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11 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


O binário Sacerdotisa-Torre no Mapa Estático do Tarot
 
Mauro Franco
 
A escrita e tentativa de passar o conhecimento adquirido por estas estranhas figuras em uma organização não enunciada até este momento não me é uma tarefa fácil. Então, estou propondo os temas à medida que eles vão ocorrendo em minha vida cotidiana (que infelizmente não é tão cotidiana assim)
Que o Tarot se relaciona com a Cabala, a Tora e a Árvore da Vida, a ideia central da tradição judaica e cristã, todo mundo já leu em algum lugar, mas o que eu não esperava é que houvessem outras relações não explícitas como com o Tao, com o I Ching, com o hinduísmo, com a teoria dos chacras, com a tradição maia, com a tradição nórdica e com a tradição egípcia, com a física quântica, com o Maha Lila e, consequentemente com a tradição antiga dos jogos tipo mahjong e escadas e serpentes, entre tantas. Este processo de descoberta me levou a uma conclusão simplista e abrangente: há um Mapa, uma descrição velada e quebrada, particionada entre todas as culturas e o Tarot é um espelho dele, uma amostra, a mais famosa, deste mapa.
O Binário Sacerdotisa-Torre ocorre no segundo nível do Mapa Estático dos Arcanos Maiores do Tarot (veja a apresentação do Mapa Estático). Este entendimento não é simples como eu imaginava no princípio deste processo. Primeiro que este nível tem alguma relação com o Nível 2 da Teoria de Chacras, razão pela qual minha ideia original era escrever sobre uma Teoria Quântica dos Chacras. Como uma ideia leva a outra vamos observar que isto tem a haver com mágica, magia em essência, mas não como eu imaginava que seria. Magia, para mim, tinha outro significado menos profundo, hoje entendo Magia como um mecanismo oculto (daí ser tema do ocultismo nos dias de hoje) porque ele é invisível aos olhos, está presente no vazio que está presente no espaço onde nada pode ser notado, pelo menos não de forma sensível aos sentidos.
O binario Sacerdotisa-Torre no Mapa Estático do Tarot.jpg
A conotação dada pelo termo “quântica” se relaciona com um fenômeno natural, espontâneo, mas pouco conhecido devido à resistência de entendimento e a uma baixa exploração dos conceitos relacionados com Física Quântica. Sendo mais direto, o Vazio não é vazio! Quando se iniciaram as pesquisas com colisores de partículas, no século passado, percebeu-se a existência de um fenômeno chamado “Criação de Pares”, que é a criação espontânea de um par de partículas Elétron e Pósitron, no vazio, de forma invisível, mas agora detectada pelos sensores dentro dos colisores. O Vazio do espaço ao nosso redor, de um conjunto de átomos gasosos chamado de atmosfera passou a ser um campo extremamente fértil de geração espontânea de partículas. Elas não permanecem muito tempo, porque são partículas de carga oposta e se atraem mutuamente, assim que entram em contato se desintegram deixando apenas um traço invisível de energia. Este ponto é de suma importância porque se presume que esta energia residual, este pequeno brilho furtivo e extremamente rápido, seja, nada mais nada menos, aquilo que chamamos de Prana.
A segunda razão do termo quântica é que estes pares não se criam de forma uniforme, em pequenos espaços eles se formam em menores quantidades e em espaços mais amplos eles se formam em grandes quantidades. Este é o Efeito Casimir, quanto mais confinado o espaço menos pares se formam e isto gera uma pressão diferente em espaços vazios em relação à pressão gerada em espaços confinados.
Indo mais diretamente ao ponto, todo ser humano possui uma espécie de garrafa eletromagnética dentro de si, infinitesimal em termos de diâmetro, uma espécie de fio, milhões de vezes mais fino que um fio de cabelo, o Canal de Brahma. O canal de Brahma é um Nadi, um tipo de estrutura filamentosa, como artérias, veias, feixes musculares, nervos, etc., só que neste caso, serve para transportar Prana, não sangue, nem linfa, nem eletricidade, mas Prana. Infelizmente são invisíveis aos olhos, mas são perceptíveis para videntes.
