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02 de dezembro de 2008
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Arcano 16: A Torre
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A Torre no século 21
Texto de
Jaime E. Cannes
jaime.cannes@uol.com.br
    
    Numa terça-feira do ano de 2001, dois aviões entraram pelas torres gêmeas do World Trade Center, símbolo do capitalismo moderno e indiscutível emblema do poderio americano. Para qualquer conhecedor ou estudante do simbolismo do Tarot, foi incrível a semelhança do evento com o arcano XVI – A Torre.
      
Um dos acontecimentos dramáticos da história atual está retratado no Tarot.
O arcano A Torre é uma surpreendente metáfora do que aconteceu,
em 2001, com as torres gêmeas de Nova Iorque.
    O mundo inteiro foi sacudido em seus alicerces. Uma tensão nacionalista tomou conta dos norte-americanos, que saíram às ruas clamando por justiça, frente ao que na verdade não passava de uma vingança. O acontecimento justificou a invasão do Iraque e do Afeganistão, países que, segundo o serviço secreto americano, apoiavam Osama Bin Laden e sua organização, a Al Qaeda. A vingança foi a tônica, tanto por parte dos agressores quanto dos agredidos.
 
O revide árabe...
 
...e a devastação
 
     
    No décimo sexto arcano do Tarot, a Torre é mostrada como uma construção cujo cume está em chamas, causadas por um raio que deflagra um incêndio devastador. Servos e senhores têm de deixar a construção, o clima é de pânico, o cenário é catastrófico. No alto do prédio, vê-se uma coroa que tomba com o golpe luminoso que vem dos céus.
    É uma imagem poderosa que geralmente anuncia, para quem a retira, que todos os seus esquemas de apoio e segurança foram abalados, que uma crise no mundo externo o fez olhar para dentro e perguntar: Que valores, além destes que até hoje conservei, eu possuo para passar por esta crise sem sucumbir e poder me reerguer? Ou: Onde falhei, já que não fui capaz de me estabilizar o suficiente? Qual é o segredo da verdadeira segurança e estabilidade? Qual o sentido deste evento dentro da minha caminhada? A Torre é um golpe que vem de fora e que nos solicita olhar para dentro e refletir.
    
O caos anunciado
    
    Na caminhada do Tarot, o arcano da Torre é antecedido pelo do XV – O Diabo. Este denota o domínio dos poderes terrenos e o livre uso dos instintos na escalada humana pela sobrevivência e evolução. Quando a transformação não ocorre de um modo salutar pode, na atual sociedade de consumo, virar uma obsessão materialista que se desenrola num afã por posses e por saciedade, o que quase nunca chega a um término. Como um fogo que nunca se consome.
    A possessão é uma necessidade do ego, que precisa ter coisas para sentir-se existindo, para sentir-se no comando ou com algum tipo de poder. É o que acaba se definindo como o poder de compra. Tudo pode ser comprado, casas, aviões, sexo, segurança, saúde, lazer, direitos.
    Quem gasta mais, vale mais e, conseqüentemente, passa a ter direitos de cidadão, ou seja, mais uma vez o “ter” substitui o “ser”: o valor intrínseco das pessoas é substituído pelo valor monetário. Vivemos num mundo dominado pelos atributos inferiores do arcano O Diabo. Os norte-americanos estão entre os maiores divulgadores desta “filosofia” moderna – e dizem que isto é democracia.
    No arcano seguinte, A Torre, este estado de coisas não pode mais ser mantido, é preciso reflexão. Os valores humanitários são os verdadeiros alicerces da evolução da humanidade, e não os valores de troca comerciais criados com o propósito de facilitar o intercâmbio das comunidades!
 
Radiant Rider-Waite Tarot
[www.aeclectic.net]
    Com a Torre, vem uma crise do mundo material e faz com que olhemos assustados para dentro nós próprios perguntando: O que houve? Isto ocorre com pessoas tanto quanto com nações e aconteceu aos Estados Unidos da América.
    Mais adiante na caminhada, o arcano seguinte, A Estrela, nos espera com total despojamento. Então, o ser humano se dá conta de que está ligado a todo o Universo, assim como uma nação poderá perceber que se encontra unida ao resto do mundo, com as mesmas necessidades de paz, amor e vida digna para todos.
Aquatic Tarot
[www.aquatictarot.de]
      O mundo inteiro viu emergir de dentro da sociedade americana criticas à sua política externa e movimentos de direitos humanos tentaram precipitar o fim das invasões, tanto quanto uma reaproximação diplomática com os aliados. Questionou-se o fato de que um cidadão do Oriente Médio que morre é apenas um número nos boletins da imprensa mundial, “morreram cinqüenta crianças palestinas” ou “dezesseis pessoas que participavam de uma festa morreram hoje em Jerusalém”.     Já o incidente no World Trade Center fez com que a mídia de lá apresentasse cada vítima ao mundo como um cidadão com uma história, uma família e sonhos. Até um gatinho que sobreviveu a tragédia foi mostrado como um comovente exemplo de luta pela vida. Será que não há seres humanos com sonhos, família, e uma história fora das fronteiras dos Estados Unidos? Do jeito que as coisas estavam, não havia outro caminho para ser percorrido, além o do trágico arcano XVI.
    Se acaso as coisas não mudarem fundamentalmente, pelo menos haverá a história para lembrar a eles e a qualquer outro povo dominante no futuro, o que acontece com aqueles que usam o poder como uma forma de alienar-se de sua família humana, isolando-se numa verdadeira torre de egoísmo e megalomania.
    
Contato com o autor
Jaime E. Cannes
- jaime.cannes@uol.com.br
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