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22 de fevereiro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


  ARCANOS MAIORES / As 22 cartas / O Julgamento < voltar  
Apocalipse... agora?
  Jaime E. Cannes  
 
    Cansado de ouvir sobre o fim do mundo em 21 de dezembro de 2012, resolvi escrever sobre o tema. Acho interessante, e de certa forma assustador, o quanto fascina a mídia, e o interesse popular, o fim dos tempos. Isso está de tal forma enraizado na mente coletiva, que ouvi esses dias de um taxista: “É, o jeito é a agente aproveitar o que dá porque o mundo ta no fim!”...
2012 DoomsDay
O fim do mundo no cinema
      Por mais que fosse uma brincadeira, a verdade é que essa ideia de fim dos tempos é um grande fantasma da humanidade! E ao invés de causar uma reação de “Vamos a luta!” Cria, pelo contrário, um sentimento taciturno de “Estamos no fim!”.
    O insight de que deveria escrever sobre o tema culminou quando por um daqueles acasos, nada casuais, deparei-me com uma antiga revista Planeta da minha coleção, a edição de dezembro de 1993, que continha uma entrevista com a presidente da Sociedade Teosófica Radha Burnier – que, diga-se de passagem, ainda é a presidente da instituição, cumprindo atualmente o seu sétimo mandato, o mais longo da história! Indagada sobre o apocalipse ela diz: “O apocalipse é a grande fuga. As condições de vida se tornaram muito complicadas e as pessoas não querem se perguntar por que criamos uma sociedade assim. Alguns escapam em direção às drogas, ao alcoolismo, ao sexo. Ha muitas formas de fuga, e uma delas e o apocalipse, a fuga total”.
    Esse artigo poderia terminar aqui. Essa é a resposta exata. Temos de acreditar no fim do mundo, pois esse é o
grande escapismo, a resposta que nos livra de assumirmos a nossa parte sobre o que devemos de fazer para este mundo ser um lugar melhor.
    Vivemos num tempo em que todos estão mais preocupados com o seu sucesso pessoal e do quanto podem “aproveitar a vida”... Muito pouca gente se pergunta “Como posso ajudar?”... E às vezes o que precisamos é muito pouco. Prossigo com esse texto por perceber que mais uma vez o tarot, e seu maravilhoso simbolismo, oferecem uma reflexão sobre esse dilema humano – construção x destruição no arcano XX – O Julgamento.
    Alguns autores modernos têm afirmado que o titulo dessa carta não corresponde ao seu significado mais profundo. Eu discordo. Estamos demasiadamente impregnados das referências bíblicas. Julgamento é juízo, e juízo é consciência. Portanto o Julgamento levado ao nível pessoal é um momento de profunda conscientização, de despertar do longo sono das ilusões auto-impostas e ver as coisas como elas são. Esse despertar tem sido chamado de a iluminação da alma, ou o encontro do tesouro escondido. Nos baralhos clássicos aparece um anjo (arcanjo Gabriel, o anjo da anunciação) tocando uma trombeta e convocando as almas. No centro, abaixo dele, ha uma composição trina, um homem, uma mulher e uma criança de rosto não revelado. Essas figuras lembram bem as muitas trindades sagradas, mas não vamos aqui nos deter nelas. Lembremos apenas que as mulheres na tradição hermética representam a conservação e a tradição, os homens a renovação através do invento e a criança o porvir. O rosto da criança, porém, permanece encoberto, assim sendo o passado e o presente ao serem reavaliados e compreendidos podem transformar o futuro.
    Para a humanidade seria o grande momento de ficar frente a frente com a realidade das suas atitudes. Para os que creem literalmente na escrituras bíblicas, isso aconteceria quando o salvador retornasse ao mundo. Creio que o salvador nunca se foi, ele aguarda dentro de cada um o momento do despertar da nossa consciência planetária e universal. Os fatos ao nosso redor são o maior chamado que
 
