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22 de agosto de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


O giro dos arcanos e o tempo das maçãs
entre homens e mulheres
Cristina Guedes
 
Estivemos juntos, homens e mulheres, há milhões de anos. Ali iniciamos essa busca de ar e segurança na cosmologia confusa dos nossos primeiros dias. Escrevemos cânticos clandestinos para expressar a mestria de quem sabe interpretar, partilhando papiros e emoções de tintas desmaiadas. Mas estávamos juntos, homens e mulheres, ali e tão distantes da nudez estética de Vênus e sem o corpo escultural de Apolo - distantes do mármore róseo e muito aquém do aço damaceno que aprenderíamos a lançar um dia no mundo dos gloriosos Arcanos. Ali, deixando os charcos, esboçamos os nossos Símbolos Antigos, paradigmas de um inconsciente que falava, sentia, sofria as desigualdades e diferenças que vêm sendo mantidos durante toda essa pequena história que chamamos loucamente de humana.
Vênus e Apolo
Vênus e Apolo
Pintura de Paris Bordoni (1560)
 
Então iniciamos nossa jornada juntos e separados. Viajamos assim: o homem com uma rota de razões e a mulher com uma rota de intuições e até colisões, que às vezes até se confundem e às vezes até informam. Ainda sob o barro molhado de nossos corpinhos, perguntamos numa virginal indignação: de quem é a culpa? Homens e mulheres respondem em silêncio de ombros contraídos. A culpa é do outro.
Estivemos unidos na hora de buscar o fogo entre uma pedra e outra; o fogo que nascia maravilhoso junto às árvores das florestas. Juntos estivemos no espanto das rodas que fizemos girar com tanta força no caos e na velha noite. Pombinhos éramos, em rodas, de asas pintadas, senhorinhos da Pedra original e para lá dos comboios começamos a prosperar no "Penso, logo existo" de René Descartes.
Indicamo-nos, homens e mulheres, o ponto comum das parábolas fosfóreas ardendo nas noites adâmicas e até geramos uma prole mostruosa de cains e abels. Atingimos o fogo juntos com nossas ferramentas de esperanças. A meta era o fogo e nele chegamos, sexos super-impedidos por esta busca quimérica e civilizatória.
Muito tempo depois, já com uma história oral poderosa e uma certa desorientação mental, nos colocaram de novo juntos num paraíso original e deixaram a gente lá por um tempinho nada normal e onde supostamente diziam que não conhecíamos as nossas vergonhas, tampouco serpente, maçã, Deus, bem ou o mal. Mas nossas almas pressentiam que a turbulência tava chegando e o desejo que constituem o próprio fenômeno humano só poderiam se estabelecer em mundos bem diversos daquele de tamanha paz paradisíaca.
Elaboramos a vida enquanto venha a tocar, então, em uma consciência de tempo já tridimensional, o sentimento de culpa, de pecado, de proibido. Estávamos realmente fritos ali. Totalmente sem chão, tentando entender aquele quadro de avisos do patrão. Mas respondemos afirmativamente que gostamos de estar completamente relaxados e por isso resolvemos arriscar na mordida pública. Sim, fomos longe: o céu era nossa primordial invenção da imprensa estelar, a terra era nossa ironia do destino, Adão perde o cargo da governança do estado Paraíso, Eva é bastante ameaçada de expulsão por ser grande conhecedora de slogans da emoção, a maçã vira fruta com know-how financiado pela serpente. E a serpente? Ah, essa passa a ser a discípula redimida na esquerda da gente e dizem que Deus pensou muito em se regenerar depois da criação.
Foi nesta hora que alguém espreitou as erupções dramáticas do nosso inconsciente deleitado na mousse afetiva, num único e voraz lance ancestral, que desejo e objeto do desejo poderia se encontrar na objetividade e subjetividade de uma colheita frutífera repentina. Descobrimos também que não dava pra gente se gabar de tudo. Nossa energia era outra e o donatário das terras não nos entendeu.
A mulher mostrou para o homem esta possibilidade intrigante, com ela, a noção primeira do preço das coisas; a maçã, desde então, nunca mais foi a mesma. Nem nós. A mulher fundou, descerrando aos olhos de um homem temerário, o devir não inocente e não é de forma alguma casual o fato da parábola lhe atribuir tantas culpas originais. E decifrar isso inclui muitos opostos.
A maçã não instituiu – como o fogo do Tarô instituíra os ocultistas – um conjunto de Arcanos. Mas sim e vertiginosamente o fascínio e o sublime, o óvulo de todos os trânsitos, o que funde o arco na lira, o alvo na flecha cruzando alguma árvore do conhecimento. Então era possível cheirar, morder e engolir as proibições. Ora, se um raio acertara o núcleo das certezas e tudo se escurecera em símbolos de chumbo sobre a terra humana.
As constituições orais foram lançadas para além do
 
