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15 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


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Ensino, pesquisa e prática do Tarô:
a práxis do tarólogo

  Ricardo Pereira  

Ao obter acesso a uma entrevista disponível na internet, publicada no ano de 2005, cuja abordagem é focada no assunto "Tarô e previsão de futuro", percebi nela alguns pontos de vista bem interessantes e coerentes em relação ao fazer do tarólogo e outros que me despertaram o interesse em escrever um artigo sobre este assunto.

Em meio às muitas questões contempladas, uma me chamou especialmente atenção, não pela forma a qual foi elaborada, mas, pela resposta do entrevistado, quando lhe foi indagado: "[...] Você acredita que se possa prever o futuro através das cartas?" E, o entrevistado curiosamente respondeu:
 
[...] Não faz sentido. Estamos aqui num processo evolutivo e para que essa evolução aconteça, o livre arbítrio é indispensável. Se não fôssemos senhores de nossos atos – e portanto responsáveis por eles –, não haveria evolução, seríamos robôs. Acontece que conhecer o futuro com precisão é o mesmo que perder o livre arbítrio, o que anula o sentido da existência. [...] (REVISTA PILOTIS, 2005).
 
Bem, essa abordagem ou afirmação me levou a outro questionamento: qual o sentido que faz para uma pessoa conhecer o futuro, apenas, de forma imprecisa? Ora, tudo o que é impreciso deixa dúvidas, incertezas e o que menos se busca na consulta ao Tarô é a incerteza.
O Louco e o Eremita
O Louco (Tarot of the 78 Doors) e o Eremita (Tarot Giotto)
www.albideuter/html/kartendecks/html
Pela perspectiva dessa resposta, o seu autor se coloca afirmando que a previsão de futuro através das cartas do Tarô "não faz sentido", mas, depois se contradiz afirmando que "conhecer o futuro com precisão é o mesmo que perder o livre arbítrio", portanto, ele admite a possibilidade de previsão de futuro, por meio das cartas do Tarô.
Por outro lado, essa afirmação um tanto ambigua, remete e convida, de maneira positivamente didática, aos que dão aulas sobre o Tarô, a uma investigação acurada e a uma profunda reflexão acerca da práxis tarológica e taromântica, ou melhor, a respeito das tendências do ensino, de como as informações sobre o Tarô devem ser repassadas, como devem ser conduzidas a pesquisa e a prática profissional nessa área.
Nos dias de hoje, com a possibilidade de tudo se tornar "tendência", não se pode duvidar que alguém venha a argumentar, em algum momento, que, o que foi afirmado, na entrevista citada, “é a tendência”, devendo, portanto, tais aspectos, tornarem-se, algum dia, regra ou padrão no campo do Tarô.
Mas, antes de se promover tal idéia, como axioma plausível, é necessária a verificação e confirmação dessa hipótese, através de investigações bibliográfica, histórica, empírica ou de forma "experimental", tomando-se, o devido cuidado com os fundamentos a serem utilizados em defesa de tal tese e, sobretudo, com os aspectos metodológicos de tal projeto, para a evolução da pesquisa e do ensino em Tarô, no sentido de se construir um conhecimento sobre o assunto, o qual lhe agregue real valor teórico e prático e, que, não deixe dúvidas ou confunda, na produção do discurso final, leigos ou profissionais da área sobre o conceito de Tarô, as suas finalidades, utilidades, operacionalidades e alcances.

Nesse âmbito, Caldas (2004), assevera que existe hoje, em um contexto globalizante, uma grave banalização do conceito de "tendência" e sobre isso ele afirma:

 
[...] vemos ocorrer uma extrema banalização do conceito de tendência. Há tendência para tudo, do modo de vestir, ao de pensar, o que convenhamos, é bem mais grave. [...] é fácil transformar uma tendência em algo tendencioso, privilegiando um único ponto de vista, ancorado em interesses muito específicos (geralmente, de mercado) e projetando-o no futuro como objetivo desejável para todos. [...] (CALDAS, 2004).
 
