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17 de fevereiro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


O sentimento do mundo
Tatyani Quintanilha
 
O Arcano de número doze é um dos mais fenomenais do Tarô. Aquele que souber respeitar a aprendizagem oferecida pelo O Enforcado poderá colher o entendimento do amor universal, coisa rara nos dias tão corridos de hoje, em que competir e ser grandioso transpassa os desejos de grande parte das pessoas.
Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo...”, nosso Carlos Drummond de Andrade parecia conhecer este Arcano de perto. Relacionado ao Titã Prometeu, O Enforcado trabalha a paciência e o sacrifício voluntário. Grandes idealistas como Mahatma Gandhi, Muhammad Ali e Madre Teresa de Calcutá reconheceram tal sacrifício, em suas tortuosas e belas jornadas em busca de um mundo mais humano e perfeito.
O Pendurado no Tarô Mitológico
O Enforcado (ou Pendurado)
Tarô Mitológico (The Mythic Tarot)
de Juliet Sharman-Burke e Liz Greene
 
Este Arcano que, para alguns, pode parecer triste ou, até mesmo, temível, para outros revela a necessidade de se reavaliar comportamentos e desejos, e de se aceitar as limitações que o destino exige.
O Enforcado também está relacionado à jornada dos pacientes crônicos que, de acordo com dados do IBGE de 2008, somava-se 31,3% da polução brasileira. Cinqüenta e nove milhões de pessoas passam por situações de risco de vida e, muitas vezes, pouco  conseguem fazer por si mesmas. Mas, mesmo assim, convivem com momentos de esperança e, é claro, de desesperança, como se esperassem que um dia a águia simplesmente não viesse para bicar seus fígados ou que, de repente, os deuses esquecessem seus erros e os libertassem da rocha que ao qual foram acorrentados para que passassem a eternidade a sofrer.
Dessa forma, uma pergunta ressoa dentre os mistérios prometéicos: “Seria este sacrifício minha escolha ou meu castigo?”. Para aqueles que já viveram este Arcano na pele, a escolha e o castigo parecem se fundir, na forma mais etérea e física que se pode esperar. Aguardar dia após dia pode responder à necessidade pela reflexão. Não viver a culpa e nem o heroísmo: recomeçar e recompor a música que sela nossos corpos.
Sossegar a alma nesta dança simbólica que renova o amor à humanidade é o que O Enforcado nos pede. Deixar com que as coisas fluam, respeitando o fluxo de nascimento e morte que a natureza impõe a tudo o que é vivo é a essência aquosa deste Arcano Maior.
Desafiar o destino e questionar os deuses, os chefes de estado, o pré-estabelecido, a morte e o renascimento, aceitar o destino: tudo isso faz parte do escopo de tarefas que O Enforcado tem como missão.
O silêncio dos deuses parece dizer: “Lute por si só!”. Prometeu rouba o fogo divino, e, de cabeça para baixo, padece no paraíso/inferno de seus ideais.
junho.11
Contato com o autor:
Tatyani Quintanilha www.tquintanilha.com
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