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12 de dezembro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Uma pequena reflexão
sobre o Arcano Zero - O Louco
Rubens Lacerda
 
Creio que da mesma forma que não podemos, por meio de aparelhos e experiências científicas, comprovar a existência ou mesmo a ausência de Deuses e Deusas, também não podemos cair no mesmo erro em relação ao Tarot.
Deuses e Deusas são uma experiência pessoal baseada na Fé. Uma extraordinária viajem à completude humana. O Tarot também é uma experiência aos confins da humanidade. É uma Sagrada jornada ao centro do coração humano. Uma vivência perfeita e certeira por onde nossas forças brotam. Não de uma forma banal, daquelas beirando ao ridículo, onde somos apenas o efeito de nossas vidas, confirmado por textos como: “Se Deus quiser. Se a Deusa deixar. Que os deuses abençoem. Que a Deusa te crie!” Isso soa muito mais como vício de linguagem e modismo do que como algo que venha verdadeiramente do coração, que venha de dentro do nosso Ser Real.
O Louco no tarô de Luis Royo
Arcano Zero - O Louco
Copyright © by Luis Royo
 
O Tarot é o amor encarnado, é o poder quântico das infinitas possibilidades. Do aqui, do ser e do agora. E na figura do Caminhante das estrelas da constelação arcânica, O Louco traz o esplendor da Vida que retorna do caos, em todas as suas voltas, em seu processo cíclico de Caminho. Por ser O Louco o tolo, pode ser o que quiser, sendo esta a faceta da bruxaria, da magia da Vida que o Louco nos mostrar. Engana-se e muito, quem acredita que ele e seus companheiros arcânicos são apenas símbolos que nos levam a passear no oceano coletivo de nossa humanidade (oceano atingido por cada ser, somente por sua praia, sua orla). Não. Antes de símbolos são energia pura. E energia é pré matéria. Pré ação.
Às vezes, beirando o “esfregar na cara”, o Caminhante nos mostra a fragilidade de nossa forma “imortal” de viver, onde tudo o que é relacionado ao poder do Amor, da espiritualidade e do ser feliz, fica abandonado ao bel prazer de um calendário poderoso e interminável. O Louco traz o poder da decisão precisa que urge, que acontece no agora. Da escolha que parte do coração e que abraça a felicidade. Ele nos faz entender que o ponto de início de qualquer jornada tem nome e tempo, o correto chamado: Presente.
Seja passeando pelos Magos ou pelos Mundos e a dançarina cósmica de Rachel Pollack, ou mesmo pela bela moça da Força, o Louco nos ensina que a Jornada começa nele e que para iniciá-la, a pesada bolsa das certezas deve ser esvaziada para que seus “dons” possam aparecer, porque a única coisa que o Louco deve ter como certo é que o Anjo da Morte um dia o encontrará e o conduzirá para a sua estrada azul. O Louco sabe que sua vida impermanente só tem sentido se partir de sua alma, de seu amor pelos mistérios de sua existência e das coisas do Mundo.
E por fim, O Louco sabe: Uma vez que uma jornada do Coração (e de coração) se inicia, não pode permitir que nada tire seus pés da estrada. Esta estrada vive no âmago das coisas do Mundo, pois tudo começa e termina no Mundo. E sabe também que ela o levará ao seu melhor.
Que o Louco seja sábio para sentir e entender sua Sombra pessoal. O Mundo dos dons!
O Caminho é do Louco, a ele pertence, mas a decisão de ser ou não o próprio Arcano Zero, vem de cada um, de cada ser, e é extremamente pessoal, assim como nossa experiência de Deuses.
Contato com o autor:
Rubens Lacerda é instrutor de tarot, idealizador do
Projeto Arcano XXI e músico: www.paxxi.blogspot.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: ckr – julho.13
Revisão: Ivana Mihanovich
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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