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23 de maio de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Astrologia e Individuação
Denise Fernandes Marsiglia
Uma cliente minha, que é psicóloga, fez uma pergunta sobre seu mapa que é também uma pergunta geral, e achei que seria mais útil escrever um texto sobre o assunto que pode interessar a todos, psicólogos ou não. A pergunta dela se refere a qual a relação da astrologia com o processo de individuação como descrito por Jung, e também a que a astrologia se refere quando fala dos pontos fracos de saúde: é de energia que a astrologia fala?
O assunto de que fala a astrologia é um dos mais misteriosos que ainda existe aqui na Terra. Até agora a ciência não se debruçou para analisar o conhecimento astrológico. A astronomia estuda entre outras coisas os astros, mas nunca se debruçou sobre o conhecimento astrológico. Na teoria produzida pelo assunto por inúmeros astrólogos, dizemos que são energias. Mas também no mapa astral os planetas representam órgãos específicos, e algumas vezes até alguns problemas de saúdes bem específicos. Então, além de energias, o que o mapa representa são realidades, que são feitas de energia. Como? Não sei. Como é essa influência que está expressa no mapa, como ela se dá em termos de energia: não sei, não há uma explicação nem uma investigação científica sobre o assunto na atualidade.
Jung e Astrologia - Individuation
Carl Gustav Jung e sua versatilidade. À esquerda, explica a mandala para um cliente.
A astrologia existe como um conhecimento tradicional usado pela humanidade desde a Antiguidade. Para alguns, seu conhecimento se formou nos primórdios da nossa pré-História. Antes de conhecermos a Terra, suas dimensões e milhares de espécies, aprendemos a ler as estrelas, e através delas nos locomovemos e nos organizamos; nós entendemos a Natureza começando das estrelas. Antes de começar a plantar, o homem percebeu e entendeu as fases da Lua, como relacionada a ele e seu ambiente. Através do movimento da Lua , o homem percebeu o movimento na Terra, seus ciclos, suas marés.
Desde a Antiguidade, já temos estabelecida a relação dos signos e planetas com órgãos e partes do corpo, com as doenças relacionadas podendo ser expressas no mapa astral. Como cuidar desses ciclos previsíveis e pontos fracos de saúde tem sido uma questão que me parece que não parou de incomodar médicos e astrólogos. Já tive o retorno de clientes que me disseram que deveriam ter procurado médicos para discutir e examinar o que o conhecimento astrológico diz. A reflexão sobre o conhecimento da astrologia pode ser muito produtiva, por isso que ela persiste como um conhecimento que é escolha entre pessoas percebidas como inteligentes, que param para refletir sobre a vida. Exemplo disso, é que Fernando Pessoa foi astrólogo. Estudou seu mapa, e chegou a atuar na Europa profissionalmente como astrólogo.
Quanto à relação da astrologia com o processo de individuação, ela é intensa. O processo de individuação, segundo Jung, fala do processo de realização do si-mesmo. O si-mesmo, seu "self" , é você, mas é mais além de você também. É o que você percebe de você mesmo, mas também aquilo que te transcende, mas também é você mesmo. O mapa astral de nascimento é bem uma expressão do nosso "self" ou si-mesmo. Ele é você, e além de você, seus relacionamentos, seus trabalhos, suas viagens, seu potencial. Essa expressão do si-mesmo que encontramos no mapa astral pode ajudar muito na realização do nosso potencial como um todo, auxiliar no processo de individuação. O mapa do ano (calculado para o momento do aniversário e que indica o potencial para o período de um aniversário a outro) também oferece uma expressão da realização daquele potencial durante aquele período.
O mapa astral nos restringe numa determinada configuração planetária presente no momento de nossa primeira inspiração. Mas nos limitando, ele nos liberta. Dizendo seu potencial é esse existente no seu mapa, nos restrigindo assim, ele nos conecta ao infinito Macrocosmo existente, as forças transcendentes que estão em jogo em cada história humana.
Sem retirar a força do livre-arbítrio humano, antes lembrando-a e sendo um instrumento dela, quem consulta a astrologia se pergunta de possíveis caminhos, e por isso um mapa com suas localizações nas casas, nos aspectos entre os planetas; são direções que as estrelas no Universo nos colocam.
Uma coisa louca, que no faz refletir sobre o que é o mapa astral de nascimento. Após nossa morte, o nosso mapa continua a agir. Assim, trânsitos planetários pós-morte marcam períodos de publicação de textos escritos em vida, crescimento ou dificuldades para a pessoa, que pode ser expressa por dificuldades para seus descendentes ou para algo que a pessoa tenha criado. Assim, continuamos a viver sempre através da expressão da nossa essência que se desenha num mapa astral, ensina a astrologia.
Denise Fernandes Marsiglia - taróloga e astróloga.
Psicóloga com especialização em psicossomática.
www.mitosesimbolosassessoria.blogspot.com
Outros trabalhos seus no Clube do Tarô: Autores
Edição: CKR – 2/08/2016
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