Adão, Eva e a serpente
Adão e Eva, a serpente e a maçã
Autor não identificado
grito dos pássaros, vencidas pela luz de todos os relâmpagos da imaginação. Um retorcido instante se instalara ali nos olhos e nas telas de todos os pintores. A luz dos olhares entre homens e mulheres incandeceu-se de uma nova e incontida realidade e os Arcanos passaram a se estampar plenos em quatro cores e ainda dando introvisões fora do alcance das palavras.
Aos arquétipos e símbolos, então, penetram os nossos sonhos que eram de lodo, mitos e nuvens. Sonhos nômades, sonhos com escamas, sonhos elétricos e de alto risco, de onde já não se retorna igual para alguém que permanecera igual enquanto não se arriscava nem fuçava a saliva da compreensão. A vida, desde o mito de Eva e para todos, tornou-se dupla, dúbia, incerta, nada maneira: a cama alinhada estava desarrumada e o mundo nos expulsara e se tornara vasto, inóspito, um único desalentador e impalpável verde musgo na fileira superior do mapa de Deus.
Na civilização promoveram-se muitas indumentárias, vestimentas pesadas, então, a crispação, o arrepio, o espanto fora para outro local de nossa mente. O medo de tudo e todos geraram a covardia medular; o mistério universalizou a violência e o lugar reservado ao fogo foi ocupado pelo poder de uns sobre os outros. Os homens e seus instrumentos ao sol dos acampamentos foram rodeados de feras de dentes de pesadelo: a sombra. Sabíamos que o que íamos ver será o resto de nós.
O macho humano estava tonto no centro do círculo do medo doméstico rodeado pela lenha em chamas e pelas fêmeas humanas da nova logomarca dos gênesis, as mesmas que uniam em seu corpo o avô, a mãe, a tia e o neto na magia da gestação e semeavam a humanidade para além dos tetos ásperos daqueles dias de tantos povos e crenças. As perguntas e as respostas que não foram ouvidas nos Arcanos ou feitas naqueles remotos lares vêm nos acompanhando tempo afora.
Hanged Man no Dragon Tarot
O Pendurado
Dragon Tarot de Alexandra ´Erkegris´ Alexandersson
 
