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14 de outubro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Figuras da Corte no naipe de Espadas
Christiane Carlier
 
 
O presente texto resultou da apresentação feita por Christiane Carlier na
Jornada com os Arcanos Menores, realizada no segundo semestre de 2010.
O trabalho de transcrição e de redação ficou a cargo de Ivana Mihanovich.
 
 
Escolhi um baralho com os símbolos clássicos para os naipes porque o ser humano é eminentemente visual e, se o baralho apresenta uma figura muito explícita, acabamos associando a carta a uma única ideia. Apesar de acreditar que a figura até facilita na hora da leitura, por outro lado percebo que também restringe em outros sentidos.
Trabalho a partir do ponto de vista simbolista e, embora use a intuição, ela será sempre secundária ao significado da carta. Não me desvio para outros significados, apenas porque no momento da leitura pensei na ideia A, B ou C. A ideia será sempre complementar ao significado e não pode, no meu entender, sobrepor-se a isso. Além disso, minha forma de ler utiliza os arcanos maiores e menores acoplados (e não sequenciais), onde o maior representa a avenida e o menor representa o número da casa. Assim, caso encontre dúvida em relação ao arcano menor, sigo a indicação do maior.
É importante, ainda, que cada um desenvolva algum tipo de código com seu próprio baralho e que, caso crie seu método próprio de leitura, determine previamente e com clareza o significado de cada posição onde vai colocar as cartas.
Os naipes
A primeira questão que considero fundamental é a diferenciação dos naipes, pois eles, antes de tudo, dizem-me como está o consulente. Leio o maior, sigo para o menor e, então, a questão mais imediata, nesse momento, é entender o naipe:
Ouros, o naipe da objetividade, determinação, construção, equilíbrio, materialidade. Se, por exemplo, a casa que se compra em ouros será a casa que minha família precisa, que atende a todas as necessidades de cada membro, cujo financiamento é equilibrado dentro do meu orçamento e que será útil e essencial para minha estrutura de vida pelos próximos anos.
Ás de Paus no Tarô de Carlo Della Rocca   Ás de Ouros no Tarô de Carlo Della Rocca   Ás de Espadas no Tarô de Carlo Della Rocca   Ás de Copas no Tarô de Carlo Della Rocca
Ases como símbolos representativos dos naipes de Paus, Ouros, Espadas e Copas
Reproduções do clássico 'Tarocco di Carlo Della Rocca' (original de 1835)
Copas, naipe das emoções, sentimentos. Seguindo o exemplo anterior, a casa que se compra em Copas falará de sonho, será uma compra calcada no emocional e não no prático. Isso nos alerta para o fato de que nem sempre Copas será um naipe positivo, embora possa ser um Ás de Copas, carta que indica que será uma casa que atende todos os nossos sonhos (naturalmente, nesse caso, será importante observar o arcano maior acoplado, para determinar se será possível pagá-la).
Espadas, que considero o mais complexo, fala do mental obsessivo. É o naipe do sofrimento e de estar preso ao passado. Aqui, a vontade ferrenha vai passar (ou querer passar) por cima seja do que for, na busca de seu objetivo, o que também nos indica a presença da teimosia e da maquinação mental.
Paus reúne o essencial dos outros, mas em equilíbrio. Fala, portanto, de equilíbrio mental, emocional, material, mas o que considero mais importante e específico de Paus é o conceito de experiência. Então, poderá até haver alguma dificuldade, mas a aplicação da experiência fará a pessoa atingir o que deseja.
As cartas numeradas no naipe de Espadas
Como acredito que não se pode pensar nas figuras da corte sem antes ter conhecimento dos conceitos do Ás ao Dez, farei uma síntese rápida, sempre referindo-me ao naipe de Espadas:
Ás: é a junção da vontade ferrenha com a presença da ação.
Dois: é o encontro com o outro, em Espadas, portanto, é o encontro de duas vontades ferrenhas (ou seja: conflito, briga).
