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22 de fevereiro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Nós e Eros apontados para a vida?
Cristina Guedes
 
Originalmente, seja qual for a sua outra metade, esta carta é um chamado designado para a aceitação do  “Amor” e o tempo transcorrido desse amor chegando em sua vida nunca será tão curto para aquele que perguntar, pois no momento que chegar a sua resposta você não será o mesmo ser que era quando o seu relógio foi posto a girar. Todavia, talvez seja mais adequado chamar Eros aqui e convidar a carta de  “Os Enamorados” a falar. Assim, façam a pergunta a ele, esperem a sua resposta, indaguem-se também e esforcem-se a responder, pois isso é que faz a diferença no tarô.
Eros e Psiquê
Eros e Psiquê
Tela de William Bouguereau (1825-1905)
 
Mas, note que estou falando aqui do Arcano VI, Os Enamorados, que é resultado do crescimento e da maturidade do que você pensa ou sente sobre o Amor.
Este Arcano é a força motriz que nos faz escolher e decidir por razões que com frequência não compreendemos de modo profundo em nós e faz-nos render a nossa vontade a um poder superior. Ambos os parceiros sabiam que há uma mudança a enfrentar e que ela está ocorrendo para eles darem as boas vindas a Eros que sempre busca mergulhar de cabeça em águas formidáveis porque ele quer de você a oportunidade de você se abrir à aventura do desconhecido. Esta carta fala também do encontro de duas pessoas que fazem parte uma da outra, que estão numa sintonia tão perfeita que é impossível resistir à atração ou o tempo. Curiosamente, a carta dos Enamorados é governada para tratar de uma comunicação perfeita, de encontrar algo pelo qual a alma anseia.
Vejam que o primeiro alívio da tensão de Eros, o comumente conhecido como Cupido, Frei, Adonis ou Tammuz é trazer um novo impulso para nossas vidas, um novo vigor, um novo poder apontando para  vida novamente. Geralmente esse apontar ocorre quando os amantes se chamam um ao outro pelo primeiro nome ou ainda se incorporam em consentir e determinar o amor. Sabemos que Eros é uma figura masculina com arco e seta ereta plenamente lançada para um alvo. Mas um alvo envolvido em toda uma vida de escolhas e que busca um novo relacionamento com os outros e uma nova harmonia consigo mesmo e
com o social. Essa carta é muito bonita e explode em energia criativa, que inúmeras vezes será liberada muma explosão ou fluxo contínuo de vida contínua e cintilante. 
Jung falou que quando as coisas do amor estão veladas no mundo da sombra, aquilo que estava para sair e que antes doía encontra saída, vem à luz. Entendo que isso é o que ajudará para que o amor persista na jornada do consulente e sobreviva a essa realidade para o campo da compreensão de uma totalidade, do Um pelo Nós. Sentimos que esta primeira confissão do Arcano VI que pode falar um “Eu amo você” necessita ser complementada por algo mais. Algo que prepara o casal atingido da escolha e que os leva para esse estado mais abrangente, e que conduz para aquela amplidão e profundidade que faz crescer para além desse primeiro amor. E isso reside no eu aceito você, no eu me construo com você e no eu permito você em minha vida. Muito profundo se observar isso nessa carta que remete tanto ao mundo das escolha maiores.
É a carta que tem um poder de inspirar corpo, emoções e alma. Manifestamente é um Arcano que se acha desenredando atributos e potenciais projetados entre as duas mulheres do Tarô de Marselhe. E isso será uma experiência  intensa  e um privilégio  de poucos iniciados,
 