Sabe-se, que, na contemporaneidade, existem uns poucos estudiosos e praticantes do Tarô, os quais defendem, em meio a discursos psicologizantes, a tese de que o Tarô é um instrumento "terapêutico", o qual deveria ser, tão somente, focado ao auxílio do indivíduo em seu processo de individuação (conhecimento de "si-mesmo"), podendo ele, também, analisar ou verificar as possíveis tendências, para uma pessoa, durante essa sua trajetória. O mais interessante é que todo esse discurso é balizado, principalmente por leituras, estudos e interpretações unívocas e, às vezes, um tanto equivocadas dos postulados teóricos jungianos ou em outros autores que se utilizaram dos pressupostos de Jung no sentido de sustentarem os seus argumentos. No fim, tudo se reduz ao pai da Psicologia Analítica.
Nesse sentido, o que se pretende com este discurso, incentivados por interesses ideologicamente bem específicos, é a imposição de que, este oráculo, é um instrumento que deveria ser voltado apenas ao uso terapêutico, com foco no autoconhecimento em detrimento de seu efetivo ofício adivinhatório.
Não se pode negar, é claro, essa utilidade do Tarô, mas, também não se pode deixar de admitir que ele seja utilizado com outras finalidades, inclusive lúdico-pedagógicas, ou como um simples jogo de carteado, como afirmam os registros históricos sobre a origem desse oráculo. E, na mais esdrúxula hipótese, dependendo da finalidade e do indivíduo, há quem encontre condições de usá-lo de forma ritualistísca, com objetivos, inclusive, sombrios, escusos.
 
Clarividência, tela de Magrite
Clairvoyance (auto-retrato)
René Magritte (1898-1967)
www.fatihcokabas.net/defautl/aspx
Por outro lado, quando o utilizamos como um instrumento cartomântico ou taromântico ele também faz, desde tempos historicamente remotos, previsão, projeção, prospecção, presságio, antevisão, prognóstico, predição, presciência, conjectura e, também, hoje, como alguns insistem em afirmar e outros em concordar, "análise de tendências". E o melhor, é que o Tarô faz tudo isso, sem se importar se Einstein, um dia desses qualquer, afirmou que o "tempo não existe".
Pesquisando em um dicionário como o Houaiss da língua portuguesa, por exemplo, vê-se referências a todas estas terminologias, claro, com os seus devidos significados, como seguem:
 
a) previsão: ato ou efeito de prever; antevisão, presciência, [...] conjectura [...];
b) projeção: [...] cálculo antecipado de uma situação futura, com base em dados parciais [...];
c) prospecção: [...] lat. prospecto,as,ávi,átum,áre 'olhar para diante; olhar de longe, mirar, contemplar; procurar, buscar, adivinhar o futuro [...];
d) presságio: fato ou sinal pelo qual se julga adivinhar o futuro; prenúncio, agouro [...];
e) antevisão: [...] percepção de (acontecimentos futuros) por meio de conjecturas ou avisos transcendentes; presságio, pressentimento, previsão [...];
f) prognóstico: [...] que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo; que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício etc.) [...];
g) predição: [...] ato ou efeito de predizer, de afirmar o que vai acontecer no futuro; profecia, previsão, vaticínio [...];
h) presciência: [...] conhecimento do futuro; previsão, pressentimento [...];
i) conjectura: [...] lat. conjectura,ae 'juízo formado por presunção, por conjectura',[...] 'conjecturar, prever adivinhar' [...] ou conjecturar – ver antes; observar com antecedência; prever, antever, pressagiar [...]. (HOUAISS, 2009).
 
Observa-se por esses vocábulos, que todos eles trazem, em si, conotações de previsão, pois todos possuem a idéia de futuro inserida em suas acepções.
"Profecia das Nações"
"Profecia das Nações"
www.segundavinda.sites.uol.com.br
 
