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19 de setembro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


O Tarot e o Karma
Jaime E. Cannes
 
Karma é uma palavra de origem sânscrita que fisicamente representa a ação e metafisicamente a lei da retribuição universal. Assim sendo, a teoria do karma é perfeitamente compatível com a terceira lei do movimento de Newton que diz que: "Toda ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e em sentido contrário". Podemos simplificar dizendo que todas as nossas ações retornam a nós, independentemente de termos melhorado nesse meio tempo! Vale sempre lembrar, entretanto, que o karma não é uma punição e muito menos uma recompensa. É a consequência natural de nossas ações.
Nebulosa Helix, Olho de Deus
O karma é uma lei de coesão universal
Foto da nebulosa Helix
 
Todas as ações de cunho coesivo e harmonizador formam aquilo que poderíamos chamar de karma positivo e todas as ações de caráter destrutivo ou desarmonizador formam o karma negativo. Buda nos ensina que nem um nem outro são favoráveis a evolução da consciência humana, pois enquanto criamos karma, seja positivo ou negativo, continuamos presos a dualidade que gera todos os conflitos sem nunca nos libertarmos da roda de Samsara, ou o eterno ciclo encarnatório de nascer, viver, morrer.
A libertação desse ciclo se dá através da compreensão do sentido intrínseco do karma e a não identificação com o seu retorno e efeitos, sejam eles positivos ou negativos.
O karma retorna sempre, o que não significa que qualquer pessoa irá se deparar com seus resultados apenas numa outra vida, pois o fluxo kármico  opera  constantemente! Seus efeitos são
repassados para uma outra encarnação apenas em ocasião da morte.
Fazendo uma comparação rude, é como o intervalo de uma telenovela, entram os comerciais e assim que a novela recomeça tem de partir exatamente de onde parou na trama! O karma pode ser tanto individual quanto coletivo, como no caso de uma família ou de uma nação.
A lei do karma seria uma versão sutil de uma outra teoria das ciências naturais, a do evolucionismo de Charles Darwin, e assim como uma espécie melhora os seus gens para a que a próxima geração se adapte e sobreviva, a alma também aprende e evolui no campo espiritual para que a consciência que nunca morre se beneficie e também evolua.
Não pretendo aqui fazer mais do que uma síntese dos significados espirituais do karma, esse tema não caberia numa explanação tão breve quanto essa. No fim desse artigo sugiro uma bibliografia que pode orientar melhor iniciantes em temas esotéricos, ou leigos mesmo, a se instruir melhor sobre esse assunto tão fascinante.
O tarot e o karma
Como o karma se apresentaria no tarot? Uma leitura pode revelar uma situação de cunho kármico? E, principalmente, qual a validade desse reconhecimento na vida comum? Bem, vamos por partes.
O arcano XVIII, A Lua, tem sido apontado como o arcano do karma. Sua imagem mostra em termos simbólicos seus significados. Tomando como base o tarot de Marselha vemos um tanque com água (Símbolo da psique) de onde sai uma lagosta, que é um crustáceo! Os crustáceos são uns dos seres mais antigos a viver no planeta. A lagosta está prestes a vir à tona, como vivências muito antigas que retornam em um dado momento.
A Lua no Tarô de Marselha - Kris Hadar           Osho Tarot Past Lives (18-Lua)
A Lua no tarô de Marselha, à esquerda. O mesmo arcano XVIII no Osho Zen Tarot - Vidas Passadas
Do lado de fora dois lobos (ou cães) uivam e o uivo, hoje se sabe, é um chamado para unir a matilha. Algo muito antigo convoca nossa atenção e não pode ser ignorado. Ignorar seu chamado só traria mais sofrimento. O uivo também é um emblema do medo que os predadores noturnos, como o lobo, geraram no inconsciente coletivo da humanidade. Medo, e as fobias em geral, é também um dos significados do arcano de A Lua. O medo sempre aparece de algum modo quando temos de nos confrontar com os aspectos não resolvidos da vida. Ao fundo vemos duas torres muito antigas aludindo à memória dos tempos inserida na alma.
Ao alto uma lua crescente (A figura mostra como a lua aparece nessa fase no hemisfério norte), tem gotas de energia sendo retiradas da terra, ou seja, o foco da consciência está indo para dentro, para o mundo interior. A Lua associa-se ao assim chamado “Mergulho na noite escura da alma”, um momento onde as referências do mundo racional são perdidas. Um sentimento muito comum nesse arcano é o da angústia, palavra de origem latina que significa “caminho estreito”. É interessante notar que entre os dois animais no centro da imagem há um caminho estreito por onde o crustáceo irá passar.
Quanto à validade de uma revelação dessas, bem eu penso ser fundamental qualquer informação que possa ampliar o campo de visão de uma pessoa sobre a situação que ela está enfrentando. Sem falar de que dentro de uma abordagem terapêutica do tarot é sempre válido saber a profundidade do que estamos tratando. Isso só se aplica, é claro, quando o leitor não está contaminado com as considerações negativas que certas doutrinas espirituais acabaram por reinterpretar o significado do karma, dando-lhe uma conotação fatalista e sombria muito parecida com a do Deus severo e punidor da doutrina judaico-cristã.
 
O que há para ler:
Um Estudo Sobre o Karma, de Annie Besant. Editora Pensamento.
Intuição, de Osho. Editora Cultrix.
O Caminho do Mago, de Veet Vivarta. Editora Francisco Alves
 
abril.12
Contato com o autor:
Jaime E. Cannes, professor e consultor de tarô desde 1988,
é astrólogo, numerólogo, mestre e terapeuta Reiki.
www.jaimeecannes.com e www.tarotzenreiki.blogspot.com
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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