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21 de abril de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


Alma e ‘Almo’
Betoh Simonsen
 
Em nossos primeiros estudos e reflexões entendemos a entidade humana como corpo – nossa fisicalidade neste plano; alma – uma estação intermediária que passa pelo processo de evolução, e espírito – aquela parte do ser que mantém a unidade com o Tudo que É. Eventualmente, a alma reintegra-se com o espírito e atingimos a realização. Dentro desta visão, tudo o que conhecemos e reconhecemos parte de nosso ser – nossa mente, nossas emoções, nossos pensamentos, nosso consciente, nosso inconsciente, nossa personalidade, nosso ego, enfim, todo o nosso psicologismo e psiquismo fariam parte de nossa alma.
Uma visão um pouco diferente fará uma divisão corpo físico e etéreo; personalidade; alma e espírito. Não muda muito, pois a reintegração também se fará entre personalidade integrada (mente e emoções), alma e espírito, sendo que de certa forma a alma estará em um nível mais elevado do que a personalidade. Uma outra visão trabalha com os átomos-nous, que seriam átomos permanentes que estariam associados e que passariam pelas diversas manifestações, não sei se necessariamente juntos.
Phenix
Fênix, símbolo da alma imortal
in Christian Jacq, "Le message
des constructeurs de cathédrales"
 
Em uma segunda parte de nossos estudos começamos a perceber ou tomar consciência de que existem diversas dimensões que se sobrepõem, diversos campos de experiências espaço-temporais que atuam uns sobre os outros, diversos corpos de manifestação, o que complica um pouquinho.
Em uma terceira etapa de nossa caminhada, começamos a tomar consciência que uma parte de nosso ser está chegando de um processo de evolução, que provavelmente passou por todas as etapas que a ciência nos ensina, passando eventualmente por alguns saltos, até chegar à capacidade de ser autoconsciente, chegando a estabilidade do funcionamento orgânico-biológico do funcionamento instintivo, passando pela dimensão emocional da experiência humana chegando eventualmente a desenvolver sentidos mais sutis como a compaixão, sensitividade e intuição.
A alma em desenvolvimento teria o poder de envolvimento e atração magnética, atraindo para seu campo de experiência tudo com o que se identifica ou pelo menos chega ao seu foco de atenção, trabalhando por eras os fatores binários assimilar-rejeitar e o lutar-fugir. Tirando o “l” da alma temos ama, e o “l” funciona como uma espécie de cola ou magneto com tudo.
Percebemos que funções importantes da alma são envolvimentos, assimilações e desprendimentos que possibilitam as mudanças e experimentação contínuas.
Cada novo foco de atenção provoca o redirecionamento de energias e conduz a novas formas de experiências. Esta, em poucas palavras, parece ser um breve relato de parte de nossa jornada até então. Esta parte de nosso ser, provavelmente a partir de uma fagulha inicial embebida de propósito e da força desejo-vontade, vai passando por diversas fases da experiência da criação, incluindo as mais primitivas. Outra parte de nosso ser – surpresa – ao invés de um processo evolutivo passa por um processo involutivo; ao invés de se dirigir imediatamente à base da manifestação vai gradualmente densificando, passando mais aos processos de criação, conhecimento, estabilização e entendimento da manifestação. Sua relação espaço-temporal poderia ser representada por rodas dentro de rodas.
Usando um pouco de humor, poderia chamar a consciência envolvida neste processo de “almo”. Talvez Jung tenha percebido este duplo foco de manifestação existencial e dado o nome de animus e anima, mas com uma visão diferente da qual estou propondo aqui. Um está relacionado com a natureza celeste e outro com a natureza terrestre. Inicialmente poderíamos dizer que este foco de manifestação penetrava por breves períodos a experiência da alma (provocando aqueles saltos evolutivos da alma), reintegrando-se em seguida ao Tudo que É, em uma delicada dança de criação, até que este almo (que é uma outra emanação da consciência) acaba se atrapalhando, ficando hipnotizado pela experiência e se limitando neste plano, sendo seu corpo atual de expressão nosso eu médio ou personalidade, tendo a mente cotidiana como sua principal função. Nesta etapa, a principal manifestação da alma são as imagens e emoções, mas já manifesta pensamentos por assimilações do almo, enquanto que a principal manifestação do almo são os pensamentos, que estão envolvidos por emoções e imagens por sua interação com a alma.
O modo operacional do almo é segurança, estabilidade, procura de entendimento e preservação, enquanto o modo operacional da alma é mudança e atração por novas experiências, o que causa um certo stress. O casamento do rei e da rainha na alquimia simboliza a união do almo e da alma adultos, abençoados pela força de Shekina ou Espírito Santo; o que coroa esta etapa e dá início à próxima, que será o início de nossa expressão humana como seres reintegrados e divinos. Neste momento seremos templos para nosso eu superior crístico (quando dois estiverem reunidos em meu nome eu também estarei lá) e estaremos dando início à nossa missão planetária, continuidade à nossa missão grupal e superando nossa missão pessoal. Espero que logo.
Vou sugerir aqui uma imagem para meditação: “Observo as estrelas no lago tranqüilo”.
Has, não pode ser diferente.
outubro.11
Contato com o autor:
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