Uma palavra composta, a partir da aglutinação de dois vocábulos, "análise" e "tendência", vem ultimamente sendo utilizada no discurso tarológico, talvez, com o intuito de contemplar com uma roupagem mais modernizada o fazer profissional do tarólogo. "Análise de tendências" é o termo em voga. Alguns profissionais afirmam, com significativa ênfase, que o seu instrumento de trabalho, o Tarô, faz "análise de tendências".
Mas, afinal, o que quer dizer este léxico, o qual é constituído de dois termos, tão capazes de estabelecer uma crença que uma atuação, nesse nível, poderá, quem sabe, ser capaz de “legitimar” o Tarô e a profissão de tarólogo?
A fim de dar uma maior clareza a esta abordagem, faz-se necessário primeiro esclarecer o que significa a palavra "análise" e, posteriormente, o termo "tendência".
A expressão "análise" possui a sua origem no grego antigo, na terminologia, analusis, datada de 1578, "[...] com um sentido de 'dissolução; [...] desligar, dissolver, soltar, separar, libertar, analisar, examinar."
(HOUAISS, 2009).
Nesse sentido, Japiassu & Marcondes (1996) destacam, ainda, que segundo a filosofia, esse termo significa: "[...] divisão ou decomposição de um todo ou de um objeto em suas partes, seja materialmente (análise química de um corpo), seja mentalmente (análise de conceitos). Procedimento pelo qual fornecemos a explicação sensata de um conjunto complexo. Ex. análise de um romance, de um fato histórico. [...]".
Na verdade, o termo análise é efetivamente compreendido a partir da corrente filosófica denominada de "filosofia analítica", a qual a partir da escola aristotélica entende a “analítica” como a área da lógica que trata da demonstração da realidade e que, na escola kantiana, é a parte da lógica transcendental "[...] que tem por objeto a 'decomposição de nosso conhecimento a priori nos elementos do conhecimento puro do entendimento', isto é das categorias." (JAPIASSU & MARCONDES, 1996).
Observa-se, que tais conceitos filosóficos, referentes ao que seja a palavra "análise", levam à percepção que este é um processo e, se assim ele se configura, remete a uma ação, a qual vai muito além dos atos de qualificar juízos ou enunciados, pois visa, também, esclarecê-los, indicando, obviamente, a possibilidade, através da linguagem, de decomposição necessária de idéias ou contextos, sejam eles pouco ou muito complexos, em algo mais simples, de fácil explicação e compreensão. Não há dúvida, que essa ação está em consonância com a prática de leitura do tarô ou com a ação taromântica.
Após a construção e compreensão de tal vocábulo, muitas áreas do conhecimento humano passaram a adotá-la, tanto do ponto de vista teórico ou conceitual, quanto da prática profissional, inclusive as diversas mancias.
Cotidianamente por meio de mídias, ou de conversas com as pessoas, ouve-se falar da existência de atividades profissionais como as de análise de mercado, de negócios, da informação, análise psicoterapêutica, psicológica, matemática, análise de tendências etc.
Nesse âmbito, alguns praticantes de taromancia adotaram a atividade de "análise de tendências", como uma espécie de mecanismo de distanciamento ou de eliminação do foco de atuação do tarólogo da seara do Tarô adivinhatório. Por outro lado, quem não acredita que, na teoria e na prática, isso é possível, arrisca-se em afirmar que atua profissionalmente efetivando, em um discurso mais moderno, “análise taromântica” ou de forma mais tradicional, leitura de Tarô.
Nesse sentido, esclarecer a acepção do termo “tendência”, também é preciso. Segundo Houaiss (2009), este significa
"[...] predisposição, propensão; [...] disposição natural; inclinação, vocação [...] evolução de algo num determinado sentido; direção, orientação [...]".
Ainda conforme Houaiss (2009) este termo deriva da raiz do vocábulo  tendente,  que
 
Dancing Figures
Dancing Figures
by Steven Assael (1957)
www.americangallery.wordpress.com
se origina do termo latino tendens, o qual significa "[...] estender, prolongar, tender para, resistir, esticar; que tende; que se inclina ou encaminha para determinado alvo ou fim; que tem vocação; propenso [...]", possuindo como expressão de linguagem falada ou escrita o verbo tender, de origem latina "[...] tetendi, tentum ou tensum [...]", que denota "[...] estender, alargar (o espaço), esticar, prolongar, ir para, inclinar-se a, tender para, ter como fito, resistir, combater, acampar, estar acampado; [...] dirigir-se, encaminhar-se; [...] ter tendência, inclinação, pendor ou disposição para alguma coisa; [...] ter por fim, ter em vista; destinar-se; [...] aspirar a alguma coisa; esforçar-se por alcançar; [...] inclinar-se, voltar-se [...]."
Importante destacar, que as acepções da palavra "tendência" e de alguns de seus termos correlatos também possuem as idéias de movimento e de tempo, inclusive, de futuro, coadunando perfeitamente com o fazer do Tarólogo.
Os estudos, as pesquisas e as análises de tendência, amparados nas ciências, especialmente estatística, lógica e matemática, buscam identificar e analisar a repetição e a antecipar-se a determinados comportamentos e padrões comuns a dados fenômenos, a fim de estabelecer tendências ou expectativas em ciclos temporais, baseados na idéia de que tudo que se repete tende a ocorrer novamente, tornando-se, por assim dizer, previsível, fundamentados também na idéia de que é, também, no passado que se é possível encontrar os elementos facilitadores da previsibilidade.
Nesse contexto, afirma Caldas (2004),
 
[...] o conceito de tendência que se generalizou na sociedade contemporânea foi construído com base nas idéias de movimento, mudança, representação do futuro, evolução e sobre critérios quantitativos, [...] No enfoque, por exemplo, que a psicologia trouxe ao termo, há uma outra característica que importa ressaltar: a tendência aponta uma direção, sem, no entanto, atingi-la. Portanto, ela é uma força que não se realiza inteiramente (não se 'atualiza', no jargão psicológico). Essa incapacidade de atingir o objetivo para o qual aponta revela um outro aspecto da tendência, fundamental para compreendermos o seu uso contemporâneo: a idéia de incerteza quanto ao resultado a ser alcançado. (Grifos nossos).
 
