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20 de outubro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Tiragem Stephan Milanez
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Técnica com 9 cartas: "oitavas superiores"
Por
Stephan Milanez
    
    Em momentos difíceis da vida, quando não encontro respostas para assuntos de grande importância, eu recorro ao tarô, uma ferramenta muito especial e muito importante que utilizo como um meio definitivo para as questões da vida. Uma forma de auxiliar a encontrar soluções, pois o tarô não é uma ferramenta que define uma sentença e sim mostra uma abertura para caminhos que nossos olhos não estão enxergando e o nosso coração não está sentindo.
    Quando criança eu adquiri de um primo um velho jogo de cartas, num tamanho reduzido de aproximadamente 4 cm por 2,5 cm, mas que para uma criança de oito anos foi algo fascinante. Eram cartas de baralho de um jogo de tarô Waite. Foi aí que me despertou para esta fascinante arte. Com o passar dos anos e alguns estudos autodidatas, passei a ler o tarô de forma profissional, mesmo muito jovem.  Hoje não coloco mais as cartas profissionalmente, isso já há muitos anos.
    O Tarô é uma ferramenta que estimula e muito a intuição, e dou graças a isso, porque a intuição já me tirou de grandes situações. Através deste processo em anos eu desenvolvi uma técnica própria de leitura, simples, direta e muito eficaz, porém nunca compartilhei com ninguém. Hoje percebi que esta técnica não teria a menor importância se não compartilhada, pois algo que não é compartilhado se perde no tempo e cai no esquecimento e sendo assim, ela se torna inútil.
    
Esclarecimento
    Gostaria de dar um breve esclarecimento que acredito ser importante: para aplicar esta técnica não há necessidade de nenhuma mudança nos métodos que cada um utiliza. As cartas devem ser sorteadas da forma costumeira, ou seja, aleatória ou em seqüência, considerando ou não as cartas invertidas. Isso não mudará o resultado da leitura. Mas os arcanos maiores e menores devem ser embaralhados juntos.
    Costumo utilizar o tarô de Waite, que é o que mais me adaptei. Também utilizo o egípcio de Kier e o Mitológico, aqui vou exemplificar com o Tarô de Waite.
    Não costumo executar nenhum ritual antes, porém me fixo bastante na questão da leitura e igualmente na estrutura do jogo, pois cada carta retirada ocupara um local de grande importância na leitura.
    Este método é simples, mas bem eficaz, o que o torna muito dinâmico. Utiliza uma abordagem definida e o mais importante é que coloca os meios que atuam entre as situações, o complemento, que auxilia, que explica ou corrobora com as circunstancias do consulente. A tiragem é semelhante a muitas outras, mas tem um diferencial que a torna particularmente dinâmica. Vamos ao método.
    
O método direto das "oitavas superiores"
    Após definir a pergunta deve-se retirar as cartas, uma a uma ou as cinco primeiras que formarão uma linha horizontal:
    Cada carta tem um significado pré-estabelecido:
1 – a pessoa ou consulente: como ela se encontra no momento presente, emocional, psicológica, física e espiritualmente.
2 – o momento, a situação presente.
3 – o que atrapalha, as interferências presente.
4 – o que auxilia, a ajuda imediata.
5 – A definição, o que acontecerá ou o conselho final.
    Esta 1ª tiragem será interpretada de forma bastante precisa. Somente após a leitura destas cinco primeiras cartas, será sorteada uma segunda parte. Serão retiradas mais quatro cartas, uma a uma ou todas de uma vez. Estas devem ficar sempre entre duas cartas obtidas na primeira tiragem. Assim, a primeira carta retirada na segunda seqüência deve ficar entre a 1ª e a 2ª carta retiradas na primeira seqüência.
    As cartas desta segunda seqüência definirão os conselhos, as atitudes e as razões do que a pessoa está passando neste momento. É esse o diferencial que eu havia comentado antes: esta leitura define as razões do que está se passando atualmente, de forma conselheira e direta.
    As quatro últimas cartas são um complemento da 5ª, elas darão esclarecimento sobre a definição:
6 – A raiz, o que levou o consulente a situação, ao momento presente.
7 – A ligação entre o momento ao que atrapalha.
8 – A quem recorrer ou ao que recorrer, mostra a ligação entre as interferências e o auxílio, ou seja, o que está entre as duas situações, aquele que pode ajudar ou atrapalhar, esta carta é mais uma questão relacionada a um conselho do que propriamente dito um objeto, pode indicar a quem recorrer ou afastar, para que a situação da 4ª carta seja realizada.
9 – liga o auxílio a definição; mostra os caminhos, onde devemos mudar, expressa de forma clara as esperanças e os temores. Eu diria mais, esta carta não terá conotação negativa ou positiva, porque ela é um caminho e o caminho sim, pode ser negativo ou positivo e como ela representa a ligação para a definição o contexto “conselho” novamente aparece, indicando o caminho que devemos ou não tomar, para que a definição seja alcançada.
    Vamos imaginar que a 5ª carta não seja uma definição boa para a situação, a pessoa deve escolher o seu próprio destino, por isso a 9ª carta mostra os caminhos, indicando claramente qual deve ou não seguir, para que a definição seja alcançada ou afastada.
    
