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11 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


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 Corretas Relações
  Betoh Simonsen  
Sempre estamos nos relacionando. Mesmo quando estamos aparentemente sozinhos, estamos nos relacionando com diversos aspectos de nosso ser, com nossa bagagem e com nossos sonhos, ainda com o que ou com quem não podemos perceber.
Relações são trocas de energias.
Andei refletindo sobre um dos temas mais comentados por Cristo: o reino dos céus (plural). É sem dúvida um estado de consciência compartilhado, um estado de ressonância divina (sagrada, una) que se manifesta em diversos níveis de organização. Poderia chamar simplesmente de estado de paz e harmonia, mas como pareceria como algo que já conhecemos, prefiro uma maneira nova para nos aprofundarmos um pouco mais, pois de fato raramente experimentamos este estado.
Poderíamos então, sem medo de errar, chamar de corretas as relações harmônicas.
Era de Aquário
Um dos ideais de Aquário é a convivência de pontos divergentes dentro de um propósito comum. Existem hoje muitas discussões sobre a era de Aquário, se ela vai chegar ou se já estamos nela, e qual o seu significado. 
Mosaico do século 6 na Igreja de San Apollinareem Ravenna, Itália
Mosaico do século 6,
na Igreja de São Apolinário,
em Ravena, Itália
 
O fascinante é que estes questionamentos se aproximam muito das perguntas sobre o Reino no tempo de Jesus. Em Nag Hammadi, no Alto Egito, foram descobertos textos gnósticos, e foram abertos para estudos, além daqueles que a fundação Jung tinha em sua guarda. Vou fazer algumas citações do excelente livro de Elaine Pagels, Os Evangelhos Gnósticos, que falam sobre o Reino:
 “... antes, o reino está dentro de vocês, e está fora de vocês”. Em outro momento, seus discípulos Lhe perguntaram: Quando virá... o novo mundo? Não virá porque se espera por ele. Nem por se dizer, ei-lo aqui, ei-lo ali. Antes, o reino do Pai espalha-se por toda a Terra e os homens não o vêem. ”Jesus viu crianças sendo amamentadas. E disse aos seus discípulos: essas crianças sendo amamentadas são como aquelas que entram no Reino. Eles lhe perguntaram: nós, como crianças, entraremos no Reino? Jesus lhes respondeu: quando tornarem o dois um, o exterior como o interior e o que está acima como o que está embaixo, e quando tornarem o masculino e feminino uma coisa só... então haverão de entrar no Reino.”
Aqui parece estar se manifestando um padrão ideal para todos os relacionamentos, uma unidade dentro da diversidade. Quem ou o que estiver neste padrão está vivendo no Reino dos Céus.
Vivências
Participei há alguns anos de um seminário conduzido por Sukie Müller, uma das coordenadoras do instituto Esalen, e neste seminário foi proposto um jogo bem interessante: o grupo maior foi dividido em alguns grupos menores. Todos os grupos tinham, sem o conhecimento dos outros grupos, um objetivo a ser alcançado e uma restrição, no sentido que não deveria ocorrer de modo algum. Não havia instruções adicionais, como se poderiam ou não haver acordos, ou se os objetivos e restrições poderiam ou não ser revelados, ou mesmo se haveriam ganhadores e perdedores.
Foi interessante observar que: a) todos os representantes procuravam prejudicar os movimentos dos outros b) todos procuravam esconder os próprios objetivos, c) apesar de todos serem considerados inimigos, havia inimigos maiores e menores d) não foram tentados acordos e) aparentemente havia um pressuposto de que haveria ganhadores, e que só poderia haver vitória a custa dos outros. Terminado o jogo, percebemos que os objetivos e restrições eram compatíveis, todos ou pelo menos a maioria poderia ter atingido seus objetivos e que o caminho da cooperação teria sido muito mais eficiente do que o da
competição. Este pode ser um novo paradigma.
Nós estamos muito treinados em termos um pensamento crítico em relação a tudo e todos, e tendemos a valorizar muito mais o que nos separa do que aquilo que nos une, os fatores de convergência.
Outro exemplo ocorreu quando foi proposto a um grupo de cerca de 20 pessoas fazerem um resumo das informações e experiências ocorridas em um final de semana. O que pude observar é que, mesmo sendo um grupo de propósito comum, havia uma dificuldade para a comunicação fluir, pois algumas pessoas exerciam pressão repetidamente para que suas idéias fossem aceitas: outras, apesar de atentas, não se posicionavam, enquanto outras ainda ficavam irritadas e dispersas.
Lembrei-me do cachimbo da paz dos índios norte-americanos, na situação em que faziam uma pausa para baforadas depois de cada sentença, permitindo com isto acalmarem seus espíritos, digerir emocionalmente as informações dos outros e abrirem os canais intuitivos. Podemos parar de considerar nossas conversas como uma maneira de convencer os outros ou de defender com tenacidade nossos pontos de vista e poderemos pensar em nossas conversas mais como troca de experiências, respeitando as experiências e posições dos outros.
 