Desse modo, observando-se os significados e conceitos referentes aos termos "análise" e "tendência", é possível afirmar que a ação de "análise de tendências", em perspectivas ampla e geral, é um processo que permite, ao profissional desta ou de outras áreas, a antecipar-se ou a prever, a evolução ou direcionamento, possível, de algo, em dados períodos ou ciclos de tempo, a determinado estado ou condição, no sentido de auxiliar, àqueles que se interessarem, em processos decisórios, considerando-se, também, que a idéia de repetição de um evento e a de incerteza quanto a um resultado ser alcançado, são variáveis constantes nessa atividade.
Por outro lado, é fato que quem procura oTarô, dentre outros, o faz com o objetivo de sair completamente da incerteza momentânea que lhe aflige ou incomoda, para saber se vai ou não, realmente, superar um problema.
Dessa forma, se o Tarô responde a uma questão com um não, o consultante quer saber, com pelo menos "99% de certeza", consciente da existência dos limites impostos pela própria dinâmica da vida, o que poderá fazer, a partir do exercício de seu livre-arbítrio, para reverter ou mudar tal presságio ou para não repetir os mesmos erros ou deixar de se comportar, sempre, da mesma forma frente a certas situações.

Observa-se, no entanto, que o indivíduo busca o Tarô para tirar dúvidas, esclarecer-se, verificar possibilidades de ocorrências positivas em seus contextos ou experiências vividos.

Predicting the future from reading coffee grounds
Previsão do futuro pela leitura da bôrra do café
by Charles William Sharp in www.bridgemanartondemand.com
As possíveis previsões oraculares são aguardadas, quase sempre, com ansiedade. É através delas que ele busca se precaver de algum prognóstico considerado negativo, almejando, por meio da orientação taromântica, tomar decisões acertadas, as quais lhe permitam caminhar, com mais propriedade, dentro de um rumo, certo, em direção a superação de seus desafios pessoais ou sociais, os quais influenciam de formas diversas em suas rotinas, em seus processos de autoconhecimento e evolução.
Nesse contexto de uma consulta ao Tarô, alguns defendem coerentemente a idéia que os arcanos apontam, apenas, para possibilidades; e como na vida as pessoas lidam diariamente com uma parcela de coisas evidentemente reais e com outras, nem tanto, então pode ocorrer, durante a análise taromântica, o fato de algum tarólogo afirmar, movido por algum tipo de necessidade, que este oráculo não pode garantir respostas 100% práticas, objetivas, assertivas.
Outro tipo de comportamento do tarólogo também pode ser evidenciado durante a sua prática profissional. Em alguns casos, aqueles que seguem uma linha terapêutica, focada nos símbolos arquétipos jungianos, quando indagados, por seus consulentes sobre o futuro, eles afirmam que o Tarô não se presta a esta atividade, pois ele “só” analisa tendências, sendo impossível, através da verificação dos símbolos do Tarô, o tarólogo conseguir adivinhar as mensagens arcânicas e a efetivar, obviamente, previsões de futuro.
A confusão conceitual recentemente introduzida no meio tarológico sobre os temas “tendência” e “análises de tendências”, merece um providencial esclarecimento, um sentido coadunado com o autêntico fazer do tarólogo e, claro, com o verdadeiro sentido dessas palavras.
Caldas (2004) deixa claro sobre esses assuntos ou atividades:
 
[...] prever é preciso! Entre os usos que se fizeram do conceito de tendência, o que mais se generalizou, por razões óbvias, é aquele ligado a construir uma visão de futuro, que, como vimos, vem sempre embutida entre o hoje e o amanhã, que a suposição de que tendemos para algum outro ponto estabelece. Toda ação, no fundo, contém uma representação sobre o futuro. Além disso, é mais do que normal, é imperativo que o homem especule sobre o que está por vir, pois fazer previsões é uma forma de controlar a vida e de confrontar a experiência da morte que trazemos no inconsciente. Numa sociedade cada vez mais complexa e menos inteligível, não é estranho, portanto, que o conceito de tendência passe a ser instrumentalizado por futurologias e estudos prospectivos, para tentar dar conta de todo tipo de assunto. A História tem seus profetas; os subúrbios, as suas videntes. [...] Quanto mais se insiste no valor da mudança como eixo orientador de todas as esferas da vida, mais se vendem chaves de compreensão do mundo, mais se fazem valer aqueles que dizem saber abrir a caixa preta do futuro. (Grifos nossos).
 

