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19 de agosto de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


A Sacerdotisa do Tarot
Cláudia Hauy
 
Alguns símbolos das cartas do tarô estão presentes na maioria dos baralhos, outros são característicos apenas de alguns; os Tarôs que se tornaram clássicos deram origem a diversos outros que seguiram o seu estilo, criando-se padrões de tarôs. Os elementos posteriormente inseridos nos baralhos  que se seguiram agregam significados aos arcanos e ao próprio conjunto do Tarô. Apesar de nem sempre serem fundamentais para a sua compreensão, alguns chegam a modificar a crença religiosa original com a qual o oráculo foi identificado.
Um dos tarôs mais antigos é o Visconti-Sforza, na versão Pierpont Morgan-Bergamo, feito em comemoração a Francesco Sforza ter se tornado duque de Milão em 1450 ou em 1451 como um presente dele para sua esposa Bianca Maria pelo décimo aniversário de seu casamento.
A Papisa no taro Visconti Sforzaq
A Papisa no taro Catelin Geoffroy
Ao lado, a Papisa no tarô italiano
Visconti Sforza (1450) e, acima,
no francês Catelin Geoffroy (1557)
Neste tarô, vemos as cartas sem nomes ou números, apenas com a imagem a nos poder transmitir sua mensagem, portanto isto mostra que recorrer ao número ou ao nome da carta para interpretá-la não é a forma principal de se compreendê-la. A linguagem do tarô é expressa essencialmente por imagens, são elas que provocam na mente do leitor a expansão de sua intuição.
O primeiro baralho de tarô com os 22 Arcanos Maiores assim numerados foi um baralho francês de Catelin Geoffroy, possivelmente para ser exportado para a Alemanha, que data de 1556 ou 1557.
A Alta Sacerdotisa no Tarô Rider-Waite
A Alta Sacerdotisa
Tarô Rider-Waite
 
Na carta que foi numerada como o Arcano II e nomeada como A Papisa e depois A Suma Sacerdotisa e A Sacerdotisa, vemos uma mulher sentada em um banco dourado sobre uma plataforma trapezoidal. Ela usa uma veste monástica marrom e uma tiara sobre o seu véu feito de dobras que envolve sua face, este véu era usado pelas mulheres casadas na Idade Média para não mostrarem os cabelos e depois passou a ser usado apenas pelas freiras. Em sua mão direita, um fino cetro com uma cruz no topo. Na mão esquerda, sobre seu colo, um livro sagrado. Supõe-se que seja a representação da Papisa Joana, figura lendária da Idade Média que teria assumido a função papal disfarçada de homem, já que o cargo era e ainda é interdito às mulheres.
O Arcano II no Tarô Rider Waite, publicado pela primeira vez em 1910, por William Rider, apresenta a Sacerdotisa sentada entre duas colunas, uma preta, com a letra B e a outra branca, com a letra J, sendo B de Boaz, personagem bíblico do Antigo Testamento e o nome de uma das colunas do Templo de Salomão, significando negação; e J de Jachin, significando começo,  o nome da segunda coluna. Como pano de fundo uma cortina decorada com romãs e sobre a cabeça, a coroa lunar de Isis.  Uma cruz no peito, uma lua crescente aos pés e nas mãos, um pergaminho com a palavra Torá ou Torat, especificando que aquele é o texto sagrado do judaísmo.
Comparada com O Mago
Esta mulher bonita e misteriosa, iluminada pela lua, é o oposto do arcano que a antecede, O Mago: ela é quieta enquanto ele é loquaz, ela está parada, enquanto ele se movimenta, ela está sentada enquanto ele está de pé. Ela é envolta pela noite enquanto ele aparece sob a luz do dia.
Um mago não precisa ter uma religião, ele é regido por forças diversas e infinitas, debruça-se sobre seus artefatos e mostra sua magia ou mágica na prática. Uma sacerdotisa é uma líder religiosa, ela representa e professa uma filosofia teológica, seja o catolicismo, seja o judaísmo, a religião egípcia, grega, neo-pagã ou qualquer outra.
À ela o Louco, o neófito,  pergunta como deve utilizar os instrumentos que o Mago lhe forneceu,  a espada, o cálice, a varinha e o pentáculo. Ela não verbaliza, ela mostra-lhe os pergaminhos para que ele os leia, aprenda por si mesmo e tire suas próprias conclusões.
Às dúvidas do Louco, ela responde através de sua voz interior, orientando para que ele ouça seus instintos, reflita sobre o que aprendeu e só então aja. Agora, centrado e em contato consigo mesmo, ele pode seguir seu caminho, até que possa aprender novos e maiores segredos.
O Ensinamento da Sacerdotisa no Tarô
Uma vez que você tenha uma idéia, também tem uma decisão a tomar. A Sacerdotisa tem em suas mãos papiros com o conhecimento arcano. A coroa lunar na cabeça e a lua crescente aos seus pés indicam sua capacidade de iluminar o que não conseguimos ver sobre uma possibilidade, seja ela no trabalho ou um investimento, amor, carreira, família e etc. Mas você precisa de um tempo sozinho e quieto para meditar e refletir.
Sentada entre dois pilares como entre duas escolhas, ela não pressiona para que se tome uma decisão, ela conduz a que se tenha um tempo para pensar e ouvir a voz interior. Ela quer que você ganhe conhecimento antes de agir: conhecimento instintivo, superior, secreto, auto-conhecimento.
Ela vai além para aqueles que buscam o conhecimento mais profundo, esotérico, por trás do véu, pois as romãs nos remetem à Perséfone, que foi levada para a terra dos mortos, comeu seus frutos e se tornou a única deusa capaz de entrar e sair deste reino. A Sacerdotisa é quem nos guia por todos os caminhos misteriosos e desconhecidos.
É o arcano que representa a(o) própria(o) intérprete do oráculo, no melhor exercício de sua função.
 
Fontes
Visconti-Sforza Tarocchi Deck – Instructions, by Stuart R. Kaplan. U.S. Games.
The key to the Tarot – What Tarot is and how to consult it, by A. E. Waite. Rider Books.
 
Contato com o autor:
Cláudia Hauy é taróloga, runemal, wicca. Dedica-se à harmonização
de ambientes residenciais e corporativos: www.claudiahauy.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: ckr – junho.13
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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