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19 de agosto de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


Resposta ao tempo
Ricardo Pereira
 
Algo que desperta a curiosidade tanto de alunos, quanto de consulentes do tarô é o fator tempo, considerando-se, durante uma consulta ao oráculo, a investigação do momento oportuno no qual algo, que se quer ou deseja com veemência, poderá vir a ocorrer.
O tempo para a ocorrência de uma previsão, a duração ou período para que um evento aconteça, com poucas exceções durante a prática oracular, é quase sempre objeto de análises, existindo as mais variadas técnicas a serem utilizadas para esse fim.
As pessoas desejam saber do tarô em quanto tempo conseguirão uma colocação no mercado de trabalho; quanto tempo levará para se reconciliarem com o amor de suas vidas; em que período será melhor a aquisição daquele apartamento ou carro dos seus sonhos, para se fazer aquela viagem internacional com a família ou à realização de um casamento etc.
O Eremita e o Relógioc
O Eremita monitora o tempo
Montagem do Autor com Eremita
do Sharman-Caselli Tarot, 2001
 
Compreende-se, que em vários contextos, o tempo é relativo e traz consigo as ideias de presente, passado e futuro. Por outro lado, traz ainda inúmeras outras representações, as quais são consideradas por algumas pessoas simplesmente pelo fato de elas perceberem que ele porta em si a característica de desprendimento às conceituações universais ou totalizantes, embora esteja plenamente associado ao existir humano e a tudo que está a sua volta.
Ao citar Santo Agostinho, Aristóteles e Kant, Alves (2008) chama a atenção para alguns aspectos relacionados às representações mentais sobre o tempo:
  "O tempo pode ser físico, psicológico, cronológico, histórico, linguístico, ficcional. Ele pode pertencer a um momento, a um sujeito, a um elemento da natureza ou a uma obra de arte, seja ela literária, cinematográfica etc. Tantos aspectos coexistentes demonstram, para  Santo Agostinho, como o tempo é marcado por um dilema fundamental; oscilar entre a unidade ordenada e a fragmentação. Já Aristóteles não hesita em afirmar que o tempo é único, só existe um, do qual presente, passado e futuro constituem partes. Kant, por sua vez, considera que o que passa não é o tempo, mas sim a vida das coisas transitórias que passam no tempo, imutável  e  fixo.  As  ideias sobre esse enigmático fator
  assumem várias direções, por vezes opostas e, por outras, coincidentes, sem que qualquer uma delas deixe de ter fundamento, dado o caráter multiforme do tempo."
Entende-se o tempo também como um fenômeno de impermanências e permanentes transformações temporais, esboçando uma temporalidade referente às experiências associadas às narrativas de vida, de histórias construídas, vividas e percebidas por cada pessoa em períodos que podem ser mensurados em segundos, minutos, horas, dias, meses, anos etc.
Nesse contexto, o tempo está em tudo que vive, mas também nas coisas, exercendo influência sobre cada memória, sobre o que é ou está manifesto, sobre o devir e o porvir que podem envolver todas as espécies de acontecimentos, independentemente das pessoas envolvidas ou das áreas pelas quais o tempo circunda, sempre associado às ideias de ordem, duração, direção e repetição.
Tais ideias de ordem, duração, direção e repetição estão efetivamente representadas no arcabouço simbólico do tarô, assim como podem ser associadas às qualidades inerentes aos arcanos maiores e menores, podendo, inclusive, ser relacionadas às diversas situações vividas nesse plano físico, no aqui e no agora, durante as análises taromânticas efetuadas pelo tarólogo, podendo-se empregar também à análise de aspectos situacionais que impactam na evolução pessoal do consulente ou de terceiros, cujas origens podem se encontrar em uma ordem ou dinâmica transtemporal.
Por outro lado, a imprecisão é um fato comum quando estabelecemos em termos de previsão um tempo para as ocorrências nas consultas com o tarô. Assim como o mundo simbólico é misterioso, mas misteriosas ainda são as consultas com efetivas e precisas previsões de ordens temporais, cujas temporalidades corretas ou significativamente aproximadas para um possível acontecimento são previstas. Desse modo, sabe-se que a previsão de um período certo para algo acontecer, conforme indicado pelo tarô, também pode ser uma realidade eficientemente materializada pelas cartas de determinados tarólogos, para a alegria e satisfação de alguns consulentes.
O mercado do tarô, o qual envolve profissionais tarólogos e diversos produtos e serviços, apresenta também ofertas para todos os gostos relativos aos métodos ou técnicas utilizadas em consultas de previsão de futuro, os quais comportam análises de tempo àquelas situações tão almejadas e esperadas por quaisquer consulentes.
Todos esses métodos são alternativos ao fazer taromântico, com alguns funcionando bem e outros apresentando algum tipo de limitação ou ineficiência.
Decerto, percebe-se no cenário da pesquisa, do estudo e da prática do tarô, que é vigente o axioma que afirma que o "tarô é aderente, portanto, funciona com qualquer atributo a ele estabelecido". Melhor explicando, se o tarólogo define que para o naipe de paus o tarô deve responder questões sobre a quantidade de dias para uma futura ocorrência, ele irá se aderir a esse "comando" e o fará de alguma forma. Nesses casos, o tarô efetuará respostas de modos aproximado, preciso ou, quando o método não funciona bem, significativamente impreciso. Tal dinâmica e funcionamento são bastante curiosos, mas somente os deuses dos oráculos é quem sabem como se dá de fato tal fenômeno. Tudo um grande mistério!
 