O Cachimbo da Paz, arte de Joan Marcus
Cachimbo da Paz
Autor: William Ahrendt in www.joanmarcusfineart.com
Luz e sombra
Sou uma pessoa que respeita as tradições e crenças. Sei que muitas delas são o resultado de revelações de mundos superiores. Mas sei também que freqüentemente são usadas como técnicas de manipulação e controle, sendo distorcidas, modificadas, e usadas para interesses pessoais e institucionais. Em princípio, não sou contra regras e pactos, mas acredito que só devem ser assumidos livre e conscientemente e apenas servindo para o grupo que abraça esta crença, sem procurar impô-la aos outros. A título de exemplo, é hipocrisia dizer que alguém aceita livremente um casamento, tendo tido uma grande pressão e sido ameaçado com o inferno social ou religioso se não o fizer (sem generalizar). Liberdade necessariamente implica em pelo menos mais de uma opção. A mente coletiva sempre procura nos condicionar.
Outro problema freqüente são nossos julgamentos. Sentimo-nos incomodados por tudo: por como as pessoas se vestem: de como falam: do que falam: de nossos políticos: do comportamento de nossos próximos: do transito: das filas: etc. , etc. Resumindo, estamos sempre criando explicações externas para nossos estados emocionais internos. Enquanto isto acontecer, nunca nos tornaremos senhores de nossas vidas. Sempre existirão acontecimentos, pressões, perdas, dificuldades para tirarem nossa paz. Todos os fatos e pessoas são apenas gatilhos de nossos estados internos e sempre somos nós que escolhemos se entramos ou não nestas energias. A opção é nossa. Mesmo quando não podemos mudar os fatos, podemos mudar nossas expectativas através da aceitação e do perdão. Podemos mudar nossas crenças. Podemos rezar.
Podemos ainda nos lembrar, que enquanto uma pessoa me incomoda, não sou um bom conselheiro. Não somos donos da verdade, mesmo que estejamos nela. Ela pode ser uma arma, e a chave é a paz de espírito, a harmonia. Se estivermos em harmonia, poderemos eventualmente expressar a verdade, se houver receptividade: se não estivermos, estaremos sendo falsos se quisermos posar de conselheiros. Isto não significa que não poderemos expressar nossas emoções, mas, por favor neste caso, não em forma de conselho e muito menos procurando evocar uma grande autoridade, ou uma grande verdade, para convencer a pessoa que nos incomoda. Vamos deixar a falsidade de lado. Se estivermos putos, poderemos dar nome aos bois e revelarmos nosso verdadeiro estado, e não ficarmos em uma pretensa distância olímpica julgando quem nos machuca a partir de nossas crenças. Ah, finalmente, mas não menos importante, em qualquer caso podemos dar inteira liberdade para a pessoa agir ou reagir como quiser.
Os elementais
Gostaria de falar agora sobre um tema delicado, mas como está se tornado uma realidade para cada vez mais pessoas, acho importante colocá-lo aqui: os elementais .
Ao pensar em escrever sobre este tema, lembrei-me do comentário de meu filho sobre os meus assuntos, quando me disse: “adoraria acreditar em você, mas você acha que até duendes existem!”. Quando até nosso filho tem esta atitude, podemos perceber como este tema é delicado.
De acordo com boa parte da literatura existente, todos os elementos da natureza são veículos (da mesma maneira que nosso corpo é veículo de nossa alma) de inteligências chamadas elementais.
Os elementais
Os elementais
Foto de Vanda Caetano em www.olhares.aeiou.pt
Estas mesmas inteligências são veículos de inteligências maiores, chamadas de devas e gênios da natureza. São considerados uma evolução paralela à nossa, mas mesmo que normalmente não possam ser percebidos com nossos cinco sentidos, estão completamente entrelaçados com nossa experiência.
Mesmo nós, humanos, teríamos como um de nossos corpos um corpo elemental.
A maneira de tratarmos estes seres deve ser a mesma que tratamos de seres humanos que não conhecemos bem: com gentileza, compaixão, respeito e prudência. Da mesma maneira que os seres humanos, existem elementais harmônicos e desarmônicos. Podemos imaginar que muitos não gostam do que temos feito com o planeta.
As principais atividades humanas estão associadas às atividades elementais, tanto as pacíficas como as destrutivas.
Não acredito que ofertas e promessas sejam boas maneiras de interagirmos com estes seres, nem mesmo com nossos santos. Talvez até possa produzir efeitos a curto prazo, mas pode criar uma associação de dependência que não é saudável a longo prazo.
A chave pode ser equilíbrio e harmonia. Se estamos em harmonia e equilíbrio conosco mesmo e com nossas vidas, naturalmente nossa relação com o mundo elemental será harmônica e a energia que emanamos será com toda a certeza amplificada por este reino.
Outro dia estava fazendo uma caminhada em uma montanha, e havia uma pedra simpática na qual resolvi fazer uma meditação. Imediatamente senti um desconforto. Felizmente percebi que havia um ser deste local, expliquei que estava em paz e ficaria por pouco tempo, pedi licença e imediatamente senti uma onda de alegria e empatia. Este é apenas um pequeno exemplo de como uma relação com o reino elemental pode ocorrer.
Ainda sobre as relações humanas, vocês já perceberam como muitos grupos quando vivem em países estrangeiros se protegem, se ajudam mutuamente e se cuidam?Esta é uma forma de se sentirem em unidade, que as dificuldades e alegrias de uns são as dos outros, e não deixa de ser uma forma de amor. Pois bem, agora é o momento de estendermos o nosso amor e compaixão a todos os seres e a todo o planeta, pois perceberemos rapidamente e eventualmente de uma forma aguda que suas alegrias e tristezas são as nossas, na medida em que nossa sensibilidade aumenta. Devemos fazer tudo que está ao nosso alcance para ajudarmos. Como diz um velho e bonito ditado sufi:
 
“Se eu não for por mim, quem o será?
 Se eu não for pelos outros, o que serei eu?
 Se não agora, quando?”
 
fevereiro.10
Contato com o autor:
Betoh Simonsen - betohsimonsen@uol.com.br
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