Então se torna natural pensarmos em termos de chacras para trabalhar o lado prático do Mapa Estático do Tarot, porque cada um dos chacras é um tipo de redemoinho, um pequeno buraco negro por assim dizer, e, neste caso, comportam-se como espaços que sorvem ou expulsam este tipo de energia de dentro de um corpo orgânico que não é mais apenas orgânico. De uma forma ou de outra, aquilo que se encontra confinado dentro do corpo humano extrapola o que sabemos sobre química, física e biologia. Este “aquilo” utiliza este invólucro como moradia, caso cessem as funções orgânicas da vida ela simplesmente desaparece, torna-se indetectável (de novo, a não ser para pessoas dotadas de vidência).
Canal de Brahma no binário Papisa-Torre
Canal de Brahma
O Canal de Brahma, portanto, é um local onde poderíamos colocar algum tipo de energia que não é possível de existir fora de espaços confinados. Na verdade, suspeito que os núcleos atômicos possuem a mesma função de confinamento, mas este é um desenvolvimento que estou longe de empreender.
Nas figuras aparecem as linhas de força eletromagnéticas em volta do corpo humano (à esquerda) e a intensa ramificação dos nadis fora do corpo humano, como cabelos invisíveis (à direita). Note os símbolos do Sol (ativo e doador) e da Lua (receptiva e sensível) e, note um símbolo conciliador no topo da cabeça.
Ok. O que isto tem a haver com a Dualidade Torre-Sacerdotisa?
Vejamos a forma clássica do Arcano 2. Consegue ver o espaço sem a presença da figura feminina?
Versões da Sacerdotisa inspiradas no Waite Tarot
Representações da Sacerdotisa inspiradas no Waite Tarot
Isto mesmo, ela representa o VAZIO.
Poderíamos sexualizar o contexto em termos de feminino e de masculino, entretanto, este contexto é falho porque é quebrado, as pessoas não entendem a sexualidade como uma coisa inteira, elas entendem a sexualidade como uma coisa quebrada e incompleta. Eu diria assim: a costela se foi e não a temos mais e esta é uma parte que está perdida para um e foi ganha pelo outro, o que seria uma mentira, a mulher é sexualmente completa e o homem também. Então vou trabalhar o conteúdo na forma Ativo e Receptivo. Todos conhecem a velha história: o objeto ativo e irrefreável, em movimento eterno, o tempo, e, sua contraparte, o objeto receptivo, imovível, inerte, o espaço.
Agora ficou melhor… ela representa a Receptividade do espaço. Uma força atrativa que reside dentro do Vazio. Mas, não é apenas o vazio, a Sacerdotisa é associada diretamente com os dons divinatórios, isto é, ver o futuro, ler as linhas do destino, para aquilo que não aconteceu ainda. Ela é a chave para o acesso ao TEMPO.
Óbvio que tudo vem aos pares, em algum lugar, neste diagrama, deve aparecer o oposto, algo que é um vazio no tempo e que procura uma acesso ao espaço, a Atividade.
Se formos espertos veremos que estas histórias são apenas explicações parciais para coisas que são completas e que precisamos aprender de uma forma, da forma contrária e então reunir as duas em uma síntese.
Vamos ver isto em outras culturas:
Estruturas bilaterais com o espaço preenchido entre elas
Estruturas bilaterais e artefatos preenchendo o espaço vazio entre elas
E a Torre? Inverta a Figura da Sacerdotisa e a torne Material, retire as duas colunas, transforme as duas colunas em duas pessoas que protegem este vazio. Consegue ver a Torre?
A Sacerdotisa invertida na Torre
A Sacerdotisa invertida em Torre
É isto, estas figuras são o oposto uma da outra.