Um exemplo prático
    Vou dar um simples exemplo de consulta, sem detalhar a fundo as interpretações.
    Certa vez uma pessoa me procurou e solicitou uma leitura. Eu relutei até ela me convencer que era um fato importante, pois como já mencionei não faço mais leituras profissionais. Ela me explicou que seu casamento estava passando por uma crise, foi quando chegou a um momento de pressão, onde o casal estava quase se separando. Eles resolveram mudar e dar mais “estimulo” ao casamento e ela estava feliz, mas com medo de que fosse somente o momento. Como não conseguia enxergar o seu futuro, no sentido literal, não como vidência, estava preocupada e não conseguia respostas. Foi por isso me procurou.
    As cartas saíram da seguinte forma:

    1ª – a pessoa: 10 de Copas. Ficou clara a felicidade que ela descreveu pelo seu marido e ela terem decidido recomeçar
    2ª – a situação presente: A Morte (13) – o fato das mudanças estarem ocorrendo por decisão do próprio casal, mas também indicava que o casamento poderia estar no fim. Eu prefiro uma outra explicação, com a morte vem o renascimento, então a minha interpretação partiu para o recomeço do casamento.
    3ª – o que atrapalha: 9 de Ouros. Quando saiu esta carta eu lhe perguntei os motivos da crise no casamento, pois a situação da terceira carta era meio contraditória e eu podia me equivocar. Ela explicou que a crise começou porque seu marido estava trabalhando demais e sobrava pouco tempo para ficarem juntos. Imediatamente tudo fez sentido, eu lhe disse que o trabalho do marido estava gerando frutos, frutos de um longo tempo de trabalho que após um longo tempo de “vacas magras”  finalmente havia mudado. Ao seu espanto, ela confirmou que passaram muitas dificuldades nos últimos dois anos e que agora a vida estava mudando, que já podiam comprar moveis e coisas para a sua casa, que estavam trocando o velho pelo novo. Novamente surge uma luz para a segunda carta.
    Eu costumo conversar muito com as pessoas que me procuram numa consulta, pois sou humano e sujeito a erros, acredito que isto auxilia na interpretação.
    Pode parecer um pouco contraditório, mas se a vida financeira está mudando e tomando um rumo melhor, porque então a crise? Ela mesma respondeu, o marido estava trabalhando demais.
    4ª – o que auxilia: 4 de Copas. Sabendo das mudanças da sua vida, da vontade de acabar com a crise no casamento, o que auxiliava na verdade era a vontade de mudar, mas ao mesmo tempo que tinha vontade de mudar, tanto de vida, como de situação ou de compreensão, porque ela sabia que o marido estava trabalhando demais para melhorar a vida do casal e dar uma segurança a mais para os filhos e para ela; ela estava em duvida se este era realmente o melhor caminho. Queria mas desconfiava.
    5ª – a definição: 4 de Paus. A definição era clara como água que realmente a vida iria mudar, iria rumar para a reconstrução do lar e do seu casamento, uma boa definição ao meu ponto de vista.
    Ela ficou contente, mas não paramos por aí, vamos ao complemento.
    6ª carta: O Carro (7). Representava a raiz da sua crise fora exatamente o que ela havia dito, foi a realização de seu marido, do próprio crescimento econômico, o que levou ela a sentir como se estivesse perdendo o seu marido, mas em conversa, ela disse que isto era o que ela sentia, porque sabia que ele fazia isso para a família. O Conselho desta carta indicava para ela não sentir isso e confiar na mudança e no esforço do marido para a realização, afinal, eles passaram por situações difíceis e era claro que o marido não desejava mais passar pelos mesmos transtornos de dois anos.
    7ª carta: 2 de espadas. Representava a ligação entre a situação e o que atrapalhava, indicava aqui que existia uma certa discórdia entre o casal. Ele tentava mostrar que fazia aquilo para melhorar e ela não compreendia, ou porque não queria, ou porque o marido não explicava de forma correta. Eu acredito que um pouco dos dois causava a discórdia. Esta distorção afastava dela a visão que a mudança proposta pelo marido era o que estava levando aos frutos de suas vidas.
    Usando de um pouco de psicologia barata, eu diria que a própria visão da mudança ou a própria mudança era o que a assustava e os levou para crise.
    8ª carta: Rainha de Copas. Indicava aqui a quem recorrer. No momento mais difícil da crise, ela foi procurar a sua mãe, que segundo ela, lhe deu fortes conselhos, puxões de orelha e a fez decidir recuperar o casamento, que a fez enxergar os seus erros.
    Quero lembrar aqui que no caso desta interpretação, o marido fica em segundo plano, porque ele não era o objeto principal e sim ela, pois o motivo da consulta era a escolha do caminho a seguir que ela não encontrava respostas.
    9ª carta: 9 de Espadas. Formava a ligação final, a “definição da definição”. Lembre-se que aqui esta carta não terá uma conotação negativa ou positiva, mas expressa uma indicação de qual caminho seguir. Aqui indicava que o medo, a angustia e as preocupações que assombrava a sua vida, o motivo de sua crise, que estes fatores eram os motivos que poderiam levar ao fim do casamento e não chegar na definição, que nada mais era que o lar reestabilizado e feliz.
    A conclusão foi a indicação para que ela se tranqüilizasse, esquecesse os medos e as preocupações que tanto causavam sofrimento e dor.
    Veja como é impressionante: o resultado de tudo estava ligado ao medo. O medo cegou e os levou a entrar em crise. Não conseguiam ver a realidade.
    Hoje, só para uma breve elucidação, eles estão casados, felizes, com a vida financeira estável e até um novo membro da família eles resolveram encomendar.
    Eu chamei este método de leitura como “oitavas superiores” porque ele sempre mostrará uma forma de resolver os problemas e levar a vida para um degrau acima, ou seja, para uma oitava superior.

Contato com o autor
Stephan Milanez
- www.alphalumen.com.br (Portal Alpha Lumen)

nov.07
 
 
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