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23 de setembro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


O Natal e o Papai Noel
Cíntia Doula
 
Aos cinco anos de idade eu me debruçava no muro de minha casa e, conseguia ver ao longe, a estação de trem. Na época do Natal eu ficava lá esperando Papai Noel, como toda criança, imaginando o que ele me traria de presente. Eu não acreditava em renas voadoras e sabia que ele viria de trem, como todo mundo.
Eu queria uma boneca.
São Nicolau ou "Santa Claus"
Cartão alemão, circa 1900
 
Minha mãe chegou num daqueles trens e disse que Papai Noel havia deixado com ela o meu presente, para que me entregasse.
Ah! Que alegria
Corri para abri-lo e notei que era uma boneca muito comprida e magricela e, após me desvencilhar dos papéis, percebi que Papai Noel havia se enganado.
Não era uma boneca. Era um guarda-chuva cor-de-rosa. Porque houvera me dado um guarda-chuva? Pensei.
Acho que não consegui ocultar de minha mãe a minha decepção, então, ela me disse que a máquina de fazer bonecas havia quebrado e Papai Noel resolveu me mandar um guarda-chuva.
Me conformei rapidamente com a situação e transformei o presente numa cabaninha, onde passava horas a ”brincar de casinha”.
Pensava em Papai Noel, às vezes, embaixo do meu lindo guarda-chuva e, imaginava que até o próximo Natal ele já teria consertado sua máquina de bonecas. Mas é bom não arriscar, pensei, desta vez vou pedir uma bicicleta!
Gritava bem alto, achando que ele me ouviria lá do Pólo Norte (e eu não fazia a menor idéia do que era Pólo Norte):  – Papai Noel, eu quero uma bicicleta no Natal, viu?
E, chegou o outro Natal. Fomos à casa de uma tia e quando vi a enorme árvore, cheia de presentes ao seu redor, meu pequeno coração acelerou ao ver a bicicleta! Não contive a minha alegria; desta vez não haveria engano!
Começaram, então, a distribuir os presentes e, logo, me chamaram e me entregaram uma boneca muito feia e, pensei: Papai Noel deve estar tendo problemas com sua máquina de bonecas ainda!
Foi quando chamaram meu primo e entregaram-lhe o que eu julgava ser para mim.
Não me contive. De um dolorido nó na garganta a um choro convulsivo bastou somente uns segundos. Nesse dia, descobri que Papai Noel não existia. Minha tia chamou-me a um canto e contou-me toda a verdade! Contou-me também que, Natal era a comemoração do aniversário do menino Jesus. Eu já tinha escutado muita coisa a respeito de Jesus, nas missas de domingo e nas orações de minha avó
Passei muitos dias um pouco triste, tentando gostar daquela boneca e esquecer a bicicleta. Fiquei muito brava por ter acreditado naquela mentira. Jamais me esqueci dessa estória.
Pelos anos que se seguiram, até hoje, tive natais alegres, solitários, como todo mundo! Porém, nunca deixei de perceber a energia que paira no ar nessa época. Não debruço mais no muro esperando o trem, mas penso muito no aniversariante, Jesus!
Então, de coração, espero que todos vocês, a quem envio essa simples mensagem, tenham um Natal cheio de paz, alegria, amor e saúde!
dezembro.10
Contato com a autora:
Cíntia Doula - www.tarocosmico.blogspot.com
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
 
Notas do Constantino
Gostei do depoimento simples e direto que a Cinthia divulgou em sua lista de contatos. Perguntei a ela a qual arcano poderia associar esse depoimento. Ela respondeu: "Reli meu próprio texto e a carta que me veio à cabeça, foi a Morte. Carta feia para um texto tão bonito (desculpe a pretensão), mas a Morte tem o sentido de rompimento com o velho e renascimento para o novo. Acho até que seria uma bela forma de explicar esse Arcano tão temido!"
O Papai Noel moderno (séc. 21, à esq.), uma versão de São Nicolau
(sec. 20, ao centro) e o Eremita no Tarô de Marselha (séc. 18, à direita)
Mas esse texto, igualmente, me faz total sentido como exemplo do caminho que podemos percorrer a partir das imaginações e fantasias do Mágico até alcançar o saber amadurecido do Eremita. Mais ainda, compare as ilustrações que coloquei logo acima: parece que a figura do Papai Noel moderno, de criação norte-americana, pode ser vista como mera adaptação carnavalesca ou caricata do nosso velho Ermitão.
Nenhuma dessas correlações entre o relato e os arcanos do tarô esgota o rol de alternativas possíveis. Se você tiver alguma outra idéia dê um alô ao editor: contato-ct@clubedotaro.com.br
Comentários do Emanuel

Indico duas cartas de tarôs diferentes: O Mago do Tarô dos Santos, do Robert M. Place, representado por São Nicolau; mas para a história como um todo, a Torre é o arcano.

     
Da esquerda para a direita: São Nicolau (Tarô dos Santos), A Torre (Old English Tarot),
A Estrela (Hezicos Tarot) e o Seis de Copas (Tarô Mitológico)
Não se trata de uma iniciação, como indicaria a Morte; é o rompimento com velhos paradigmas que se mostravam caducos e obsoletos. Livre como a jovem do Arcano XVII – a Estrela – lá vai a autora com seu guarda-chuva e sua feia boneca, sem ilusões.
Por esse aspecto, relaciona-se também com o seis de Copas do Tarô Mitológico.
Grande abraço!!!  www.conversascartomanticas.blogspot.com
dezembro.10
 
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