Na dúvida do caminho, o homem saltara a uma posição semelhante a um Deus tribal e obscuro, feito de músculos, idéias de sacrifício e mutilações mágicas devorando sua tolice medieval e brincando de desabafar os seus filhos dentro de uma fogueira de nossa relações. A mulher aprendeu muito daqueles Deuses terrenos e soube guardar suas lições ocultas diante do braço doentio da Inquisição enquanto suas vestes e sua carne eram torradas numa fogueira que ardia ao serviço da Igreja. O Arcano XII me parece condizente ao sacrifício dessa época e onde todo e qualquer planejamento passou a ser o caos instalado dos limites dessa era tão perseguidora que fora a Idade Média.
Vem dos tempos remotos desse treinamento quente uma sinistra hierarquia nas relações de gênero. Em sua base está invariavelmente um sistema de idéias místicas alimentado por um "medo natural" e por um "medo sobrenatural". No centro destas eras e estágios, encontramos a mulher perpetuada no desconhecido, no desenfreado, excitante e caótica e, portanto, sempre sob ameaça de desvendar o eu homem. Muito antes da fala, a mulher esteve ligada a algo misterioso, mesmo assim, seguiu lançando fluidos que atordoam até hoje a razão fervilhante dos machos sistemáticos. E ela não avança mais nas idades ocultando seus estandartes, nem maldizendo o cotidiano tedioso que já teve um dia.
Agora, instintiva e fundamentalmente, ela vive protegendo e mantendo a humanidade viva. Tiraria o arquétipo de A Imperatriz aqui – Arcano III, para esse momento de preservação do feminino anunciado.
Quando H.G. Wells, em sua "História Universal", analisa antepassados nossos de cerca de 50 mil anos atrás, diz: "O Homem Velho" era o único macho, completamente adulto, do pequeno grupo. O resto, mulheres, meninos e meninas. Logo que os rapazes cresciam e começavam a despertar o ciúme do Homem Velho, este entrava em luta com eles e, ou os expulsava, ou os matava. Algumas meninas podiam, talvez, partir como exiladas, ou dois ou três jovens podiam conservar-se juntos por algum tempo, errando até encontrarem outro grupo do qual tentariam roubar uma companheira. Lutariam então pela posse de uma mulher (...) Havia pouco espaço para a velhice no acampamento. Desde que seus membros se tornavam fracos e impertinentes a luta e a morte os vinha aniquilar sempre." Isso tem a cara do Arcano XIII – A Morte, onde tudo muda para se transformar de novo em vida na estalagem dos sonhos.
E quando a mulher reorienta e instaura uma decisiva e rudimentar unidade entre os grupos daquele período, ela penetra silenciosamente no mundo dos símbolos do Homem Velho e, dos seus adornos, ferramentas, tabus e armas, e mediando a vida entre os mais caros valores, ela inaugura o respeito ao Homem Velho, por sua sabedoria e sua experiência. Tudo isto em troca da vida dos filhos machos que, ordinariamente, seriam encurralados pelo medo, pelos ciúmes e pelas severas necessidades de sobrevivência do Homem Velho. A maçã aí dera uma volta por cima aos olhos do mundo, mas não trocara de mão, nem de encanto e vira lanterna do conhecimento. Vejo aí o Eremita - Arcano IX, como uma passagem de prudência necessária para superar os percalços e obstáculos.
Milênios depois de suportar a veneração, algo próximo a uma família é visto sob o Sol: O Homem Velho Sábio, dramatizado pelos hebreus bíblicos, foi o começo da sabedoria social da nossa lógica de manipuladores embrulhados em túnicas. O jovem das primitivas moradas do homem crescia sob este interminável medo espiritual da morte. Os objetos associados com o Velho eram, provavelmente, objetos proibidos dos ardis ocultos. Todos estavam proibidos de tocar em sua lança ou de sentar em seu lugar, comer da sua comida, exatamente como hoje as crianças não podem tocar no cachimbo do pai, ou sentar em sua cadeira poderosa antes dele chegar à mesa. Era, provavelmente, o senhor de todas as mulheres. Os jovens da pequena comunidade deviam estar lembrados disto. As suas mães lhes ensinavam. As suas mães lhes instilavam no espírito de temor e respeito pelo Velho Sábio, só pela lei primordial podia o jovem macho escapar à cólera do Velho.
E o jovem macho, que aprendera da mãe a lição de sobrevivência, adquirira, certa e simultaneamente, o mesmo e duplo e misterioso medo pela mulher que manobrava genialmente o velho que ele próprio acabaria sendo um dia. Às mulheres, desde aquele estreito tempo, era atribuído um poder de comunicação e ligação com coisas secretas. Sobre esta pedra intuitiva repousa a vestidura do medo sobre os ombros masculinos. Parece-me nesse momento que A Sacerdotisa – Arcano II soube decifrar seu enigma pela reflexão e praticava elaboração a todo tempo através da era do matriarcado.
Talvez as setas envenenadas lançadas ao céu, fez possível pensar nas razões que fazem com que, por exemplo, a mais querida das revoluções (A Francesa) - a de 1789 - tenha sido tão desoladora e inclemente em relação à metade da população francesa, as mulheres. Neste particular é vergonhosa a condição dos direitos civis e políticos das mulheres na França revolucionária. É assim que a fundação da modernidade pode ser vista como um decisivo episódio de nossa história e, ao mesmo tempo, como um breve e nuançado movimento de contorno aos estigmas brutais e cavernosos. Para a França, abriu-se em 1789 o longo período de convulsões políticas do século XIX, fazendo-a passar por várias repúblicas, uma ditadura, uma monarquia constitucional e dois impérios.
 
A Sacerdotisa por Mari-na
A Sacerdotisa
www.marinaart.eu
Não há sobre a condição da mulher registro digno de nota feito por Mirabeau, Danton ou Robespierre. A iconografia mostra modelos de comportamentos femininos sempre virtuosos: deusas representando a nação porque estavam acima dos conflitos ou mães abnegadas, caridosas e heróicas. As que freqüentavam as tribunas das assembléias se transformavam nas terríveis "tricoteiras". As militantes foram toleradas enquanto foram úteis quando fizeram oposição aos jacobinos foram reprimidas em nome dos princípios morais que sustentavam a República.
Rousseau, o iluminado, parecia carregar a mesma e triste tocha que conduzira o Homem Velho nos seus rituais de morte. A mulher, na mais aclamada das revoluções, permanecia misteriosa de novo, intocável e solitária no círculo breu de sua culpa original. A maçã, mais uma vez, girou e, mais uma vez, não trocou de mão. Monarquistas e Republicanos estavam novamente unidos: o estatuto da mulher era tão somente uma engenharia de preconceitos e jogos ardilosos; a própria forma de sua morte fora questionada e o direito à guilhotina correspondeu a uma dura conquista. O aço perfeito degradava-se no bronze sem fio daqueles homens que temiam a cidadania feminina como já haviam temido o tigre de dente de sabre trinta mil anos atrás. Quanta selvageria a mulher precisou suportar e controlar. Só consigo ver mesmo o Arcano A Força – XI atuando no clássico entendimento dessa época.
Os homens singraram uma roda de uma só esfinge ao longo das eras. Os círculos são visíveis ao longo dos ciclos e séculos deste giro de roda transparente e incompreensível está ai para todos verem as fortunas e o seu apogeu. Suas tentativas de abordagem redundaram em maior descida ao caos da vida. O vício permanece descrevendo um círculo, a maçã não troca de mão de novo, mas não ousa querer calar. Vejo a Roda da Fortuna aí – Arcano X na mais alta rotatividade de destinos. Pois os animais seculares trabalando e girando nas trilhas seguras, já estão sabendo dos movimentos subterrâneos que se afirmam na cultura e desequilibram antigas noções de feminino e masculino. Alguns desses meninos já tiveram o faro do bem e do mal alertados e chamaram suas vozes atávicas dos gênios das forças construtivas; outros tentam espantar seus fantasmas milenares alimentados desde quando nossos sonhos que eram apenas charco e nuvens.
Homus Conectus
Homo conectus
www.exame.abril.com.br
 