A Segunda Linha do Mapa Estático – Iniciativa
A segunda linha do Mapa Estático mostra a Sacerdotisa (Beth – a Boca Humana), o Eremita (Teth – Telhado) e a Torre (Ayin – Reação). A Sacerdotisa está sentada na frente de duas colunas nomeadas Jaquim e Boaz, os alicerces do Mundo, que representam a própria estrutura do Mapa como um todo, as duas colunas laterais, o Mundo Divino e o Mundo Natural. A Torre mostra o círculo de Samech se rompendo ante o poder do Raio Divino, os dois personagens que eram mantidos acorrentados no Arcano 15 são libertados (ou expulsos). O Mago representa o poder individual sobre os quatro elementos e o Diabo representa o poder do coletivo dos quatro elementos sobre  o Mago, o Destino, Fatum, o que vem de fora. O avanço leva na direção da perda de algo ao passar do Mago para a Sacerdotisa e no ganho de algo ao passar do Diabo para a Torre. A coluna da esquerda é ativa e a coluna da direita é receptiva. No limite, o Mago, se tornará o Carro e será totalmente altruísta. O Diabo, prisão  altruísta receptiva, se tonará o Mundo, egoísmo receptivo.
Sacerdotisa, Eremita, Torre e as letras hebraicas
Os arcanos da segunda linha do Mapa Estático e
suas correspondências com as letras do alfabeto hebraico
O Eremita carrega uma luminária (tripla), protege-se com um manto parecido com o da Sacerdotisa e se apoia sobre uma bengala (cajado, ponto de apoio). Lembra uma pessoa sábia que atingiu um certo grau de vivência e não se apoia em nenhum dos dois Mundos (as colunas) nem se protege neles (a Torre). O raio se transformou na chama de um candeeiro. O tema desta polaridade é segurança, prudência (sacerdotisa) e coragem, ímpeto (raio), frente a total insegurança do mundo (Torre destruída). Além disto, a Torre pode ser vista como uma espécie de útero que guarda o Eremita em segurança, envolto nos véus da sacerdotisa, até que, preparado, renasce. A Sacerdotisa é Atemporalidade, a Torre, Destruída é Temporalidade. A Sacerdotisa é a Torre, a torre destruída é a Sacerdotisa sem os véus, os dois personagens expulsos da torre são os elementos divino e natural, Jaquim e Boaz, Corpo e Essência.
A Sacerdotisa segura um livro, está protegida por um manto e se encontra entronizada e coroada. O livro apresenta as palavras que a Boca Humana profere, as duas colunas estão ocultas, invisíveis, mescladas ao ambiente por trás do manto. O Eremita não tem coroa, usa o cajado e o candeeiro, o manto é o mesmo da sacerdotisa. O cajado parece ser o resultado da união das colunas e é uma evolução da varinha do mago. A coroa perdeu-se quando o raio atingiu a torre (a parte de cima dela). A torre tinha por alicerces as duas colunas que são representadas pelas duas pessoas que caem dela. A única saída, depois que a “Casa Cai”, situação retratada na Torre, é a Reação, que é seu significado.
A única saída, depois que a “Casa Cai”, situação retratada na Torre, é a Reação, que é seu significado. A Iniciativa adentra a Casa de Deus e é representada por duas polaridades. Este é o ponto em que as religiões, sociedades de misticismo e outros agrupamentos humanos apresentam a alternativa de se juntar a eles, ou seja, uma iniciação. O Eremita é o Telhado que protege contra o Raio e impede que a “Casa” caia. Podemos entender o Eremita como a situação em que a Torre não é destruída e o Raio permanece ativo, vivo, dentro dela. Seguindo este raciocínio, a Sacerdotisa é a Torre sem o Raio, um mistério, apenas a arte divinatória está ao seu alcance, as duas colunas fornecem esta informação.
O Fluxo de informação que vem do Akasha e que forma o mundo está oculto, mas pode ser lido indiretamente, estando, no entanto, polarizado em duas formas opostas de entendimento. A autoridade o fornece da única forma que conhece, autoritária, o conhecimento, a consciência a fornece diretamente através da percepção direta da realidade (conhecimento do Bem e do Mal).
