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11 de dezembro de 2018

Responsável: Constantino K. Riemma


O Bandido da Luz Vermelha
Como eu vi a morte de uma pessoa nas cartas de baralho
Jorge Purgly  
Corria o ano de 1966. Eu tinha 10 anos de idade e morava em Vila Galvão, em Guarulhos - SP, com os meus pais. Fazia três anos que eu colocava cartas de baralho para entreter as visitas frequentes que vinham à casa de meus pais, juntamente com a minha mãe, hoje carinhosamente chamada de vovó Dora pelos netos e de Bivó Dora pelos bisnetos.
Meu pai, na época, era dono de uma próspera tecelagem e como patriarca da colônia húngara de São Paulo, recebia todos os finais de semana muitas visitas, para a alegria da minha mãe que sempre gostou de receber bem.
Cenas de São Paulo por volta de 1966
São Paulo, por volta de 1966: no alto, a Av. São João e o bonde camarão na Av. Celso Garcia.
Embaixo: um Fusca do ano, chapa para bicicleta, treinamento militar e o cartaz do filme "São Paulo SA"
Fotos disponíveis na Internet
Uma das visitas frequentes era a do Sr. Christian Jankó, húngaro, naturalizado brasileiro e residente no bairro de Pinheiros , na Zona Sul de São Paulo, juntamente com a sua esposa, Philis Jankó, de origem italiana. Ambos eram muito simpáticos. Sempre que visitavam os meus pais traziam para mim chocolates da marca Sönksen que eu adorava. Era considerado o melhor chocolate daquela época. Eu gostava da língua de gato e dos bombons sortidos.
Chocolates Sonksen  
Minha mãe me ensinou a agradecer o presente, abrir a caixa de bombons e oferecer primeiro para todas as visitas e pessoas da casa. Depois eu devia colocar a caixa de bombons sobre a mesa de centro e esperar mais uns 5 minutos. Só depois é que eu podia pegar um bombom, tão desejado. E mais tarde sim, passados uns 15 minutos eu podia tirar a caixa de bombons da mesa e comer todos os que ficaram. Era a parte mais deliciosa.
O Sr. Christian era um homem magro, muito inteligente que gostava de jogar xadrez com o meu pai. A Dona Philis era também muito magra e muito bonita. Ela conversava mais com a minha mãe e por bondade para com as crianças (eu) ela conversava comigo também. Naquela época não era permitido às crianças comer à mesa com os adultos. Nós crianças comíamos antes, na mesa para crianças, que era muito mais divertida do que comer com os adultos cheios de etiqueta.
Uma coisa que a Dona Philis gostava muito era quando a minha mãe colocava cartas para ela e para o Sr. Janko. Os assuntos eram variados e sempre muito divertidos. Ambos faziam questão que eu colocasse cartas para eles também.
Embora naquela época eu já colocasse cartas há três anos, minha mãe sempre me acompanhava nas tiragens, ensinando e orientando como eu deveria fazer a leitura e a interpretação das cartas do baralho comum que nós usávamos.
Pois aconteceu que eu fui fazer a leitura de cartas para o Sr. Janko e saiu a pior carta do jogo, o Ás de Espadas, de uma maneira muito estranha indicando a morte. Minha mãe olhou nos meus olhos e eu compreendi que nada devia dizer ao casal sobre esta carta, mas ela apareceu mais duas vezes nas tiragens seguintes. De novo nada falei. Entretanto, eu senti a morte próxima do Sr. Janko. Nada disse. "Deve ser bobagem minha, coisa de criança" — pensei.
Para a minha surpresa, na semana seguinte minha mãe recebeu um telefonema da Dona Philis, desconsolada, pois o Sr. Janko havia sido assassinado com um tiro pelo João, o Bandido da Luz Vermelha.
 
Ás de Espadas
Ela contou que na noite anterior o Sr. Janko ouviu um barulho de um homem andando no telhado do vizinho e ele saiu para o jardim e gritou: — "Quem é?" Foi o suficiente para ele receber um tiro fulminante do coração.
O Sr. Janko foi levado para o hospital, mas infelizmente ele já havia morrido ali mesmo, no jardim da sua casa.
No dia seguinte a vizinha deu queixa de roubo e estupro na polícia.
Cartaz do flme O Bandido da Luz Vermelha
 
Durante mais um ano o Bandido da Luz Vermelha desafiou a polícia e a população. Certamente ele era um maníaco sexual e doente. Só foi preso em 1967, em Curitiba.
A Dona Philis precisou mudar de casa e teve que fazer tratamento psiquiátrico para superar o drama que sofreu.
Com esta experiência eu aprendi a imensa responsabilidade envolvida nas tiragens das cartas e na forma como nós, tarólogos e cartomantes, influenciamos o destino das pessoas. Tudo o que fizermos de bom ou de ruim será dado como contas ao Pai Celestial. É preciso ter isso sempre em mente.
Um ano após sua prisão, o bandido foi transformado em herói com o filme em preto e branco, sucesso na época: O Bandido da Luz Vermelha.
 
Links para informações sobre o criminoso e o filme:
www.f5.folha.uol.com.br/saiunonp/2013/10/1349858-o-temido-bandido-da-luz-vermelha.shtml
www.pt.wikipedia.org/wiki/O_Bandido_da_Luz_Vermelha (o filme)
Contato com o autor:
Jorge Purgly atende com Tarot Egípcio, leitura de mãos,
Terapia Floral, em Indaial - SC : www.purgly.blogspot.com.br
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 28/09/2014
  Baralho Cigano
  Tarô Egípcio
  Quatro pilares
  Orientação
  O Momento
  I Ching
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