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21 de abril de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


A vida líquida da Rainha de Copas
Como está nossa rainha?
Cristina Guedes
 
Hora de dar segurança emocional, de auxiliar com gestos, formas, ações ou palavras àqueles que necessitam desse líquido cuidado do Reino de Copas. Hora de fazê-los compreender que ainda paira no mundo os nobres laços humanos. Hora de estimular o amor, o mais nobre sentimento, e onde a humanidade fora tão prejudicada.
Rainha de Copas no Tarô dos Contos de Fada
A Rainha de Copas
The Fairy Tale Tarot - Lisa Hunt
 
Na Rainha de Copas só concretizaremos conquistas se fortalecermos a solidariedade. Pois em nosso mundo de furiosa individualização e satisfações artificiais e egoísticas, o amor se tornou uma benção para o equilíbrio. A Rainha de Copas personifica bem essa força do elemento líquido que gera a vida. Porque o topo da sua agenda existencial se chama água.
E pode ser uma água de paz e de satisfações, uma água satisfatória e refrescante, mas quando é uma água mal oferecida, pode ser uma água de ilusões, inundações de sonhos amargos e infundados, caprichosos e ambíguos até causar destruição. Nós sabemos que nenhuma força detém a água. Nós sabemos que essa é a sua forma de intensidade. E uma água em demasia se torna difícil demais para ser impedida ou encaminhada de volta ao auxílio das marés mais baixas e tranqüilas.
Sim, a Rainha de Copas tem sua água no relacionar-se ondulante e fatal, no umedecer corações, apesar dos óbvios riscos da sua sombra ser posta em ciclos de alternâncias, suscetibilidades ou sofreguidões. Seus excessos podem se tornar seu peso esmagador, aonde a própria Rainha de Copas, essa habitante líquida, irá se defrontar com a sua imprevidente e possível navegação exaltada.
Qual outra lição nos ajuda a reconhecer nossa Rainha de Copas?
O naipe de Copas da nossa Rainha abarca prodigalidades potentes e antagônicas emoções no líquido cenário da vida moderna. Se a Rainha de Copas se sentir desconectada ela poderá sentir vontade de cortar cabeças, como o faz na história de “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll. Lá em Alice nossa Rainha investe nos seus sombrios atos de maldade, com altas instabilidades emocionais, autoritarismos, histeria, intrometimento, egocentrismo, agressividade. É muito dominadora e tirana.
Na Rainha de Copas de Alice não se deve e nem se pode confiar. Afinal ela foi a responsável por sanguinolentos conflitos e até guerras para o mundo da menina personagem. Tudo nessa Rainha de Alice é irracional, de forma geral. Em The Queen's Croquet Ground ou “No Campo de Crochê da Rainha de Copas”, vemos num jardim três cartas de um baralho a discutirem entre si enquanto pintam rosas brancas com tinta vermelha, dado que a Rainha de Copas odeia rosas brancas e adora rosas vermelhas. Naquele momento são interrompidos por uma procissão de cartões, onde estão presentes os reis, as rainhas e até mesmo o famoso coelho branco de Alice. Alice conhece então o Rei e a Rainha de Copas, aprendendo que a Rainha de Copas é uma figura difícil de agradar, ao introduzir sua deixa de marca, Cortem-lhe a cabeça! E se essa Rainha ficar insatisfeita é melhor sair de baixo.
No Tarô a Rainha de Copas é mais prestimosa?
Sim, mas com certas ressalvas, pois A Rainha de Copas no Tarô é bem menos agressiva que a de“Alice no seu País das Maravilhas”, apesar de manter seus laços estreitos com as profundezas da sua alma, seus sentimentos exacerbados, sua intuição excessiva, seu lado irracional de algum modo aparece cheio de muitas armadilhas da sua energia.
Ela lida o tempo inteiro com essas forças inconscientes. Por isso ela se torna muito estimulada a ter suas emoções oscilando entre dissimulações e fugas da realidade. Ela consegue viver os seus desejos do momento, seus valores ultra-pessoais como: ódio, desejo, paixões, imaginação.
Discrepante às vezes em seus furacões emotivos ou entre seus enredos que nunca prometem prorrogação, ela se apaixona e se desapaixona ardentemente, pois a Rainha de Copas encontra-se sempre no limiar de suas sensações, seus contados do além, os quais podem ser tecidos ou desmanchados com igual facilidade – pois ela traz em si o poder da Mãe. Seja como for, os cenários da Rainha de Copas mudam constantemente, são múltiplos, precisam conectar-se a tudo e só nos resta entender que essa tal combinação de sentimentos é a sua sentença para uma busca de ordenação.
A Rainha atinge seus auges emocionais entre excitação e agitação, negando muitas vezes sua natureza lírica e passiva. Ela quer parentescos, parcerias, identificações plenas, engajamento, movimentação. Afinal ela reúne em seu simbolismo feminino, cinco relevantes Arcanos do tarô:
 