Na Torre, arcano 16, o Fluxo de informação é o próprio ser em movimento, ele cumprindo seu Destino (Fatum). O Eremita admite as duas coisas ao mesmo tempo, Informação em Movimento e sua leitura no mundo, para que este não o envolva, para que ele possa decidir, ele é a Iniciação, Initiatio, a Iniciativa, uma força em movimento que não é dirigida pelo Destino, pois o vê como possibilidade e, também, é o Destino em movimento criando a realidade. A Boca, a Fala é sua varinha, o telhado mantém o raio dentro da estrutura, a Reação o leva a se mover pelo mundo como Hermes, como o raio que está contido nele. Ele reage ao Destino. Este processo indica que existe uma inteligência reativa presente no interior do ser humano, o que é diferente da inteligência reflexiva que reside no cérebro e que é objeto dos rituais envolvendo espelhos de alguns grupos místicos.
As três estruturas sempre estão presentes, quer seja na Sacerdotisa, na Torre e no Eremita, entretanto, no Eremita elas possuem uma relação triluminar.
O Som é o suporte do Verbo, é a palavra e tudo que existe é feito de palavras, símbolos, letras, que são basicamente os elementos (ou elementais) que formam a realidade ao redor e o próprio corpo humano. Este é o Fluxo do Akasha, do quinto elemento, que usa os outros quatro para criar a realidade a partir de si. Este espaço tem duas propriedades, a ativa que é o raio expulsando duas estruturas receptivas e a leitura receptiva entre duas colunas ativas. Esta é a base do entendimento do espaço, ele é bipolar, ativo e receptivo ao mesmo tempo. As quatro formas criarão os quatro mundos puros que podem ser lidos, Peshat, Remez, Derash e Sod (o Pomar de Pardes das histórias hebraicas). Cada letra ou palavra precisa de um interpretador, Matéria, Energia, Espaço e Tempo; Sensação, Pensamento, Sentimento e Intuito. Ajuda ou ataque são informação, bem e mal, prazer e dor, desejo e medo, tudo é informação.
A iniciativa apresenta um contraponto que é a morte, a inanição, a destruição completa da iniciativa, o que indica uma ligação do nível dois, tratado aqui, com o nível seis onde residem os Amantes, o Julgamento e a Morte. Initiatio ou O Eremita (chacra Swadhistana) é a porta de entrada do Mundo da Radiação para o Mundo Material enquanto Mors Et Reincarnatio ou Morte (chacra Ajna) é a porta de saída do Mundo Material para o Mundo da Radiação. Pelo Swadhistana entra a Energia Radiante (que pode ou não ser usada para fins de procriação) e pelo Ajna sai a matéria sublimada em forma de energia para o Mundo da Radiação. Não é estranho, portanto, que esta estrutura tenha relação com o Tempo, o espaço (ou local) onde o espírito (ou alma) imortal se encontra em estado de possível despertar (o Eremita).
Kardecistas perceberão claramente que os Amantes representam o conceito de Provas e que o Julgamento representa o conceito de Expiação, sendo o meio, o Medium, a mediunidade, o conceito chave de sua doutrina. Oculta, no entanto, aparece a contraparte do sexto nível, que é o nível dois, onde a Iniciativa tem como forma mais valorizada pela humanidade a reprodução (a vontade ou iniciativa sexual) e a constituição de um núcleo coletivo de vivência baseado nela, a família. A alternativa é o mosteiro e o convento (que não aquecem a economia e não geram lucros). Conceitos como rebanho, sangue e corpo como comida, néctar da eternidade, entre outros, permeiam as religiões. Não considero o fator moral, mas a ausência deste conhecimento impedindo a elevação individual e coletiva dos seres humanos. Nenhuma vaidade advém deste processo porque é a própria realização do ser eterno tendo a experiência encarnada. Porque ocultar os fatos me é um mistério ainda não revelado.
