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22 de fevereiro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Justiça: há uma balança aí?
Cristina Guedes
 
"Não trago a paz senão a espada." Você sabe quem enfatizou essa frase? Você quer assumir o desafio e a responsabilidade que a espada representa? Você é responsável pelo que fez?
Entremos no significado ritual da espada de ouro do arcano A Justiça - VIII. Estamos agora acentuando um ajustamento de contas. A psique com o corpo. O acordo com a lei. O inconsciente com a consciência. Para Aristóteles, a espada e a balança são os elementos representativos da justiça: a primeira porque se refere à sua capacidade de força e retidão; a segunda, à sua missão equilibradora. Ao contrário das alegorias inspiradas na Têmis grega, a Justiça do Tarô não tem venda sobre os olhos.
Essencialmente eu peço agora que todos vocês arrumem agora os pratos de suas balanças, ajustem a equação humana, criem a harmonia entre as forças opostas. Fiquem atentos ao poder dessas forças ocultas. O Princípio se chama Equilíbrio. A Justiça se chama Realinhamento. O Mediador se chama o Ajustador ou o Árbitro. Coloca em equilíbrio algo que está fora de equilíbrio, uma necessidade de manter as coisas simples, claras e corretas.
Afresco de Rafael no Vaticano
Justiça - afresco de Rafael no Vaticano
É dando que se Recebe. Nós sabemos, mas poucos sabem. Cada pensamento, cada palavra e cada ato seu é devolvido a você pelo Universo com a mesma força. Essa lei está em operação o tempo todo em nossas vidas. Por isso que estes elementos passam para as mãos da impassível dama da Justiça no Tarô, da qual sempre remonta em figurações relativamente antigas na arte medieval: um alto-relevo da catedral de Bamberg, datado de 1237, representa essa dama deste modo. Pelo que parece, a iconografia do Arcano VIII seguiu com bastante fidelidade a tradição artística do Tarô.
Todavia, temos que analisar que contra cada pensamento negativo da sombra a dama equilibra teu oposto exato com a serenidade e a positividade da luz. Pois o casamento dos que praticaram iniqüidadades será a própria derrota. Perceber ajustes cármicos na vida dos pensamentos e nas ações do passado nos levam ao melhoramento do nosso presente estágio da maior balança entre Deus e o Homem.
Todo ajuste é bom na medida em que nos torna mais próximos do centro do objetivo da perfeição. A necessidade de pesar as coisas, encontrar justiça e soluções racionais, e para a razão e o pensamento tomarem precedência sobre a emoção, embora, às vezes, a Justiça precise ser aplicada com misericórdia. Em resumo, esse arcano fala da necessidade de uma mente equilibrada. A razão pura, o absoluto em ato, o rigor e a moderação, a Justiça como lei fatal da existência.
A Justiça, o oitavo arcano do Tarô, é símbolo da imparcialidade. É representada por uma figura feminina empunhando uma espada e uma balança. Fazendo uma associação astrológica, podemos dizer que essa carta representa o eixo Áries-Libra (minha vontade x vontade dos outros). Simboliza o equilíbrio interno tão procurado pelos seres humanos. A justiça representa o ideal de se tornar imparcial, de se colocar em uma posição neutra e mais madura. A figura dessa lâmina é estável e não se deixa abater pelo que está ao seu redor, não toma partido algum.
Esse estado de não tomar partigo algum tem, por vezes, dois lados, duas faces que não podem ser desconsideradas: a imparcialidade, por vezes, pode estar mascarando uma indecisão do consulente, pois não tomar partido algum é uma maneira de não se comprometer com nada ou de não tomar uma atitude. Esse Arcano nos traz esse discernimento, equilíbrio, retidão, honestidade, imparcialidade, autoanálise fria e justa, capacidade de tomar decisões, divisão interna, oscilação entre duas idéias ou opiniões. É necessário trabalhar essas diversas  correspondências  para  encontrar o valor dessa Justiça
A Justiça no Tarô de Marselha restaurado
A Justiça
Restauração Camoin-Jodorowsky
 
