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23 de fevereiro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


 
Como tarólogo...
 
 
Por
Luiz Felipe Camargo Pinheiro
 
    
    Muitas pessoas acreditam que para se ler tarô, a pessoa tem de ter obrigatoriamente algum talento especial. Os mais formais se referem a este talento como intuição, ou, os mais esotéricos chamam de sexto sentido, ou mediunidade. Percebo que esta é uma dúvida das pessoas e constantemente sou perguntado sobre isto, tanto na minha experiência pessoal (como alguém que lê tarô), quanto nas aulas e cursos que ministro.
    De forma alguma descarto a possibilidade de que muitas pessoas trabalhem com base em sua intuição. Afinal, esta é, sem sombra de dúvidas, uma possibilidade, pois todo ser humano, em menor ou maior grau, conta com este recurso. Logo, este pode ser um “jeito”, justo e legítimo, de se ler o tarô.
    Ainda assim não creio que seja a única forma. Acredito que haja muitos e muitos jeitos de se ler tarô. Por exemplo, uma pessoa que em seu dia-a-dia é mais racional pode ler as cartas de forma muito similar a sua postura cotidiana. Ou seja, sua leitura também pode ser mais racional, mais reflexiva, embasada naquilo que ela já leu e conhece sobre o assunto.
    Um outro exemplo é o de uma pessoa mais sensível e que, ao ler as cartas, percebe algo em si própria ou naquele jogo. Pode ser frio, calor, algo bom, algo ruim, alguma parte de seu corpo, ou mesmo uma sensação ligada aos arcanos que aparecem num determinado jogo. Para alguns isso pode parecer com uma manifestação intuitiva, mas existe uma diferença, pois na intuição existe algo que se projeta para fora, algo que eu experimento, mas que não diz exclusivamente de mim, mas sim do meu externo. Neste caso que destaco a pessoa percebe, nela própria algo, ou seja sua experiência diz algo acerca dela mesma e de suas sensações. Isto, por vezes pode ter sentido em alguns atendimentos.
    Esses são só alguns poucos exemplos de que existem muitas formas de se encarar o tarô e, além disso, de como encarar a si próprio diante do tarô. Afinal, existem muitos livros sobre a origem do tarô, sua história e trajetória e muitas e muitas visões sobre cada um de seus arcanos, mas ainda vivemos um grande vazio quando colocados a nos questionar sobre o nosso papel diante das cartas.
    Neste caso, não existe uma cartilha, que trate como devemos nos orientar diante do tarô. Logo o caminho de cada um deve ser construído passo a passo e em sintonia com o seu desenvolvimento interno. Ou seja, o tarólogo se faz ao unir as suas experiências, com aquilo que existe de seu. E, sendo assim devemos perceber que somos dotados de múltiplos recursos pessoais, inerentes a nós seres humanos. A conhecida frase de Terêncio nos lembra disso: “Eu sou homem e nada que é do humano me é estranho”. Ou seja, podemos contar com nossa intuição, assim como podemos contar com nossa razão, nossos sentimentos, nossas sensações, ou qualquer outro recurso que se manifeste durante uma leitura de tarô.
    Não devemos ficar apegados a um único caminho, ou a uma fórmula mágica. Até porque o tarô é uma complexo instrumento de auto-conhecimento e este vai nos exigir de forma ampla e complexa. O tarô, para ser bem lido, vai precisar de alguém preparado para enxergar suas nuances, seus detalhes mais sutis, aquilo que existe de único e singular quando aquelas determinadas cartas se encontram em suas específicas posições.
    Percebo que nenhum de nós deve ficar apoiado somente numa única forma de ler tarô. Devemos nos olhar de forma tão complexa e tão irrestrita quanto as próprias cartas. Devemos reconhecer nossas mais vastas possibilidades e entender que esta, afinal de contas, é a nossa maior riqueza e grandeza.
maio.08
Contato com o autor
Luiz Felipe Camargo Pinheiro - lfpinheiro@yahoo.com.br
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