Por não poder ver direito no mundo externo a Sacerdotisa possui In Veja, visão interior, se associado com os dois arcanos de descida (amantes e julgamento) pode juntar a In Veja ao desejo e retirar (ou não) coisas (boas ou ruins) dos outros (torre), se associado ao julgamento pode realizar o desejo alheio (necessidade), a misericórdia, ou escravizar-se (Jesus que não segue a parábola dos talentos). Referenciada a si, a Iniciativa gera poder pessoal, referenciado aos outros gera a misericórdia, mas, em extremo, pode chegar à completa autodestruição. Fica implícito o ponto de referência do arquétipo, ou seja, In Veja tem referencial interno e Inveja (pecado capital) tem referencial externo.
As três luzes do Eremita são suas proteções contra Cérbero, o cão de três cabeças que guarda as portas do Inferno. Hades claramente é o Mundo dos Mortos, presidido por Perséfone e por Hades e tem paralelos em todas as culturas, por exemplo, Set, Anúbis e Osíris. Outra forma representativa é o Valhala da mitologia Nórdica, que é superior às anteriores porque premia o heroísmo. As três luzes se relacionam diretamente com as três cabeças de Cérbero, indicando algum tipo de mecanismo que é representado pelo mito. No quarto nível, do chacra cardíaco, há uma pista sobre esta relação. Dois cães guardam a saída do lagostim das águas do inconsciente na carta da Lua. Um cão é dócil e outro é raivoso, normalmente representados como um cão e um lobo, e eles são as reações à Autoridade do Imperador. O Imperador não é o Rei, ele manda e todos obedecem, suas razões não estão ligadas ao bem-estar do povo como no caso do Rei. As duas reações são idênticas em valor, as duas torres ao fundo são idênticas. Há um caminho pelo meio deles assim como em bifurcatio, os amantes, há um caminho não considerado que se encontra entre as duas mulheres. Se uma cabeça adula e a outra rosna, a terceira cabeça de Cérbero chora para que tenhamos pena dela, é infantil (há diferenças entre infantilidade e inocência). Toda situação está ligada a ação da lua, que se encontra dominando a cena, mas cujo brilho é apenas um reflexo do Sol, não possui luz própria. O sol está oculto por trás do Horizonte.
Se estivermos observando o nível dois do mapa e ele tem como nível complementar o nível seis podemos entender que há uma dinâmica de troca de energias entre o ser humano e o meio (um ser vivo e orgânico, mas coletivo, o chamado Macroposopo) na forma de um nível dois, interno, em relação ao um nível seis, externo. Se assim for há uma relação entre o raio que destrói a torre e o anjo do julgamento e há uma relação ente o anjo dos amantes e o espaço onde se encontra a sacerdotisa. O oposto, no chacra seis, deve corresponder ao chacra Ajna, em que os amantes e o julgamento, internos, se relacionam diretamente com a sacerdotisa e a torre do mundo externo, abrindo a participação do Eremita, do Mundo Coletivo, na Essência imortal do indivíduo. Esta relação complementar também é observada no nível 3 e no nível 5, nomeados Caritas e Recebimento (Qabalah), um o oposto do outro.
Estando a caminho do chacra cardíaco, onde residem os três nós de Vishnu, a Presença Divina (do Coletivo), então, no meio desta trajetória, na Roda da Fortuna, deve aparecer uma outra razão para a necessidade de três luzes, três compreensões. A roda representa três energias que movem uma roda e elas são, uma involutiva, que desce, outra evolutiva, que sobe e uma terceira acima da roda, a esfinge. A esfinge representa os quatro elementos, mas é um amálgama de quatro animais, os mesmos que aparecem na carta do Mundo. Portanto, as três luzes dizem respeito aos três artífices do movimento da roda e representam três formas de “ver”, perceber, interpretar os acontecimentos do mundo temporal que provocam a subida e descida do homem no Mundo. O único local seguro é o centro da Roda, local de onde é possível observar o Mapa Estático. Este local pode ser comparado a um Trono, um Fundamento para algo maior. Elevando-se para cima ou para baixo (mesmo que isto soe estranho) encontramos os arcanos 00 e 22, as duas manifestações do Louco, Shin.
