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22 de fevereiro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


O Eremita – um encontro à beira do poço
Eduardo Pereira Gomes
 
Coloque-se diante da lamina do Eremita e contemple a força que dela emana: as cores são fortes, a expressão do eremita é perscrutadora. Se você observar, meu caro amigo, com sensibilidade de espirito, você perceberá que é o Eremita que te observa, que te sonda, vasculhando com sua lâmpada os mais recônditos espaços de sua alma.
O Eremita nos ensina que devemos nos aventurar no infinito mundo que há em nossa alma, assim como o sábio vidente que, aproximando-se de um poço, espera que as águas se tornem plácidas, com sua lâmpada vasculhando o interior, na busca de algo que brilha (uma moeda, talvez, como a moeda misteriosa que o Apostolo Pedro encontrou na boca de um peixe quando o Divino Mestre ensinou que devemos cumprir com a lei, pagando os impostos).
A narração bíblica define a pesca como meio para a resolução de um problema. Antes da moeda, o peixe; antes do peixe a pesca; antes da pesca, o encontro com a água. A água, aqui, representa o mistério onde lançamos nossa isca e por meio da vara percebemos quando pescamos algo. A sensação de uma experiência transcendental se assemelha à pesca e o êxtase de tal experiência ao momento em que a isca é mordida. É necessário um puxão para se recolher o pescado e, neste momento, o Eremita empresta seu bastão para que o utilizemos como vara.
Porem, é necessário fazer bom uso desse bastão que garante a segurança, para que o declinar em torno da fonte (e o desejo de ver além) não faça com que o ancião seja lançado no poço. "Avancem para as águas mais profundas", convidou o Divino Mestre quando a pesca se fazia infrutífera. Mas o contemplar das águas deve ser feito em espirito de fé, para que não venha a acontecer conosco o que aconteceu com a personagem Viviane do romance "As Brumas de Avalon", da literatura inglesa, que ao consultar a fonte sagrada, não sabia se via a sua face ou a face da Deusa.
 
O Eremita no tarô de Marselha restaurado por Camoin-Jodorowsky
O Eremita
Tarô de Marselha Camoin-Jodorowsky
Fé, prudência, sabedoria, para buscar nas profundezas de nossa alma a resposta para as nossas ânsias, a solução para os nossos problemas, a paz almejada e, sobretudo, para discernir quando é nossa vontade que age sozinha de quando está unida com a vontade do alto; quando é nossa face que se reflete na água, ou quando é a face do amor maior, a face do sagrado.
O Eremita quer que compreendamos o que Victor Hugo há muito poetizou: "Existe uma coisa maior que o mar: o céu. Existe um espetáculo maior que o céu: é o interior de uma alma".
Na alma humana, a magia; na alma humana o milagre. Quando a alma humana é plácida como a água serena, então a face do sagrado se reflete.
Contato com o autor:
Eduardo Pereira Gomes
Lancelot do Lago: avalondosdruidas@hotmail.com
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