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24 de abril de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


A valorização do Cartomante
por si próprio e pelo mundo
Samantha Godoy Collares
Quando mencionamos a palavra cartomante dependendo da localidade em que residimos, nos deparamos com respostas e considerações baseadas no senso comum em relação ao tema. É claro que se você frequenta um local que tem uma abertura para com o mundo da cartomancia, não terá problemas em conduzir e elaborar conversas a respeito do tema. Mas, baseado em algumas observações de grupos das redes sociais que reúnem cartomantes e tarólogos para divulgação de trabalhos e possíveis leituras via internet, somado às experiências na cidade em que resido, compreendi que o público consulente muitas vezes não tem um conhecimento aprofundado sobre a cartomancia e acaba por reproduzir estereótipos – muitas vezes negativos.
Percebo que essa conotação negativa em relação à cartomancia tem dois eixos: o primeiro em relação ao moralismo – ligado a um conservadorismo religioso – e o segundo por ignorância associada a construção do pensamento do que é um cartomante. Quando nos deparamos com pessoas que falam de forma negativa e julgadora sobre questões ligadas à cartomancia com comoção moral, entendemos que essas pessoas foram ensinadas desde cedo que quem lê cartas é uma pessoa ‘’ tomada pelas trevas’’ e que de alguma forma está associada ao “demônio”. Infelizmente ainda há uma ideia (dependendo do lugar e sua construção cultural) baseada na intolerância religiosa – que inclusive cresce atualmente no Brasil – sobre elementos esotéricos e até mesmo em relação a cartomantes. Isso tudo porque durante muito tempo, a imagem do cartomante foi daquele que atende as pessoas às escondidas, geralmente ligado a um caminho religioso e que, na hora da leitura das cartas, age em conjunção com entidades espirituais.
Samantha cartomante
Foto da autora por Aluap Retrata
Não há nenhum problema no cartomante ler baralho cigano ou tarot em conjunção com o guia, suas entidades espirituais. O problema é quando isso se torna um estereótipo. Nem todas as pessoas que leem tarot ou o Petit Lenormand fazem isso em ligação com entidades espirituais. Na verdade a leitura do tarot, por exemplo, é completamente ligada às reflexões, aprendizados e leitura dos simbolismos que a tarologia propõe. Se você não estiver completamente consciente do tema do seu baralho de tarot, sua história e trajetória, os simbolismos e conceitos, talvez você perca metade das respostas que o tarot pode lhe proporcionar. É compreensível que pessoas que estão imersas dentro de um caminho religioso executem seus aprendizados e leituras com base na espiritualidade e quem gosta desse caminho unicamente, não pode ser julgado, porém não podemos repassar isso para o mundo como se apenas dessa maneira o tarot ou baralho cigano fossem lidos. O problema é que esse estereótipo com base nessa informação foi repassado durante muito tempo e é por isso que as pessoas associam tarot por exemplo, completamente à espiritualidade religiosa. O efeito negativo, é que cada vez mais as pessoas são influenciadas a achar que o objetivo do tarot é apenas um, quando na verdade existe uma multiplicidade de questões que o tarot pode abordar, muito além de apenas ver o futuro, mas também como um instrumento terapêutico e de autoconhecimento.
Outro ponto é a ignorância. A ignorância vem por parte das pessoas que procuram um cartomante mas também vem dos próprios cartomantes. Isso tudo devido a uma desvalorização do trabalho daquele que lê as cartas. Ora, sabemos que a profissão do cartomante e tarólogo está encaixada na categoria “Esotérico” e reconhecida na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), portanto há algum tempo, aquele que lê as cartas não pode ser considerado um “clandestino” que precisa fazer tudo de modo escondido como se estivesse fazendo algo errado. Somos reconhecidos no Ministério do Trabalho e temos direitos tanto como autônomos ou microempresas. Por isso é necessário que de alguma forma busquemos a autoestima e a segurança para executar nosso trabalho com orgulho e responsabilidade com nossas trajetórias em relação a cartomancia. A falta de informação, a ignorância pode ser combatida, as pessoas que buscam o aconselhamento das cartas podem lhe procurar reclamando do valor, tratando de forma indiferente e até julgadora, porém nós fazemos um trabalho limpo, somos profissionais quanto qualquer outra área de profissão. Primeiramente os tarólogos e outros profissionais da cartomancia precisam se colocar no lugar que merecem: valorizando o próprio trabalho e obtendo conhecimento sobre sua própria área. O conhecimento é tudo, abre portas para nosso próprio caminho e uma vez que temos essa consciência conseguimos repassar isso para os consulentes.
O charlatanismo está presente em todas as profissões. Não é mérito único da área da cartomancia. Mas infelizmente vemos muitas pessoas que dizem trabalhar com cartas, mas aplicam de forma falsa e enganadora. Isso ajuda a passar informações erradas sobre o caminho da cartomancia. Infelizmente muitos tarólogos e cartomantes que trabalham de forma séria precisam lidar com comparações, muitas vezes com pessoas que cobram “mais barato” sobre uma consulta de tarot/cartas ou até mesmo um curso, essas comparações acontecem porque a sociedade está acostumada a pagar barato por algo ruim. Essas comparações acontecem porque a sociedade ainda não está preparada (devido aos eixos que mencionei acima) para valorizar um trabalho completo, de estudos e práticas em relação à taromancia e tarologia, então aceitam qualquer pessoa que oferece um serviço barato, sem pensar nas consequências. E quando falo “barato” eu digo que isso é relativo, mas o barato que menciono é também simbolicamente. E por outro lado, existem excelentes tarólogos, cartomantes e oraculistas que estão desvalorizando o próprio trabalho devido a uma construção histórica de estereótipos e banalização desse trabalho que é sim, um trabalho como qualquer outro e não deve se deixar levar por ignorância. O conhecimento é o caminho necessário para vivermos em harmonia conosco e com o que desempenhamos: os próprios meios oraculares nos ensinam isso.
Samantha Godoy Collares,
Graduanda em Ciências Sociais pela
Universidade Federal de Pelotas - UFPEL
www.samanthagodoy80.wixsite.com/olhardadeusatarot
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 23/01/2018
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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