Observa-se, desse modo, que, paradoxalmente, os confusos psicologizadores do Tarô, os quais fazem "análise de tendências" (e não previsão de futuro, como enfatizam), deparam-se, hoje, com o fato de que a generalização do uso e da crença em tendências se deve a sensibilidade do ser humano em compreendê-las como possíveis desdobramentos do presente em direção a um ponto futuro, o qual pode ser conhecido antecipadamente, ou seja, deparam-se, tais profissionais do Tarô, talvez para os seus desalentos, com a certeza de que o entendimento, daqueles profissionais, das mais diversas áreas, os quais efetivam análise de tendências, é o de que, nessa atividade, amparados tanto pelo conceito, quanto pela prática, eles fazem, certamente, é previsão de futuro.

O Louco e o Eremnita
(Pluri/Inter)disciplinaridade
Desse modo, é incoerente afirmar que toda e qualquer análise de tendência, no campo do Tarô, difere ou não tem nada a ver com a ação de previsão de futuro, principalmente porque a práxis tarológica oferece em seu escopo, paradigmas operacionais bem antigos, os quais buscam, necessariamente, informações sobre o devir e o porvir.
Essas duas ações, com suas evidentes peculiaridades e similaridades, também compõem à atividade taromântica, assim como, desse mesmo modo, elas são ou podem se constituir em objetos de estudo, os quais podem ser significativamente aprofundados pela tarologia.
A previsão de futuro com o uso do Tarô é um fato incontestável e a experiência nos comprova que quanto mais próximo pode se estar de um evento acontecer, maior fica a probabilidade de um prognóstico taromântico se concretizar, exatamente porque os arcanos nos dão indicativos sobre as experiências pelas quais alguém, uma instituição, um país etc deverá passar, independentemente das intervenções pré-anunciadas pelo tarólogo, as quais poderão ou deverão ser efetivadas, posteriormente, para a concretização ou não de um fato. Dessa forma, observa-se que as perspectivas de tempo, de movimento e de mudança são constantes ou variáveis sempre verificadas pelo fazer do tarólogo, pela ação de previsão.
Nesse contexto, no que se refere ao gênero humano, o uso do livre-arbítrio pode interferir nos resultados previstos, ou seja, uma trajetória e experiência pressagiadas pelo Tarô poderão, com algumas poucas exceções, ser modificadas pelo indivíduo ou pelos envolvidos, mudando completamente uma conjectura ou fazendo com que ela nem se concretize. Esses poder e liberdade de escolha individual fazem parte, logicamente, do arsenal de recursos disponíveis às pessoas, os quais devem ser utilizados, bem ou mal, em seus processos de autoconhecimento e evolução nesse plano terreno.

Por outro lado, a ânsia por uma espécie de psicologização do Tarô não justifica a tentativa de invalidação da sua real possibilidade de previsão de futuro, dentre outras, através do uso discursivo e tendencioso de outros termos correlatos e muito menos por meio dos fundamentos da ciência psicológica ou de qualquer outra área do conhecimento.

A pluridisciplinaridade e, até certo ponto, a interdisciplinaridade (a qual se constitui em algo desafiador, e poucos são os que sabem fazê-la) são bem vindas no ensino e na pesquisa do Tarô e, de preferência ao seu serviço, no sentido da aproximação e diálogo entre os seus saberes e domínios epistemológicos com os de outros campos, sempre com o cuidado de se fazer com que cada área, envolvida nessa inter-relação ou interação, seja privilegiada com a disseminação de seus reais conceitos, com a demonstração de suas diferenças e, principalmente, sendo colocadas em um mesmo nível de importância, quanto aos seus objetos e finalidades práticas, a fim de não se deixar margens para a dúvida de que o Tarô é um humano, legítimo e eficiente saber antigo, enquanto a Psicologia, por exemplo, é uma ciência demasiadamente humana, como diria Nietzsche.
Referências Bibliográficas:
CALDAS, Dário. Observatório de sinais: teoria e prática da pesquisa de tendências. São Paulo: SENAC Nacional, 2004.

HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

JAPIASSU, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de Filosofia. 3ª ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.
REVISTA PILOTIS. n. 10, ago. 2005. Prever o futuro não tem nada a ver... (F. H. Pingarilho entrevista P. Camargo). Disponível em: http://www.revistapilotis.com.br/pedrocamargo/. Acesso em: 22 nov. 2009.
dezembro.09
Contato com o autor:
Ricardo Pereira – Tarólogo e Historiador
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