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15 de junho de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Entre a Rainha de Copas e Alice, quem sou eu?
Mônica Barcelos
O filme Alice no País das Maravilhas, dirigido por Tim Burton em 2010, é uma leitura da obra Alice no País das Maravilhas, do ano 1865.
No filme, a Rainha de copas é uma mulher pequena, com uma cabeça muito grande, tirana, que adora ser cortejada, e conhecida pelo terror que causa; enquanto Alice é uma jovem que, na sua queda ao País das Maravilhas, está aberta ao novo, como uma jovem aprendiz. Quem sou eu (faça o leitor a pergunta a si mesmo) nesta história?
A Rainha de Copas no filme Alice no País das Maravilhas
Rainha de Copas, a tirana
Personagem do filme 'Alice no País das Maravilhas' de Tim Burton (2010)
Iniciemos, pela graça do poder Divino, pelo começo!
Enquanto assisto ao filme, o que percebo? Em segundos, já somos inteiramente absorvidos pelas cenas, sons, cores, e o enredo. Onde está meu corpo? Em algum lugar do mapa dando suporte para minha cabeça, que está totalmente envolvida com o filme.
Quando aparece a Rainha de copas com suas ordens, o que sinto? Sinto (com a minha lógica - e que, por consequência, se espalha por todo meu corpo) que  o que ela diz é completamente insensato, triste e indigesto.
Quando aparece a Alice naquele País das Maravilhas passando por todas aquelas situações absolutamente loucas (para a lógica), o que sinto? Sinto (tanto com a lógica, mas também com algo que lhe escapa) certo maravilhamento, uma alegria, uma energia que nutre algo em mim, algo sem vícios, puro. Esta sensação se estende por todo o corpo.
Quem quero ser? Com toda a certeza, quero ser como a Alice. E a Rainha Copas? Claro que não quero ser como ela, aliás, pode até surgir uma vontade de combatê-la!
Alice entre as cartas
Alice entre as cartas – figuras da corte – no País das Maravilhas
Ilustração original da obra de Lewis Carroll (1865)
Mas, quem sou eu nesta história? Dizer que sou a Alice, significa que na minha vida, enquanto passo por todas as adversidades, mantenho a mente aberta ao Inesperado, com a ajuda Dele e do Tempo, o impossível se torna possível; que transmito alegria e maravilhamento a quem está conectado a mim. E, qual a proporção disto em nossas vidas? Caso desejemos a Verdade, será necessário agora reconhecer que não somos a Alice. Então, se não sou a Alice, sou... a querida e adorável Rainha de Copas!
Não gostou de ser a Rainha de Copas? Não concorda? Acha que não é com você? Isto só torna ainda mais nítido que eu, você, somos a Rainha de Copas! E agora, a quem devo apelar, meu Deus?
Uma pergunta inteligente a ser feita, então, é: o que faz de nós sermos a Rainha de Copas, e não a Alice?
Durante esta leitura, quantas vezes sentimos (entramos em contato) com o nosso corpo, voluntariamente? Quantas vezes vimos o surgimento dos desejos e vontades? Qual o momento na vida em que percebemos que criamos expectativas? Quando elas foram frustradas; mas só o percebemos se tivermos "sorte" (é a forma como costumam denominar um esforço direcionado que supera toda a preguiça e condicionamentos para se alcançar um objetivo); ou podemos permanecer cegos a esta verdade pela frustração e sensação de injustiça do desejo não realizado, e fazer como nossa querida e amada Rainha de Copas, podemos mandar prender, e executá-las – na nossa cabeça (mundialmente conhecido como ruminar). Em milésimos de segundos, este pensamento se alastrará por todo o corpo (não preciso comentar que será sintomatizado em diversas doenças "normais", coisas básicas do dia-a-dia).
Quadro de Jean-Léon Gérome
O jovem com máscara
Pintura de Jean-Léon Gérôme (1824-1904)
Existe a possibilidade de sermos a Alice. Sabe como? Inicialmente, pela percepção de todos estes processos ignorados por nós mesmos; ou no iluminado momento da frustração perceber que estou assim porque um desejo meu não foi realizado. E posso ter a atitude da Alice, que é olhar para isto; este ato (simplesmente ver) é extremamente poderoso, ele irá aos poucos transformar a nossa Rainha de Copas na encantadora Alice.
Quem é a Alice, afinal de contas? É esta jovem aprendiz, esta energia interna extremamente poderosa, que transforma (no tempo de cada coisa) a Rainha de Copas em encantamento, alegria, em algo sagrado.
Mônica Barcelos estuda e pratica Yoga e autoconhecimento.
Contato : mbsmoreira@gmail.com e
www.facebook.com/monica.barcelos.54
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 4/11/2016
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