A Temperança
A Temperança tempera o tempo”
Montagem do Autor com o arcano XIV
do Sharman-Caselli Tarot, 2001
Nesse contexto de prática taromântica, são conhecidas técnicas que associam, por exemplo, aos arcanos maiores os meses do ano ou uma quantidade de meses para especificarem um tempo para uma possível ocorrência, como o modelo que empregava Fioravanti (1995). Em relação aos naipes dos arcanos menores, por exemplo, alguns tarólogos os associam à quantidade de quartos de horas do dia, ou aos dias ou às estações do ano propriamente ditos, como Osborne (2009), os quatro ases aos quatro trimestres do ano, dentre outros.
Desse modo, como sou um amante do tarô, um pesquisador do tema efusivamente curioso, estudioso que prima pelos testes empíricos com este oráculo, aventurei-me desenvolvendo o meu próprio método de contagem do tempo, o qual tem me proporcionado nesses anos de sua elaboração e uso um bom indicador de acertos em comparação qualitativa e quantitativa aos métodos que eu utilizava antes, tanto em termos de previsões precisas, quanto aproximadas, considerando – não poderia deixar de enfatizar - a minha plena consciência de que uma possível efetivação de previsão para se identificar em quanto tempo algo poderá ocorrer, utilizando-se do tarô, pode ser algo preciso, sim, mas também bastante impreciso.
Evidentemente, que cem por cento de eficácia esse tipo de previsão não nos garante permanentemente, mas mesmo assim eu recorri à pesquisa a fim de construir algo que pudesse minimizar erros nesse âmbito, agregando ao método conhecimentos de qualidade sobre o tema e o principal, testando-o efetivamente no dia adia, observando cada resultado e corrigindo cada falha e incoerência simbólica de aplicação que impactasse negativamente nos resultados.
Reis - Senhores do tempo
Os senhores do tempo
Montagem do Autor com os quatro reis
do Old Path Tarot, 1990.
 
Amparado em algumas literaturas sobre o tarô que se dedicam ao tema “previsão de tempo” e por meio de exemplos práticos obtidos com o olhar em minha experiência de leitura oracular, outrora desenvolvi esse método de contagem do tempo aplicado ao tarô, denominando-o de "Resposta ao Tempo".
Com ele utilizo setenta e quatro arcanos do tarô apoiados em uma "tabela de temporalidade" de minha autoria cujas associações de horas, dias, semanas, meses e anos foram edificadas a partir de uma possível lógica simbólica do tarô alinhada evidentemente aos modos como o ser humano, principalmente o Ocidental, veio convencionando e utilizando a mensuração do tempo ao longo da história. O meu conhecimento de simples cálculos de lógica matemática me permitiram estabelecer associações significativamente aproximadas dos arcanos do tarô ao tempo, de um modo como é ele por nós percebido e aplicado em nossa vida diária.
Os elementos de mensuração do tempo com o tarô que estão contidos nesse método Resposta ao Tempo, que desenvolvi, possuem atribuições bem simples. Aos arcanos maiores, por exemplo, foram associados às horas matutinas, portanto em uma sequência que vai somente até o meio dia, sendo necessário que se efetivem cálculos matemáticos que envolvem esses arcanos, a fim de contemplarmos e complementarmos o tempo após o período de meio dia, fechando assim completamente a noção de horas para um acontecimento poder ser previsto com o método.
Aos quatro Reis de cada naipe atribui, por meio de associação e representação simbólica, a denominação de "Senhores do Tempo", por tradicionalmente poderem representar simbolicamente também o longo tempo de uma existência.
Vale destacar, que os quatro Reis não fazem parte do cálculo de mensuração do tempo no método, por conta de aspectos lógico-matemáticos que por mim foram a eles associados no sentido de empreender certa exatidão à técnica, portanto, são retirados do monte dos arcanos menores durante a consulta e dispostos em cruz sobre a mesa expressando apenas os seus sentidos simbólicos de “comandantes do tempo”, conforme as regras estabelecidas no método.
Nesse contexto, o Rei de Paus é o Senhor do Tempo dos Dias; o Rei de Espadas o Senhor do Tempo das Semanas; o Rei de Copas é o Senhor do Tempo dos Meses; e o Rei de Ouros, o Senhor do Tempo dos Anos.
Fundamentado em Porter (2001) e em Esselmont (2010), os dias do ano foram associados ao naipe de paus, as semanas ao naipe de espadas, os meses ao naipe de copas e os anos ao naipe de ouros. Além disso, associei, aos arcanos menores inclusos durante o uso do método, quantidades de dias, semanas e meses do ano. Por exemplo, ao Pajem de Copas foram associadas e atribuídas quantidades de dias, semanas e meses e desse mesmo modo aos demais arcanos menores.
 