Podemos entender a correlação Iod-He-Vau-He sendo ampliada para Iod-He-Shin-Vau-He, ou seja, de IHVH (Iahveh) para IHSVH (Iashveh) ou Ioshua, Jesus. Porque ele é o filho? Do ponto de vista sistêmico os seres vivos fazem parte de um grande ecossistema vivo, a Flora e Fauna do planeta, um Veda. De forma velada, a Flora é a Mãe e a Fauna é o Pai. Os seres humanos, indo além disto, também fazem parte de outro ecossistema vivo, a humanidade, dotada de inteligência e outras características únicas, uma evolução da Flora e da Fauna. Este então é o espaço do filho, um Deva criança, em desenvolvimento, transcendente ao pai e à mãe, por natureza. Isto tem que ser tratado com muito carinho e respeito, porque é o ponto em que nós nos inserimos no contexto de toda a criação (deste planeta).
O Eremita é um intermediador, pois constantemente muda sua referência de fora para dentro e de dentro para fora, ora em si mesmo e ora nos outros. A Forma Mutável, a Bem Aventurança no corredor da Vida Eterna.
A relação quaternária 2-16 com 6-20
As referências a seguir dizem respeito aos arcanos maiores e de como são vistas as manifestações de cada arcano nos três mundos, conforme foi enunciado por GO Mebes e a partir do qual todo este processo de raciocínio teve desenvolvimento. Vale dizer que toda esta Teoria é convergente com os conceitos e ideais do Hermetismo Ético de Mebes. O velho adágio ainda é o maior de todos: “Conhece a verdade e ela o Libertará”. É possível ler a frase original como “Liberdade mesmo que tardia”, que é romantizada, ou como “Liberta que serás também (Livre)”, que é claramente revolucionária e não é bem recebida porque envolve uma evolução em direção ao não abusar das duas heranças naturais da humanidade: a Autoridade e o Conhecimento do Bem e do Mal.
  Mundo Arquetípico Mundo Humano Mundo Natural
Arcano 6   Divina Substantia   Femina   Natura Naturata
Arcano 9   Eliminatio Logica   Initiatio   Prudentia
Arcano 16   Veritas Fecunda   Constrictio Astralis   Destructo Phisica
 
  Mundo Arquetípico Mundo Humano Mundo Natural
Arcano 5   Magnetismus Universalis
  (Scientia Bone Et Male)
  Quintessentia
  Pentagramatica
  Religio
Arcano 12   Messiah   Caritas   Zodiacus
Arcano 19   Veritas Fecunda   Virtus Humanae   Aurum Phisolophae
Primeiro que todos temos esta tendência: somos pessoas que foram massacradas no processo de aprendizado quando adentramos este mundo. Isto ocorre porque precisamos apender as regras de tempo e espaço, a cultura, com as quais poderemos desenvolver uma existência neste espaço-tempo. Este contexto é o mesmo, quer consideremos que há um espírito dentro de nós que está reencarnando quer acreditemos que estamos realizando esta passagem uma e apenas uma vez. Então temos este Complexo de Inferioridade. Outro nome para ele é Eu Inferior, Microposopo. O oposto não é tão melhor assim, é uma reação a este complexo que nos leva a duas soluções e ambas são de Superioridade nos levando ao Eu Superior, o Macroposopo.
Elas são conhecidas há tempos, chamam-se Autoridade e Conhecimento. Você pode ler isto no drama de Adão e Eva no jardim do Éden. Outros nomes destas duas qualidades são Poder e Consciência. Não estamos falando da consciência como um juiz que nos aponta o dedo e nos culpa, estamos falando de consciência como Percepção. Se mudarmos o contexto vamos descobrir algo muito interessante: Percepção é sensibilidade, receptividade, a função básica dos órgãos dos sentidos, e, Poder, é atividade, a função básica dos órgãos motores que nos levam a nos mover pelo mundo e a reagir a diferentes situações apontadas pelos sentidos.