Três: é a vontade ferrenha de encontro ao social que não está de acordo comigo e sempre implica em perda.
Ás de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar   Dois de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar   Três de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar   Quatro de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar   Cinco de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar
Ás, Dois, Três, Quatro e Cinco de Espadas no formato clássico
Reproduções do Tarô de Marselha (1760) restaurado por Kris Hadar (1996)
Quatro: é o desanimo e o ficar em casa remoendo ou maquinando.
Cinco: do desanimo, passamos a culpar o outro, o mundo.
Seis: há o acúmulo de energia negativa decorrente dos dois estágios anteriores, onde o desgaste é mais psíquico e que no seis passa a atingir também o desgaste espiritual (para quem acredita, é o estágio onde a pessoa tem obsessores, miasmas etc).
Sete: considero a única carta condicional do tarô. Aqui, se a pessoa silenciar, omitir, atingirá o que deseja. A dificuldade está no fato de que quem está neste estágio acredita ter razão, sente-se injustiçada e vítima, por isso quer falar, cobrar, expressar sua opinião.
Seis de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar   Sete de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar   Oito de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar   Nove de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar   Dez
Seis, Sete, Oito, Novo e Dez de Espadas no formato clássico
Reproduções do Tarô de Marselha (1760) restaurado por Kris Hadar (1996)
Oito: esta carta revela que há ou houve manipulação, atitudes e ações feitas de forma errada, que serão descobertas e podem expor a pessoa a vexames e brigas.
Nove: chamo de carta da dor, porque a pessoa está exausta, mas ainda assim não desiste da ideia, da obsessão etc.
Dez: carta do fundo do poço, onde naturalmente há dor, mas também há alguma ação, como se a pessoa finalmente desistisse, colocasse um ponto final na situação. Nem sempre é o melhor fim e ainda há certo desequilíbrio mental, mas ao menos é o fim de um assunto ou situação, o que abre uma porta para a pessoa dar uma virada na vida.
As cartas da Corte no naipe de Espadas
Finalmente, seguimos para as figuras da corte.
Valete: presença da inexperiência, da ingenuidade latente, da manipulação, da mentira, mas a pessoa não tem consciência disso, ao contrário: acredita ser alguém de comando, esperto e capaz de enganar os outros. O Valete revela, portanto, a manipulação ridícula, a mentira óbvia, o plágio evidente. Tudo isso voltado para coisas erradas ou com intuitos não limpos, que serão descobertos e impedirão a pessoa.
Valete de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar   Cavaleiro de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar   Rainha de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar   Rei de Espadas no Tarô de Marselha restaurado por Kris Hadar
As Figuras da Corte no naipe de Espadas: Valete, Cavaleiro, Rainha e Rei
Reproduções do Tarô de Marselha (1760) restaurado por Kris Hadar (1996)
Cavaleiro: há foco, concentração, energia direcionada, mas ainda há luta pela frente. Possivelmente entrará facilmente em guerras e brigas, mas manterá um poder articulador bastante grande. É a carta que diz que a pessoa está no caminho certo, embora ainda vá demorar a realizar o que deseja.
Rainha: esta rainha está presa a algo do passado e que lhe causa uma dor insuportável. Por isso, ela concentra toda a sua energia em vingança ou revanche, o que vai nortear todas as suas atitudes. Naturalmente, a vida de quem está assim não anda. Importante lembrar que a Rainha nem sempre demonstra claramente essa postura; isso transparecerá mais na medida em que ela fala de si mesma.
Rei: carta de conquista, de realização e de vitória. O problema deste Rei é que ele não se satisfaz, não fica feliz com a conquista, pois seu prazer está no processo, não em atingir o objetivo. Além disso, a teimosia natural deste naipe também está presente aqui, assim como a negação em escutar realmente o outro.
julho.12
Contato com a autora:
Christiane Carlier - christiane_carlier@hotmail.com
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