Nossos caminhos estão se acabando num emaranhado de trilhas sobrepostas e bifurcantes na era do Homo conectus atual: a floresta do amor líquido ficou muito atordoada por tanta virtualidade nas relações. Amoras pinceladas como beijos em telas criativas são curtidas para cima e para baixo. Todos operam dando as costas aos profundos sentimentos.
O caos agora é a pasmosa freqüência enganosa de compartilhadores de sistemas. Conexão é um paradoxo vindo de nenhum lugar para novas e emocionantes experiências desconexas do neo Homo conectus.
Hoje as grandes cidades da modernidade igualaram homens e mulheres em um anonimato de culpa e liberdade. Ao entardecer, o sol nos edifícios ilumina o painel de dúvidas de meus consulentes que me ligam para mais compreender suas jornadas de consultas. O computador abriga todos os conectados e seus componentes, os leitos estão mais sozinhos e mais livres, mas as telas estão mais cheias e mais vazias. Resta-nos, entretanto, a memória do vento daquele Velho Sábio. A maçã está girando com todo seu material simbólico no lugar do Arcano, mas um outro Arcano já está cuidando de cada uma de vocês. Uma antiga senhora uma vez me tocou e me ofereceu essas lições que aqui compartilho. É axiomático hoje incluir muitos opostos que deixam folgar a imaginação das veias virtuais. Só um bom leitor consegue explorar plenamente esses intra-mundos da nova compreensão.
Mas há outros seres ainda alvos da ira do Velho. E as mulheres? Bem, elas nos deram o seio para que nos tornássemos fortes num mundo ainda avesso ao aprofundamento. E para onde a mulher está indo com seus mistérios e suas esfinges neste entardecer seco e úmido? Com o corpo tão robusto, representando tantas frutas, com as roupas tão justas, com os lábios tão pintados e os seios tão inflados para onde vai a mocinha?
E mesmo que eu tenha em minha sala uma coleção de cartas antigas, amigos, mesmo assim não é possível intentar uma resposta sobre o futuro que, por definição não é, mas não parece possível permanecer indiferente às minhas perguntas. Os projetos e iniciativas que vimos tomando com os pressupostos de nossa história de séculos entre homens e mulheres são, talvez, apenas uma forma de amplificar a minha pergunta até vocês e as exigências de liberdade que todos precisamos absorver melhor um dia.
Afinal, mulheres e homens não lutam mais pela igualdade, mas pela liberdade de serem diferentes. Novamente todos enlouquecem o Homem Velho com as suas finalizações, sentados em sua cadeira, tocando o seu pano vermelho e ainda atravessando a sua guirlanda bem direcionada na expansão. O bastão se transforma numa maçã na mão. Mas agora anoitecem irremediavelmente os meus olhos em mescla de aquarelas que são meus pensamentos e dentro do fundo mais oculto desta minha cidade.
Que venha essa dimensão com os sons de Arcanos, esse sentimento de matéria nobre e viva, venha o movimento sempre, essa beleza de sincronicidade divina do nosso tempo revisto pela história, essa larga composição, essa vida, uma vida, em todas as vidas. E resta uma vida de Cristina entre vocês como uma criança que quer balbuciar o inexprimível. De quem sabe que tudo já foi como será e virá a ser triunfo algum dia, quem sabe. E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje, mas precisam ter vez para expressar.
Em casa de conselho para vocês que até aqui se permitiram me ler, desejo a maturidade do Arcano XXI – O Mundo para todos, progresso, sinceridade e igualmente muita realização nessa jornada dos vultos heróicos da terra. Sendo que as cores quentes dos verões antigos irão nos acolher dessa vez. Muito mais de tempos a tempos.
abril.12
Contato com a autora:
Cristina Guedes é jornalista, poeta e consultora em Tarô
Atende pelo (41) 9930.0853 e (83) 8790.7777
www.facebook.com/cristinasguedes
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