Eros-Cupido, o Deus do Amor
Eros (Cupido), o Deus do amor
pois é impossível que essas mulheres sejam indiferentes ao deus Eros. Com seu alívio, sua tensão ou sua suceção de escalas eróticas, o puxão desse Arcano fará a mágica do amor acontecer. Seja quem for que tiver de ser atingida ou atingido, este deixará tudo para tráz e seguirá com ele até os confins da Terra.
Mas vamos descobrir o quê com Eros? E vamos rejeitar o quê de Eros?
No nível mais simbólico dos Enamorados, Eros ingressa-nos na virilidade e marca um passo importante no que diz respeito ao conhecimento profundo de nossa sexualidade e mesmo a nossa eroticidade. Esse amante retratado bem no meio das mulheres e abaixo do vigoroso apontador de vida, apaixonado e muito experimentado pelo seu hábito de amar com ímpeto e fogo divino. Esse amante está em correta harmonia com seu instinto, seu tesão e seu espírito também. Eros vai insistir até ele deixar o amor se manifestar. 
Mas Eros vai provocar tão intensamente os envolvidos por um tempo ou, quem sabe, até por um longo e maravilhoso tempo – mas só quando os envolvidos deixam de ser apenas um casal e se tornam homem e mulher juntos é que Eros abre suas portas iridescentes – e mesmo que esses caminhos, mais tarde, apontem para direções muito equilibradoras para ambos, eles entenderão que cada um deles já soube o que é paixão, perda, término de uma relação, dor, mas também sabe o que é alegria, estar juntos, partilhar, sorrir, brincar e permitir a escuta um do outro. Saiba que cada casal tem uma escuta especial para Eros. Ela, escuta de um modo. Ele, escuta de outro modo. 
Eros-Cupido beija Psiquê
Psiquê revivida pelo beijo de Eros
Escultura de Antonio Canova (1757-1822) no Museu do Louvre - França
O que o homem e a mulher realmente sabem um do outro nessa exaltação do primeiro amor na escuta um do outro? O que eles sabem das experiências que envolvem a sua origem, o seu destino e sua designação especial nesse universo enquanto casal? Precisamente este Arcano sugere Sentimento para eles, Livre arbítrio, Maioridade, Escolha, Enredo, Abraço, Combinação, Equilíbrio, Maturidade e Matrimônio. Integração de ambos os sexos ao poder gerador do universo. Decisão voluntária, uma espécie de eleição dos desejos ou votos de um apostolado amoroso que se inicia para dar uma conclusão na situação de algum casal. Esse encontro como forma de um benéficio do Arcano VI trará muitas aspirações para o consulente e outras responsabilidades. O ponto significativo será obter perícia nesse relacionamento e ainda ir ao mais transcendente de tudo: o amor.
Nunca esqueçam que o Eros dos Enamorados quer vínculos e não imediatez, quer definição e não instabilidade, quer permanência e não frouxidão. Uma das bases que mais me encanta para o meu desenvolvimento nos estudos do simbolismo e nos atendimentos do Tarô, foi ter apreciado o neoplatonismo renascentista, pois este sustentava ser o Amor (Eros) a força primordial do universo. Essa noção tem sua origem na filosofia grega antiga e eu trouxe essa forte inspiração quando fui construindo os poemas para a minha exposição com os Arcanos.
Na própria mitologia grega, que tanto admiro, como descrita na teogonia de Hesíodo, Eros aparece como a divindade primordial, surgida das profundezas da escuridão anterior à criação do universo. Eros é, assim, a força que nasce do caos para trazer a harmonia, a força cósmica que une tudo, que mantém o universo coeso e em estado constante de mudança. Na arte grega, Eros era retratado tanto como um belo jovem rapaz, quanto como um menino, ambos alados. Ao contrário do que comumente se imagina, Eros nem sempre era retratado portando arco e flechas – muitas vezes ele aparecia portando lindas flores e até fitas coloridas, presentes típicos das pessoas apaixonadas, delicadas, sensíveis e românticas.
Quem não gosta de receber flores? Mas quem gosta de receber Eros?
Sim, eu considero que Eros só vem para um coração quente e eu considero Os Enamorados uma carta muito especial. Porque vem sucedendo cartas de figuras grandiosas, tais como a Imperatriz, O Imperador e o Papa, pois este Arcano não deixa de ser uma quebra de paradigmas em vários sentidos.
Os Namorados no Tarot Visconti Sforza
Visconti Sforza - 1450
 
