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23 de setembro de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


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Ano da Imperatriz: assim na Terra como no Céu

  Emanuel J. Santos  
 
    Conforme postei no meu blog pessoal (conversascartomanticas), questionei-me muito sobre a abordagem a aplicar para este ano de 2010 que nos chega, a partir das laminas do Tarot.
    Estamos diante de uma ano regido pela Imperatriz. Para a Astrologia, este ano será regido por Vênus, que é também o planeta regente do Arcano Maior em questão.
    Essa dupla influência venusiana pode ser vista, a priori e de maneira um tanto quanto temerária, como algo extremamente positivo, o que se reverteria em um ano muito favorável, muito prazeroso de se viver. Um ano no qual poderíamos experienciar o amor em todas as suas formas, do micro ao macrocosmo.
    Eu não senti, não intuí algo tão simples assim, como está nos livros. Lembro muito das palavras da minha avó Helena nessa hora: “Tudo em excesso faz mal”. E Vênus em excesso traz seus contratempos. Sem trocadilho, basta lembrar de Helena de Tróia, como sugere Dion Fortune...
 
O Nascimento de Vênus, tela de de W. A. Bouguereau (1825-1905)   Helena de Troia e Páris, tela de David Jacques Louis (1748-1825)
Nascimento de Vênus
Tela de W. A. Bouguereau (1825-1905)
Helena de Troia e Páris
Tela de David Jacques Louis (1748-1825)
    
     De maneira geral, interpretamos a Imperatriz em um jogo como sinônimo de criatividade, fertilidade, amor, gravidez, assim como todas as questões ligadas ao corpo físico (“... e o Verbo se fez carne, e habitou entre nós”). “Sua força repousa na unificação dos mais elevados valores espirituais, em suas formas plenamente perceptíveis, com as mais baixas qualidades naturais” (Zerd Ziegler, Tarô: Espelho da Alma) – estamos diante de Vênus em seus mais variados aspectos, de Urania a Pornós. O Caminho Cabalístico que percorremos neste Arcano une Chokmah a Binah, a Sabedoria à Compreensão (se descendente) e a Compreensão à Sabedoria (se ascendente). A letra hebraica correspondente é daleth, “a porta”. Partindo de uma interpretação alegórica dos potenciais simbólicos da carta, cheguei à seguinte reflexão:
     Por sua própria natureza venusiana e telúrica, a Imperatriz dialogará com o Arcano regente do ano de 2009, a Luxúria. Entre seus significados, “luxúria” significa “viço dos vegetais” (Fonte: Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, acesso em 5 de dezembro de 2009). Podemos esperar, portanto, novas perspectivas em relação à agricultura, que está sob a égide de Ceres, uma das faces da Imperatriz. Pesquisas na área da genética também serão favorecidas, sobretudo na área botânica.
     O ensino também será favorecido em todos os seus aspectos, já que a Imperatriz também é relacionada à comunicação. O Ministério da Educação irá se deparar com situações conflituosas, decorrentes dos mais recentes projetos para o Ensino Superior. A política em geral será alvo de cobranças, talvez por uma maior cobertura dos veículos de mídia dos processos internos de cada estrutura governamental (de prefeituras ao senado). Um outro fator possível é o fortalecimento de ONGs.
    A comunicação da Imperatriz é potencialmente instintiva, o que se traduz em empatia – um dos seus significados mais evidentes é o magnetismo. É quase uma força hipnótica que nos leva aonde melhor nos apetece (para o bem ou para o mal, sem juízos de valor. Atraímos o que desejamos...). Em nível pessoal, isso estaria relacionado com a vocação.
     Uma das palavras-chave mais precisas da Imperatriz é “criatividade” – a atividade de criar. Segundo o Tarot Zen, de Osho, “Criatividade é um mergulho no misterioso”. É quase como tirar um coelhinho da cartola: haurimos da Mente Cósmica algo que corresponde exatamente às nossas necessidades, a resposta aos nossos questionamentos, a concretização de nossas expectativas, e somos capazes de reproduzir esse padrão no mundo sensível com eficácia. Com a vontade (O Mago) somada à Ciência (A Sacerdotisa) temos a criação (Imperatriz) – a ação efetiva. Teremos a oportunidade de colocarmos essa equação em prática.
     O que me preocupa, por outro lado, são os aspectos obscuros da relação da Imperatriz e Vênus, ou em outras palavras a dupla influência de Vênus neste ano. A luxúria da Imperatriz pode se manifestar como surtos de pragas biológicas, além, claro, do seu significado costumeiro – relacionado com a sexualidade. Gravidezes indesejadas, abortos e doenças venéreas estão sob a égide sombria da fertilidade da Imperatriz. Com o aumento na incidência do vírus HIV, isso se torna preocupante, se não alarmante.
    Os excessos emocionais também são característica sombria desse Arcano. Futilidade, preguiça, indecisão, indolência, rancor, mágoa, sentimentalismo invasivo. Tenho um certo receio de crimes passionais para este ano.
 
A Imperatriz no Tarô de Alxandra Genetti
A Imperatriz
Tarot de Alexandra Genetti
    Outro aspecto venusiano a se cuidar são as finanças. Vênus favorece o crescimento, mas assim como na natureza, “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” (Lavosier). Àqueles que souberem administrar seus bens terão grandes lucros. Mas Vênus tende aos gastos, pois necessita de conforto. E o conforto venusiano não é necessariamente de longo prazo, mas relativos ao desejo imediato. Vênus dita a(s) moda(s), que passa(m) com as estações e não traz(em) de volta os gastos empreendidos. Trazem o retorno dos investimentos.
    De qualquer maneira, eu não pretendo, com esse texto, ser um pessimista. Na verdade, aponto para a natureza da convergência entre o Arcano anual e o planeta regente como uma possibilidade de excessos venusianos. Como normalmente Vênus é visto e apontado como “benéfico”, fico preocupado com o excesso de expectativas para o novo ano, já que a preguiça é um dos vícios possíveis de serem desenvolvidos exatamente por essa “certeza” do prévio sucesso das empreitadas.
    O Tarot Mitológico nos diz algo que talvez sintetize a minha visão do próximo ano: “A descoberta do corpo como algo precioso e valioso que requer muita atenção”. Troque “corpo” por “Existência”. Creio que em 2010 teremos a descoberta da Existência como algo precioso e valioso que requererá de nós muita atenção. Nos planos material, emocional, espiritual e mental, fruiremos a existência a partir de nosso corpo e instintos. E de nossa experiência sensorial retiraremos as balizas para nossas relações emocionais e sociais, e para o contato com a Divindade, que sem dúvida será sentida muito mais intrinsecamente que transcendentalmente.
dezembro.09
Contato com o autor:
Emanuel J. Santos - http://conversascartomanticas.blogspot.com
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