A Rainha em Alice no País das Maravilhas
Uma rainha emocional e agressiva
2. A Papisa, 3. A Imperatriz, 8. A Justiça, 11. A Força e 18. A Lua.
Como está entronizada a Rainha de Copas?
Ela aparece envolvente no seu trono, é uma mulher adulta sentada, segurando sua taça semelhante a uma concha, sua imagem de matriarcado e mistério está bem aí dentro da taça. Mas analisar sua verdade é dificilmente possível, pois ela reflete a natureza do observador com grande perfeição de enigmas.
Rainha de Copas no Tarô de Marselha
Rainha de Copas
Tarô de Marselha
 
Na taça ela parece segurar o lótus de Ísis, sua grande Mãe compartilhada. Se esse feminino for mal estimulado, todas as qualidades confluentes se degradam. Tudo que passar por ela será distorcido, ela perde seu abrigo, passa desavenças e trocas de sopapos (risos). Mas, de modo geral, a Rainha de Copas depende das fragilidades que a afetam, aquela sua parte aquosa e flutuante parece lhe causar tudo isso. São exortações que só uma Rainha é capaz de agüentar. Caso você esqueça da sua Rainha de Copas um dia, você entrará em ebulição, mas não esquecerá os prazeres de nadar no mar, de reconciliar-se para saber de onde veio. Suavize-a, mas desapareça, anotando-a nos seus registros ou mapas de navegação.
A Rainha de Copas pede sempre chances de sobrevivência quando não sabe chegar ao porto de destino. É aí onde ela se sente ameaçada, começando a se confessar de modo compulsivo como num apelo de um drama para onde sua ilha fora sustentada. Sua ânsia por pertencimento é seu impulso, por entre recifes de solidão e buscas de interação. É fácil perceber a Rainha de Copas inserida no jogo moderno das culturas da sociabilidade da desintegração. Já que ela anseia por convívio e altas reproduções entre grupos imaginados pelas ofertas da virtualidade. Afinal, ela é a doadora atraente, demasiadamente humana e geradora de fusão.
Hora da líquida Rainha se conhecer
Chegado o momento de compreender suas experimentações infatigáveis, sua compulsão imprevisível, a nossa Rainha de Copas vive a grande incógnita dessa modernidade acelerada pelas vias virtuais tecnológicas. Carregada de riscos e transplantada para o mundo ávido das
pastagens virtuais, o regozijo de nossa Rainha líquida será acorrentar o nômade ao se instalar entre dois ou milhões de seres humanos.
Seu desejo gentil e suave é a vontade líquida de consumir, absorver e invadir a direção do outro. Seu amor encharca em exaltação, sem durabilidade, sem perpetuação, sem vínculos, como fazem as redes de relacionamentos. Nada é durável, tudo é descartável. São os grilhões dos convívios sociais entre estranhos e é onde nossa Rainha de Copas tenta sobreviver vagando entre uma entrada e saída. Impulsos dando-lhe uma vantagem sobre os desejos.
Aguçada pelo instantâneo e pela ânsia do pertencimento, a Rainha de Copas da modernidade precisa moderar sua insustentabilidade no ter, que parece cada vez mais longa. Sua incerteza permanente, precisa ser acalmada. Ela precisa encontrar seu refúgio, suspender sua busca, encontrar outros lugares. Aflições, apreensões e receios desaparecerão dela e isso é de uma importância exorbitante para uma Rainha que sabe onde vive o amar. Assim, o tempo no Tarô nunca será curto para nossa Rainha de Copas se preparar. Será um tempo de laços que a refaçam da líquida vida das relações soltas.
 
Legacy of  Divine Tarot de Ciro Marchetti
Rainha de Copas
Legacy of Divine Tarot - C. Marchetti
Será a encarnação da concordância, da aceitação na entrada da legalidade dos vínculos. Algo bem mais qualificante para nossa Rainha de Copas, algo mais disposto e oportuno, permitido e concreto. De modo que aqui, seus interesses profundos serão mais bem compartilhados e coligados em níveis maiores de compreensão.
maio.12
Contato com a autora:
Cristina Guedes é jornalista, poeta e consultora em Tarô
Atende pelo (41) 9930.0853 e (83) 8790.7777
www.facebook.com/cristinasguedes
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