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24 de setembro de 2017

Responsável: Constantino K. Riemma


Símbolos e figurações animais nas cartas do Tarô
Constantino K. Riemma
Figuras de animais e seus diferentes sentidos simbólicos estão presentes nas cartas do tarô. Nos 56 arcanos menores, ou seja das 56 cartas do baralho comum, um único animal, o cavalo, serve ao Cavaleiro em seus quatro naipes.
Os cavalos nas cartas dos quatro cavaleiros dos arcanos menores
Os Cavaleiros de Paus, Ouros, Espadas e Copas
Cartas do Tarô de Marselha reeditado por Jodorowsky-Camoin
Como pode ser constatado nos jogos mais antigos, o cavalo aparece em sua representação concreta de animal, compondo presença com o Cavaleiro, o condutor. O simbolismo central dessas cartas está na integração harmoniosa homem-animal. Como particularidades aparecem gravados os ícones representativos dos quatro naipes (elementos): o bastão-paus (fogo), a moeda-ouros (terra), a espada (ar) e a copa (água).
Já nos 22 arcanos maiores, ou trunfos, a presença dos animais é mais diversificada e com diferentes acentuações simbólicas. Nos tarôs clássicos exitem duas cartas que trazem apenas figuras animais: A Roda da Fortuna e a Lua.
Os animais na Roda da Fortuna e na Lua
A Roda da Fortuna e a Lua nos tarôs clássicos
Cartas do Tarô de Marselha reeditado por Jodorowsky-Camoin
Na Roda da Fortuna, não se trata de representação de animais encontrados na natureza, mas de composições simbólicas, que nos remetem aos animais mitológicos ou zodíacais, estes também representados numa roda celeste.
Na carta 18, os dois cães (ou lobos) e o lagostim são representações diretas dos animais que encontramos na natureza. No caso do crustáceo entende-se que seja a representação zodiacal do signo de Câncer (caranguejo) regido pela Lua.
Vale lembrar que nos tarôs mais antigos de que se tem registro — Visconti Sforza e Gringonneur — , tanto a Roda da Fortuna quanto a Lua não incluem representações animais e evocam a iconografia mitológica e, principalmente, a pintura gótica.
Roda da Fortuna e Lua nos tarôs Visconti-Sforza e Gringonneur
Roda da Fortuna e Lua no Tarô Visconti-Sforza (1450) e a Lua no Tarô Gringonneur (1450)
Dois arcanos — O Carro e A Força — estabelecem uma relação harmônica entre a potência animal e o Homem. Há uma sinergia compreensível, no caso dos animais puxando a carruagem, e uma relação inusual e claramente simbólica no domínio exercido pelo principio feminino sobre a fera leonina.
O Carro e a Força no Tarô de Marselha
O Carro e a Força nos tarôs clássicos
Cartas do Tarô de Marselha reeditado por Jodorowsky-Camoin
Na carta O Carro dos tarôs antigos, a figura do Rei não retem os cavalos pelas rédeas e esses animais sugerem a possibilidade de rumos diversos.
Nos tarôs de 1450 — Visconti Sforza e Gringonneur — as representações desses dois arcanos é bem diversa. Diferentemente do que ocorre com a quase totalidade dos jogos de baralho, a Força é representada no Visconti Sforza por um homem atacando mortalmente um leão selvagem.
A Força no Visconti-Sforza e o Louco no Tarô de Marselha
A Força no Tarô Visconti-Sforza (1450) e o Louco no Tarô de Marselha (1750)
Essa representação no Tarô Visconti-Sforza traz para o arcano 11 conotações simbólicas bem diferentes das que podemos inferir da integração das forças animais pela presença feminina, tal como aparecem nos baralhos clássicos. A recíproca desse toque de agressividade na relação homem-animal, aparece na carta do Louco, o andarilho, que com frequência é atacado pelos cães de guarda das propriedades pelas quais atravessa em sua peregrinação.
O arcano 21. O Mundo é o que apresenta as mais fortes referências dos símbolos animais, pois copia representações encontradas nas catedrais góticas. A diferença mais importante entre a cartas e os pórticos é que nas igrejas a figura central, na mandorla, é a do Cristo, enquanto no tarô o mesmo espaço é ocupado por uma mulher seminua a dançar.
Detalhe do pórtico da Catedral de Chartres e a carta do Mundo
Detalhe do Pórtico da Catedral de Chartres (1260) e a carta do Mundo no Tarô de Marselha (1760)
A quatro figuras nos cantos da carta representam os quatro signos fixos: Touro-terra; Leão-fogo, Escorpião-água e Aquário-ar. E vale colocar três lembretes: (1) o signo que designamos por Escorpião também já foi, em outros tempos, representado por uma águia; (2) o signo de Aquário é simbolizado usualmente pelo Aguadeiro, o ser humano levado ao Olimpo por Zeus; (3) todos os três signos zodiacais do elemento Ar — Libra, Aquário e Gêmeos — não são traduzidos por forças animais, o que pode explicar o fato de Aquário estar figurado por um anjo nos entalhes das catedrais francesas.
Finalmente, conotações animais também podem ser encontrados em outras quatro cartas dos arcanos maiores: Imperatriz, Imperador, Diabo e Estrela.
A Imperatriz, o Imperador, o Diabo e a Estrela
A Imperatriz, o Imperador, o Diabo e a Estrela
Cartas do Tarô de Marselha reeditado por Jodorowsky-Camoin
Nas cartas da Imperatriz e do Imperador, observamos a águia como animal heráldico (brasões de armas e escudos). Trata-se, portanto, de representações simbólicas tradicionais.
Na carta do Diabo, encontramos figurações humanas, mas com detalhes animais: as asas de morcego no personagem central e os rabos nos dois acólitos. Chifres e garras nas mãos e nós pés é a marca comum às três figuras.
Um detalhe discreto é o pássaro sobre a árvore de fundo na carta de Estrela, em que a figura central é a de uma mulher despida, bem ligada á terra.
Em suma: dentre as 22 dos arcanos maiores, 10 delas, ou seja, quase a metade, trazem figurações animais com diferentes conotações e grau de importância. Já nos arcanos menores, apenas o cavalo aparece em 4 das 56 cartas.
O nosso propósito com este sumário foi o de simplesmente situar a questão dos símbolos animais nas cartas do tarô. Fica aqui o convite e o espaço aberto a todos aqueles que tiverem observações e comentários sobre o significado simbólico das figurações animais nas diferentes cartas.
Constantino K. Riemma - ckr@clubedotaro.com.br
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