Responsável: Constantino K. Riemma
 
28 de agosto de 2008
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SIMBOLOGIA: CABALA
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A Árvore da Vida
Compilação de
Constantino K. Riemma
    
    A palavra hebraica Kabbalah significa receber (kabal é o “capaz de receber”). Kabbalah é o ensinamento interno do Judaísmo cuja meta é o conhecimento de Deus, do Universo e do Homem, bem como de seus relacionamentos mútuos.
    As leis objetivas que governam o universo são descritas no principal diagrama da Kabbalah, conhecido como Árvore da Vida. Esse modelo, análogo ao Absoluto, ao Mundo e ao Homem, constitui uma chave para a compreensão dos fatos e das verdades, seja qual for o seu nível.
    Acima e além dos quatro níveis retratados na Árvore da Vida, existem três instâncias: Ayin, En Sof e En Sof Aur.
    Para o cabalista, Deus não existe. Deus está além da existência. Deus é Ayin – Coisa Alguma. Dele sai o En Sof, ou Tudo Infinito, também chamado de Lugar sem Fim. É pela força de En Sof que o Mundo Manifesto emerge do Não-Manifesto. A Vontade de En Sof, saindo do ocultamento, é chamada de En Sof Aur, sendo que a Luz – aur em hebraico – é o símbolo da Vontade.
    Uma das analogias para a primeira manifestação da Vontade é o ponto sem dimensão, fonte de tudo o que foi, é e será. É o Eu Sou, chamado na Kabbalah de Primeira Coroa, Ancião e Cabeça Branca. Dele emanam as dez expressões que trazem o Mundo à existência. Numa progressão instantânea, os dez Princípios Divinos, os Atributos de Deus ou Sefirot, são realizado como um relâmpago eterno.
  Árvore da Vida
Ayin
En Sof
En Sof Aur
[Nota: escreve-se sefirot, no plural e, sefirah, no singular].    
    
As Sefirot
    As dez esferas, as dez Sefirot, da Árvore da Vida representam aspectos divinos da manifestação do Absoluto na existência. São o meio pelo qual o Santo governa o mundo do espírito, da alma e da materialidade. A disposição dos sefirot é o modelo para tudo o que existe. A Árvore é uma unidade; essa é a primeira lei.
      As Sefirot são Keter, ou Coroa; Hokmah, ou Sabedoria; Binah, ou Entendimento; Hesed, ou Misericórdia; Gevurah, ou Julgamento; Tiferet, ou Beleza; Nezah, ou Eternidade; Hod, ou Reverberação; Yesod, ou Fundação e Malkhut, ou Reino. Existe um décima primeira não-Sefirah, entre Binah e Hesed, chamada Daat, Conhecimento, que tem uma função especial.
    Algumas Sefirot têm diversos nomes, tanto no hebraico como no português. Gevurah, cuja raiz é Poder, às vezes é chamada de Din ou Pechad, que quer dizer Julgamento e Medo; Hod e Nezah podem ser traduzidas por Glória e Vitória.
    Segundo a Tradição, a palavra Sefirot significa safiras ou luzes cintilantes. Foram também chamadas de Números, Graus, Vasos, Poderes, Trajes, Coroas e muitos outros nomes. Isso ilustra a densidade simbólica do hebraico e da Kabbalah.
    O esquema da Árvore da Vida é muito aberto. As Sefirot podem se associadas aos planetas, às notas musicais, aos Mandamentos, aos processos físicos, emocionais, mentais e assim por diante.
    Nesse esquema também aparece o princípio das polaridades, expresso simbolicamente pela Misericórdia de Deus (coluna direita) e Sua Justiça (coluna esquerda), vistas respectivamente como ativa e passiva, macho e fêmea, força e forma, e assim por diante. O pilar central, do equilíbrio, representa a Graça Divina, que reconcilia os pilares funcionais externos; é também chamado de coluna central da consciência.
    Keter-Coroa, simboliza o princípio unificador, ponto de origem e de contato com o Divino.
    As duas sefirot superiores e externas, Hokmah-Sabedoria, à direita, e Binah-Compreensão, à esquerda, representam o princípio do Divino Intelecto. Já Hesed-Misericórdia e Gevurah-Julgamento são a expressão do Divino Sentimento.
    O par das sefirot laterais inferiores, Nezah-Eternidade e Hod-Reverberação, traduz o princípio da Ação Divina.
    As seis sefirot externas atuam como aspectos funcionais, tais como braços e pernas, cérebro, coração e mãos que servem o eixo central da consciência e da vontade.
    Da Coroa (1. Keter, topo do pilar central do Equilíbrio) jorra a trindade divina, composta do princípio ativo da Sabedoria (2. Hokmah, o Pai, topo do pilar direito da Força) e do seu complemento passivo, a Compreensão (3. Binah, a Mãe, topo do pilar esquerdo da Forma).
    "As dez Sefirot surgem do Nada como Um Relâmpago e não têm começo nem fim. O Nome de Deus está com eles enquanto vão e quando voltam" (Sefer Yezirah).
 