Reis - Senhores do Tempo em atividade
Os senhores do tempo em atividade
Montagem do Autor com os quatro reis
do Sharman-Caselli Tarot, 2001
Em termos práticos, o método Resposta ao Tempo funciona bem com perguntas bem simples e bem elaboradas, como essa: "em quanto tempo algo irá ocorrer?"
Depois de elaborada a pergunta, o tarólogo coloca em prática os procedimentos de uso do método, como destacados a seguir.
1) retira dos arcanos menores os quatro Reis e os dispõe sobre a mesa em formato de cruz, como na figura abaixo.
2) para saber em quanto tempo o que será perguntado irá ocorrer, ele embaralha todos os arcanos restantes misturando-os em um só monte de cartas;
3) após realizar a pergunta retira do monte aleatoriamente a primeira carta, a qual chamo de "arcano delimitador" do tempo. Essa carta irá destacar se dado acontecimento que se espera irá ocorrer em horas, se surgir um arcano maior; em dias, se a carta puxada for de paus; em semanas se for de espadas e assim sucessivamente. Ela é posicionada ao lado direito de um dos Reis de seu mesmo naipe;
Método Resposta ao Tempo
Método Resposta ao Tempo
5 de Espadas (é o arcano delimitador do tempo, equivalente à semanas), disposto
ao lado do Rei de Espadas. Ás de Paus (equivale a 7 dias ou a uma semana;
no exemplo do artigo é a resposta ao tempo), disposto ao lado Rei de Paus.
Imagem com os quatro reis do Sharman-Caselli Tarot, 2001
4) em seguida, faz uma segunda pergunta e se retira somente mais uma carta. Ela representará o que denominei de "arcano de resposta ao tempo", ou seja, é o arcano que dará a resposta esperada pelo consulente de acordo com o que foi perguntado, sendo colocada também ao lado direito do Rei de seu mesmo naipe.
Vejam um exemplo: no dia 19 de setembro de 2012 fiz um teste com esse método com o objetivo de averiguar mais uma vez o seu grau de efetividade e eficácia, investigando a possibilidade da efetivação de um evento que já havia sido agendado.
No meu trabalho teria que realizar um evento de encerramento de um dos projetos que gerencio e fiz a seguinte pergunta para o tarô: "em quanto tempo irei realizar o evento de encerramento do projeto B?"
Realizei todos os procedimentos para a efetivação do método e quando puxei o primeiro arcano, surgiu como o "arcano delimitador" do tempo, o 5 de Espadas, portanto o tarô respondeu que tal evento seria realizado em semanas.
Para obter a resposta, fiz uma segunda pergunta: "daqui a quantas semanas irei realizar o evento de encerramento do projeto B?" Para meu espanto, puxei como segunda carta, o Ás de Paus, o qual se constituiu no "arcano de resposta ao tempo", ou seja, o tarô me respondeu que o evento deveria ser realizado em uma semana após a data da consulta, portanto após sete dias da análise.
Vale salientar, que na tabela do meu método, Resposta ao Tempo, o Ás de Paus é classificado, a título de previsão, como uma semana e também, obviamente, como sete dias. Desse modo, somando-se sete dias ao dia 19 de setembro resulta em exatamente o dia 26 de setembro de 2012, data que fora agendada para a realização do evento.
Destaca-se que em ocorrências previstas para um tempo de um ano, até no máximo dois anos, por exemplo, o método tem demonstrado um maior grau de eficácia; quando o tempo de uma ocorrência vai muito além desse período de tempo é possível se observar, às vezes, a necessidade se efetivar possíveis ratificações técnicas que podem resultar em assertividade ou aproximações para o tempo de ocorrência em análise, claro, sem se deixar de levar em conta que pode existir uma margem de erro para a contagem do tempo para mais ou para menos.
 
 
Fontes consultadas e citadas
ALVES, Carolina Assunção e. Um estudo sobre o tempo em narradores de Javé. Rev. Signum. Londrina, v. 2, n. 11, dez. 2008
ESSELMONT, Brigit. Timing techniques in tarot: how to predict when an event will occur. 2010. Disponível em: http://www.biddytarot.com/timing-techniques-in-tarot/. Acesso em 19 de set. 2012.
FIORAVANTI, Celina. O tarô da saúde. São Paulo: Ground, 1995.
OSBORNE, Frances. How to read tarot in 7 easy steps. Texas, Austin: Barbican Press, 2009.
PORTER, Tracy. The tarot companion: an essential reference guide. St. Paul, U.S.A: Llewellyn, 2001.
TÉCNICA para calcular o tempo no tarot. (Autor desconhecido). 2003.
 
outubro.12
Contato com o autor:
Ricardo Pereira – Tarólogo e Historiador
www.substractumtarot.blogspot.com
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