Isto é, basicamente, o que os hindus chamavam de tatvas sensíveis e tatvas motores, dois conjuntos de cinco elementos que formam a base da relação entre o ser que reside dentro do corpo humano e o Mundo Externo. Naquele contexto os hindus apontaram para um ser inteligente e sensciente, chamado Maia, como a artífice de toda a realidade na qual estamos constantemente envolvidos.
Os arcanos das linhas 2 e 6 do Mapa Estático
Os arcanos das linhas 2 e 6 do Mapa Estático
Então, fisiologicamente falando, estamos nos referenciando a dois sistemas que percebem, agem, reagem e refletem mentalmente sobre as coisas que ocorrem ao seu redor. Mais profundamente poderemos corresponder estes sistemas a duas colunas de feixes de nervos ladeando a coluna vertebral e a dois sistemas capazes de acelerar e de frear as reações ao contexto do mundo externo de forma autônoma, um é simpático e o outro é parassimpático (ou antipático, como eu o chamo), opostos entre si. Em termos de Psicologia podemos ver o Superego de Freud na figura do anjo trombeteiro do Julgamento e podemos ver o Complexo de Édipo no dilema apresentado na relação entre ele e anjo dos Amantes. O Ego mata o anjo do Julgamento e fica com a mãe, o topo da coluna é onde sua iniciativa como mago se torna altruísmo em servir a mãe, a esposa do arcano 6.
O fato de Freud ter redescoberto um dilema inconsciente já conhecido há mais de 4 mil anos demonstra que existe, sim, uma realidade maior do lado de fora de nós. O dilema agora é: Como nos aventurarmos nesta realidade, neste “Espaço”, sem nos perdermos entre anjos e dilúvios? A resposta é: Precisamos de um Mapa!
Na Cultura Hindu há três formas de representação da figura feminina e elas são conectadas as três gunas, as artífices de Maia na criação da ilusão de realidade que nos cerca. Maia se relaciona com o Espaço, Receptividade, eis porque o arcano 21, o Mundo, não é um andrógino, mas uma mulher. O verdadeiro andrógino é o arcano 14, a Temperança, uma relação direta entre as duas pétalas do chacra da coroa e as restantes 998 pétalas do mesmo chacra. A parte externa e a parte interna do chacra da coroa, em conjunto, formam o andrógino. A estrutura em volta, a coroa, é receptiva e a estrutura interna, o binário, é ativa.
Cabe citar que Maia se relaciona com a Lua da figura dos nadis do início do texto e que seu complemento, o Sol, representa o Logos, o verbo, o Vazio preenchido. Um é o Pai e o outro é a Mãe, na verdade, outro nome para Tempo e Espaço, Atividade e Receptividade, Jaquim e Boaz. Maia é Receptiva, mas possui três qualidades ativas dentro de sua receptividade, elas são usadas para manipular as pessoas, para que tenham desejos. Se relacionam com o Arcano 6. O Logos é ativo, mas possui três capacidades receptivas dentro de sua atividade, elas puxam e empurram para impor sua autoridade. São os três ‘desmortos’ do Arcano 20.
Em outra cultura estes oito conceitos são tratados como trigramas e constituem a base para o TAO. O Penetrante, hexagrama 1, e o Receptivo, hexagrama 2, se atraem mutuamente e geram três filhos e três filhas, os trigramas do Baguá.