    O impulso da Vontade que se manifesta em Keter passa em progressão alternada do pilar ativo para o passivo ao descer por todos os Sefirot e Mundos.
As colunas ou pilares e as tríades
    Na coluna central, Keter supervisiona o conjunto. A sefirah central, Tiferet, a Beleza, age como intermediário para cada sefirot, exceto para Malkhut, o Reino. Yesod, Fundação, está no centro da tríade inferior, é a base da consciência na metade inferior da Árvore. Malkhut é o corpo da Árvore e o lugar de manifestação material de tudo o que se encontra acima.
    Finalmente, participa do pilar central a não-sefirah, ou sefirah invisível, Daat, Conhecimento, lugar onde o Divino pode intervir, ou pelo qual é possível um ser humano entrar no mundo superior e retornar.
    Para estudarmos o princípio das polaridades ou a  Lei de Três, na Árvore da Vida, dispomos de duas referências. Em primeiro lugar, as tríades de sefirot que definem cada mundo e, em segundo, os três pilares:
     Forma (3, 5, e 8): pilar passivo, do rigor e da estrutura.
    Força (2, 4 e 7): pilar ativo, da compaixão e da dinâmica.
    Equilíbrio (1, 6, 9 e 10): pilar central, da consciência e da vontade.
    Todas as sefirot do pilar passivo são receptivas e têm, as qualidades da Forma, no sentido de que a Compreensão é a formulação de idéias, o Julgamento é empregado em resposta a alguma coisa e a Reverberação é o eco a um impulso proveniente de qualquer uma das outras sefirot.
    O mesmo acontece com o pilar ativo. Nele o impacto da revelação é observado na Sabedoria, enquanto o poder que deve estar por trás da Misericórdia é enorme. A Eternidade é o princípio da repetição, a carga incessante necessária para fazer o mundo girar.
    O pilar central se ocupa da Vontade e da Graça, que descem da Coroa, através do Conhecimento, indo até a Beleza, a sefirah que reflete o topo para a base da Árvore. A Fundação e o Reino são, respectivamente, a manifestação de um plano de imagens e sua realização na substância Divina.
    
Os Mundos
     A questão dos níveis de realidade, pode ser estudada pela Árvore da Vida a partir do conceito de Mundos, como acabamos de ver. Outra forma de representar os quatro mundos, utilizado por Patrick Paul seus trabalhos, define cada nível por uma tríade.
    O impulso da Vontade que se manifesta em Keter passar em progressão alternada do pilar ativo para o passivo ao descer por todos os Sefirot e Mundos.
    Os principais atributos de cada mundo podem ser assim sintetizados:
    1. Azilut (1, 2 e 3) - Mundo da Emanação: Centelha Divina. Adão Kadmon. Radiante. Si-Mesmo Divino. Fogo. Intuição.
    2. Beriah (4, 5 e 6) - Mundo da Criação: Céu. Espíritos. Arcanjos. Gasoso. Veículo espiritual. Ar. Pensamento.
    3. Yetzirah (7, 8 e 9) - Mundo da Formação: Paraíso/Purgatório. Alma. Anjos. Psicológico. Líquido. Psiquismo. Água. Emoção.
    4. Assiah (10) - Mundo da Ação: Natureza. Corpo. Animais. Vegetais. Minerais. Sólido. Corpo físico. Terra. Sensação.
    Adão Kadmon, na cabala judaica, representa o Homem Arquetípico, o Homem Primordial. É considerado como a síntese da Árvore da Vida, que emana de Ain Soph. Ele se estende entre o maior e o menor; sua cabeça toca o Absoluto e seus pés, a relatividade da Existência. Ele expressa os dez atributos primordiais do Divino e suas quatro leis maiores que governam o Universo.
    A primeira dessas leis é que Tudo é Um; a segunda se refere à ação da Trindade Divina de forças passivas e ativas, mediadas pela Vontade e Consciência de Deus; a terceira é a lei da seqüência, da Grande Oitava, que vai da cabeça até os dedos dos pés do homem universal; e a quarta é que entre do Dó superior da Coroa e do Dó inferior do Reino existem quatro mundos, cada um deles contendo uma Árvore secundária. (O esquema que superpõe as quatro árvores, denominado Escada de Jacó, é muito utilizado por Halevi em seus livros).
    A Árvore da Vida, na tradição judaica, é um dos instrumentos para se compreender os princípios eternos, presentes no Um e no Adão Kadmon.
    Adão Kadmon e a Árvore da Vida foram concebidos pelo mesmo modelo. Adão Kadmon é o Universo feito à semelhança de Deus.
 
    
Paralelos
    O esquema abstrato da Árvore da Vida permite estabelecer paralelos com outros sistemas simbólicos. E exemplos não faltam.
 
Um antigo desenho que coloca em relação as sefirot da Árvore da Vida
com o Cristo cruxificado, sua coroa de espinhos e chagas.
 
 
 
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