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14 de dezembro de 2019

Responsável: Constantino K. Riemma


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O Sol e o Leão na Alquimia e no Tarot
  Tereza Kawall  
Na Alquimia encontramos um tema central, que é a transformação dos metais em ouro, outro importante símbolo do signo de Leão.
Do ponto de vista dos alquimistas, o ouro físico e o ouro psíquico eram a mesma coisa e eles não estavam interessados no “ouro vulgar” mas, sim, no “ouro filosófico”.
A “Grande Obra” ou a “Pedra Filosofal” era a descrição de um processo bastante complexo, da transformação da natureza humana, a fim de que ela pudesse espelhar o seu aspecto divino. O objetivo da obra era achar Deus na matéria, e o metal ouro, cuja natureza nobre e brilhante era o símbolo do eu espiritual transformado. A “opus” estaria destinada a aperfeiçoar o homem, a obra inacabada de Deus.
Splendor Solis
No tratato alquímico "Splendor solis" (1582), o Sol Cósmico purificado, que nasce da obscuridade, se encontra com a Terra no final do trabalho alquímico: "aquele que
está acima se une ao que está abaixo", simbolizando, no nivel psicológico, a integração de toda a personalidade.
 
As diferentes fases do processo alquímico tinham uma relação direta com a posição planetária uma vez que as duas formas de conhecimento são baseadas no princípio das correspondências e do tempo qualitativo. Os metais transformados tinham a mesma substancia ou o mesmo princípio dos planetas, e havia o tempo certo para as coisas acontecerem. O sol alquímico é sobretudo o símbolo do renascimento das forças espirituais, a centelha do fogo divino no homem.
Em analogia , o pressuposto alquímico é que o Sol é a própria imagem de Deus, assim como o coração é a imagem do sol no homem. O ouro é o símbolo solar por excelência, a revelação do plano divino na terra.
Ao final do processo havia a imagem da coniunctio, uma conjunção do Sol e da Lua ou do casamento sagrado do rei e da rainha, que em síntese seria a integração dos opostos, da vida consciente e inconsciente.
As imagens alquímicas, da mesma forma que os mitos ou contos de fada representam diferentes etapas do desenvolvimento psicológico, da mesma maneira que um mapa astrológico descreve uma “opus” individual, o trabalho de uma vida.  
No Tarot de Marselha encontramos dois arcanos maiores, O Sol e A Força que contêm representações bastante análogas aos princípios astrológicos do Sol e do Leão.
Passada a fase anterior representada pelo arcano maior A Lua, vemos na carta XIX a figura do sol brilhando e duas crianças. O Sol em seu trajeto diário e anual representa os ciclos naturais da vida e em sua potência criativa temos o princípio de organização e da continuidade. O sol como símbolo da força vital psíquica, é a imagem que traduz o espírito masculino, a realização plena dos ideais, a claridade da consciência, a fertilidade e a renovação da vida . No plano divinatório, a carta do Sol indica um período de mais clareza e confiança, pois o medo e a escuridão ( sugeridas pela carta da Lua) já se foram.
Sobre a passagem da noite para o dia, do escuro para a luz do amanhecer diz Goethe:
 
Quem nunca passou horas de vigília
Chorando e esperando o amanhecer
Este não conhece os poderes celestiais.
 
Na carta A Força vemos um leão e uma donzela que está segurando a sua boca aberta. O leão é símbolo de uma força brutal e voraz, que na alquimia era visto como a “besta régia” o sangue quente de um animal devorador, símbolo das paixões violentas. Estes instintos devem ser domados e canalizados e na imagem isso acontece pela ação da energia feminina. Essa carta traduz a necessidade de premeditação do uso da própria força e da percepção
dos limites. A figura feminina sugere a intenção de domar ou integrar os afetos, educar as emoções desgovernadas. É o mesmo feito heróico, a coragem para enfrentar o inconsciente, representado na figura do leão, o poder dos instintos, do fogo e da passionalidade.
Diz Jung sobre a eclosão do conflito entre a vida consciente e inconsciente:
“O conflito engendra fogo, o fogo dos afetos e emoções e, como qualquer outro fogo, ele tem dois aspectos, o da combustão e aquele que cria luz. Por um lado a emoção é o fogo alquímico, cujo calor traz todas as coisas para a existência e cujo ardor reduz todo o supérfluo e cinzas. Mas por outro lado, a emoção é o momento em que o aço encontra a pedra e uma faísca salta, porque a emoção é a principal fonte de consciência. Não existe mudança da escuridão para a luz ou da inércia para a o movimento sem emoção”. (Os arquétipos e o Inconsciente Coletivo)
 
O leão que devora o Sol.
Uma das relações alquímicas
entre o Leão e o Sol.
Reprodução de www.ninthwavedesigns.com
Alcançar a consciência e a revelação do si-mesmo é o que Jung chamou de “processo de individuação”, o cerne da sua teoria e o objetivo da sua prática psicoterapêutica.
Nesse processo está implícito um trabalho de diferenciação destas imagens para que um possa homem tornar-se um indivíduo, uma entidade separada e liberada dos valores coletivos, seja da sociedade seja do próprio inconsciente coletivo.
O homem individuado em sua forma ideal é aquele percorreu todas as etapas de um longo caminho, e que vivenciou sua “impressão celestial ”revelada pelo mapa natal de nascimento.
Como vimos, a individuação é o impulso natural de desenvolvimento do homem. Ela não é sinônimo de perfeição, mas representa a possibilidade de integração de forças opostas da natureza, como sentimento e pensamento, corpo e espírito, instinto e reflexão.
Nesse processo psicológico, tão bem representado nas complexas imagens da alquimia ou mitologia, está implícita, como uma grande metáfora, a conscientização gradual do homem, a revelação do “si mesmo”, uma árdua tarefa que perdura até o final da vida.
maio.10
Contato com o autor:
Tereza Kawall - www.bliss1000.blogspot.com
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