Tudo o que eu escrevi é extremamente poético e bonito, isto é inegável, no entanto, e eu não estou fora disto, há diabos por todos os lados. Quer dizer: somos uma força motora que vive e deseja e há pessoas que não querem saber de nada disto, elas querem a regra mais fácil, querem que nós façamos tudo enquanto elas apenas se divertem. É uma armadilha. Se cairmos nela usaremos a autoridade, o poder, para colocar nosso semelhante na ponta da espada que diz que toda a natureza criada estádisponível para nos servir, este é um dos frutos que aprendemos a comer. Mentira, esta foi a primeira tentação. A segunda Mentira é a segunda tentação. No outro lado está a defesa da natureza criada, a percepção do bem e do mal que este poder cria, o carma, negativo e positivo, e, esta é a segunda armadilha, usar este conhecimento como um fruto e nos alimentarmos dele, tirando proveito das qualidades, escravizando, e dos erros, chantageando e constrangendo. As forças ativa e receptiva em sua forma demoníaca.
Visto de outra forma, aquilo que chamamos de mundo dual, a Dualidade, é uma quebra, uma separação da água que era para as águas que são (as de cima e as de baixo). Sob esse aspecto, o que vemos do lado de fora é uma projeção de algo interno e o que vemos dentro é uma projeção de algo que existe fora. A relação não é dual, é quaternária. Chamamos de duplo ao gêmeo Gilgamesh e este companheiro invisível está presente em todos os mitos. No mito maia os gêmeos divinos sempre se regeneram um ao outro e é impossível atacar os dois ao mesmo tempo.
Aprendemos a ler, mas não aprendemos a entender, então precisamos de compreensão e sabedoria, o paradoxo dos paradoxos, aquilo que os arcanos 06 e 20 nos fornecem. Não podemos fechar os olhos e deixar de ver os dois anjos destes arcanos no topo da tampa da Arca da União. E, esta união, é a União do que com o quê? Esta é a coroa que não devemos usar e Ele estava certo, sempre esteve.
Tudo tem dois lados: podemos ver as três gunas de Maia, na figura seguinte, como três formas do espaço. A da esquerda é semelhante à Sacerdotisa e a da direita é semelhante a uma Torre caída. A do meio é a mais atacada de todas porque é a Paixão, é sanguínea e corresponde a uma relação entre duas colunas, a síntese, a criatividade, o fogo. Então, roubar o fogo dos deuses é uma estratégia de Perseu (ou de Prometeu) para devolver ao homem algo que lhe foi subtraído há milênios, a Criatividade, a alternativa de Ouro para os dois atributos oferecidos no início do Gênesis.
Não quero dizer que seja uma farsa, nem que seja errado, apenas digo que deve e pode ser reinterpretado e que esta reinterpretação pode nos levar além da mesmice dos erros de todos os séculos passados. É possível ter autoridade e ter conhecimento e é possível não usar isto como um fruto do qual nos alimentamos individualmente ou coletivamente, me parece que é isto que está sendo (e foi, desde o começo) pedido em relação ao Mundo: escolher a cada passo usando o conhecimento que os órgãos que a esfinge nos dá, e, do outro lado, usar a iniciativa, a varinha do mago, para realizar mágicas. Um o reflexo do outro. A dedução, Deductio, do arcano 14, a Temperança, parece ser superior à reflexão porque associa duas formas de raciocínio, a reflexiva e a reativa, mas deve-se levar em conta a Justiça, o arcano 8, no outro extremo do mapa.
Sattava, Rajas e Tamas
Acredito que o Mapa fornece informações importantes e confiáveis sobre o funcionamento do seres vivos e do Mundo ao redor e que não é um fim, que pode ser expandido e pesquisado em múltiplas camadas, como fiz aqui ao analisar a estrutura de influência do Mundo sobre o Indivíduo como um segundo Mapa externo ao Mapa individual. As relações são arquetípicas, sim, e são demoníacas, autônomas, como Jung deixou a conhecer ao retomar o conceito de Daemon como uma forma autônoma de funcionamento do Inconsciente Coletivo. Como programador conheço o termo oriundo da plataforma Linux e conheço o perigo da programação, como conceito de neurolinguística, tanto dos Indivíduos que detém o Poder sobre as Massas, quanto do Coletivo sobre os indivíduos.
Contato com o autor:
Mauro Franco - maurofranco@hotmail.com 
Outros trabalhos seus no Clube do TarôAutores
Edição: CKR – 23/06/2018
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