Os Namorados no Tarô Carlos VI ou Gringonneur
Charles VI - 1465
 
Os Amantes no Tarot de Jean Noblet
Jean Noblet - 1650
 
Os Namorados no Tarô de Marselha-Camoin
Marselha - 1760
Os Namorados nas cartas antigas: em todas elas está presente o Anjo do Amor (Eros-Cupido)
Ao eliminarmos nossas tensões e preocupações o Arcano VI nos convida a nos relacionarmos bem com os outros, sermos gentis e afáveis, estabelecer realmente ligações para bem além dos planos virtuais e até reais. Sentir amor é uma dádiva de deuses, confirma que estamos vivos, simpatizados pelo outro que nos chama atenção e nos expõe a lindas emoções. Esta é a carta do espírito dos relacionamentos. 
E não será apenas um amor a ser saboreado e desfrutado nesse Arcano. Será um amor com que nos expressamos dentro da vida. Eros vai querer que sua deusa escondida ou o seu deus escondido rompam a couraça da razão e vertam os prismas do excepcional coração.
Porém o que estou afirmando, como ou porque o afirmo em Eros?
Que dados tenho sobre Eros
?
Sim, tenho muitos dados sobre Eros e o escuto diariamente em minha sala de ocorrências no Tarô. Confesso, que grande parte da originalidade de Eros habita entre grandes artistas, grandes poetas, músicos, pintores, etc... Mas habita também nos reais casos humanos de amor da cotidianidade, talvez entre queixas de consulentes ou entre jubilosas façanhas de amores engenhosos que escuto em minha sala. Habita na sinceridade das historias a mim contadas, nos casos de amores perdidos que me pedem socorro, habita na verdade de um sonho de amor para tantas mulheres e homens que já foram recusados. Eros, meus amigos, habita em tantos dados e profundezas. E como o amor ele não é só de ontem nem de hoje, mas da eternidade. 
Assim é o Arcano VI, excepcionalmente desconhecido e a mais completa encarnação da alteridade absoluta, que chamamos de "Amor". Sim, antes de mais nada, para chegarmos mais perto de alguém basta sermos bons e verdadeiros e daí as conexões e os estágios íntimos acontecem realmente.  Procurar uma união com alguém é procurar experimentar desejos, é fazer amor com a própria vida também, é abrir-se divinamente e compreender onde se sustenta nosso coração senão na vida compartilhada. Permanecer fiel a si mesmo é muito importante na leitura dessa carta e é muito importante para seguir nossa própria filosofia sobre o Amor. É guiar-se e determinar valores, mas esforçar-se para saber escolher entre o certo e o errado e encarar sua escolha ética ou sua escolha moral. No fundo mesmo é descobrir com o que você se importa e com quem você se importa para amar e começar a nova vida plena que te aguarda.
Assim, espero que este Arcano traga novas energias na vida de vocês e novos acontecimentos com os quais vocês continuem em terna gratidão pelo Universo que nos cobre de abundâncias e riquezas.
Adônis, por Cristina Guedes
Os Namorados no Tarô de Pui
Pintura de Stephanie Pui Mun Law
 
A mulher da esquerda é primeiríssima amada
(advento do Enamorado)
Uma figura de mulher, afigura-se à primeira,
surge diante do mundo como rainha verdadeira,
mas, o processo natural a faz crescer, ser inteira,
erguendo-se lá do fundo com forças próprias de guerreira.
Uma figura de mulher, semente de uma árvore eleita,
com frutos doces e artísticos, de alma profunda e perfeita,
mas, aquela de saber vasto e olhos precisos tem
a lição direita,        
que quanto mais do alto ver, mais do alto é satisfeita.
Uma figura de mulher, apoio, sustento e proteção,
experiência sexta da matriz aos filhos do coração,
e tira de dentro do peito, sentimento, amor e perfeição,
e chora a lúcida ternura do poder da adoração.
Uma figura de mulher, altiva, bonita e esguia,
parece que foi noutra vida escalada para o dia,
e todos os poetas a cantaram
em sonhos, versões e fantasias.
Poema de Cristina Guedes para a Exposição
A Casa do Mundo no Reino dos Arcanos
junho.12
Contato com a autora:
Cristina Guedes é jornalista, poeta e consultora em Tarô
Atende pelo (41) 9930.0853 e (83) 8790.7777
www.facebook.com/cristinasguedes
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