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23 de setembro de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


A morte é inevitável, o velório é opcional
Harah Nahuz
“A única certeza da vida é a morte.”
“Para morrer basta estar vivo.”
“Só não há jeito para a morte.”
Esses três ditados populares expressam com simplicidade toda a soberana majestade que implacavelmente nos arrebata num único golpe, que dura apenas um suspiro. O último.
Os tarots clássicos retratam essa impositiva criatura de modo tão preciso, que em muitos momentos perante a aparição desta dama numa mandala, o consulente a reconhece de pronto e se treme por inteiro perante essa visão. Em outros decks, a pintura foi suavizada,  gourmetizada, vamos dizer assim.
 
A carta da Morte  - 13 - nos tarôs de13-Inevitavel-Harah-Marselha e Art Nouveau
Carta 13 - A Morte, nos tarôs de Marselha e Art-Nouveau
E aí entramos numa senda muito perigosa que é a de sublimar a força da tragédia, a perda iminente, a ruptura.
Numa precisão cirúrgica, a foice ceifa e querer atribuir numa interpretação conceitos que não expressem sua ação é prestar um desserviço a quem nos procura e alimentaríamos o que costumo nominar de “Síndrome do Velório”.
Os velórios foram instituídos na Idade Média com o intuito de certificar-se que o ente querido realmente falecera,já que muito se equivocava com pseudos óbitos e frequentemente pessoas eram enterradas vivas. Ao se postar diante do corpo inerte e deixar que as horas transcorressem era a confirmação de que a vida realmente se esvaíra.
Atribuindo isso numa consulta, imagine que determinada consulente está com o arcano da Morte em posição chave numa mandala que fala de seu casamento. E obviamente as outras posições também expressam em uníssono com o arcano XIII. E recebe a orientação gourmetizada.
O marido pede o divórcio, sai de casa. Mas ela resgata a gourmetização e suavidade da orientação que recebera e atribui que aquilo na verdade é uma “transformação”. E entra na síndrome do velório, dedicando os dias, as horas, segundos e minutos a velar , pois vai que o falecido volta a respirar? Não pode correr o risco de enterrar seu casamento “vivo”.
Carta 13 nos tarôs Romantic e no Sevenfold Mystery de Ciro Marchetti
Cartas 13 no Romantic Tarot e no Sevenfold Mystery de Ciro Marchetti
Quantas vezes em atendimento meu oráculo é inquerido: “Meu chefe vai reconsiderar minha demissão?” “Meu namoro acabou mesmo?”, “Meu marido que inclusive está casado com outra, vai perceber que seu lugar é ao meu lado e retornar?”, “Passei no concurso e não estou em posição suficiente para ser chamada, mas será que mesmo assim tenho chance?! E por aí afora.
E quando a majestade reina na mandala, não há muito o que florear; permita-me o trocadilho: morte e flores, rs! É não! Morreu!
Cabe a nós esclarecer sobre a morte sim,entretanto o mais importante é mostrar que há vida depois da morte, vida do próprio consulente que ao realizar o sepultamento, coloque flores num sentido de gratidão e saia do cemitério sem esquecer de sacudir o pó que ficou impregnado.
“Coveiros gemem tristes ais e realejos ancestrais
juram que eu não devia mais querer você.

Os sinos e os clarins rachados,
zombando tão desafinados, querem eu sei...
mas é pecado eu te perder.”
Tanto/Skank
Harah Nahuz (Carla Daniela Balenzuella Nunes) é taróloga,
psicoterapeuta holística, professora de dança do ventre:
www.diariodacartomante.blogspot.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 18/08/2017
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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