Le Jugment no Tarot de Oswald Wirth
O Julgamento
Tarot de Oswald Wirth
podemos ter para essa reflexão, mas ao invés disso, fechamos os olhos e nos perguntamos, entre angustiados e aflitos, quando tudo isso vai terminar...
    Nas muitas analogias bíblicas entre o tarot e as escrituras sagradas a carta de O Julgamento representa justamente o momento em que os mortos serão chamados à vida para, juntamente com os vivos, passar pelo grande julgamento das almas. Todas as nossas atitudes e crenças estão agora sendo julgadas pela própria vida. A existência se serviu do que foi possível da passagem do homem sobre a Terra (O controle de doenças, o aproveitamento da terra, as técnicas de reaproveitamento do solo...). E amarga com o que não foi possível (A poluição, a destruição da conexão com a consciência natural e divina, o respeito às diferenças, tanto entre os seres vivos quanto com os semelhantes humanos, o extermínio de muitas espécies animais, e o maltrato de outras tantas...). É uma lista bem maior! E tudo isso deixou rastros no plano tanto físico quanto psíquico da anima mundi! Difícil de acreditar?... Recentemente descobriu-se que os cervos que habitavam as florestas que ficavam entre a antiga fronteira das duas Alemanhas durante a guerra fria, nunca se cruzavam entre si porque ainda obedeciam a uma fronteira criada pelo homem com arames farpados e eletrificados, só que ha mais de vinte anos não ha nada ali a não ser árvores! O trauma da separação afetou os animais e suas gerações posteriores. Os pesquisadores disseram que não sabem se, ou quando, esse trauma vai passar. Isso foi só para citar um exemplo. O quanto mais nós não fizemos com nossas guerras ou, com o lixo colocado no leito de córregos, e o envenenamento das águas e do solo?...
    Quero aqui fazer a minha previsão: Não acontecerá nada de diferente do que já vem ocorrendo no dia 21 de dezembro de 2012. Mas veja bem,  não  há  nenhum  motivo  para
Pirâmide Maia
A pirâmide maia em Chichén Itzá
www.fantom-xp.com
  não se preocupar! Estamos na era do egoísmo e o único modo de alterar isso é saindo do próprio umbigo e parar de se preocupar com a nossa classe social ou a nossa categoria profissional. É preciso parar de se perguntar “Quanto eu levo nisso?”...
    Nem tão pouco se deve fazer algo apenas pelo medo do fim dos tempos, que o façamos porque a vida e um direito nosso e de todas as outras de espécies que vivem nesse planeta. Que não se cuide só a árvore que garante o ar que respiramos, mas também o pássaro que vive nela, ele também é nosso semelhante, uma unidade carbono igual a nós! O apocalipse é agora, e não numa data especifica. Se será um processo lento e agonizante, ou
apenas um fantasma exorcizado pela ação interior e coletiva, de toda a humanidade, vai depender de cada um de nós.
    Então arregace as mangas e procure um modo de ajudar, ONGs de preservação ambiental e proteção animal, orgãos de conscientização ambiental, permacultura, reciclagem do lixo, cuide do seu, incentive outros a fazer o mesmo. Há muitas formas de cooperar!
Em respeito aos maias
    Vale dizer que isso não representa nenhum descrédito para o calendário maia, de modo algum! Os maias foram um povo notável que foi capaz de prever fenômenos astronômicos com alta precisão sem o auxilio de nenhum super computador, e contaram o tempo de modo exato. Esse povo possui uma das cinco únicas escritas próprias da história primitiva da humanidade e foram astrônomos impressionantes!
     Como todos os outros índios cultivavam a terra e caçavam. Para eles uma sociedade que não vivia em comunhão com a natureza estava perdida!... E quem hoje poderia discordar deles não é mesmo?... Talvez essa previsão revele o atual estado de como nos vemos hoje, com nossa sobrevivência ameaçada por nossas próprias atitudes ao planeta e a vida como um todo. O calendário dos maias dá a cada dia e a cada ano um significado especial, uma atribuição específica de acordo com os princípios da sua astrologia. Os selos, ou regentes cósmicos, que estarão ascendendo dia 21 dezembro de 2012 provavelmente tenham mostrado aos maias que um colapso natural seria eminente... Para um povo que via na natureza manifestações sagradas, isso deve ter sido bem aterrorizante! Temo que os atuais divulgadores das previsões maias do fim do mundo estejam mais sob a influência de uma arraigada programação judaico-cristã do que sob a inspiração de uma visão maia sobre a vida.
novembro.09
Contato com o autor:
Jaime E. Canneswww.jaimeecannes.com 
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