o tarot falar tão bem a linguagem da alma, a meu ver, vem da relação que ele faz com os quatro elementos.
Em várias tradições esotéricas vemos o paralelo entre fogo, agua, ar e terra, presentes dentro e fora de nós. No Tarot, a referência é clara quando falamos dos arcanos menores, mas nos arcanos maiores esta relação também pode ser evidenciada. O Mago, por exemplo, arcano de número 1, mostra que tem todos os elementos à disposição. Na sua mesa, temos os símbolos dos naipes de paus, copas, ouros e espadas; referentes ao domínio dos elementos fogo (energia), água (sentimento), terra (matéria) e ar (mente). É com o auxílio desses elementos que o Mago realiza a sua obra.
O Mago no Waite Tarot
O Mago no Tarô Rider-Waite-Smith
O número 1 indica que ele exerce a sua vontade, a sua individualidade no mundo. Sua capa vermelha também mostra que ele é um sujeito de ação, energia, paixão. É dessa energia que ele reveste a roupa branca, passando a mensagem de que por baixo de toda a vontade, existe uma profunda espiritualidade. Seu gesto ainda mostra uma antiga fórmula da Tábua de Esmeralda (Tabula Smaragdina) de Hermes Trismegisto: "O que está no alto é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está no alto para realizar o milagre da Unidade". O Mago, em profunda conexão com o todo, espelha a vontade divina em suas ações.
Mas qual a relação do mago com o 10 de Paus? O que chama a atenção aqui, é que o mago segura um bastão, uma espécie de varinha. Símbolo da vontade, assim como o fogo, este instrumento de magia geralmente é confeccionado com o galho de uma árvore como salgueiro, sabugueiro, carvalho ou macieira, ou seja, com um pau. Por mais que o mago possa acessar todos os elementos, seu domínio é no reino do fogo.
Além disso, toda carta do tarot – como nós – possui uma dualidade. O Mago também pode ser alguém que coloca a sua vontade em primeiro lugar, alguém que manipula, que engana por meio do ilusionismo. O bastão que segura é símbolo do poder que usa para exercer sua influência. Se o Mago usa o poder a serviço do ego, seu bastão pode se tornar um fardo.
É aí que o Mago encontra o 10 de Paus.
Dez de Espadas nos tarôs Waite e de Marselha
O Dez de Paus no Tarô Rider-Waite-Smith e no
Tarô de Marselha restaurado por Camoin e Jodorowsky
O número 10, sobretudo no tarot onde o 10 é marcado pela Roda da Fortuna nos arcanos maiores e fim da série numérica nos arcanos menores, mostra que algo chegou a sua potência máxima e agora será transformado. Quando a vontade (paus) chega a um excesso, ela se torna um fardo. É aquela pessoa que quer realizar tanta coisa que acaba não se contentando com o que tem. No final, não consegue se dedicar a nada inteiramente, diferente da conexão sugerida antes pelo mago. É fazer algo por obrigação.
Neste caso, a vontade divina cede lugar ao ego. Às falsas crenças de que devemos nos sujeitar à vontade dos outros para sermos aceitos, de que devemos trabalhar muito mais do que conseguimos para sermos valorizados, ou de que precisamos de muito mais do que temos.
O Mago traz a mensagem da plenitude em si mesmo, mas também da concentração sem esforço. Em alguns baralhos, ele parece jogar. A concentração é uma espécie de jogo, acaba se tornando diversão. Quanto mais foco tivermos, mais fácil será manipular os elementos à disposição.
E voltando ao 10 de Paus, ele tem seu lado positivo. Considerando que o 10 é o número 1 em uma oitava maior, ele pode ser o acúmulo da vontade a uma tensão que vai eclodir em algo novo, puro e mais conectado. No Tarot de Marselha, por exemplo, é a primeira vez que vemos uma flor branca no naipe de paus. Esta flor, semelhante a uma flor de lis, assim como o lírio, revela pureza e renovação espiritual.  Junto às rosas vermelhas, símbolo universal da paixão, as flores brancas enfeitam o jardim do Mago. A dica aqui é ter foco no que realmente importa e como uma flecha, ir direto ao alvo.
Sara Bonfim é jornalista, cineasta e apaixonada por mitos.
Tarósofa e Taróloga. Possui a página Tarot da Alma, no Facebook:
https://www.facebook.com/sara.bonfim.96
https://www.facebook.com/tarotdasara

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