que nos leva a uma prontidão de nossos atos.
Quando esta carta sai indica que o consulente está aqui procurando seu Eu mais justo e tentando deliberar sobre a decisão a ser tomada. Meu conselho é procurara julgar com a razão para poder tomar as decisões certas. As características psicológicas desse Arcano trazem um consulente que quer ser mais equilibrado, justo, harmonioso, pessoa que pensa antes de tomar as decisões, pessoa imparcial sobre as decisões alheias, organizado e sério. Não brinca na hora de decisões e não consegue protelar mais.
Nesse Arcano vemos também a Justiça dentro de uma expressão resoluta, ou seja, ela está decidida a tomar uma decisão. Sua veste é predominantemente vermelha e seu manto é verde, representando que ela aparenta ser uma pessoa calma pois sua posição como espécie de juiz assim pede, mas na verdade ela é uma pessoa muito ativa e que pensa muito antes de agir. Sua cabeça e seus ombros formam um dos triângulos espirituais, o outro é formado pela balança. A mão que segura a balança também é amarela, representando que as decisões serão tomadas com a razão; e a mão que segura a base vermelha da espada está representando que sempre há o risco de se impor a justiça pela força mas esse risco é muito pequeno, pois além da espada estar apontando para cima (ascensão e prontidão) a mão que a segura é verde.
Existe a emergência do trabalho interno sobre nós mesmos vencendo todas as provas e todas as tentações no trabalho de auto-superação que nesta obra está sendo entregue, transformando tudo e toda dor em busca da autêntica felicidade, em busca da libertação da Roda do Samsara, em busca da Eternidade!
Ainda a mesma figura feminina que representa a Justiça segura na mão direita a espada: que também é o símbolo masculino, o poder fálico. Na mão esquerda a balança: O feminino, o prato em forma de concha, o yoni feminino, o cálice aberto para a vida. Eis aí o equilíbrio entre masculino e o feminino! Prestem muita atenção. Mas a balança se assemelha ao número “8” deitado: O Infinito!
Existe aí uma mensagem a ser revelada para nós, que todos temos de realizar boas obras para anular as más obras! Enquanto o coração estiver palpitando dentro do peito honesto e amoroso, ainda restam esperanças de eqüidade na vida do consulente! Lembra-te, consulente cósmico, que obter o sucesso ou uma vitória judicial é dominar os obstáculos vencidos, mas essa será apenas uma parte da tua tarefa terrena. Para realizá-la no plano divino é preciso estabelecer o equilíbrio espiritual tambem e prever o choque das forças contrárias. Porque qualquer futuro balança-se para o Bem ou para o Mal e isso só depende de ti, das tuas mais potentes escolhas. Pois toda inteligência que não sabe equilibrar-se no tempo dos merecimentos será como um sol apagado.
Assim, desejo que a permanente harmonia do justo cósmico prevaleça sobre vocês. Muita sorte para todos em suas leis de operação e superação. Estejam certos da vitória seja qual for sua decisão! E lembrem-se que nos templos de Saturno se exibia uma balança. Assim, que as decisões salomônicas durem em sua melhor síntese para todos.
Mão de Libra
 
A balança-algoz que trago na mão esquerda
não pesou nenhuma ranhura
da tua grandeza.
A balança-algoz que trago na mão esquerda
não é a mesma que me roubou a emoção,
nem a que equilibrou a lei da razão.
A balança-algoz que trago na mão esquerda
é a verdade derradeira,
contente de ser vertiginosa,
memória-lícita, primeira.
E circulando esboçada,
a balança-algoz,
foi se fazendo noviciada.
Porque no teu peito imaturo,
foi inflamada
como febre tecida em palavra.
 
A Justiça no Robert Place Tarot
 
      Tarô de Robert Place  
Poema de Cristina Guedes

Poemas de Cristina Guedes para a Exposição
A Casa do Mundo no Reino dos Arcanos
Museu São Francisco - João Pessoa - PB
agosto.12
Contato com a autora:
Cristina Guedes é jornalista, poeta e consultora em Tarô
Atende pelo (41) 9930.0853 e (83) 8790.7777
www.facebook.com/cristinasguedes
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